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Kelly Key and Family

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Kacau Fonseca: Uma metamorfose

Jovem, mãe, jornalista, fashionista, independente, empoderada, apoiadora de causas sociais, natural de Teresina - PI, cresceu em Brasília. Em uma breve entrevista, Kacau Fonseca nos contou tudo sobre sua vida e sua luta com a causa do empoderamento das mulheres.


Fotografo: @pparaense

Cabelo: @rogerio_rodrigues_hair

Make: @queenslife_beauty

Kacau Fonseca é extremamente ativa na causa dos direitos das mulheres e é totalmente a desfavor do machismo e tudo que possa calar, violar, reprimir, denegrir, machucar ou apontar os comportamentos de uma mulher. Quem é Kacau Fonseca? "Se pudesse se auto definir em uma frase, qual seria ?"Acho que quando a gente se “define”, perdemos a oportunidade de aproveitar as transformações que o conhecimento, e a evolução nos trazem. Prefiro dizer que sou um ser pensante, observadora, amiga, protetora, que está em constante evolução. Gosto de ser uma metamorfose!"


Kacau sempre foi adepta aos estudos e com isso teve uma trajetória acadêmica de sucesso e que abriu um leque de oportunidades. Conte-nos um pouco sobre sua trajetória acadêmica e profissional ?"Logo no primeiro semestre da faculdade de jornalismo, fui convidada para apresentar o jornal da faculdade. No segundo semestre, fui trabalhar na TV Alamanda Sucursal do SBT, lá atuei como repórter e apresentadora, o que me abriu muito a mente sobre o que de fato me aguardava na carreira do jornalismo. Mesmo ainda no 2º semestre consegui tirar meu registro profissional, o que me tirou do “estágio” e me rendeu contratos como jornalista. Depois passei pela Tv Web Brasil, onde apresentei SSTJ, conselho de contabilidade, Jornal de Brasília, Jornal do DF dentre outros. Também fui apresentadora da Caixa Econômica Federal, Petrobrás, repórter da Band Nordeste pela TV Meio Norte, trabalhei como chefe de comunicação e marketing da Parlante, empresa de palestras onde tínhamos como clientes Sérgio Cortella, Glória Kalil, Bernardinho, Oscar Schmidt e outras tantas grandes personalidades nacionais. Quando perdi tudo e tive que recomeçar, fui vender bolo no pote, produzir festas, panfletar, fazer trabalhos de hostess, e fui retomando minha carreira no meio da comunicação. Dessa vez, decidi sumir dos holofotes, e gerir a imagens de políticos e empresas, foi quando abri minha empresa a Skadi, assessoria de imprensa e marketing. Mesmo em meio à pandemia, me mantive resiliente, não foi fácil, pensei em desistir por diversas vezes. As perseguições não haviam parado. E atualmente, buscando viver em paz, decidi recomeçar mais uma vez. Estou em terras Lusitanas há 1 mês, me organizando para um novo passo. Como eu disse no início, uma metamorfose habita em mim"


O empoderamento feminino foi algo extremamente necessário e evolutivo na vida das mulheres, ele deu direito a várias mulheres de recomeçarem suas vidas, infelizmente Kacau passou por uma prova nada agradável, mas que foi motivo de ela ter se tornado a mulher incrível que ela é hoje, foi um processo dolorido e sofrido, porém, transformador na vida de Kacau e de outras mulheres. “Como é o processo de se preparar para empoderar outras mulheres?"É emotivo, é doloroso, é intenso, e a cada experiência tento trazer algo inovador, e que motive! Preciso sempre fazer o exercício de relembrar tudo o que vivi, de onde vim, quem eu sou, e como tive consciência emocional para compreender isso. Lidar com vidas, é se colocar no lugar do outro. Quando estou pronta, tento buscar várias alternativas para trazer o poder do feminino daquelas mulheres à tona. Às vezes, elas nem sabem mais quem são, não sabem como chegaram ao ponto de se perderem. E então faço com elas, o mesmo exercício de relembrar a mulher linda que um dia ela foi, e trazê-la "à vida" novamente. É um renascimento para a maioria.”


