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DR. FELIPE GASPARINI: A CIÊNCIA DE SABER QUANDO TRANSFORMAR


'BEAUTY' EDITION COVER - AUGUST 2026 ISSUE

DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio

Dr. Felipe Gasparini entende a Dermatologia como o encontro entre ciência, precisão e sensibilidade. Entre a disciplina aprendida no judô, a formação científica e os avanços da Dermatologia, sua prática parte de uma convicção cada vez mais rara: nem tudo aquilo que pode ser transformado precisa ser modificado.


Aos 16 anos, Felipe já havia conquistado a faixa preta de judô. Mais tarde, chegou à Seleção Brasileira. O esporte de alto rendimento lhe ensinou disciplina, preparação e constância, mas também algo menos evidente: permanecer sob pressão sem perder a clareza.

Na Medicina, essa formação encontrou outro tipo de desafio.

A ciência entrou cedo nessa construção. Durante a graduação, Felipe se dedicou à pesquisa e à produção científica, experiência que ampliou sua maneira de pensar a prática médica. Vieram a vivência internacional em Dermatologia e a especialização na UNIFESP, consolidando um olhar guiado menos pela pressa de responder e mais pela necessidade de investigar, questionar e compreender.


DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM

Essa postura ganha particular importância em uma especialidade que evolui em velocidade extraordinária.


A Dermatologia contemporânea oferece tecnologias e possibilidades terapêuticas cada vez mais sofisticadas. Para Felipe, porém, a questão mais importante continua sendo anterior à escolha de qualquer recurso: o que realmente faz sentido para aquela pessoa?

É uma pergunta simples, mas que exige conhecimento para ser respondida.

Tecnologia amplia o repertório. A ciência oferece evidências. A experiência permite reconhecer nuances. E é o julgamento clínico que transforma tudo isso em uma decisão.


DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM

É nesse encontro que a ciência também encontra a estética.

O rosto não é apenas uma estrutura anatômica. Ele carrega expressão, tempo, identidade e a maneira como cada pessoa se reconhece no mundo. Uma queixa aparentemente objetiva pode, portanto, carregar expectativas muito mais profundas. Antes de pensar em intervenção, existe algo que precisa ser compreendido: o que aquela pessoa realmente procura.


Por isso, a escuta ocupa um lugar tão importante em sua prática.

Felipe entende a naturalidade não como uma estética específica, mas como consequência de uma intervenção bem indicada, capaz de respeitar proporções, características e identidade. O objetivo não é criar uma nova versão de alguém, mas cuidar daquilo que já existe sem apagar sua origem.


DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM

Essa perspectiva ganha ainda mais força em um momento em que filtros, algoritmos e referências estéticas tornam os padrões visuais cada vez mais homogêneos. O acesso a imagens aumentou, mas a diversidade do que consideramos belo nem sempre acompanhou esse movimento.


Nesse cenário, preservar a identidade pode ser tão sofisticado quanto transformar.

Talvez exista uma conexão silenciosa entre o atleta e o médico. No judô, força sem controle não é excelência. Técnica exige estratégia, preparo e consciência do momento certo. Na Dermatologia, essa mesma lógica encontra outra linguagem: nem sempre fazer mais significa cuidar melhor.


E quanto mais a Medicina amplia aquilo que pode fazer, maior se torna a responsabilidade sobre aquilo que se escolhe fazer.

É nesse espaço que Felipe encontra sua própria definição de excelência. Não apenas na capacidade técnica de intervir, mas no discernimento para saber quando, como e por que intervir.

Porque um resultado verdadeiramente sofisticado não precisa anunciar o procedimento. Não precisa apagar expressão, história ou identidade.


DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM

Pode ser justamente aquele que preserva, com precisão e sensibilidade, aquilo que torna cada pessoa única.


  1. Aos 16 anos, você já havia conquistado a faixa preta e, mais tarde, chegou à Seleção Brasileira de Judô. O esporte de alto rendimento ensina que resultado é consequência de disciplina, repetição e da capacidade de permanecer sob pressão. Olhando para o médico que você se tornou, quais princípios aprendidos no tatame continuam orientando suas decisões até hoje?


O judô foi a primeira grande escola da minha vida. Muito antes da Medicina, aprendi que disciplina é uma escolha diária e que a consistência sempre supera soluções imediatas. No tatame, entendi que é possível manter a serenidade mesmo diante da pressão, respeitar o tempo de cada processo e nunca subestimar a importância da preparação.
Hoje percebo que esses princípios continuam presentes em todas as decisões que tomo como médico. A Dermatologia exige conhecimento técnico, mas também equilíbrio emocional, responsabilidade e capacidade de decidir com clareza, especialmente quando cada escolha impacta diretamente a vida de alguém. O esporte me ensinou que excelência não nasce de um momento extraordinário, mas da repetição silenciosa de atitudes corretas ao longo do tempo.
DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
  1. Antes de se dedicar integralmente à Dermatologia, sua trajetória passou pela pesquisa e pela produção científica. A ciência ensina que toda resposta nasce, primeiro, de uma boa dúvida. Como essa forma de pensar influencia a maneira como você conduz um paciente que espera uma resposta imediata, mas cuja melhor decisão talvez exija tempo, investigação e prudência?


