• Chris Preta Oliveira

ÁLBUM “INFERNO VERDE” - NUMA

Apesar de todo o caos de 2020, NUMA continuou firme no propósito para expressar todos os seus sentimentos através do seu álbum de estreia, “Inferno Verde”, que chegou nas plataformas digitais pelo selo Endorphins Lab @endorphins.lab (ditto.fm/inferno-verde).

Nele, a DJ e a beatmaker curitibana aborda temas que se tornaram ainda mais urgentes ao longo deste ano: queimadas e desmatamento na Amazônia, racismo, inclusão social, liberdade de gênero, genocídio indígena, ditadura da beleza, machismo e o mercado musical pouco ocupado pelas mulheres. Mas ela diz muito sem usar uma única palavra.


A ideia é mostrar o que é o Brasil pra mim: um inferno que é extremamente rico, com pessoas maravilhosas, mas que infelizmente tem uma ‘autoxenofobia’ muito foda. É um país que cultua muita a beleza, a vaidade… e que destrói os povos indígenas, que são os verdadeiros brasileiros”, diz.


Capa do álbum.


Assim como o Brasil, NUMA é plural. Isso fica explícito nas 09 tracks do projeto, que une a forma clássica do hip-hop, como a forma das colagens e um ar jazzy, os diversos timbres da música eletrônica (de house ao trip hop) e a brasilidade transmitida em cada uma das músicas. Não por acaso, todos os samples usados por ela são brasileiros, de diferentes ritmos e estilos. Há também a inserção de falas icônicas do líder indígena, ambientalista e escritor Ailton Krenak, da legendária rapper Dina Di, e da atriz Drag Queen Donna Bagos. Cada um desses elementos são essenciais para gerar uma atmosfera musical singular, batizada pela própria NUMA por Raptrônico.


Foto: Divulgação


Eu gosto muito desse país, principalmente em relação às músicas… músicas que eu gosto muito, músicas que eu sampleei, músicas que têm a ver com a minha história ou momentos, como no caso da ‘Renda’, que é o sampler de uma música escrita pelo Lampião… que tem a ver com a minha origem, do meu pai que é nordestino e também uma homenagem a minha mãe”, diz ela. “Então pego toda essa visão e coloco dentro do rap e do eletrônico, que me trouxe muito mais liberdade música, de tocar o que eu de fato quero, de produzir… e o rap, a cultura Hip Hop, de ser minha paixão, apesar de ser a mesma cultura que me tacou pedra por eu defender as mulheres contra o abuso e a violência que ainda infelizmente está presente”.


Foto: Divulgação


Ao mesmo tempo que chega aos serviços de streaming, “Inferno Verde” também ganha uma versão em fita cassete com tiragem limitada de 20 peças. O disco tem a mixagem da Malka, e a música “Renda” é co-produzida pela Nath. A arte da capa é assinada por Pietro Domiciano com foto do Vinicius Moscatto. Masterização de allb.


Assista o videoclipe da música “Mami”, dirigido por Vinícius Moscatto e Pietro, uma das faixas do álbum.



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Colunista: Chris Preta.

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