Você recebe muitos relatos de mulheres que te acompanham? "Sim, principalmente quando compartilho minhas dores. Sempre que trago algo à tona, muitas mulheres, vem pelo direct, email, pela página de combate a violência contra a mulher que administro há 10 anos. São relatos, pedidos de socorro, e muitas mensagens de :”eu passo por isso também!”, desabafos"


Você é um ícone para o direito das mulheres ?


"Não digo que sou um ícone, mas luto pelos nossos direitos diuturnamente, busco sempre me especializar, e estar engajada com causas que vão de frente ao combate do machismo, e violência de gênero. Acredito num feminismo que se baseia em direitos iguais, sem fanatismos."O que te motivou a se empenhar pela causa ?"Minhas filhas. Tudo começou como um simples canal para desabafar em segredo tudo o que eu passei. Meu blog não tinha meu nome nem foto. Mas quando as agressões que eu vivia começaram a atingir diretamente minha família, amigos, e até meu trabalho, parece que nasceu uma força maior do que toda a coragem que eu já tive na vida, e foi quando dei a cara a tapa para a sociedade e julgamentos da família. Assumir que você vive um relacionamento abusivo não é fácil. É humilhante, e você é julgada e tachada de que “gosta de apanhar”. Quando vi quem eu amava correndo risco, nasceu a leoa mãe, amiga, e mulher que se levantou contra o seu agressor e nunca mais aceitou ver nenhuma outra mulher passar pelo mesmo que eu havia passado!"



Quem era Kacau antes do empoderamento?


"Uma menina que acreditava no sonho de casar, trabalhar, e ter uma família. Era apenas isso, meu grande sonho, ter uma família para amar e poder chamar de “minha”!"

Qual foi sua maior motivação para se empoderar ?


"A necessidade! Eu estava num momento da minha vida, que não poderia me abater, ou me colocar no papel de vítima. A princesa tinha que matar o dragão, retomar seu reino, salvar aqueles que ela amava, e lutar por seu lugar de direito. E durante essa luta, repetia sempre para minhas filhas a seguinte frase: “ O que uma princesa não precisa?! De um príncipe para salvá-la!" Antes que digam que posso estar destruindo o sonho de outras meninas, elas podem ser princesas sim: a princesa Merida, Mulan, Elsa, Moana!" Existem personalidades que foram cruciais para sua evolução ? "Sim! Malala, ( cheguei a fazer uma especialização pela PUC que teve um módulo dela), meu professor de Marketing Político Marcelo Vitorino, a Advogada e apresentadora Gabriela Prioli, Leandro Karnal, e para fugir da linha “acadêmica” Anitta, que dá aula de marketing, empreendedorismo, posicionamento, estratégia, e não precisa estar engessada num formato executivo 24h por dia"



O que você gostaria de passar para todas as mulheres como forma de prevenção em relação a relacionamentos tóxicos e abusivos ?


"Recentemente fiz um desabafo público em minhas redes sociais, e nele eu pedia aos prantos para que se “você mulher, pelo menos desconfia que está num relacionamento abusivo, saia dele!” Não acredite em mudanças, um abusador é abusador! Não se sinta na obrigação de cuidar de homem folgado, ele vai montar na sua cabeça! Se afastar é a principal regra. E se você não consegue fazer isso sozinha, não tenha vergonha de pedir ajuda! Peça ajuda para amigos, para organizações, peça para mim, eu te ajudo! Não caia em jogos emocionais, eles podem acabar com sua vida!"O empoderamento te atrapalhou em algum aspecto na sua vida? "Muitas pessoas chegaram a se afastar, falar pelas costas, alguns contratantes quando sabem do meu ativismo preferem fechar contrato com uma empresa que seja mais “branda”, que não se “posicione”. Mas vejo isso como livramento, essas pessoas que se afastaram, esses contratos que não fechei, me fariam perder tempo. Não plante suas sementes em um solo morto! O Empoderamento me fez enxergar meu valor, e quem realmente merece estar ao meu lado."

Você tem algum testemunho que gostaria de compartilhar com as pessoas em prol do mesmo propósito?


