top of page
HooksLogo.png
HooksMagazine.png
Hoshikuma Minami.png

ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

há 13 horas
8 min de leitura

HEALTH COVER EDITION - OCTOBER 2026 ISSUE

ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética
Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio

A trajetória da Dra. Alyce Assunção começa em Poconé, no Mato Grosso, em meio à paisagem do Pantanal, e chega hoje a um cenário internacional de discussão sobre o futuro da estética. Biomédica, empresária e fundadora do AFA Instituto, em Cuiabá, ela construiu sua carreira entre a prática clínica, a formação internacional e a busca por conhecimento que a levou a diferentes países, entre eles a Coreia do Sul.


É nesse percurso que se desenvolve seu interesse pela regeneração: compreender o que acontece com os tecidos antes que uma transformação se torne visível. A perspectiva está no centro de O Código da Regeneração, tema que leva ao debate internacional e que propõe olhar para além do procedimento, considerando os processos biológicos envolvidos na resposta do organismo.


ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

A experiência na Coreia do Sul ocupa um lugar particular nessa formação. Ao conhecer profissionais como o Dr. Kwon Hanjin e visitar clínicas locais, Alyce encontrou uma abordagem que despertou seu interesse pela qualidade da pele e pela continuidade dos cuidados. A experiência ampliou seu olhar sobre uma área em que a busca por correções imediatas costuma dividir espaço com questões menos visíveis, mas determinantes para a avaliação de cada paciente.


Essa perspectiva exige compreender que procedimentos semelhantes podem produzir respostas diferentes. A tecnologia é parte do tratamento, mas sua indicação depende das características do tecido, das condições individuais e dos objetivos possíveis em cada caso. Para Alyce, esse entendimento começa antes da escolha do equipamento ou da técnica. É na avaliação que se definem não apenas as possibilidades de intervenção, mas também os limites que precisam ser apresentados ao paciente.


ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

A mesma cautela orienta suas decisões empresariais. À frente do AFA Instituto, em Cuiabá, ela precisa avaliar novidades que chegam ao mercado, distinguir oportunidades comerciais de avanços sustentados por evidências e decidir o que faz sentido incorporar à prática clínica. Em um setor marcado pela velocidade dos lançamentos, saber recusar uma tendência também faz parte da construção de uma instituição. A confiança, nesse contexto, depende tanto da qualidade do que se oferece quanto da clareza com que se explicam os limites de cada tratamento.


É nesse ponto que O Código da Regeneração encontra sua principal questão: até que ponto compreender os processos biológicos pode contribuir para decisões estéticas mais bem fundamentadas? O tema envolve aspectos como o metabolismo, a comunicação celular e a remodelação dos tecidos, mas também exige rigor para diferenciar mecanismos conhecidos, hipóteses em investigação e conclusões que a ciência ainda não permite estabelecer. A discussão ganha relevância justamente quando o vocabulário científico passa a circular em um mercado que nem sempre oferece o mesmo cuidado com as evidências.


ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

No AMWC Dubai, Alyce leva esse interesse a um ambiente internacional de discussão profissional. Sua participação representa uma oportunidade de compartilhar a perspectiva que vem desenvolvendo no Brasil e colocá-la em diálogo com outras experiências. Mais do que a presença em um evento de projeção internacional, importa o conteúdo que ela pretende defender: a necessidade de aproximar a prática estética de uma compreensão mais criteriosa dos processos envolvidos nos resultados.


A distância entre Poconé e Dubai ajuda a dimensionar o percurso, mas não explica sozinha o que o sustenta. Alyce mantém na origem uma referência que ultrapassa a memória afetiva. A convivência com os ciclos do Pantanal, a relação com a comunidade e a imagem da onça, símbolo da região, aparecem em sua maneira de interpretar escolhas e mudanças. Adaptar-se a novos ambientes, sem perder a própria identidade, é uma ideia que atravessa tanto sua história pessoal quanto a forma como enxerga a profissão.


ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

Há também uma estrutura familiar por trás das viagens, dos cursos e dos compromissos que acompanham sua carreira. O apoio do marido e dos filhos aparece em seu relato como parte concreta dessa construção, marcada por ausências, ajustes e decisões compartilhadas. É uma dimensão que raramente ocupa o centro da narrativa profissional, mas ajuda a compreender o que torna possível sustentar projetos de longo prazo.


Entre a prática clínica, a gestão do AFA Instituto e a formação internacional, Alyce vem construindo sua atuação em torno de uma pergunta que permanece aberta à investigação: como compreender melhor a resposta dos tecidos e transformar esse conhecimento em decisões mais responsáveis? A questão não se resolve com uma técnica isolada nem com promessas de resultados universais. Depende de avaliação individual, conhecimento atualizado e disposição para reconhecer o que se sabe, o que ainda precisa ser estudado e o que não deve ser prometido.


ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

Na conversa a seguir, Alyce fala sobre as referências que moldaram sua trajetória, os critérios que orientam suas decisões e os compromissos pessoais que permanecem presentes à medida que seu trabalho alcança novos espaços.


1. Você nasceu em Poconé, no Pantanal, e hoje seu trabalho alcança outros países. Ao longo dessa trajetória, muita coisa mudou. O que a vida lhe ensinou desde aquela época que ainda pesa nas suas decisões, mesmo diante de oportunidades que poderiam levá-la por outros caminhos?


“O Pantanal me ensinou a respeitar o tempo das coisas. Lá, tudo depende do ciclo da água, da seca e da cheia. Ninguém apressa a natureza, e quem tenta sempre perde. Levo isso para a minha profissão: o corpo também tem o seu tempo, e eu não prometo atalhos.
Também aprendi que a gente não esquece de onde veio. Cresci numa cidade pequena, onde as pessoas se conhecem pelo nome e a palavra dada vale muito. Hoje, mesmo quando surgem oportunidades grandes, eu me pergunto se aquilo combina com quem eu sou. Se não combina, não é para mim, por mais brilhante que pareça.
E tem a onça, que é o símbolo da minha terra. Ela sobrevive porque se adapta ao ambiente sem perder a sua força. Acho que é isso que eu tento fazer: me adaptar a cada novo lugar sem deixar de ser a mulher que saiu de Poconé.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

2. Sua formação inclui experiências em diferentes países, entre eles a Coreia do Sul. Conhecer outras culturas também significa entrar em contato com maneiras diferentes de pensar e exercer uma profissão. O que encontrou nessa experiência que levou de volta para a sua prática e que talvez não tivesse descoberto se tivesse permanecido apenas no Brasil?


“Na Coreia do Sul, eu vi uma outra relação com a pele. Lá, o cuidado começa cedo e é diário. A pele não é tratada só quando aparece um problema: ela é cuidada para continuar saudável. O foco está na qualidade da pele, no brilho, na textura, e não só em corrigir ou preencher.
Isso mudou a minha forma de olhar o paciente. Eu passei a pensar menos em ‘o que eu preciso corrigir’ e mais em ‘como eu deixo esse tecido saudável’. Também me impressionaram a disciplina e a precisão técnica dos profissionais coreanos, incluindo o Dr. Kwon Hanjin, e das clínicas que visitei.
Os Estados Unidos me deram a base da anatomia, mas foi a Coreia que me mostrou que a beleza mais duradoura é a da pele saudável. Esse olhar é a base do que eu faço hoje no AFA Instituto.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

3. Em O Código da Regeneração, você chama a atenção para algo que nem sempre recebe o mesmo destaque que o resultado estético: a saúde dos tecidos e os processos biológicos envolvidos em cada tratamento. Na prática, como esse entendimento muda a avaliação de um paciente e as decisões tomadas a partir dela? E como conduzir essa conversa quando a expectativa de quem procura o consultório nem sempre corresponde ao tempo de resposta do organismo?


