Da regra à liberdade: como a moda masculina está redefinindo os códigos de estilo
- Matheus Hooks/ Editor-In-Chief

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Influenciador Moisés Lopes fala sobre a evolução da moda masculina, o crescimento do uso de bolsas por homens e a importância de construir um estilo baseado em identidade e autenticidade

Durante muito tempo, a moda masculina esteve cercada por regras sobre o que um homem poderia ou não vestir. Cores, modelagens e acessórios eram frequentemente associados a ideias rígidas de masculinidade. Nos últimos anos, porém, esse cenário vem mudando. A moda passou a ocupar um espaço cada vez mais ligado à expressão individual, abrindo caminho para homens que desejam experimentar diferentes possibilidades de estilo sem necessariamente se prender a códigos tradicionais.
Para o influenciador Moisés Lopes, uma das principais transformações desse movimento é justamente a liberdade de expressão. “Hoje, os homens entendem muito mais que a moda vai além da roupa: ela é uma forma de mostrar personalidade, identidade e estilo de vida”, afirma.
Segundo ele, a mudança também está relacionada ao aumento da representatividade. “Como homem negro e gay, vejo essa mudança como algo muito positivo, porque a representatividade abriu espaço para diferentes formas de ser e se expressar.” Na visão de Moisés, o resultado é uma moda masculina mais diversa, autêntica e conectada às individualidades.
A bolsa deixa de ser tabu
Entre os símbolos dessa transformação está a bolsa. O acessório, que durante muito tempo foi associado quase exclusivamente ao universo feminino, ganhou espaço nos looks masculinos e passou a ser encarado também como elemento de estilo.
Moisés acredita que a resistência vem diminuindo. “Estou adorando ver homens usando bolsa sem o peso de achar que isso é ‘coisa de mulher’”, conta. Para ele, o acessório deixou de cumprir apenas uma função prática e passou a fazer parte da construção da identidade visual.

Ainda assim, o influenciador pondera que o processo não está concluído. “Ainda temos um longo caminho pela frente para que isso seja visto como algo realmente comum, sem julgamentos ou preconceitos.” A mudança, segundo ele, passa pela compreensão de que a moda deve ser um espaço de liberdade, no qual cada pessoa possa escolher como quer se apresentar.
A presença cada vez maior de bolsas em ambientes tradicionalmente associados a uma masculinidade mais rígida também ajuda a evidenciar essa transformação. Moisés cita os jogadores de futebol como exemplo: “É um universo historicamente marcado por uma cultura de masculinidade muito rígida”, mas que hoje também apresenta homens usando bolsas e outros acessórios de moda com naturalidade em viagens, concentrações e competições.
Tendência não é regra
Com a velocidade das tendências nas redes sociais, outro desafio é encontrar o equilíbrio entre acompanhar o que está em alta e não perder a própria identidade. Para Moisés, a resposta está em entender a tendência como inspiração, e não como obrigação.
“Nem tudo o que está em alta vai combinar com a sua personalidade, e está tudo bem”, diz. Na visão dele, estilo verdadeiro acontece quando a roupa consegue comunicar algo sobre quem está usando.
O conselho para quem quer melhorar a maneira de se vestir é simples: experimentar. Mas sem transformar as tendências em regras. “O mais importante é vestir aquilo que faz você se sentir bem e confiante. Quando existe autenticidade, isso aparece naturalmente, e nenhuma tendência é mais forte do que isso.”
Os novos códigos da masculinidade
A transformação da moda masculina também acompanha uma mudança mais ampla na maneira como a própria masculinidade é percebida. Para Moisés, os antigos códigos foram construídos durante décadas a partir de uma cultura que determinava quais roupas, cores e acessórios seriam aceitáveis para os homens.
“Isso fez com que muitos homens deixassem de usar determinadas roupas, cores ou acessórios por medo de julgamento”, explica.
Hoje, ele percebe uma geração mais aberta à experimentação e menos preocupada em utilizar a roupa como uma espécie de comprovação de masculinidade. “Entende a moda como uma forma de expressão e não como uma forma de provar masculinidade.”
Apesar dos avanços, Moisés ressalta que o preconceito ainda existe, especialmente quando um homem se distancia do padrão tradicional. Para ele, o próximo passo é ampliar essa liberdade até que a escolha de uma roupa não seja acompanhada pela preocupação com a opinião alheia.
“Moda deveria ser sobre identidade, e não sobre limitar quem você é.”
Vestir para si, não para os outros
Na avaliação do influenciador, um dos maiores erros masculinos quando o assunto é estilo é justamente tentar agradar aos outros. O medo do julgamento pode fazer com que homens deixem de experimentar peças que poderiam representar melhor suas personalidades.
É nesse contexto que Moisés volta a defender a bolsa como um acessório que vale ser experimentado. Mais do que uma tendência, ela representa, para ele, uma mudança nos próprios códigos da moda masculina.
A evolução pode ser percebida até em ambientes que historicamente reproduziram padrões mais rígidos de masculinidade. A presença de bolsas e acessórios nos looks de jogadores de futebol, por exemplo, mostra que essas barreiras também estão sendo gradualmente questionadas.
Para Moisés, o futuro da moda masculina passa justamente por esse processo de desconstrução: menos regras, menos medo do julgamento e mais espaço para que cada homem escolha como quer se apresentar.
Afinal, se a roupa é uma extensão da personalidade, talvez a principal tendência da moda masculina seja justamente não precisar mais se encaixar em uma única definição do que significa ser homem.

































