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Dr. Marcus Capanema: Entre Precisão e Identidade

'BEAUTY' EDITION COVER - FEBRUARY 2026 ISSUE

Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity
Photo: @andersonmmacedo_ - @demmacedo / Beauty: @dariobion / Stylings: @eduardomurari - @diegobbueno / Studio: @openestudio

Há algo silencioso quando alguém volta a se reconhecer no espelho. Não é apenas um ajuste de traço ou proporção. É uma reorganização íntima da própria presença. A imagem deixa de ser conflito e passa a ser coerência.


Para Dr. Marcus Capanema, a cirurgia plástica facial nunca foi sobre superfície. Ao longo da sua trajetória, o que mais o marca não são apenas os resultados visíveis, mas as mudanças que se revelam no comportamento. No retorno pós-operatório, a transformação não se limita à fotografia comparativa. Ela aparece na postura mais firme, no olhar que sustenta contato, na maneira como o paciente passa a ocupar espaços antes evitados.


Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

Em sua perspectiva, autoestima não é detalhe estético. É estrutura emocional. Quando alguém se reconhece com serenidade, decisões se tornam mais claras e a presença ganha consistência. A estética, quando conduzida com critério, funciona como alinhamento entre identidade interna e expressão externa.


Esse alinhamento exige rigor. Na cirurgia facial, especialmente na rinoplastia, milímetros definem equilíbrio e permanência. A matemática orienta o planejamento, mas não determina um padrão. Ângulos, enxertos e vetores de tração são instrumentos técnicos. O diferencial está na leitura individual de cada rosto. Técnica só tem valor quando preserva singularidade.


Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

Naturalidade não significa ausência de intervenção, mas precisão aplicada com inteligência. Harmonia não é neutralizar características, é refiná-las com respeito. Modelos universais simplificam o processo, porém empobrecem o resultado. O compromisso está em manter intacta a identidade que torna cada paciente reconhecível para si mesmo.


Parte dessa responsabilidade se manifesta na capacidade de contraindicar. Traduzir desejo em possibilidade exige maturidade e ética. A primeira consulta não é apenas avaliação técnica, é construção de consciência estética. Fotografias, simulações e diálogo transparente delimitam o que é viável dentro da anatomia apresentada. Referências visuais são interpretadas como linguagem simbólica do que o paciente considera belo, nunca como molde a ser reproduzido.


Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

Em um cenário digital saturado por filtros e edições irreais, preservar individualidade tornou-se posicionamento consciente. A câmera frontal distorce proporções e amplifica detalhes que o espelho nunca destacou. A exposição contínua a imagens manipuladas cria referências biologicamente inexistentes. Educar o olhar faz parte do exercício ético da profissão. Textura de pele, assimetrias discretas e particularidades faciais não são falhas. São marcas de autenticidade.


Sua filosofia não promete perfeição. Propõe coerência. A melhor versão não é cópia de um padrão momentâneo, é evolução consistente da própria identidade.


Precisão, nesse contexto, não redefine apenas formas. Redefine presença.

E é a partir dessa visão que aprofundamos a conversa com Dr. Marcus Capanema, explorando os princípios que sustentam sua prática e sua compreensão sobre identidade, técnica e autoestima.


Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

1. A estética transforma o que é visível, mas muitas vezes o que está em jogo é invisível. Ao longo da sua trajetória, o que o contato diário com pacientes lhe ensinou sobre identidade, autoestima e natureza humana?


Embora muitos ainda enxerguem a busca pela cirurgia plástica apenas pelo viés da vaidade, a minha prática diária me provou que lidamos com algo muito mais profundo. Olhar-se no espelho e reconhecer a própria essência com amor e segurança não é um mero detalhe. Autoestima é, antes de tudo, saúde mental. O amor-próprio resgata a autoconfiança, e uma pessoa confiante se torna naturalmente mais radiante e atraente, abrindo portas em todos os seus ciclos sociais. O que mais me emociona é o momento do retorno pós-operatório. Muitas vezes comento com a minha equipe no consultório: “Vocês notaram como ela está diferente?”. E não me refiro apenas aos traços da face que aprimoramos, mas à postura. O sorriso ganha outra força, o jeito de caminhar e de olhar para o mundo muda. Acompanhar esse verdadeiro renascimento interno por meio da estética é a parte mais linda e emocionante do meu trabalho.
Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

2. Na cirurgia facial, milímetros podem redefinir proporções, expressões e até a percepção de idade. Quais princípios orientam suas decisões para promover rejuvenescimento e embelezamento mantendo a naturalidade e a identidade de cada paciente?


É a mais absoluta verdade: na estética facial, cada milímetro importa. Na rinoplastia, por exemplo, uma fração de milímetro na ponta nasal é o que separa a harmonia perfeita da desproporção. Costumo dizer que a rinoplastia e o lifting facial estão entre os procedimentos mais complexos da cirurgia plástica, exigindo o mais alto nível de refinamento técnico. Nós estudamos profundamente as proporções, os cálculos matemáticos e a precisão dos enxertos. No entanto, toda essa ciência deve servir apenas como uma bússola para o cirurgião. É aí que entra o verdadeiro diferencial: o olhar artístico e a sensibilidade para ler os traços únicos de cada pessoa. A matemática precisa ser aplicada de forma suave e estritamente individualizada. Afinal, a verdadeira beleza reside na singularidade. Operar seguindo uma “fórmula pronta” ou padronizada é o que faz o paciente perder a sua essência. O meu princípio fundamental é dominar a técnica com perfeição para, então, adaptá-la à identidade de quem está na minha frente.
Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

3. Muitos pacientes chegam ao consultório com expectativas muito específicas, influenciadas por referências externas. Como é o processo de traduzir esse desejo em um resultado possível e, em alguns casos, orientar alguém a não realizar um procedimento?


