DIEGO HOOKS: UMA ASSINATURA EM EXPANSÃO, PARA ALÉM DAQUILO QUE FOI CRIADO
- Evely Oliveira

- há 2 horas
- 6 min de leitura
'SIGNATURE' COVER EDITION - GLOBAL ISSUE

Algumas histórias podem ser contadas pelo lugar onde começaram. Outras, pela distância que conseguiram percorrer.
A de Diego Hooks talvez esteja entre as duas.
Ao longo dos anos, a Hooks deixou de ser apenas uma revista para se tornar um universo de projetos, encontros e novas possibilidades. Mas olhar para essa trajetória apenas como uma expansão seria simplificar o que existe de mais interessante nela: a capacidade de uma ideia continuar reconhecível mesmo depois de assumir tantas formas.
Talvez seja justamente aí que essa história ganhe outra dimensão.
Não em uma linha do tempo marcada por conquistas, mas na decisão de continuar criando. De olhar para o que ainda não existe e enxergar espaço para construir. De levar uma ideia adiante até o ponto em que ela deixa de pertencer apenas a quem a imaginou.
Hoje, diante de um novo momento da Hooks, a pergunta já não é apenas o que a revista se tornou. É o que acontece quando uma criação ultrapassa o próprio ponto de partida e começa a existir na vida de outras pessoas.

Há projetos que crescem porque encontram um mercado. Outros, porque respondem a uma necessidade. E existem aqueles que continuam crescendo porque carregam uma visão capaz de encontrar novos caminhos sem perder a própria essência.
A Hooks parece pertencer a essa última categoria.
Por isso, falar sobre o futuro não significa deixar o passado para trás. Significa reconhecer o que permaneceu em cada mudança: um jeito muito particular de olhar, escolher, conectar pessoas e colocar ideias em movimento.
É nesse ponto que a palavra Signature ganha outro significado.
Uma assinatura não está apenas no nome que aparece ao final de uma criação. Ela está naquilo que continua reconhecível, mesmo quando tudo ao redor muda.

Nesta edição, Diego Hooks fala sobre origem, escolhas, transformação e futuro. Sobre os sonhos que encontraram um caminho até o mundo, as pessoas que atravessaram essa trajetória e a inquietação que continua levando essa história adiante.
Porque algumas pessoas querem estar onde as coisas acontecem.
Outras preferem criar o lugar onde elas podem acontecer.

1. A Hooks nasceu de uma ideia muito pessoal. Quando você volta para aquele começo, qual era a necessidade que existia ali? O que você queria criar que ainda não encontrava em nenhum outro lugar?
A Hooks nasceu a partir de um sonho meu, que era poder ser um comunicador. Eu criei um blog de moda com 15 anos de idade. Não tinha seguidores nem pessoas que me apoiassem na época; era anônimo. Mas, dentro do meu quarto, eu podia sentar e escrever sobre desfiles de moda, eventos internacionais e lançamentos de grandes marcas. Era algo meu, algo como se fosse uma brincadeira, como se eu brincasse de ser jornalista.
E aquela “brincadeira” foi se tornando uma vertente do meu futuro, porque ela foi um farol que me levou aonde estou agora.
A revista veio quando minhas ideias já não cabiam em um blog, quando eu já tinha anos de experiência na área e queria realmente levar isso além. Quando criei a revista, foi para alcançar pessoas do máximo de países possível.
Lembro que nossa primeira capa foi com duas irmãs gêmeas cantoras, as “No Frills Twins”. Elas são da Austrália, e eu lembro que ouvia elas, então pensei: “Vou chamar elas para a primeira capa de lançamento da revista.” E elas aceitaram na hora.
Então, desde o início, a conexão foi internacional. Nunca foi uma plataforma limitada pela distância. Acho que a resposta resumida é que eu realmente queria sair de onde estava e levar meus sonhos comigo para o mais longe.

2. Em que momento você percebeu que a Hooks podia ser mais do que uma revista? Houve algum projeto, decisão ou oportunidade que mudou essa visão?
No início, fomos muito abraçados por comunidades. Eu me lembro que uma das nossas primeiras capas foi com uma drag do programa RuPaul’s Drag Race, uma drag da Holanda. E, logo em seguida, com uma Miss Trans. Então, acho que fomos alavancados por pessoas que também sonhavam grande, que sonhavam em se tornar mais do que aquilo que lhes foi oferecido pelo mundo.
No momento em que pessoas importantes, que eu realmente admirava, foram aceitando participar da revista, fui percebendo o potencial global e também social da Hooks.
Mas houve vários momentos, durante a minha trajetória na Hooks, que fizeram essa chama acender. Como, por exemplo, quando a Ariana Grande comentou em uma produção nossa que fizemos em Nova York, com uma drag também de RuPaul’s Drag Race. Ou quando recebemos, na Hooks, entrevistas exclusivas com artistas internacionais, como a entrevista com a Beyoncé, por exemplo, Kim Kardashian, Dua Lipa, entre tantos outros artistas.

