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Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade


Dr. Arthur Rasqueri e Dra. Maísa Ribeiro integram uma geração de profissionais brasileiros conectada aos principais centros internacionais de inovação em saúde — e a Dubai, que investe bilhões para se tornar o maior hub de longevidade do mundo.


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade
Photos Disclosure Press

A medicina vive uma de suas transformações mais importantes das últimas décadas. O modelo tradicional, historicamente concentrado no diagnóstico e no tratamento de doenças já estabelecidas, começa a dividir espaço com uma abordagem mais ampla: compreender os mecanismos biológicos associados ao envelhecimento, à perda funcional e à recuperação dos tecidos para desenvolver intervenções cada vez mais individualizadas.


Essa transformação tem um endereço. Dubai investe bilhões para se tornar o maior polo internacional de longevidade do mundo — meta de Estado com prazo definido, orçamento e estrutura regulatória própria. Foi ali que a terapêutica peptídica deixou de operar em zona cinzenta: os Emirados Árabes Unidos regulamentaram o uso de peptídeos em ambiente clínico, com respaldo governamental, exigindo registro dos produtos, indicação médica documentada e rastreabilidade de origem, lote e validade. Enquanto boa parte do mundo discute se essas moléculas devem ser usadas, Dubai definiu como.


É nesse cenário que dois profissionais brasileiros vêm construindo uma trajetória de crescente projeção internacional, atuando lado a lado entre Brasil, Europa e Oriente Médio.


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade

O Dr. Arthur Rasqueri mantém sua prática clínica no Brasil, onde é referência em recomposição corporal, longevidade, saúde e performance, com atendimento a artistas e profissionais submetidos a alta exigência física e pública — pacientes para quem função, recuperação e capacidade não são conceitos abstratos, mas condição de trabalho. Ao mesmo tempo, amplia sua presença internacional, estabelecendo conexões com centros e profissionais envolvidos no desenvolvimento de novas estratégias em performance, metabolismo, longevidade e medicina regenerativa.


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade

A Dra. Maísa Ribeiro, cientista e PhD em Medicina Regenerativa, está estabelecida em Dubai, onde atua na Novomed, uma das maiores redes de clínicas dos Emirados Árabes Unidos, coordenando o departamento de longevidade e treinando os médicos da rede. Desenvolve pesquisa junto ao Departamento de Medicina de Precisão da Gulf Medical University e integra o corpo docente do Geneva College of Longevity Science, na Suíça.


Os dois compartilham essa conexão acadêmica: Rasqueri participa, como médico convidado, do curso de especialização em terapêutica peptídica do Geneva College of Longevity Science, em Genebra — ambiente dedicado ao ensino e à discussão da ciência da longevidade e de novas abordagens aplicadas à saúde.


Ciência e prática clínica: a parceria que move a medicina


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade

Para Arthur Rasqueri, a mudança em curso é conceitual antes de ser tecnológica.


“A medicina está entrando em uma fase em que não basta perguntar qual doença o paciente possui. Precisamos compreender como ele está envelhecendo, como está funcionando metabolicamente, qual sua capacidade de recuperação e quais mecanismos biológicos podem ser modificados. A grande mudança está na personalização.”

Responder a essas perguntas exige mais do que experiência clínica. Exige leitura de literatura, compreensão de mecanismo e acesso a quem produz ciência — e é aí que a colaboração com Maísa Ribeiro se tornou estruturante para sua prática.


A complementaridade entre os dois é o eixo do trabalho conjunto. Uma pesquisadora com uma década de bancada investigando células-tronco derivadas de tecido adiposo e um médico com anos de consultório em metabolismo, composição corporal e performance olham para o mesmo problema por ângulos distintos — e é precisamente aí que a medicina avança.


“A parceria entre ciência e prática clínica é o que produz avanço real. O laboratório sozinho gera conhecimento que não chega ao paciente. O consultório sozinho gera experiência que não é testada. Quando os dois conversam, a medicina anda mais rápido e com mais segurança.”

Para Maísa Ribeiro, o princípio é anterior a qualquer tecnologia: a ciência é a base da inovação e faz toda a diferença nesta nova era da medicina moderna. Sem evidência, o que resta é comércio de novidade.


Peptídeos: uma das áreas que mais despertam interesse


Entre os campos acompanhados pelos dois está a terapêutica peptídica, área que ganhou enorme visibilidade internacional nos últimos anos.


Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que atuam como moléculas sinalizadoras em diferentes processos fisiológicos. Algumas já fazem parte da medicina estabelecida há décadas; outras permanecem em investigação científica ou possuem diferentes níveis de aprovação regulatória conforme o país e a indicação. O interesse atual envolve metabolismo, composição corporal, recuperação, sinalização celular e processos relacionados ao envelhecimento.