“O aparelho entrega o estímulo, mas quem determina a resposta é o tecido. Dois pacientes podem fazer o mesmo laser, com os mesmos parâmetros, e ter resultados muito diferentes. A diferença pode estar nas condições da pele, na capacidade de reparação e em fatores que influenciam a produção de colágeno.
Por isso, a minha avaliação vai além do espelho. Eu olho para a nutrição, para a ingestão de proteína, para a velocidade do emagrecimento e para sinais que podem indicar alterações no organismo. Hoje, muitos pacientes emagrecem rápido, e isso também pode levar à perda de massa magra. A produção de colágeno depende de vários fatores, entre eles uma nutrição adequada. Às vezes, a primeira etapa não é o procedimento, mas avaliar o que precisa ser cuidado antes dele.
Sobre a expectativa, eu prefiro ser honesta desde a primeira consulta. Explico que a resposta do tecido acontece ao longo do tempo e que os resultados dependem de cada organismo e do tratamento indicado. Quando o paciente entende o processo, consegue avaliar melhor o que é possível esperar. Para mim, um resultado responsável vale mais do que uma promessa rápida.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

4. À frente do AFA Instituto, suas responsabilidades vão além do atendimento clínico. Empreender também exige decidir o que vale a pena expandir, quais oportunidades aceitar e quais limites preservar. Você já precisou recusar algo que parecia promissor porque não fazia sentido para a profissional ou para a empresa que desejava construir?


“Sim, e mais de uma vez. Empreender na estética é conviver com muitas ofertas: o aparelho da moda, o produto que promete tudo, o procedimento que todo mundo quer fazer. Nem tudo que dá dinheiro rápido constrói uma marca sólida.
O meu critério é simples: eu só coloco no AFA Instituto o que eu colocaria em mim ou na minha família, e o que tem fundamento científico. Dizer não também é uma forma de cuidar do paciente e da equipe. Cada recusa protege a confiança que as pessoas têm no nosso trabalho, e essa confiança é o maior patrimônio que uma clínica pode ter.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

5. A participação no AMWC Dubai coloca seu trabalho em contato com profissionais e discussões de alcance internacional. Nesse cenário, o que você gostaria de ver debatido com mais seriedade sobre os rumos da estética? Há alguma ideia que ainda encontra resistência no setor, mas que considera fundamental para a evolução da área?


“Eu gostaria de ver mais honestidade científica. A estética evolui muito rápido, e muitas vezes o marketing chega antes da evidência. Na minha palestra, eu faço questão de mostrar o que já está comprovado, o que ainda está em estudo e o que ainda não sabemos. Falar ‘ainda não temos esse dado’ não diminui o profissional. Pelo contrário, aumenta a confiança.
A ideia que ainda encontra resistência é a de que a estética não começa no procedimento. Ela começa na saúde do tecido, na nutrição e no metabolismo do paciente. Ainda existe uma cultura muito forte de volume, de preencher. Eu acredito numa estética que constrói qualidade de pele, que respeita a biologia e que entrega resultados naturais e duradouros.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética

6. Para terminar, quero sair um pouco do campo profissional. Quem acompanha sua trajetória conhece a biomédica, a empresária e os projetos que você desenvolve. Mas existe uma parte de você que raramente aparece quando o assunto é trabalho? O que gostaria que as pessoas conhecessem sobre a mulher por trás de tudo isso?


“Por trás da biomédica e da empresária, existe uma mulher de família. Meu marido e meus filhos são a minha base. Cada viagem, cada curso fora do país e cada palco tem um custo em casa, e eles entenderam cada ausência e dividiram cada sonho comigo. Nada disso seria possível sem eles.
Também existe a menina do Pantanal, que ainda se emociona com a natureza e com as coisas simples. Eu gostaria que as pessoas soubessem que eu também tenho dúvidas, cansaço e medo, como qualquer mulher que tenta conciliar tudo. A diferença é que eu escolhi não deixar o medo decidir por mim. Se uma mulher do interior pode chegar a um palco em Dubai, outras mulheres também podem chegar aonde sonham.”
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética
ALYCE ASSUNÇÃO: Do Pantanal à discussão internacional sobre o futuro da estética


PrintedMagazineStarsForSite.png
bottom of page