Um grande mestre que tive durante a residência médica costumava dizer: “Mais difícil do que indicar uma cirurgia é saber contraindicar”. Levei esse ensinamento como um pilar para a minha prática clínica. Para mim, dizer “não” a um procedimento quando identifico que as expectativas são irreais ou que o resultado não trará harmonia ao rosto é, acima de tudo, um ato de cuidado e ética. Meu maior compromisso é entregar autoestima e felicidade, e isso não se constrói sobre ilusões. Por isso, a nossa primeira consulta é tão detalhada. Realizo uma análise facial minuciosa, com fotos e simulações, para mostrar com total transparência o que é viável dentro da anatomia única daquela pessoa. Gosto, inclusive, de pedir que tragam fotos de rostos que consideram belos. Deixo muito claro que o objetivo não é “copiar” o que seria técnica e anatomicamente impossível, mas sim mapear o padrão de beleza do paciente. É fundamental entender o que os olhos daquela pessoa enxergam como belo para, então, traduzir esse desejo em um resultado real, seguro e feito sob medida para ela.
Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

4. Ao longo da sua carreira, houve algum momento em que você percebeu de forma muito clara o impacto positivo da cirurgia na vida de um paciente? O que esses momentos revelam sobre o papel da autoestima na vida das pessoas?


Inúmeros momentos. Meus colegas de outras especialidades costumam brincar comigo: “Marcus, eu trato doenças complexas e, muitas vezes, a relação termina na alta médica. Você trabalha com estética e, toda semana, recebe presentes, abraços e mensagens emocionadas de pacientes que já receberam alta há meses ou até anos”. Essa observação ilustra perfeitamente o poder transformador da autoestima. O conceito moderno de saúde vai muito além do bem-estar físico; ele engloba, fundamentalmente, o bem-estar mental e social. É exatamente nesse ponto que a cirurgia plástica facial atua. Vejo pacientes que antes eram tímidas, que evitavam fotos e interações e que, de repente, desabrocham. Um caso que me marcou profundamente foi o de uma jovem que sofria muito com as proporções do seu nariz. Ela havia sido vítima de bullying e de apelidos cruéis durante a fase escolar. Por conta desse trauma, tornou-se extremamente retraída, com enorme dificuldade para fazer amizades ou se relacionar. Ela sequer tinha redes sociais. Após a rinoplastia, a transformação interna foi tão impressionante que ela resgatou sua segurança, fez um ensaio profissional e hoje atua como modelo fotográfica. Ela sempre me marca nas fotos, e meu coração se enche de orgulho. Tenho uma caixa no consultório onde guardo com carinho todas as cartas de agradecimento que recebo. São elas que me provam, todos os dias, que estou no caminho certo.
Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

5. Em um cenário onde as redes sociais reforçam padrões estéticos muitas vezes homogêneos, como preservar a individualidade e evitar que a beleza se torne padronizada?


A minha primeira e principal recomendação, quase como uma prescrição para a saúde mental, é tentar se blindar dos impactos negativos das redes sociais abandonando o uso de filtros. Os filtros criam uma perspectiva completamente irreal do nosso próprio rosto. Como hoje passamos a nos olhar muito mais pela câmera frontal do celular do que pelo espelho, a nossa autoimagem acaba fragmentada. Aquilo que era um detalhe mínimo ganha um peso desproporcional. Por isso, evite qualquer recurso digital que altere seus traços e a textura da sua pele. Em segundo lugar, recomendo fazer um filtro na própria rede: deixe de seguir influenciadores que abusam de edições ou que tentam vender uma vida e uma estética “perfeitas”. A perfeição absoluta não existe na biologia humana. Pele sem poros, sem textura ou sem pequenas manchas simplesmente não é real. Consumir esse tipo de conteúdo diariamente só nos adoece e cria padrões inalcançáveis. O meu papel como cirurgião é justamente valorizar a beleza humana e real, fugindo completamente dessa padronização de avatares.
Dr. Marcus Capanema: Between Precision and Identity

6. E, por último, mas não menos importante, qual é a sua voz? Depois de tudo o que aprendeu ao longo da sua trajetória, se tivesse a oportunidade de ser ouvido pelo mundo inteiro, que mensagem consideraria essencial transmitir?


Se eu pudesse deixar uma única mensagem para o mundo, seria esta: amar a si mesmo e aceitar quem você é não significa, de forma alguma, que você não possa realizar procedimentos estéticos ou melhorar aquilo que lhe incomoda. O verdadeiro amor-próprio está em entender que a sua beleza é singular e que os seus traços o tornam especial. Amar o próprio rosto não é se obrigar a conviver com um nariz que afeta a sua autoconfiança, mas sim compreender que é possível aprimorá-lo com naturalidade, respeitando a anatomia e os limites do seu próprio corpo. O belo não é ser uma cópia da influenciadora do momento; o belo é abraçar a sua melhor versão. Uma pessoa com a autoestima em dia tem um brilho diferente, é notada, torna-se magnética e se destaca naturalmente porque é, acima de tudo, mais feliz. O meu grande propósito de vida é continuar transformando realidades, transbordando a minha caixa de cartas de agradecimento e vendo o mundo repleto de pacientes orgulhosos da sua própria e única beleza.

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