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade

Para Rasqueri, o crescimento do interesse exige justamente mais conhecimento médico — e não menos.


“Existe uma diferença enorme entre inovação e experimentalismo. Quanto mais rapidamente uma área cresce, maior precisa ser o compromisso do médico em compreender mecanismo de ação, evidência científica, segurança, qualidade farmacêutica e regulamentação.”

Essa preocupação o levou a acompanhar de perto, em Dubai, estruturas relacionadas ao desenvolvimento e à produção de peptídeos, aproximando a decisão clínica da compreensão sobre processos de fabricação, controle de qualidade e rastreabilidade. Poucos médicos fazem esse caminho; a maioria prescreve sem nunca ter visto de onde o produto vem.


O marco regulatório dos Emirados ajuda a explicar o interesse. A Dubai Health Authority publicou regulamentação específica para o manejo de produtos peptídicos em instalações de saúde, com respaldo governamental. Somente produtos registrados ou licenciados junto à Emirates Drug Establishment podem ser prescritos e administrados; peptídeos destinados exclusivamente a pesquisa são proibidos em uso humano fora de ensaio clínico aprovado; a aquisição de fornecedores não licenciados é vedada; e há obrigação de informar ao paciente os limites da evidência científica e o status regulatório de cada produto.


Para o médico, isso significa previsibilidade. Para o paciente, rastreabilidade — lote, validade, origem, indicação documentada.


A fronteira das terapias celulares


Outro eixo importante desse movimento internacional é a medicina regenerativa baseada em células e seus derivados — estratégias destinadas a modular processos de reparação, inflamação e regeneração tecidual.


Dependendo da tecnologia e da indicação, o nível de evidência pode variar consideravelmente. Terapias celulares, produtos derivados de células, exossomos e outras estratégias de sinalização intercelular ocupam posições diferentes na escala de maturidade científica.


A perspectiva mais moderna não é apresentar essas tecnologias como soluções universais, mas identificar quais possuem respaldo científico suficiente, quais permanecem experimentais e quais pacientes poderão se beneficiar dentro de protocolos adequadamente selecionados. É justamente nessa intersecção entre inovação e rigor científico que Rasqueri e Ribeiro posicionam sua atuação.


Quando longevidade deixa de significar apenas viver mais


A discussão contemporânea está cada vez menos concentrada em aumentar a expectativa de vida e cada vez mais interessada no healthspan — o período da vida vivido com autonomia, capacidade física, cognição e saúde metabólica preservadas.


Isso modifica profundamente a estratégia médica. Genômica, composição corporal, saúde cardiovascular, metabolismo, força muscular, sono, função hormonal, marcadores inflamatórios e capacidade funcional passam a ser analisados de maneira integrada, não em compartimentos isolados.


Nesse contexto, a experiência de Arthur Rasqueri com medicina esportiva, composição corporal e performance encontra conexão direta com a ciência da longevidade. A preservação da massa muscular, por exemplo, deixou de ser considerada apenas uma questão estética ou esportiva: força e função muscular ocupam espaço crescente nas discussões sobre envelhecimento saudável e manutenção da independência funcional ao longo da vida.


O que ele acompanha há anos em atletas e artistas é, em essência, o que a literatura de longevidade hoje recomenda para todos.


Dubai e a nova geografia da medicina


Durante décadas, Estados Unidos e alguns países europeus concentraram grande parte da inovação médica mundial. Esse mapa, entretanto, está mudando.


Em junho de 2026, o Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e governante de Dubai, promulgou a lei que instituiu a Dubai Longevity Authority (DLA) — um órgão governamental criado com um objetivo explícito: posicionar o emirado como o principal polo mundial de longevidade regulada, bem-estar e medicina avançada. A presidência foi atribuída ao Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, príncipe herdeiro de Dubai. A autoridade integra a Dubai Economic Agenda (D33) e a Dubai Social Agenda 33 — duas metas de Estado com horizonte em 2033, que preveem investimento bilionário e colocam Dubai entre as três melhores cidades do mundo em qualidade de vida e expectativa de vida saudável.


O mandato da DLA cobre toda a cadeia: pesquisa e desenvolvimento, ensaios clínicos, manufatura, entrega e cuidado ao paciente.


A velocidade regulatória acompanha o investimento. Em 17 de agosto de 2026, a Emirates Drug Establishment aprovou o upadacitinibe (RINVOQ) para o tratamento do vitiligo não segmentar em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, tornando os Emirados o primeiro país do mundo a licenciar um tratamento oral sistêmico para esse grupo de pacientes. Meses antes, o mesmo órgão havia registrado o primeiro agonista oral de GLP-1 para obesidade crônica disponível fora dos Estados Unidos.


