Lipedema: por que compreender a doença muda a forma de tratar
- Evely Oliveira

- há 13 minutos
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Para a Dra. Yara, falar sobre lipedema é, antes de tudo, falar sobre mulheres que passaram anos tentando entender o próprio corpo.

Muitas ouviram que precisavam comer menos, treinar mais, emagrecer. E muitas já faziam tudo isso.
O lipedema é uma condição crônica que afeta principalmente mulheres e costuma provocar uma distribuição desproporcional da gordura, especialmente nas pernas. Dor, sensibilidade, sensação de peso e facilidade para o surgimento de hematomas também podem fazer parte do quadro. Ainda assim, durante muito tempo, muitas mulheres acabam associando essas características apenas ao excesso de peso.
Foi a partir dessa realidade que a médica passou a olhar para o lipedema de uma forma mais ampla.
“O lipedema não começa e termina na perna”, explica.

Para ela, existe uma cadeia inflamatória, um tecido adoecido, além de metabolismo, circulação e um pilar que não pode ser esquecido: o hormonal.
Essa forma de enxergar a doença também muda a maneira de pensar o tratamento. O lipedema não é simplesmente uma questão de emagrecimento. A alimentação e a atividade física continuam fazendo parte de uma rotina de saúde, mas não explicam, sozinhas, tudo o que acontece com uma paciente com lipedema.
É justamente aí que muitas mulheres passam anos sem encontrar respostas. Tentam dietas, aumentam os exercícios e buscam perder peso, mas continuam convivendo com sintomas e com uma distribuição corporal que não corresponde ao esforço que fazem. Sem entender a condição, é fácil acreditar que o problema está apenas na falta de disciplina.
Para a Dra. Yara, essa interpretação precisa mudar.
“Eu não trato apenas peso ou gordura. Eu olho para inflamação, hormônios, alimentação, músculo, intestino, sono, circulação e saúde emocional.”
A lista revela uma forma de conduzir o tratamento que não se concentra em um único ponto. Cada um desses fatores pode fazer parte da história daquela paciente, e entendê-los ajuda a construir um cuidado mais individualizado.

É também por isso que a médica acredita no trabalho em equipe. O lipedema pode exigir diferentes formas de acompanhamento ao longo do tempo, de acordo com os sintomas e as necessidades de cada mulher. O objetivo não é encontrar uma única resposta, mas entender quais são as necessidades daquela paciente e quais estratégias podem ajudá-la.
Outro ponto que considera fundamental é o timing. Quanto antes a doença é compreendida e esses pilares começam a ser cuidados, maior a oportunidade de controlar seus sintomas e sua progressão.
O diagnóstico e o acompanhamento adequados podem fazer diferença justamente porque permitem que a mulher compreenda o que está acontecendo com seu corpo. Em vez de passar anos tentando corrigir apenas o peso, ela começa a olhar para os sintomas e para a própria condição de outra maneira.

Mas existe uma razão ainda mais pessoal por trás da escolha da médica de tratar lipedema. Não está apenas nos resultados físicos, mas no que acontece com a mulher durante esse processo.
“Porque o que mais me emociona não é apenas ver uma perna mudar. É ver aquela mulher sentir menos dor, entender seu corpo e voltar a se reconhecer no espelho.”
Talvez seja essa a parte mais importante de sua abordagem. A mudança não está somente naquilo que pode ser visto. Está também na mulher que passa a compreender melhor o próprio corpo, que deixa de se culpar por aquilo que não conseguia explicar e que encontra um caminho de cuidado mais adequado à sua realidade.

É nessa perspectiva que está o posicionamento da Dra. Yara: tratar o lipedema não apenas como uma questão de peso ou aparência, mas como uma condição que precisa ser compreendida em sua complexidade e cuidada a partir de diferentes pilares.
Porque, antes de qualquer tratamento, existe uma mulher tentando entender o próprio corpo.
E, principalmente, olhar para a mulher antes de olhar para a perna.

































