CAROL RIBEIRO: O LUXO DE NÃO CABER
- Evely Oliveira

- há 3 horas
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'FASHION' EDITION COVER - AUGUST 2026 ISSUE

No dia em que completa 40 anos, Carol Ribeiro parece mais interessada no que ainda está por vir do que em fazer um inventário do que ficou para trás. Não há uma preocupação em transformar a idade em discurso. O momento parece ser outro: olhar para a própria trajetória com mais clareza e perceber que não existe uma única maneira de ser Carol.
Sua história passa pela moda, comunicação, empreendedorismo e gestão. A espiritualidade ocupa um espaço importante em sua vida, assim como os cavalos, uma paixão que começou na infância. São mundos distintos que, nela, encontram um ponto em comum: identidade.

Formada em Gestão de Moda, Carol tem na estética uma linguagem que conhece bem. Seu estilo transita entre o sofisticado e o western, o feminino e o forte, sem a necessidade de seguir uma única fórmula. Há repertório, mas também liberdade. Ela sabe o que gosta e não parece interessada em explicar cada escolha.
Essa mesma segurança aparece no trabalho. Hoje, está à frente da empresa familiar no segmento da construção civil, onde lida com gestão, decisões e responsabilidades bastante diferentes das associadas ao universo da moda. Em paralelo, mantém seus projetos ligados à imagem, à comunicação e ao empreendedorismo.

Não existe uma tentativa de fazer esses mundos parecerem iguais. Eles não são. O que os aproxima é a mulher que circula entre eles.
Talvez esteja aí uma das questões mais interessantes de sua trajetória: por que uma mulher precisaria escolher uma única definição para ser levada a sério?
Carol não parece disposta a fazer essa escolha.

O mesmo vale para sua relação com a imagem. Depois de tantos anos entre moda, fotografia e comunicação, ela conhece o peso do olhar externo. Mas hoje existe uma diferença entre construir uma imagem para ser aceita e usá-la para expressar quem se é.
Longe das câmeras, os cavalos ocupam outro lugar nessa história. A relação começou na infância e permaneceu ao longo dos anos. O universo equestre também encontrou espaço em sua estética, especialmente nas referências western, mas sua importância vai além da imagem. Há ali uma ligação com natureza, liberdade e uma parte de Carol que existe muito antes da fotografia.

É justamente essa combinação que torna sua trajetória difícil de resumir. E talvez ela já não precise ser resumida.
Uma mulher pode administrar uma empresa e continuar apaixonada por moda. Pode ser prática e intuitiva, sofisticada e livre, mudar de direção sem precisar apagar o caminho percorrido.
Carol Ribeiro parece ter entendido que identidade não é escolher uma dessas partes.
É poder viver todas elas.
E talvez esse seja o verdadeiro luxo de não caber.

Em que momento você percebeu que estava deixando de construir uma imagem para os outros e passando a se expressar de uma forma mais fiel a quem você é?
Acho que essa percepção veio com a maturidade. Durante muito tempo, eu me preocupei com a forma como seria compreendida, com o que esperavam de mim e até com quais versões minhas seriam mais facilmente aceitas. Hoje, isso perdeu a importância. Aos 40, existe uma liberdade que custa alto, mas é muito bonita, em não precisar mais caber. Minha imagem continua sendo uma forma de comunicação. Eu amo moda, estética, fotografia, mas hoje ela parte de dentro para fora. Eu não me visto, não me posiciono e não construo uma imagem para convencer alguém sobre quem eu sou. Eu simplesmente me expresso.
Talvez essa seja a grande diferença entre ser vista e se reconhecer: ser vista depende do olhar do outro; se reconhecer depende do nosso próprio olhar.

2. Você transita entre a moda, os negócios, a comunicação, a espiritualidade e o universo equestre com bastante naturalidade. Mas, durante muito tempo, talvez tenham esperado que você escolhesse apenas uma dessas versões. Quando você entendeu que não precisava escolher?
Quando percebi que elas nunca foram versões diferentes. Todas são partes de mim. Eu posso estar à frente de uma empresa familiar no ramo da construção civil, tomar decisões e lidar com responsabilidades muito objetivas e, ao mesmo tempo, ser profundamente ligada à moda, à comunicação, à espiritualidade e aos cavalos. Uma coisa não anula a outra. Durante muito tempo, existiu essa ideia de que, para sermos levadas a sério, precisávamos escolher uma função e permanecer dentro dela. Eu não acredito nisso. Somos plurais.
A moda é uma assinatura pessoal muito forte para mim, os negócios fazem parte da minha formação como mulher e profissional, a comunicação me permite criar pontes, a espiritualidade me dá direção e o universo equestre me conecta a algo que amo desde a infância. Eu não preciso escolher entre essas mulheres porque todas elas sou eu.

