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Enfim Casados: A Arte de Transformar Sonhos em Cerimônias Únicas

Uma trajetória que começou do zero

Enfim Casados: A Arte de Transformar Sonhos em Cerimônias Únicas
Photos Disclosure Press

Poucos profissionais chegam ao universo dos casamentos por um caminho linear, e com Cris, sócia da Enfim Casados, não foi diferente. Depois de sair do antigo emprego em 2013, ela se viu em casa, inquieta e em busca de propósito.


“Eu sempre fui uma alma inquieta. Comecei a ficar irritada de ficar em casa”, conta.

Foi então que, junto com a mãe aposentada, decidiu empreender. Uma visita ao Sebrae e uma ideia de baixo investimento depois, nasceu uma floricultura. Mas o universo tinha outros planos.


Paralelamente, Cris havia feito um curso de maquiadora profissional e descobriu rapidamente que maquiar não era para ela. “Eu não sei nem me maquiar até hoje”, confessa, rindo. Foi dentro da floricultura, porém, que tudo mudou: uma cliente pediu ajuda com as flores do casamento. Cris topou o desafio, fez uma parceria com um decorador conhecido, entregou o trabalho e a noiva amou.


Enfim Casados: A Arte de Transformar Sonhos em Cerimônias Únicas

Na semana seguinte, um fotógrafo de casamentos bateu à porta com uma proposta simples: montar um pacote completo de cerimonial e decoração. O cachê era de R$ 590,00. Na época, pareceu muito dinheiro.


“Fui aprender um pouco, tomei gosto pela coisa. Daí fiz curso, especialização em produção de eventos e comecei a trabalhar com isso.”

Cinco anos depois, Cris já ganhava mais do que o marido, Dilson, em sua empresa. A solução foi natural: convidá-lo a se juntar a ela. O timing perfeito do caos: a sociedade chegou com um mês de lockdown, no auge da pandemia.


“Deus sempre deu um jeito. O universo, sei lá, cada um chama do que quiser. Mas sempre deu certo.”

Durante a pandemia, os dois se reinventaram. O caminhão que usavam para transportar decorações virou ferramenta de frete. E, enquanto isso, Cris conversava com noivas, entendia suas angústias e abria brechas para seguir em frente. A Enfim Casados não só sobreviveu, como cresceu.


O que é, afinal, um wedding planner?


Para quem acaba de ficar noiva e nunca ouviu falar do universo do planejamento de casamentos, a explicação de Cris é direta:


“Somos um time de wedding planners, o que é diferente da assessoria tradicional. Nossa proposta é que o nosso olhar seja mais estratégico e personalizado. O casamento tem que fazer sentido para o casal e tem que caber dentro do budget deles. Tem que deixá-los felizes esteticamente, nos momentos, na gastronomia. A gente precisa entender as prioridades deles e produzir esse casamento com base nessas prioridades.”

A assessoria tradicional, ela explica, trabalha com um padrão que funciona para muita gente, mas não para todos. Na Enfim Casados, cada casal tem um cronograma diferente, um budget diferente e um projeto visual desenvolvido por Dilson, que oferece máxima visibilidade antes do grande dia.


“A cerejinha do bolo é o projeto do casamento. Ele traz o máximo de visibilidade possível para a noiva saber: é isso mesmo que eu imaginava, estou segura, posso ir me arrumar em paz e viver o meu dia.”

Além disso, a empresa trabalha com um casamento por data, sem segunda equipe. A pessoa que caminha com a noiva nos meses de planejamento é a mesma que estará ao lado dela no making of e na festa.


“A proposta é que você caminhou com uma pessoa naquele dia. Aquela pessoa que está com você te trazendo segurança, estando com você no teu making of, estando com você na tua festa. Caminhar juntos é produzir juntos esse casamento, ponto a ponto, sem limitação de reunião, sem limitação de visitas técnicas.”

Como escolher o wedding planner certo


Quando o assunto é encontrar a assessoria ideal, Cris acredita que o primeiro erro que uma noiva pode cometer é se limitar ao preço.


“O valor no casamento dela é muito importante. A gente avalia preço, sim, mas junto com os casais, avalia o valor daquele serviço para o casamento dela.”

