A admirável Hana Khalil e o papel dos influencers na luta ambiental e no cuidado com a saúde mental.




Por: Evely Oliveira



Hana Khalil, 25 anos, brasileira, natural do Rio de Janeiro, formada em Cinema e um ser humano admirável!

Com sua visão de mundo, ela vem nos ensinar sobre ir muito além de ser apenas um rosto bonito.


Influencer, feminista, vegana e ativista, possui um canal de sucesso no Youtube e também participou da 19ª edição do reality show Big Brother Brasil (Rede Globo) além da quinta temporada do De Férias com o Ex (MTV Brasil).

E não para por aí: essa mulher acumula talentos e aborda temas extremamente necessários como: compostagem, sustentabilidade, feminismo, aquecimento global e saúde mental, além de compartilhar conosco lindos momentos e experiências de vida em seu perfil no instagram @Khalilhana, onde incentiva e inspira milhares de mulheres em seus processos de cura e auto-conhecimento.


Em 2020, se voluntariou para ajudar a cuidar de animais feridos e desabrigados pelas queimadas no Pantanal:

"Vi com meus olhos os impactos que os incêndios e o próprio modo de consumo que a humanidade está levando fizeram com aquela região. Não tem como ver o que está acontecendo com o Pantanal e achar que não existe aquecimento global".




A Hooks, como veículo que preza e acredita no posicionamento das mídias e pessoas em questões tão urgentes e atuais, se sente honrada em poder compartilhar hoje com vocês um pouco mais sobre a Hana e suas opiniões.




1- Conte-nos um pouco mais sobre sua missão S.O.S Pantanal. Foi muito difícil encarar tal realidade? O que gostaria de compartilhar sobre essa experiência?

"Foi uma experiência surreal. Ano passado eu fui ao Pantanal ver com meus olhos os impactos que os incêndios e o próprio modo de consumo que a humanidade está levando fizeram com aquela região.

Não tem como ver o que está acontecendo com o Pantanal e achar que não existe aquecimento global. Eu fiquei chocada com o tamanho do território que o fogo destruiu. É comum naquela região o fogo espontâneo no período de seca, mas os incêndios estão acontecendo de forma cada vez mais devastadora. Eu realmente não acredito que tudo aquilo tenha sido somente da característica do bioma. Nós temos muitas problemáticas no Brasil em relação ao meio ambiente. A nossa produção de alimentos é feita de forma massiva e despreocupada com a qualidade do alimento ou preservação da terra. Na natureza está tudo interligado, então um desequilíbrio na vegetação abala os animais e consequentemente o clima. Os animais não sofreram somente com o fogo dos incêndios, mas também com a falta de alimento e de água que eles causaram.



O próprio ser humano está sendo afetado e mesmo assim não está revendo seu modo de vida. Eu acho que já passou da hora da gente realmente olhar para os biomas do Brasil. Não podemos deixar essa situação se agravar ainda mais. Temos que prestar atenção no que está acontecendo, usar nossa voz para alertar o máximo de pessoas possível e apoiar as ONGS que estão lutando pelo Pantanal".

2- Você é uma pessoa inspiradora e uma das principais vozes no Brasil sobre veganismo e feminismo dentre outros assuntos que exigem posicionamento e até (infelizmente) coragem para serem abordados, como é carregar tal responsabilidade?

"Eu acho que é muito importante os influenciadores falarem e se posicionarem cada vez mais sobre esses assuntos. Às vezes, é muito difícil ter que falar sobre assuntos que já me machucaram muito. Mas aí a gente tem que lembrar que a nossa fala pode ecoar na cabeça de outras pessoas e evitar que elas passem pelo o que passei. Para fazer um vídeo ou falar sobre algum assunto eu idealizo tudo, estudo o conteúdo, penso na forma mais didática que eu posso entregar o conteúdo para o público. Nem sempre estou no melhor dia para falar sobre esses temas. Tem dias que a gente simplesmente não acorda bem. É um trabalho a longo prazo, que demanda tempo e estudo".


3- O que você diria para as pessoas que estão iniciando a jornada por esse caminho de uma alimentação de origem não animal? E qual a importância de respeitar o tempo de transição alimentar de cada pessoa, mesmo com alguns "deslizes" pelo caminho?