Para uma mulher que trabalha com imagem, a beleza pode abrir portas, mas também pode trazer expectativas. O que mudou na sua relação com a própria aparência ao longo dos anos? E o que você consegue enxergar hoje no espelho que talvez não enxergasse antes?
A beleza sempre esteve muito presente na minha trajetória, especialmente por trabalhar com moda e imagem. E acho que, quando somos menos experientes, existe uma tendência de enxergar beleza como algo muito relacionado à validação externa. Aqueles efeitos tendenciais muito comuns entre a molecada.
Hoje, minha relação com a aparência é mais leve. Continuo vaidosa, continuo amando moda, maquiagem, fotografia e tudo aquilo que envolve estética. Isso faz parte de mim e não tenho nenhuma necessidade de diminuir essa característica para parecer mais profunda.
Mas hoje entendo que beleza sem identidade é muito pouco. Quando olho no espelho prestes a completar 40, não procuro a menina de 20. Eu gosto da mulher que encontro. Enxergo história, personalidade, segurança, feminilidade e, principalmente, identidade. Hoje não quero parecer mais jovem. Quero parecer cada vez mais comigo.

A fé e a ancestralidade fazem parte da sua vida e, de alguma maneira, também aparecem na sua forma de se expressar e fazer escolhas. Em uma rotina que exige decisões, responsabilidades e resultados, você ainda escuta a sua intuição? O quanto ela já mudou o rumo da sua história?
Muito. Minha espiritualidade não é um acessório da minha vida, ela é uma das minhas bases. Tenho uma relação muito profunda com a fé, com a ancestralidade e com aquilo que não necessariamente conseguimos explicar racionalmente. E isso convive perfeitamente com a mulher prática que eu sou, que precisa tomar decisões rápidas e precisa lidar diariamente com resultados concretos. Para mim, espiritualidade não significa abandonar a razão. Significa compreender que razão e intuição podem caminhar juntas.
Minha intuição já me fez mudar de direção, encerrar ciclos, iniciar outros, confiar quando aparentemente não havia garantias e, principalmente, perceber coisas antes que elas se tornassem evidentes. Algumas das decisões mais importantes da minha vida começaram com uma sensação que eu ainda não sabia explicar. Hoje, eu escuto muito mais essa voz. A razão me ajuda a decidir como caminhar, a intuição, muitas vezes, me mostra para onde.

Existe algum sonho ou desejo que hoje você se sente ainda mais pronta para realizar?
Muitos. (Risos), acho interessante porque existe uma narrativa de que chegar aos 40 deveria nos tornar mais acomodadas ou fazer com que diminuíssemos nossas expectativas. Comigo aconteceu o contrário. Eu chego com mais clareza sobre aquilo que quero construir e, principalmente, sobre aquilo que não quero mais negociar de jeito nenhum.
Quero expandir meus projetos na moda e na comunicação, crescer profissionalmente, empreender, criar coisas que tenham a minha identidade e continuar ocupando espaços que talvez, alguns anos atrás, eu mesma não imaginasse ocupar. Até a maternidade está nessa lista! Quero viver essa experiência em muito breve.
Por último, existe uma voz que também é sua e vai além da imagem, dos projetos e de tudo o que você construiu até aqui. Se tivesse a atenção do mundo por alguns minutos, o que gostaria que as pessoas ouvissem de você?
Eu diria para as pessoas não desperdiçarem a própria vida tentando corresponder àquilo que esperam delas. Existe uma liberdade imensa quando entendemos que podemos mudar, começar de novo, ter interesses aparentemente contraditórios, ocupar lugares diferentes e ainda assim permanecer profundamente fiéis à nossa essência.
Eu acredito muito em propósito, em fé, em trabalho e conduta. Acredito que sucesso não deveria ser medido apenas pelo que conseguimos acumular ou conquistar, mas também pelo quanto conseguimos permanecer inteiros enquanto construímos tudo isso.
Entendam o valor do tempo e usem isso a seu favor. Deixem assinaturas positivas de si por aí, não entrem em competições desnecessárias, estudem, divirtam-se, trabalhem, conheçam de tudo um pouco... O mundo é um lugar de infinitas possibilidades. O que uma ínfima parcela pensa não define nada!
Você não precisa escolher uma única versão para apresentar ao mundo. Sejamos inteiros e plurais. E fé, meu povo, não religião, FÉ!

