Ao longo dos anos, um perfil foi se desenhando naturalmente entre as clientes da empresa.


“Eu percebo que elas perguntam bastante a minha opinião sobre o vestido, sobre as lembrancinhas. Elas brigam com a madrinha e eu fico brava junto. Elas tentam fazer o noivo fechar uma banda e eu estou junto nisso.”

O que essas noivas têm em comum, segundo ela, é a vontade de viver o processo com tranquilidade, sem ser colocada em uma esteira de produção como mais uma entre tantas.


“A noiva que é o nosso perfil é organizada, quer controlar o budget, mas também quer alguém que respeite o que ela sonha.”

A curadoria de fornecedores: ciência e sensibilidade


Um dos pilares da Enfim Casados é a curadoria criteriosa de fornecedores. As indicações são baseadas em histórico real: entrega que deixou a noiva feliz, capacidade de seguir um briefing e disposição para trabalhar em equipe no dia do evento.


“Se deu um problema com algum outro fornecedor no dia, é problema nosso também. A gente valoriza muito esse trabalho em equipe. Então esse perfil de fornecedor é o que se torna uma indicação nossa.”

Quando um fornecedor decepciona, ele passa a ser contraindicado e, em casos extremos, se os noivos ainda assim quiserem fechar com ele, é necessário assinar um termo de compromisso.


Cris compartilha um exemplo marcante: uma decoradora que vendia um formato de iluminação para as noivas, mas contratava outro mais barato para aumentar sua margem. No dia do evento, a montagem chegou errada.


“Ela sabia que estava errado, mas pensou: vai ficar mais barato e a noiva vai fechar.”

Há também o caso de fornecedores que começaram bem e foram relaxando com o tempo.


“A pessoa chegou ao ponto de não saber a data do casamento na semana do casamento. Ela achava que era na sexta.”

A partir daí, a Enfim Casados passou a apenas cumprir os contratos já firmados com essa empresa e encerrou as indicações.


O imprevisto mais surreal e como foi resolvido


Todo profissional de casamentos tem aquela história. A de Cris envolve devoção, correria e muita criatividade.


A noiva era extremamente devota de Nossa Senhora das Graças. As lembrancinhas eram terços feitos à mão pelo avô do noivo. A referência para a imagem da santa era de um metro de altura. Na semana do evento, Cris confirmou com a decoradora: tudo certo com a imagem? A resposta foi sim.


No dia da montagem, chegou uma imagem de 25 centímetros, colocada sobre um pedestal de outros 25 centímetros.


“Ficou parecendo uma coluna grega com um turista em cima tirando foto. Ficou horrível.”

Cris pensou no que fazer por exatamente cinco minutos. Depois, agiu. Pediu o reembolso à decoradora para comprar uma nova imagem, mas ela se recusou a ajudar.


Começou a ligar para fornecedores em busca de uma imagem de tamanho adequado. Encontrou um em um bairro longe do local da cerimônia, enquanto o casamento seria realizado do outro lado da cidade. Ligou para o noivo, que autorizou a compra e cedeu seu motorista. Dilson correu pelos fundos do salão e trocou a imagem antes da noiva entrar.


Quando ela cruzou as portas do salão, seus olhos brilharam.


“Meu Deus, que lindo!”, disse a noiva.

Ela só descobriu o que havia acontecido durante a festa, quando encontrou a imagem original escondida em um cantinho da sala de apoio. O noivo acabou contando tudo.


E a história tem um final ainda mais bonito: a santa comprada na correria foi usada novamente no casamento de uma amiga da noiva e virou, carinhosamente, a santa dos casamentos.


A decoradora, por sua vez, nunca devolveu o dinheiro nem deu qualquer satisfação.


Uma decisão em segundos — que mudou tudo


Em um casamento ao ar livre, a cerimônia estava prestes a começar. Estava garoando. Os músicos contratados se recusavam a tocar, alegando que a umidade poderia danificar os instrumentos, mesmo com um grande ombrelone disponível para protegê-los.


O cortejo estava montado. A noiva sonhava com o plano A. E Cris tomou uma decisão:


“Pode ir embora.”