Durante os seis anos da graduação em Medicina, a pesquisa científica fez parte da minha formação e mudou profundamente a forma como aprendi a enxergar a profissão. A ciência nos ensina que uma boa resposta começa, antes de tudo, com uma boa pergunta. Aprendemos a questionar, investigar e reconhecer que nem sempre a primeira hipótese é a mais correta.
Levo esse raciocínio para o consultório todos os dias. Nem todo diagnóstico deve ser apressado e nem toda expectativa pode ser atendida imediatamente. Muitas vezes, o melhor cuidado exige tempo, investigação e a tranquilidade de reconhecer que prudência também faz parte da Medicina.
Acredito que a pesquisa nos torna profissionais mais críticos, mais humildes diante das incertezas e, principalmente, mais responsáveis pelas decisões que tomamos. Quando existe ciência por trás da prática clínica, o paciente recebe muito mais do que uma resposta rápida; ele recebe uma decisão construída com conhecimento, reflexão e segurança.
DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
  1. A Dermatologia vive um momento de extraordinária evolução, impulsionada por novas tecnologias e possibilidades terapêuticas. Em um cenário em que inovação e tendência frequentemente caminham lado a lado, como você desenvolveu o discernimento para reconhecer aquilo que realmente representa um avanço para o paciente?


A inovação sempre despertou meu interesse, mas acredito que ela só faz sentido quando melhora, de forma concreta, a experiência e os resultados do paciente. Em uma especialidade que evolui tão rapidamente, é natural que muitas novidades despertem entusiasmo. Ainda assim, aprendi que inovação e valor nem sempre caminham na mesma velocidade.
Tenho o privilégio de integrar o Grupo Adriana Vilarinho, um ambiente que estimula atualização constante, discussão científica e contato diário com tecnologias de ponta. Essa vivência reforçou uma convicção importante: o verdadeiro avanço não está em utilizar o recurso mais recente, mas em compreender quando ele realmente faz sentido para aquela pessoa.
No fim, tecnologia é ferramenta. O diferencial continua sendo o julgamento clínico, a individualização e a capacidade de escolher o tratamento mais adequado, e não necessariamente o mais novo.
DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
  1. Existe, muitas vezes, uma distância entre aquilo que o paciente deseja mudar e aquilo de que realmente precisa. Ao longo da sua experiência, como o exercício da escuta transformou a sua compreensão sobre beleza, autoestima e, sobretudo, sobre o limite entre realçar uma característica e preservar a identidade de alguém?


Acredito que uma consulta começa muito antes do exame físico. Ela começa quando o paciente percebe que está sendo verdadeiramente ouvido.
Com o tempo, compreendi que a queixa inicial raramente resume toda a história. Muitas vezes, por trás de um detalhe estético, existem expectativas, inseguranças e experiências que precisam ser compreendidas antes de qualquer proposta de tratamento.
Essa escuta mudou completamente minha forma de entender a beleza. Hoje acredito que ela não está na transformação, mas na preservação da identidade. Meu trabalho nunca foi criar um novo rosto, e sim valorizar aquilo que torna cada pessoa única.
Quando a técnica respeita a individualidade, o resultado deixa de chamar atenção pelo procedimento e passa a chamar atenção pela naturalidade.
DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
  1. Quanto mais recursos a Medicina oferece, maior parece ser a responsabilidade de decidir quando não utilizá-los. Depois de tudo o que a profissão lhe ensinou, o que hoje define, para você, um resultado verdadeiramente bem sucedido?


Durante muito tempo, pensei que um bom resultado estivesse relacionado apenas à qualidade técnica do procedimento. Hoje acredito que ele começa muito antes da execução.
Um resultado verdadeiramente bem-sucedido é aquele em que existe indicação correta, expectativa alinhada e respeito absoluto pela individualidade do paciente. Também aprendi que maturidade profissional significa saber dizer “não” quando necessário.
A Medicina oferece recursos extraordinários, mas eles só têm valor quando utilizados com critério. Para mim, o maior reconhecimento acontece quando o paciente se olha no espelho, percebe a mudança e, ao mesmo tempo, continua enxergando a própria história refletida ali.
DR. FELIPE GASPARINI: THE SCIENCE OF KNOWING WHEN TO TRANSFORM
  1. Para encerrarmos, existe algum princípio que você carrega para além da Medicina, algo que o esporte, a ciência e a própria vida lhe ensinaram e que hoje considera essencial para a maneira como escolhe viver?


Se existe um princípio que procuro cultivar diariamente, é a consciência de que sempre há espaço para evoluir.
O esporte me ensinou disciplina. A ciência me ensinou curiosidade. A Medicina me ensinou humildade.
Talvez essa seja a combinação que mais influencia a maneira como escolho viver. Continuar aprendendo sem perder a capacidade de ouvir, buscar excelência sem abrir mão da sensibilidade e entender que conhecimento só encontra seu verdadeiro valor quando é colocado a serviço das pessoas.
No fim, acredito que nossa maior realização não está apenas naquilo que construímos profissionalmente, mas na forma como fazemos os outros se sentirem ao longo desse caminho. E, para mim, esse sempre será o aspecto mais nobre da Medicina.
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