A moda 3D de Mateos Quadros



Recentemente me deparei com um trabalho inovador de moda desenvolvido por Mateos Quadros. Trabalhando com materiais não-convencionais, como polímeros termoplásticos (muito utilizados na impressão 3D), Mateos passou a construir peças tridimensionais com cores e texturas variadas. Em sua mais recente coleção, Mateos criou corsets com diferentes formas, simetrias e identidades. O mais interessante foi perceber como o material é maleável, possibilitando ser utilizado em diversas composições sem perder o conforto.




Sobre a coleção:


prelúdio (2021) é a coleção cápsula de Mateos Quadros composta por seis esculturas corporais tridimensionais, sendo a reverberação da sua primeira coleção, interlúdio (2020).


Há um ano, Mateos inventava um aparelho mecânico, similar a uma caixa de som, capaz de manifestar imagens a partir da reprodução/vibração de samples. Ali, se iniciava uma grande piração criativa em que buscava protagonizar seus próprios sons. Todo esse desejo o levou ao encontro e a remasterização de um VHS da sua infância (1996). Entre ruídos, vozes e gritos contidos na mídia analógica, instintivamente se deparou com a existência do vocal de sua mãe, no qual, de uma estranha forma, era mesmo timbre ao que hoje conhece e se referencia. Tocado pelos sentimentos mais viscerais possíveis conduziu diversas experimentações com os vocais maternos manifestados e, assim, encontrou não somente uma série de padrões visuais que ressoam nas criações do agora como também, a forma da estrutura/silhueta das esculturas corporais 3D que, ao seu modo, traçam e simbolizam a sua ventral ligação.


Florencia Chen, Kim Flores, Gui Fontana, Nicole Kunst, Leonardo Farias e Flavia Scwantes


Sobre o designer:


Mateos Quadros (Porto Alegre/RS, 1996) é estilista, formado em moda pela Universidade Feevale de Novo Hamburgo/RS. Seduzido por processos criativos experimentais e tecnológicos alicerçados pela pesquisa, por vezes pelo acaso e, de certo modo, pela intuição. Acredita em sua profissão através da perspectiva da produção de sentidos, ou em outras palavras, de que a roupa é uma criação não efêmera, capaz de ressoar no tempo e nos afetos. Trabalha atualmente como designer em projetos próprios criando a partir da fruição entre o manual-punho e o digital-softwares esculturas corporais tridimensionais em polímeros termoplásticos.