Erro silencioso na preparação para a Reforma Tributária pode custar caro às empresas, alerta especialista
- Matheus Hooks/ Editor-In-Chief
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A transição para o novo modelo de arrecadação no Brasil avança em ritmo acelerado, mas um comportamento de risco começa a preocupar especialistas: muitas empresas ainda tratam a Reforma Tributária como uma simples atualização burocrática, restrita aos escritórios de contabilidade.

Segundo Eduardo Dias, especialista em gestão tributária, contabilidade consultiva e CEO da Alldax Contabilidade e Consultoria, essa visão fragmentada ignora uma transformação que afetará diretamente a governança, a competitividade e a sustentabilidade operacional dos negócios.
O cenário regulatório ganhou caráter mais concreto com a publicação do Decreto nº 12.955, em abril deste ano, levando a discussão para uma fase prática. Embora as alíquotas de teste implementadas em 2026 possam transmitir uma sensação de tranquilidade, o calendário estabelece o dia 1º de agosto de 2026 como marco para a aplicação de penalidades relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias do IBS e da CBS.
A nova etapa exige adequação imediata dos sistemas, revisão de processos internos e maior integração entre as diferentes áreas das empresas.
Na prática, os impactos devem atingir com mais intensidade as organizações optantes pelo Simples Nacional e os setores intensivos em mão de obra. Como a folha de pagamento não gera créditos tributários, muitas empresas poderão precisar recalcular custos, margens e modelos comerciais para não perder competitividade.
As novas regras também podem alterar o comportamento de compra das empresas, que tendem a priorizar fornecedores capazes de gerar melhor aproveitamento de créditos fiscais ao longo da cadeia produtiva.
“O maior erro que vejo é tratar a Reforma Tributária como um problema exclusivo da contabilidade. Na realidade, ela altera a dinâmica financeira, operacional e estratégica das empresas. Quem não entender isso desde agora poderá pagar um preço alto nos próximos anos”, alerta Eduardo Dias.

Um dos principais pontos de atenção está no impacto sobre o caixa. A introdução de novos mecanismos de recolhimento pode reduzir a quantidade de recursos que antes permanecia disponível nas contas das empresas, exigindo uma gestão de fluxo de caixa mais rigorosa e maior planejamento do capital de giro.
“O empresário costuma pensar apenas no imposto, quando o verdadeiro impacto pode aparecer no caixa, na formação de preços, na integração dos sistemas e até na competitividade do negócio”, explica o especialista.
Para Eduardo Dias, empresas com grande volume de transações precisam avaliar desde já se haverá necessidade de reforçar o capital de giro.
“Quem deixar para analisar esse impacto somente quando o sistema estiver plenamente em funcionamento poderá precisar recorrer a crédito bancário em condições menos favoráveis”, afirma.
A modernização do sistema tributário também exigirá maior integração entre sistemas de gestão, meios de pagamento, plataformas financeiras e emissão de documentos fiscais eletrônicos. Falhas operacionais ou incompatibilidades na transmissão de dados podem comprometer o aproveitamento de créditos e reduzir a rentabilidade das empresas.
Além das adequações tecnológicas, o especialista defende que a Reforma Tributária seja acompanhada por uma estrutura multidisciplinar dentro das organizações.
“Se eu pudesse dar apenas uma orientação aos empresários, seria criar um comitê permanente da Reforma Tributária. A mudança envolve financeiro, operações, tecnologia, jurídico, contabilidade e liderança”, recomenda.
Segundo ele, empresas que acompanharem essa transição de forma organizada terão mais chances de reduzir riscos, identificar oportunidades e se adaptar antes dos concorrentes.
“Quem esperar a implementação definitiva terá menos alternativas, custos maiores e muito menos margem para corrigir o rumo”, conclui Eduardo Dias.






























