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Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

há 1 hora
7 min de leitura

BEAUTY COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE

Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo
Photographer: Pâmela Barli - @pamellabarli

Entre a Odontologia, a Harmonização Facial, o wellness e os palcos internacionais, Yasmin Richieri vem construindo uma ideia de beleza que não cabe em uma única definição.


Há quem chegue à estética pela imagem. Yasmin Richieri chegou primeiro pela anatomia.


Foi na Odontologia que ela aprendeu a observar o rosto de perto: estrutura, proporção, simetria, função. Com o tempo, esse conhecimento a levou à Harmonização Facial e, com ela, a uma compreensão mais complexa daquilo que acontece quando alguém decide mudar a própria aparência.


Porque um rosto não é apenas um conjunto de medidas.

Existe a forma como uma pessoa se reconhece nele, a maneira como percebe determinadas características e as expectativas que carrega quando se senta diante de um profissional. Existe também o limite entre aprimorar um traço e fazer com que ele deixe de pertencer àquela pessoa.



É nesse espaço que Yasmin construiu sua prática.

Essa discussão ganhou outra dimensão quando o corpo passou a fazer parte da sua própria experiência.


Em 2026, Yasmin levou para o universo competitivo um interesse que já estava presente em sua rotina: treinamento, cuidado com o corpo e construção de imagem. Sua estreia aconteceu no WBFF Worlds, em Miami, onde conquistou o título de Diva Fit Model.


A mudança, porém, foi menos radical do que poderia parecer.

Yasmin não deixou o consultório para subir ao palco. Continuou atendendo, trabalhando com rostos e acompanhando pacientes em processos de transformação. A diferença é que, dessa vez, a transformação também era dela.


Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

Durante a preparação, passou a viver uma série de questões que antes observava principalmente do outro lado: disciplina, expectativa, exposição, cobrança e a relação cotidiana com o próprio corpo. No consultório, existe tempo para analisar, conversar e construir uma decisão. No palco, tudo aquilo precisa ser apresentado em poucos minutos. O corpo é avaliado, mas postura, presença e imagem também fazem parte dessa linguagem.

É justamente aí que o universo do fitness encontra a história de Yasmin.


O palco mostra o resultado, mas quase nada revela sobre o que foi necessário para chegar até ele. Antes da fotografia existe uma rotina. Treino, alimentação, descanso, repetição. Há dias comuns, escolhas pequenas e uma disciplina que precisa continuar mesmo quando ninguém está olhando.


Foi também por esse caminho que a palavra wellness ganhou outro sentido.


Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

Mais do que uma imagem associada a um determinado estilo de vida, passou a representar uma relação mais consciente com o corpo e com a rotina. Para Yasmin, saúde, performance, estética e autocuidado não são assuntos separados. Fazem parte de um mesmo processo, que também envolve saber sustentar objetivos sem transformar a busca por uma determinada imagem em uma obrigação de ser perfeita.


A experiência no palco acabou devolvendo algo ao consultório.

Ao sentir na própria pele o que significa construir uma imagem, conviver com expectativas e se enxergar durante um processo de transformação, Yasmin ampliou o olhar que já tinha como profissional. O rosto que ela observa no consultório ganhou, para ela, uma relação ainda mais evidente com o corpo, com a postura, com a presença e com a maneira como cada mulher escolhe se apresentar ao mundo.


É desse encontro que surge o que ela chama de Estética Integrativa, uma visão que aproxima rosto, corpo, proporção e imagem.


Mais do que uma definição fechada, o conceito acompanha a própria trajetória de Yasmin. A pergunta que está por trás dele é simples de formular, mas difícil de responder: até onde vale transformar uma imagem sem perder aquilo que faz alguém continuar se reconhecendo nela?


Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

A dentista e a atleta não ocupam lugares opostos. Uma experiência ajuda a explicar a outra, e é justamente nessa interseção que a trajetória de Yasmin ganha sua singularidade.


É a partir dessa perspectiva que começamos esta conversa.


  1. Sua carreira começou na Odontologia e se desenvolveu dentro da estética, especialmente na Harmonização Facial. O que a profissão te ensinou sobre beleza que você não encontra em um padrão pronto? E como o seu olhar profissional influencia a maneira como você entende a singularidade de cada pessoa?


A Odontologia, e especialmente a minha atuação na Harmonização Facial, me ensinou que beleza não é seguir um padrão, e sim entender o que faz sentido para cada pessoa. Ao longo da minha trajetória, percebi que não existe uma fórmula pronta para a beleza. Cada rosto tem uma história, uma identidade, proporções e características próprias. Por isso, acredito que o meu papel como profissional não é transformar uma pessoa em outra, mas valorizar aquilo que ela já tem de único, buscando equilíbrio, harmonia e naturalidade.
O olhar profissional também me ensinou a enxergar o rosto como um todo. Não se trata apenas de corrigir uma característica isolada, mas de compreender proporções, simetria, estrutura e, principalmente, a individualidade de cada paciente. Muitas vezes, um detalhe que parece pequeno pode ter um impacto enorme na forma como aquela pessoa se enxerga.
Para mim, harmonização facial não deve apagar identidades. Pelo contrário: deve revelar e potencializar a melhor versão de cada pessoa, respeitando seus traços e sua essência. É justamente essa combinação entre conhecimento técnico, sensibilidade e individualidade que, para mim, torna a estética verdadeiramente bonita.
Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo
  1. Trabalhar com Harmonização Facial envolve uma linha delicada entre transformar, preservar e respeitar aquilo que torna cada rosto único. Como você enxerga hoje a relação entre procedimento estético, autoestima e identidade, principalmente em um momento em que existe tanta pressão por determinados padrões de beleza?