"O importante é você saber o que quer e o porquê de fazer essa escolha. Eu diria para a pessoa estar sempre se informando a respeito, conversar com outras que já são veganas ou que a apoiam na decisão. O brasileiro é um dos países que consomem mais carne no mundo. Essa transformação no hábito alimentar da sociedade é algo complexo. Existem muitos estímulos para a gente comer carne e alimentos de origem animal: marketing, costume familiar, mitos de saúde, os próprios alimentos disponíveis em mercados e restaurantes, entre outras coisas. As grandes empresas e o agronegócio investem muito dinheiro para a gente achar normal comer coisas como coração e beber leite de outros animais. Então é obvio que vão ter vários empecilhos para quebrar essa lógica de alimentação".



4- Você compartilhou sua experiência sobre os efeitos da pandemia em pessoas que sofrem de ansiedade, inclusive dando dicas de atendimento psicológico gratuito no Rio de Janeiro. O que você diria para as pessoas que por algum motivo ainda resistem à ideia de procurar ajuda profissional? E a importância de procurá-la?

"Terapia é algo fundamental para todo mundo, já passou da hora da gente naturalizar o tratamento com psicólogos, psiquiatras e outros profissionais. A pandemia escancarou essa necessidade. Óbvio que a situação pandêmica desencadeia muitos gatilhos para essas condições. Muita gente, principalmente as gerações mais velhas, ainda acha que terapia é coisa de maluco. Além disso ser uma forma de psicofobia e antiquado, também é prejudicial para a própria pessoa, que poderia estar tendo um acompanhamento profissional. Nós lidamos com traumas desde quando a gente nasce, inclusive, com traumas dos nossos familiares que não trataram por conta do preconceito. Além de tudo, não é uma prática da cultura do brasileiro, o que dificulta muito a acessibilidade de pessoas periféricas. Pela falta de incentivo, questões relacionadas à saúde mental são estigmatizadas como “problema de rico” e esse pensamento também é extremamente problemático. De fato, ter acesso a acompanhamento de profissionais ainda é muito restrito e caro no Brasil. Porém, há muitos muitos projetos com valores populares e até mesmo gratuitos de excelência. Também é minha função como influenciadora alertar sobre saúde mental e passar as informações possíveis. A gente tem que naturalizar e incentivar o cuidado com a saúde mental".

5- E por último mas não menos importante, qual é a sua voz? O que você, Hana, gostaria de gritar agora para o mundo?


"Mais do que gritar, eu queria ser ouvida. Aliás, acho que existem tantas pessoas maravilhosas dizendo coisas incríveis que não ganham o reconhecimento que merecem. Quando decidi que queria conversar com as pessoas por meio de plataformas digitais, eu decidi que queria que todos soubessem os inúmeros assuntos que existem para serem discutidos na sociedade como feminismo, machismo, sustentabilidade, e até alguns problemas cotidianos. E acho que não tenho o que gritar porque eu não me aguento e acabo falando mesmo tudo o que eu penso (risos), mas queria ser levada mais a sério às vezes. E quero que outras pessoas com um conteúdo importante também sejam".



Orgulho resume o sentimento em realizar essa entrevista com a Hana e ser um pouco "porta voz" de assuntos tão importantes e que demandam debates tão urgentes.


Que essa mensagem em forma de relato possa chegar e tocar muitos corações!


E lembre-se: são pequenos hábitos que podem fazer toda a diferença. Sobre saúde mental, como dito pela Hana: há muitos muitos projetos com valores populares e até mesmo gratuitos e de excelência. Esse é um assunto para ser levado á sério!


Pratique o auto-conhecimento. Por mais doloroso que seja, precisamos lidar com nossas questões antes que elas virem algo muito maior. Desconstruir padrões é libertador. E esteja atento às questões do planeta em que você vive. Quanto mais informados, mais nos engajamos para trabalhar em conjunto por alternativas para tais problemas.


Créditos:


Artista: Hana Khalil (@khalilhana - https://www.instagram.com/khalilhana/)

Fotografia: Ellen Soares (@auraestudiofoto - https://www.instagram.com/auraestudiofoto/)

Stylist: Paulo Zelenka (@paulozelenka - https://www.instagram.com/paulozelenka/)

Maquiadora: Gahbie (@Gahbie - https://www.instagram.com/gahbie/)

Hair Stylist: Gahbie (@Gahbie - https://www.instagram.com/gahbie/)

Assessoria: Black Comunicação & Marketing (@blackcomunicacao - https://www.instagram.com/blackcomunicacao/)

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
KatGrahamSite.png