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  • Aliati Dermatologia: Beleza, Ciência e a Arte de Cuidar de Quem Está Prestes a Casar

    Ana Carolina e Inácio são dermatologistas, sócios e noivos. Para quem pensa que essa combinação exige uma separação rígida entre o profissional e o pessoal, a resposta deles é direta: não existe essa divisão, e tudo bem. Photo Disclosure Press “A gente mistura. A gente fala de vida pessoal aqui e a gente fala de vida profissional em casa, porque às vezes o trabalho é muito intenso e a gente precisa dar conta, comendo um pouco das horas livres que nós temos, porque a demanda da clínica é muito alta”, conta Ana Carolina. “Mas a gente sempre cuida para que isso não afete o nosso relacionamento. Quando a gente sente que está muito estressado, que está muito pesado, um dá um toque para o outro. E aí, beleza. Agora vamos só viver a vida pessoal e vamos parar de falar de trabalho.” Ela ri ao lembrar que, na véspera da entrevista, precisou colocar um ponto final na conversa: “Falei: ó, agora é 20 horas da noite. Vamos parar de falar de trabalho daí, tá bom?” Do ponto de vista clínico, os dois raramente discordam. “A gente pede muita opinião um para o outro. E geralmente, quando o outro dá opinião, a gente concorda. A gente pensa muito parecido nas partes de pensamento clínico, dermatológico, estético, decisões sobre pacientes, decisões sobre o que fazer também de parte administrativa.” Quando alguma divergência aparece, a postura é simples: respeitam a decisão um do outro. “É muito raro quando tem uma discordância. E daí? A gente respeita a decisão do outro.” O que facilita tudo, segundo eles, é que os valores são os mesmos. “A gente tem os valores muito bem formados, e que são realmente os mesmos. A gente pensa muito igual. Aí fica fácil de tomar as decisões de forma conjunta.” Essa coerência se estende para a equipe, que foi montada com pessoas que compartilham ou compreendem esses valores. “Eles também sabem tomar as decisões ou resolver os problemas baseados nesses nossos valores.” Inácio completa com uma perspectiva que resume bem a dinâmica entre os dois: “Quando temos dias difíceis que a gente precisa do apoio do outro, vamos ter o outro tanto no trabalho quanto em casa. A mesma coisa no trabalho, quando tem situações difíceis. Situações complexas. Melhor que dividir com tua esposa, com tua noiva, porque você confia plenamente.” Para eles, ser casal e sócio é, acima de tudo, um facilitador. “O sucesso como dermatologistas que a gente tem até agora, em parte é também por isso, porque somos um casal. Porque a gente consegue trabalhar juntos. A gente consegue construir juntos. A gente vai no mesmo ritmo, no mesmo caminho, com o mesmo norte.” A beleza como assunto delicado — especialmente no casamento Quando o assunto muda para a prática clínica, Ana Carolina é cuidadosa ao explicar como enxerga a beleza. Não como uma regra, mas como uma percepção individual que precisa ser respeitada antes de qualquer intervenção. “A primeira coisa é que eu não trabalho a beleza como uma regra. Embora exista um padrão. A gente estuda esses padrões, que trazem naturalmente para um inconsciente de quem vê uma sensação de que o rosto ou o corpo é bonito. E a gente sabe quais são esses padrões. Existe uma proporção áurea que já foi estudada por muitos pensadores da história.” Mas conhecer esses padrões não significa aplicá-los indiscriminadamente. “Só que eu não gosto de colocar todos esses padrões no paciente. Então, o meu objetivo é, primeiro, entender o que incomoda a pessoa.” Essa distinção é central na abordagem da clínica. Se algo não incomoda a paciente, não precisa ser tratado, independentemente do que qualquer padrão estético diga. “Eu até enalteço. Nossa, que bonito o seu perfil. Que bonita a estrutura do seu rosto. Eu enalteço para que a pessoa consiga perceber também os pontos bonitos de beleza que ela já tem.” Quando o casamento entra na equação, a sensibilidade precisa ser ainda maior. “A pressão estética para estar no seu melhor no dia do casamento pode ser enorme. Às vezes, as pessoas dão um pitaco em coisas que nem deveriam.” Ana Carolina observa que muitas noivas chegam carregando inseguranças antigas que vinham deixando para depois, e o casamento funciona como um gatilho. “O casamento bateu o reloginho e elas pensam: preciso fazer agora, porque eu preciso me ver depois nas fotos. Eu tenho que estar do jeito que eu quero estar.” O ponto mais sensível, segundo ela, não é a vaidade em si, mas quando a pressão vem de fora. “Eu percebo muito do noivo para a noiva. E pressiona o noivo para fazer os procedimentos e o noivo não quer fazer nada.” Nesse momento, a postura é clara: “Noivo, é a noiva que quer? É tua mãe? É a tua sogra? Então nós não vamos fazer nada. Vamos tratar a acne que é doença. Gente, ele tem que ser feliz com quem ele é, e o desejo pela mudança também tem que vir dele.” O boom dos procedimentos estéticos e o que preocupa O Brasil é hoje um dos países que mais realiza procedimentos estéticos no mundo, e esse crescimento acelerado traz consequências que Ana Carolina observa com preocupação dentro do consultório. “A gente está vivendo uma explosão de procedimentos estéticos. Antigamente eram os Estados Unidos. Representa cirurgias plásticas, mas o Brasil.” Com o aumento da demanda, multiplicaram-se também os profissionais que realizam esses procedimentos, médicos e não médicos, e, com eles, os casos de complicações. “Quanto menos conhecimento, mais risco de complicações. Isso também está bem demonstrado cientificamente. Então, quanto mais expertise, quanto maior formação, o risco de ter complicações é menor.” Ela recebe com frequência pacientes que chegam com sequelas de procedimentos realizados em outros lugares. “Eu recebo