Essa combinação — investimento, regulação e velocidade de incorporação — criou terreno especialmente fértil para medicina regenerativa, terapias celulares, medicina personalizada, avaliação genômica, terapias intravenosas individualizadas e ciência da longevidade. Mais do que conhecer novas tecnologias, o objetivo dos dois profissionais é compreender como diferentes ferramentas podem ser integradas à prática médica de maneira racional, individualizada e baseada em critérios clínicos.


O paciente brasileiro diante do turismo médico internacional


Existe ainda outro fenômeno acontecendo paralelamente: o crescimento do turismo médico de alta complexidade. Pacientes já não viajam somente para realizar cirurgias. Um novo perfil procura centros internacionais para avaliações avançadas, segunda opinião médica, programas de longevidade, tecnologias diagnósticas e tratamentos específicos disponíveis dentro das regulamentações locais.


Dubai ocupa posição estratégica nesse mercado — localização entre Europa e Ásia, infraestrutura hospitalar, conectividade aérea e investimento contínuo em tecnologias médicas.


A ponte construída entre a atuação de Rasqueri no Brasil e a de Ribeiro nos Emirados tem duas prioridades declaradas. A primeira é o acesso: garantir que o paciente seja tratado com as tecnologias mais recentes, em centros especializados, dentro do marco regulatório local. A segunda é a experiência: um percurso planejado, com continuidade médica antes, durante e depois — avaliação adequada previamente à viagem, compreensão clara sobre a indicação de cada procedimento e acompanhamento posterior.


Isso corrige o principal problema do turismo médico convencional: a fragmentação do cuidado. O paciente que viaja sozinho volta sozinho, sem quem interprete o que foi feito.


Uma ponte entre Brasil, Europa e Oriente Médio


Talvez o aspecto mais relevante da trajetória dos dois seja justamente essa capacidade de conectar diferentes ecossistemas.


O Brasil possui uma medicina clínica reconhecida e profissionais altamente capacitados. A Europa mantém forte tradição acadêmica e científica. Dubai, por sua vez, tornou-se um ambiente de velocidade, investimento e incorporação regulada de novas tecnologias. Transitar entre esses ambientes permite observar modelos distintos e selecionar aquilo que realmente acrescenta valor à prática médica.


Para Maísa Ribeiro, viver e trabalhar nos Emirados significa aplicar ciência diretamente na prática clínica — usar a evolução tecnológica e os benefícios terapêuticos disponíveis para transformar a vida de pacientes reais, com protocolo, medida e acompanhamento.


Arthur Rasqueri segue caminho semelhante ao ampliar sua atuação para além do consultório brasileiro e buscar formação, colaboração e produção de conhecimento em diferentes países.


O objetivo não é simplesmente importar tratamentos. É importar conhecimento, criar conexões científicas e construir pontes para que médicos e pacientes brasileiros possam participar de uma medicina cada vez mais globalizada.


Inovação exige responsabilidade


O entusiasmo provocado por novas tecnologias também traz uma responsabilidade proporcional.


Medicina regenerativa, terapias celulares, exossomos e diferentes peptídeos incluem desde tecnologias consolidadas até abordagens ainda experimentais. Por isso, qualquer discussão séria sobre o futuro da medicina precisa reconhecer os limites atuais da evidência científica.


Rasqueri e Ribeiro defendem que inovação verdadeira precisa caminhar ao lado de evidência, ética, qualidade farmacêutica, regulamentação e acompanhamento médico.


O futuro não será construído apenas por quem tiver acesso primeiro às novas tecnologias, mas por quem conseguir distinguir aquilo que é apenas novidade daquilo que efetivamente muda desfechos clínicos.


Uma geração brasileira olhando para a próxima medicina


A presença de brasileiros em ambientes internacionais de pesquisa, ensino e inovação demonstra que o país também pode participar ativamente dessa transformação — não como espectador, mas como produtor de conhecimento.


Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro fazem parte dessa geração: formados no Brasil, com uma visão de medicina que já não reconhece fronteiras geográficas para o conhecimento.


De Genebra a Dubai e do Oriente Médio ao Brasil, suas trajetórias convergem em um mesmo ponto: entender hoje a medicina que fará parte da prática clínica de amanhã.


E o critério que sustenta isso é simples de enunciar e exigente de cumprir. Nenhuma tecnologia entra na prática clínica antes de responder a três perguntas: qual o mecanismo, qual a evidência e qual o paciente que se beneficia.

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