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DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro
Models: REAL WOMEN / Photography: @demmacedo @andersonmmacedo_ / Media: @anaterra.oli / Video: @olivervideomaker_ / Beauty: @dariobion / Styling: @diegobbueno / PR: @hooks.magazine @directorhooks @evelyoliveira / Studio: @nasulstudio / Support: @caetano3353 @karladelreimacedo_ @vilareencontrotiradentes / Looks: BAZAAR @institutohuman_org / Partnership: @likxy.br @eucamilamn / @prefsp / @smads_sp

Em um cenário em que a moda ainda sustenta, muitas vezes de forma silenciosa, estruturas de exclusão, o Projeto DESconstrução emerge não apenas como proposta estética, mas como gesto político e sensível de ruptura. Mais do que questionar padrões, ele tensiona narrativas, desloca centros e reconfigura o olhar.

Idealizado por Anderson Macedo, o projeto nasce de uma inquietação legítima diante da padronização da beleza, não apenas como imagem, mas como construção histórica, social e simbólica. Desde 2017, sua intenção se mantém precisa: ampliar o campo de visão, expandir o acesso e reposicionar os corpos e histórias que, por tanto tempo, foram mantidos à margem.


DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

Ao longo de sua trajetória, o DESconstrução se consolida como um manifesto visual que atravessa moda, arte e representatividade. Se, em seus primeiros movimentos, encontrou eco em artistas e influenciadores, com o tempo o projeto se aprofundou e, nesse processo, revelou novas urgências. Aproximar-se de realidades historicamente invisibilizadas não foi um desvio de rota, mas um desdobramento natural de sua essência.


DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

Nesta edição especial, realizada em parceria com o Programa Social de Moradia Transitória Vila Reencontro Tiradentes, o projeto se insere em um território atravessado por vulnerabilidade social, mas também por potência, resistência e reconstrução. Aqui, as imagens não operam como fuga da realidade, mas como ferramenta de reposicionamento dentro dela.


DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

O que se revela não é uma transformação superficial, mas um deslocamento interno. Um instante em que o espelho deixa de refletir ausência e passa a afirmar presença. Um momento em que essas mulheres se reconhecem a partir de um lugar que, por muito tempo, lhes foi negado: o centro.


DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

A presença de Ana Terra adiciona densidade a essa construção. Ao acompanhar o ensaio e conduzir diálogos com as participantes, sua escuta ativa estabelece uma ponte entre imagem e narrativa, entre estética e vivência. O resultado não é apenas visual, é relacional, é humano, atravessado por troca.

Mais do que um ensaio, DESconstrução se afirma como território de encontro.

Entre moda e verdade. Entre imagem e identidade. Entre o olhar externo e o reconhecimento íntimo.


DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro

É a partir desse espaço que se inicia a conversa com seu idealizador.


  1. O projeto DESconstrução nasce de uma inquietação e de um encontro com realidades muito específicas. Como aconteceu essa aproximação com a moradia transitória e em que momento você percebeu que essas histórias precisavam se transformar em imagem?


Conheci a Vila Transitória por meio de uma ação social em parceria com o Instituto Human. O que encontrei ali não foram apenas histórias de vulnerabilidade, mas narrativas de força, reconstrução e desejo de futuro. Havia uma potência latente e foi nesse momento que entendi que a moda e a imagem poderiam atuar como ferramentas de amplificação desse olhar. Não como solução, mas como possibilidade de reposicionamento de como essas mulheres se enxergam e são vistas.

DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro
  1. O nome DESconstrução carrega uma ideia potente. O que, na prática, está sendo desconstruído através dessas mulheres, dessas imagens e das narrativas construídas ao longo do projeto?


O que buscamos desconstruir é, antes de tudo, a ideia restrita de quem pertence à moda. Durante muito tempo, ela foi apresentada como um território limitado, tanto na forma como é comunicada quanto em quem ocupa esse espaço. O projeto tensiona essa lógica. A cada ensaio, a cada encontro, o que vemos é uma mudança de postura, presença e percepção. As pessoas passam a se reconhecer dentro da imagem, não como exceção, mas como parte legítima dela. E isso transforma.
DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro
  1. Esta edição se insere em um contexto de vulnerabilidade, mas também de potência feminina. Como construir um olhar que não romantize essas vivências e, ao mesmo tempo, revele a força que existe nelas?


Esse é um cuidado constante. Trabalhamos com uma equipe que entende profundamente a responsabilidade do projeto. Antes de qualquer direção estética, existe escuta, existe estudo. Cada pessoa é compreendida em sua individualidade, e a construção do ensaio parte dessa essência. A moda entra como linguagem, não como imposição. O objetivo nunca é suavizar a realidade, mas criar uma imagem que dialogue com ela de forma honesta e respeitosa.
DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro
  1. Trabalhar com pessoas fora do circuito tradicional da moda desloca o processo criativo. O que esse projeto exigiu de você como fotógrafo e diretor criativo, em termos de linguagem, escuta e construção estética?


Exigiu presença. Mais do que técnica, esse projeto pede disponibilidade para ouvir, observar e adaptar. Cada ensaio traz uma dinâmica própria, e isso desloca qualquer fórmula pronta. A linguagem se constrói no encontro. A estética nasce da relação. Como diretor, meu papel é conduzir esse processo com sensibilidade, garantindo que a imagem final não seja apenas bonita, mas verdadeira.
DESconstrução: Quando a moda deixa de ser padrão e passa a ser encontro
  1. Existe uma linha tênue entre representar e expor. Durante o DESconstrução, como você construiu um ambiente de confiança para que essas mulheres se sentissem, de fato, vistas e não apenas retratadas?


A confiança é construída no processo. Desde o primeiro contato até o momento do ensaio, tudo é feito com cuidado, transparência e respeito. Não existe distinção na forma como tratamos as pessoas. A experiência de set, direção e entrega é a mesma para todos. Isso cria um ambiente onde elas não estão sendo observadas, mas participando ativamente da construção da própria imagem. E isso faz toda a diferença.

  1. O projeto afirma que todos estão na moda e que a arte está em todos. Depois dessa experiência, o que essa ideia passou a significar para você na prática? Existe algum momento ou encontro que tenha redefinido essa percepção?


Essa ideia sempre esteve presente na minha trajetória, mas o projeto aprofundou esse entendimento. Venho de um contexto familiar que já trazia essa sensibilidade, com uma mãe assistente social e um irmão envolvido em ações comunitárias. Sempre estive próximo de diferentes realidades. O DESconstrução materializa isso. Ele transforma um pensamento em prática. E, ao longo do caminho, cada encontro reforça que a beleza não está em um padrão, mas na singularidade de cada história.

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