Ela se virou para o DJ presente, que tinha a playlist completa, e confirmou que ele poderia assumir. A musicista foi embora, contrariada. Mas, no momento em que o arco do violino começou a se mover, ela havia voltado atrás e a chuva parou.


A cerimônia aconteceu sob um céu aberto, e a noiva entrou ao som ao vivo.


“Eu sabia que, se ela fosse embora, a noiva podia cobrar de mim. Era uma decisão muito séria”, admite Cris.

Foi esse mesmo casamento que viralizou nas redes sociais, com o emocionante momento em que os avós do noivo entraram juntos na cerimônia.


O casamento que ninguém esquece


Entre tantas histórias, há uma que permanece gravada na memória de toda a equipe: o casamento de Gabi (nome fictício).


Noiva da época da pandemia, Gabi foi diagnosticada com um câncer extremamente agressivo na coluna antes mesmo das restrições começarem. A doença avançou para o pulmão e, depois, para o cérebro. Com o casamento já marcado, ela enfrentaria também uma cirurgia cerebral.


Ao saber da situação, Cris tomou uma atitude que diz muito sobre quem ela é. Entrou em contato com todos os fornecedores, contou o que estava acontecendo e comunicou que, da sua parte, o casamento estava quitado.


“Ela não precisava pagar mais nada, queríamos que ela usasse esse valor para fazer a cirurgia.”

Fornecedor por fornecedor foi contatado. Muitos doaram serviços, deram descontos, contribuíram com o que podiam. Uma cesta foi montada com uma cartinha: “Use esse dinheiro para o seu tratamento.”


Gabi conseguiu fazer a cirurgia.


No dia do casamento, ela estava radiante, com o seu cabelo curtinho crescendo e os olhos brilhando. Dançou na pista, se divertiu e foi muito amada. Todos os fornecedores choraram durante a cerimônia.


“Se você olhava, não via ninguém que não estivesse chorando.”

A Gabi voltou da lua de mel, fez os exames e, infelizmente, nunca mais saiu do hospital. Faleceu oito meses depois do casamento, aos 29 anos.


“Acho que foi o casamento mais emocionante que já presenciei. Tive que parar e me concentrar de novo para prestar atenção no trabalho, porque foi muito emocionante.”

Casamentos fora do país: desafio e recompensa


A Enfim Casados também atua em casamentos internacionais, e os desafios são proporcionais à grandiosidade do projeto. Há as barreiras culturais, a questão do idioma e a ausência do WhatsApp como ferramenta de comunicação rápida.


Os cronogramas são elaborados em três línguas: português, inglês e italiano. A equipe chega um dia antes e refaz todo o planejamento com o buffet e o local.


“Tem a questão cultural. Tem a questão da língua e, quando a gente fala de algo fora do país, principalmente na Itália, ninguém está falando a sua língua materna. Então existe a possibilidade de não estar sendo compreendido. A gente fala uma, duas, três vezes.”

Mas a recompensa é proporcional ao esforço.


“Quando você está viajando fora e escuta alguém falando português, você já quer conversar. Imagina alguém organizando um casamento, entendendo o que você gosta, o que você quer, em outro país.”

Há também detalhes que passam despercebidos por noivas que escolhem espaços pela beleza diurna, como a iluminação noturna, frequentemente esquecida.


“A gente manda story dos espaços de outros casamentos no exterior um para o outro e falamos: não pensaram na iluminação noturna, de novo.”

Esses detalhes só são resolvidos pela vasta experiência que a Enfim Casados possui.


Por onde começa quem acabou de noivar?


A resposta da Enfim Casados é direta: começa pelo wedding planner.


“Porque sem essa contratação, a noiva vai fechar um espaço achando que é o da vida dela e vai descobrir que a banda não pode tocar lá, que o buffet não serve o que ela quer, que precisa de gerador, cobertura de tenda, staff extra.”

O wedding planner, explica Cris, é quem vai fazer a análise financeira real, entender o que cabe no budget e o que vai além dele. É quem vai ajudar a tomar decisões baseadas em números, não só em emoção.


