VICTORIA'S SECRET E O FIM DAS ANGELS

Já faz algum tempo em que a falta de diversidade nos desfiles da Victoria's Secret vem sendo debatida.

A marca é conhecida por seus desfiles em formato de show onde modelos com corpos considerados "perfeitos" desfilam suas peças de lingerie ao som de nomes conhecidos da indústria musical.

Porém, o que começou a se notar é que para se tornar uma "angel" as modelos deveriam atender à um padrão e todas pareciam ter saído de uma forma com o mesmo molde.

Corpos bronzeados, cabelos esvoaçantes e maquiagem super iluminada faziam parte do combo que dava vida à este "universo da perfeição", reforçando a ideia de um estereótipo inalcançável.

Isso fez com que a marca perdesse grande parte do público consumidor, já que hoje vivemos em um mundo mais inclusivo e que valoriza a individualidade.


Doutzen Kroes, Miranda Kerr, Candice Swanepoel e Alessandra Ambrosio. Foto: internet

Em junho deste ano, o vice-presidente do grupo, Stuart Burgdoerfer, anunciou uma mudança de estratégia e reposicionamento de mercado da marca. Segundo ele, a Victoria's Secret irá continuar se comunicando com suas consumidoras mas não será nada grandioso como os desfiles.

Muitas pessoas ainda acham triste que tal decisão só tenha sido tomada após cancelamentos e baixa audiência de seus desfiles. Além disso, muitos sabem que a marca perpetuou o ideal do corpo perfeito no mundo inteiro, muitas vezes com consequências sérias para o próprio casting de modelos, já que as mesmas passavam por horas de exercícios pesados e dietas restritivas que causavam até distúrbios alimentares.


Foto/ divulgação : internet

As marcas precisam entender que a falta de diversidade e não inclusão não são mais uma realidade atual e que certos padrões precisam ser rompidos de uma vez por todas.

O reposicionamento de mercado da Victoria's Secret também visa combater o machismo e colocar uma pedra no passado obscuro da marca, passado este fomentado por uma cultura corporativa tóxica, misógina e pautada em comportamentos inadequados.

Para quem não lembra, em 2018 o então diretor de marketing Ed Razerk, ao ser questionado sobre a falta da inclusão da marca respondeu de forma transfóbica e preconceituosa. Disse que não havia lugar para modelos plus size e transsexuais pois elas não se encaixavam nos padrões da Victoria's Secret . O comentário gerou revolta, porém não houve qualquer decisão por parte do grupo.

Em 2019, o mesmo pediu demissão após a contratação da modelo transgênero brasileira Valentina Sampaio.

Pois é gente, depois de tanto babado parece que a marca tem buscado se "redimir ".

A nova estratégia de marketing consiste na criação de uma espécie de "comitê " da diversidade que irá estudar melhores formas de inclusão e comunicação.

Para isso a marca conta com a ajuda de sete mulheres como porta-vozes.

O grupo chamado COLLECTIVE tem nomes como : Megan Rapinoe , bicampeã mundial de futebol e ativista dos direitos das mulheres e do grupo LGBTQIA+ . Também conta com a atriz indiana Priyanka Chopra Jonas, a modelo transgênero brasileira Valentina Sampaio, a modelo plus size Paloma Elesser, a modelo sudanesa-australiana Adut Akech , a esquiadora e atleta olímpica Eileen Gu e a jornalista britânica Amanda de Cadenet.


Valentina Sampaio, modelo transgênero brasileira para a capa da Elle. Foto/divulgação : internet

Depois de tudo isso me convenço que precisamos repensar nossa maneira de consumo e investir no auto conhecimento. É preciso escolher o que consumir inclusive nas redes sociais, pois os padrões ficam cada vez mais claros por aqui. Não esqueçam que quem alimenta todos estes mercados somos nós, marcas só conseguem espaço onde há insatisfação.



Beijos e Abraços

Raphael Lindeker

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