"Eu tinha um bom emprego, meu apartamento, um carrinho na garagem, bons amigos, uma vida badalada, e um “namorado bom partido”( o hétero top, de olhos claros, alto, forte, bonito, e com uma carreira promissora pela frente). Depois de apanhar desse homem de todas as formas possíveis, de ser humilhada publicamente diversas vezes, tive danos patrimoniais, psicológicos, amigos e familiares também agredidos, eu cheguei ao fundo do poço. Sem emprego, com duas filhas para criar, sofrendo constantes ameaças de morte, fui morar na casa da minha então diarista, na Ceilândia, periferia de Brasília. Todas as vezes que tentei recomeçar minha vida, ele tentou me atingir se utilizando da nossa filha, ou com processos judiciais malucos ( processos esses que já comprovaram o quanto ele me persegue, o quanto é violento, agressivo, e alienador).

Já fui do luxo ao lixo algumas vezes, e cada vez que eu caí me levantei mais forte, pois na queda aprendemos a não passar por aquele “buraco” novamente e não cair nas armadilhas do destino. Todas as vezes que me mostrei fragilizada, ou quando fiz acordos com quem não confiava, fui traída! Então, ouça seus instintos! Não sangre em tanques de tubarões! Se algo te diz que pode dar errado, fique alerta! Não é sobre ser pessimista, pelo contrário, eu só tive forças para chegar até aqui porque tenho muita leveza na alma, me permito dar boas gargalhadas e aproveitar intensamente cada bom momento que a vida me oferece."





Vimos que você também é muito fashionista, acha que seu estilo de hoje é tudo baseado na forma que você se impõe?


Gosto de moda, adoro expressar minha liberdade através dela. Materiais fortes como couro são minha paixão, mas não dispenso a leveza das plumas. A moda nos dá o poder de libertar a alma, os sentimentos, aguça a criatividade, desperta nossa melhor versão. "


Conte um pouco sobre a história de vida de Kacau, antes de tudo acontecer, durante e após.


"Eu nasci em Teresina no Piauí, vim de uma família desestruturada, e pobre. Sou a mais velha de 3 irmãos. Meu pai sempre trabalhou muito, e me ensinou que não se ganha batalhas aos gritos, mas com calma e estratégia.

Me mudei para Brasília por volta dos meus 5 anos de idade, cresci na periferia. Comecei a trabalhar com 15 anos, dando aulas de informática para idosos na Sarmento Computadores do centro da Ceilândia na turma noturna. Durante o dia eu estudava e à noite trabalhava.Sempre gostei muito de trabalhar.

Me mudei de casa com meus pais diversas vezes ( nem sei quantas ). Dei trabalho na escola, não vou mentir. Sempre gostei de ser das equipes de futebol ou Jiu jitsu da escola até a faculdade, o que me rendia bolsas, passeios, viagens, eu era muito feliz nessa época.

Nos anos do ensino médio, cheguei a aplicar meu currículo para a universidade adventista do Texas, e ganhei uma bolsa, porém minha mãe não permitiu que eu fosse.

Eu queria ter estudado artes cênicas desde o início, também não pude por proibição da minha mãe, que dizia que eu passaria fome.

O jeito foi tentar cursar jornalismo, me arriscar pelo marketing também, pois eu julgava ser algo mais próximo dos meus sonhos.

Minha vida sempre foi tão intensa, que não me deu tempo de lamentar essas pequenas frustrações.

Tenho o agressor e alienador até hoje me dando trabalho, mas eu decidi viver minha vida da forma mais leve possível!

Minhas filhas são do mundo, o amor delas é somente entre eu e elas. Talvez eu tente preencher o vazio dos meus traumas com o excesso de trabalho, com viagens, com minhas lutas e as causas que o feminismo me trazem.

Me permito estudar muito, o que me traz paz para a alma. O conhecimento é libertador. Estou numa fase extremamente desafiadora, em outro País, é preciso focar todas as minhas energias na manutenção da minha carreira. Um novo posicionamento de imagem, novas ambições, novos sonhos." Declara.





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