“Às vezes, um lugar perfeito não é perfeito para você ou para o seu budget. Às vezes, um fotógrafo lindo não é para você, se o estilo dele não é o que você busca. E esse olhar, os noivos não têm, e está tudo bem. Eles não precisam ter com uma boa assessoria acompanhando.”

Sobre os imprevistos do último mês antes do casamento, Cris é tranquilizadora.


“Um mês antes, até na semana do casamento, é melhor do que no dia. Se a gente está vendo isso agora, é porque está revendo pela terceira ou quarta vez tudo, se certificando de que nenhuma ponta ficou solta para que o dia seja perfeito.”

E encerra com uma frase que resume a filosofia da empresa:


“Todo casamento bem executado é um casamento bem planejado.”

O momento mais especial de todos


Quando perguntados sobre o instante mais especial de um casamento, a resposta é unânime: a entrada da noiva.


“É o momento que a gente fica mais tenso, mais concentrado em tudo que está acontecendo, porque a gente precisa fazer acontecer”, conta Dilson.

Enquanto ele fica com o noivo na frente, observando a reação dele e esperando o momento de mandá-lo virar, Cris permanece com a noiva nos bastidores.


“Tem noivas que o buquê treme, e eu só olho para elas e falo que estão lindas, que vai dar tudo certo. Às vezes, ajeitam uma gravata do pai. Tem pessoas mais introvertidas, tem pessoas que choram, que me agradecem na porta”, descreve Cris.

“Eu me sinto um pouco noiva quando me coloco no papel dela nesse momento. Existe uma conexão da noiva olhar no rosto de quem ela contratou dois anos atrás e ver que essa pessoa está ali, ao seu lado. Essa segurança.”

Quando a cerimônia termina, há um alívio coletivo.


“Todo mundo dá aquela respirada. Agora está tudo mais leve.”

O que fica depois que a festa acaba


Ao longo de todos esses anos, entre imprevistos resolvidos nos bastidores, fornecedores que decepcionaram e outros que superaram qualquer expectativa, casamentos que emocionaram a equipe inteira e histórias que ficaram para sempre, Cris e Dilson chegaram a uma conclusão simples e profunda.


Um casamento dura um dia. O planejamento, meses. A memória, uma vida inteira.


E a pessoa que vai caminhar com um casal nesse processo não é apenas uma prestadora de serviços. É alguém que vai saber antes da família quando a noiva brigou com a madrinha, quando o noivo estava com dúvida sobre a banda, quando o budget apertou e foi preciso escolher o que realmente importava.


“A gente entra na vida das pessoas de um jeito muito particular”, diz Cris. “É uma relação de confiança que vai muito além do contrato.”

Por isso, quando o assunto é escolher uma assessoria, ela defende que a decisão precisa ir além das fotos bonitas no Instagram ou do preço mais acessível.


“Você vai passar meses ao lado dessa pessoa. Ela vai saber das suas inseguranças, dos seus medos, das suas brigas. Ela vai estar com você no momento mais vulnerável e mais bonito da sua vida ao mesmo tempo, que é a entrada no altar.”

A pergunta que Cris sugere que toda noiva se faça não é sobre portfólio, nem sobre tabela de preços. É mais simples do que isso: eu confio nessa pessoa? Eu me sinto segura com ela?


“Porque, no dia, quando o imprevisto acontecer — e ele sempre acontece —, você precisa olhar para o lado e saber que aquela pessoa vai resolver. Sem precisar te contar o que deu errado.”

Dilson completa com a mesma serenidade de quem já viveu muitos dias assim:


“A gente não vende um serviço. A gente entrega um dia. E esse dia não volta.”

É essa consciência que faz com que a Enfim Casados siga recusando datas duplas, siga construindo relações longas com seus casais e siga tratando cada casamento como se fosse o único, porque, para quem está nele, é exatamente isso que ele é.


E é por tudo isso que eles são e acreditam, que essa querida família foi a melhor escolha que eu poderia fazer para o meu casamento, o qual vou relatar mais para frente.


Muito obrigada, Cris e Dilson, por abrirem seus corações e suas histórias para educar todas as noivas ansiosas que ainda não começaram a organizar os seus casamentos. Tenho certeza de que fizeram uma grande diferença nas vidas delas também.

 
 
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