Hoje, vejo a relação entre estética, autoestima e identidade como algo muito íntimo e, por isso, que exige responsabilidade. Um procedimento estético pode, sim, contribuir para a autoestima, mas acredito que ele deve partir do desejo do paciente e nunca da necessidade de corresponder a um padrão imposto.
Vivemos em uma época em que as referências de beleza estão cada vez mais acessíveis e, ao mesmo tempo, mais uniformizadas. As redes sociais ampliaram o acesso a diferentes estéticas, mas também podem criar a sensação de que existe um único modelo de rosto, de juventude ou de beleza a ser alcançado.
É justamente nesse cenário que o profissional precisa ter um olhar criterioso e, sobretudo, individualizado. Meu papel é compreender essa diferença e conduzir cada tratamento com técnica, ética e sensibilidade. Acredito que a estética mais contemporânea é justamente aquela que não busca uniformizar rostos, mas preservar identidades. Porque beleza, quando é verdadeiramente individual, não precisa seguir um padrão para ser percebida.
Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo
  1. Foi justamente a partir desse olhar profissional para proporção, simetria e equilíbrio que o universo fitness começou a ganhar outro significado para você. Quando decidiu competir, o que essa experiência te fez perceber sobre a relação entre rosto, corpo e imagem?


Quando decidi competir, percebi que o universo fitness tinha uma conexão muito profunda com o meu olhar profissional: proporção, equilíbrio, simetria e individualidade. Recentemente, tive a oportunidade de competir no WBFF Worlds, em Miami, conquistando o título de Diva Fit Model. Mais do que uma conquista, foi uma experiência de disciplina, autoconhecimento e transformação.
Estar no palco me fez compreender ainda mais que rosto e corpo fazem parte de uma mesma identidade e precisam dialogar de forma harmônica. Assim como na Harmonização Facial, acredito que não se trata de buscar um padrão, mas de potencializar características individuais. Para mim, a verdadeira estética está no equilíbrio entre imagem, identidade e essência.
  1. O wellness entrou nessa história não apenas pelo treinamento, mas por tudo o que existe por trás dele: alimentação, rotina, disciplina, descanso, autocuidado e consciência corporal. Depois de viver uma preparação competitiva, o que mudou na sua maneira de entender saúde, bem-estar e qualidade de vida?


A preparação competitiva transformou completamente a minha percepção sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Eu passei a compreender que cuidar do corpo vai muito além da estética ou de um resultado pontual: existe todo um estilo de vida por trás de um físico saudável e de uma mente equilibrada.
A experiência de competir me mostrou que qualidade de vida não significa buscar uma rotina perfeita, e sim construir uma rotina que faça sentido, que sustente os nossos objetivos e nos permita evoluir sem perder a nossa essência.
Para mim, wellness passou a representar justamente isso: a união entre saúde, performance, estética e autocuidado, uma forma mais consciente e completa de viver.
Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo
  1. Hoje, a mulher que está no consultório e a mulher que sobe ao palco são a mesma pessoa, mas talvez revelem lados diferentes de você. O que essas duas experiências passaram a ensinar uma à outra, e o que você acredita que só conseguiu compreender sobre estética depois de viver as duas?


No consultório, aprendi a olhar para a individualidade: cada rosto tem uma história, uma identidade, uma personalidade e uma beleza própria. A harmonização facial nunca fez sentido para mim como uma busca por um padrão, mas como uma forma de valorizar aquilo que já existe em cada pessoa, respeitando suas características e sua essência.
No palco, eu vivi o outro lado dessa relação com a imagem. Experimentei na pele o que significa se dedicar a uma transformação, lidar com expectativas, disciplina, exposição e, principalmente, aprender a enxergar o próprio corpo com mais consciência. E isso trouxe uma sensibilidade diferente para o meu olhar profissional.
Talvez essa seja a maior compreensão que essas duas experiências me trouxeram: a verdadeira estética não está em transformar alguém em outra pessoa, mas em revelar, com equilíbrio e intenção, aquilo que já existe de mais bonito nela.
Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo
  1. E, por último, mas não menos importante: qual é a sua voz? Depois de tudo o que você construiu na profissão e de tudo o que passou a viver no universo do wellness e da competição, o que você acredita que precisa ser dito hoje sobre beleza, autocuidado, disciplina e sobre a maneira como uma mulher escolhe construir a própria imagem?


Acredito que hoje precisamos falar sobre beleza de uma forma mais consciente e mais livre. A minha trajetória me ensinou que autocuidado não é vaidade e disciplina não é punição. São formas de respeito por nós mesmas
No consultório, vejo mulheres buscando se sentir mais bonitas, mais seguras e mais alinhadas com a imagem que têm de si. No wellness, vivi o outro lado: descobri a força, a disciplina e a dedicação necessárias para construir uma versão física que antes existia apenas como um objetivo.
Se existe uma mensagem que eu gostaria de deixar, é que a nossa imagem deve ser uma extensão de quem somos, e não uma prisão criada pelo olhar dos outros. Podemos construir nosso corpo, nosso estilo, nossa beleza e nossa trajetória de muitas maneiras. O mais importante é que essa construção seja consciente, saudável e genuinamente nossa.
Hoje, para mim, beleza é isso: não se tornar outra pessoa, mas ter liberdade para revelar diferentes versões de si mesma, com saúde, disciplina, autoestima e propósito.
Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

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