3. Quem acompanha a Hooks percebe que o último ano foi de construção intensa: nasceram novos produtos, a Hooks ganhou espaço e outras frentes começaram a tomar forma. O que motivou esse movimento? Essa expansão nasceu de um plano ou foi acontecendo conforme as oportunidades apareceram?
Muita coisa aconteceu no último ano. Passamos por uma reformulação da equipe no final de 2025, que foi muito importante para o crescimento da revista, principalmente no lado artístico. Princípios que são importantes para mim estavam sendo deturpados por pessoas de dentro da revista. Então, quando essas pessoas saíram, tudo voltou ao início do meu sonho.
Por isso, 2026 tem sido um ano importante para que a revista volte a sonhar mais alto, a crescer e também a desenvolver novos projetos.

4. Hoje existem projetos bem diferentes levando a assinatura da Hooks. Quando você olha para tudo isso, sente que está construindo marcas separadas ou partes de uma mesma visão?
Com certeza, fazem parte de uma mesma visão! A Hooks hoje é um grupo de entretenimento. Temos alguns produtos e marcas dentro do nosso portfólio, mas todos alinhados à nossa ideia e aos nossos princípios.
Temos o jornal Sona Times of New York, que é um jornal focado apenas em notícias mais sérias, diferente da proposta editorial da Hooks, mas com os mesmos princípios éticos e editoriais. Também temos a Hooks Brides, que é uma extensão da Hooks, uma revista focada no mundo dos casamentos e das noivas.
Já o nosso novo projeto, a Hooks Academy, é uma iniciativa que estamos desenvolvendo em sociedade e que amplia esse universo para a formação. A proposta é aproximar profissionais do mercado de moda, comunicação, jornalismo, entretenimento, entre outras áreas, por meio de cursos, workshops, palestras e experiências práticas. É uma frente que tem uma proposta própria, mas que também conversa com tudo aquilo que construímos ao longo dos anos dentro da Hooks.
Temos também projetos que estão em andamento, como a Eurotrip Fashion, que conta com parceiros internacionais na Europa. Muitos outros projetos e marcas atuam em parceria com a Hooks e, por isso, só temos a agradecer a cada profissional que caminha conosco.

5. A Signature Issue fala sobre deixar uma assinatura no que se constrói. Quando você imagina a Hooks daqui a cinco ou dez anos, qual é a marca que gostaria de deixar nas pessoas e no mercado criativo?
Sabe que, uma vez, eu ainda era adolescente, e meu pai me disse uma coisa que levei para a vida. Ele falou que eu deveria sonhar com o melhor cenário que pudesse imaginar para os próximos 10 anos.
E agora, com essa pergunta, você me fez lembrar que, quando meu pai me perguntou o que eu imaginava ser em 10 anos, com certeza, não era nem 50% do que a Hooks chegou a ser hoje.
Então, eu imagino o melhor para a Hooks nos próximos 10 anos. Imagino poder chegar a lugares onde ainda não chegamos e, talvez, explorar mais o Japão, a China e a Coreia do Sul. Já fizemos vários lançamentos por lá, mas gostaria de ter uma equipe na Ásia Oriental.

6. Ao longo da sua trajetória, a Hooks sempre foi uma forma de dar voz a ideias, pessoas e movimentos criativos. Mas existe uma voz que também é sua. Se você tivesse a oportunidade de ser ouvido pelo mundo inteiro por um único momento, qual mensagem faria questão de deixar?
“Eu não quero apenas estar onde as coisas acontecem. Eu quero ser parte daquilo que faz as coisas acontecerem.”
A Hooks é esse sonho vivo dentro de mim. Ela é uma extensão de uma criação que me fez ser um indivíduo especial. Então, acho que eu não quero apenas ver, de longe, o mundo acontecer. Eu quero ser quem movimenta as coisas.


Compre agora sua revista impressa da edição clicando abaixo:

