muito paciente que vem de outros profissionais, que vem com complicações que eu preciso primeiro resolver, ou muitas vezes eu não consigo mais ajudar tanto o paciente por conta das complicações serem permanentes e impossibilitam outros tratamentos. Isso me preocupa um pouco, porque a gente às vezes fica de mãos atadas para poder ajudar alguém que está precisando.” Há também o problema dos produtos novos, lançados com velocidade maior do que a ciência consegue acompanhar. “Eu só vou fazer quando realmente já tiver um estudo de segurança a longo prazo. O produto pode dar uma resposta boa, mas, a longo prazo, pode dar complicações tardias. Às vezes, sem liberação da Anvisa, muitas vezes.” A postura da clínica é firme: a segurança sempre vem antes do resultado. “Não é porque um produto está mostrando ter resultados bons, um produto lançado recentemente, que vai ser um procedimento seguro.” Para ilustrar o que pode acontecer quando essa cautela é ignorada, Maria Constanza menciona um caso emblemático que ganhou repercussão na Argentina: uma clínica frequentada por artistas famosos que utilizava um produto equivalente a concreto para procedimentos corporais. “Artistas argentinos famosíssimos foram nessa clínica e vêm ao jornal falando que estão contando seus dias de vida, porque é um produto que você não tira completamente do seu corpo. Ele mata. As pessoas perderam totalmente a noção do que realmente vale.” Quando o médico precisa dizer não Há situações em que a postura mais ética é recusar um procedimento, mesmo que tecnicamente ele fosse possível de realizar. Ana Carolina fala sobre isso com a naturalidade de quem já viveu esse momento muitas vezes. “O primeiro é não fazer danos. A gente tem esse princípio na medicina.” Existe uma condição chamada transtorno dismórfico corporal, em que o paciente enxerga um defeito que objetivamente não existe. “Na área da estética, existem muitos pacientes que têm essa condição médica. E você, sendo ético, sendo médico, não vai ser difícil, no fundo, dizer que não, porque você sabe que está fazendo um bem para o paciente.” A conversa durante a consulta é, para ela, a ferramenta mais importante. “Gastar tempo conversando é muito importante, porque, nessa conversa, a gente consegue identificar quando realmente é algo patológico, algo de doença, ou quando é algo comportamental.” Em alguns casos, ela mostra para a paciente, com fotos e medições, que as proporções do rosto estão equilibradas, que não há necessidade de intervenção. “O paciente fala: nossa, tudo bem, eu entendi. E você sabe que uma pessoa que entendeu mesmo vai fazer outros tratamentos, ou vai fazer só um acompanhamento comigo de saúde, e ela para de falar daquilo.” Houve um caso em que foi necessário envolver a família. “Foi necessário, de alguma forma, trazer a família junto para essa questão, porque ia ser necessário realmente fazer um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. É muito fácil falar sim, muito fácil mesmo. Um procedimento estético é muito tentador para o ‘profissional’ que quer ganhar dinheiro a qualquer custo.” O que a noiva precisa saber antes de marcar uma consulta Para as noivas que estão considerando fazer um procedimento estético pela primeira vez pensando no casamento, o conselho de Ana Carolina começa antes mesmo de entrar no consultório. “A noiva precisa se olhar no espelho, se olhar nas fotos, e se perguntar se o que ela já tem de hoje e sozinha está bom para ela, e tentar entender o que incomoda realmente, o que não incomoda. Como que ela se vê como pessoa, como que ela vê a própria imagem, e trabalhar o que incomoda ela e não aos outros, não pensando no âmbito de casamento, como que vai estar lá no casamento. Mas pensando como pessoa hoje, eu, sem ser noiva, o que eu sinto, o que eu não gosto, o que me deixa um pouco insegura, que me deixa insegura e não aos outros. E eu falo isso para todas as minhas pacientes.” O segundo passo é procurar um dermatologista com antecedência. “Muitas vezes fica muito em cima da hora chegar dois, três meses antes em uma consulta dermatológica para conseguir atender os resultados que a noiva quer.” Com tempo suficiente, é possível planejar tratamentos que vão muito além do injetável. “Às vezes são coisas tão pequenas como hidratar a pele, como melhorar uma mancha em particular. E é super tranquilo. Mas tem outras situações particulares que precisam de mais tempo e nem sempre são tratamentos injetáveis.” Inácio acrescenta, com a perspectiva de quem, como homem, também passou a enxergar o assunto de forma diferente ao se tornar noivo: “Eu, como homem, não me importo muito com os procedimentos estéticos, mas ver as fotografias desse dia é muito lindo, e lógico estar com o rosto um pouquinho mais cuidado. Uma barba bem feita. Faz diferença na hora de ver essas fotografias.” A mensagem final de Ana Carolina é sobre organização e autoconhecimento. “Se organizar é muito importante. O casamento é um momento extremamente especial. Toda uma construção para o dia do casamento. Existe uma escolha das flores, existe uma escolha das músicas, das fotografias, dos vídeos. Enquanto isso, você vai construindo esse momento tão especial. E a autoestima, a pele também é um ponto importante que a gente precisa de um tempo para se organizar.” A pressão do entorno e o direito de ser você mesma Um dos temas que atravessou toda a conversa foi o peso das opiniões externas sobre as escolhas da noiva, sejam elas estéticas ou não. Maria Constanza, que conduz a entrevista e é ela mesma noiva e paciente da clínica, trouxe o assunto com uma experiência própria: “Outro dia, uma noiva — e eu entendo que foi na melhor das intenções — me disse: ‘Ai, Maria, você vai iluminar seu cabelo, né? Precisa iluminar, já que você quer um penteado de cabelo solto.’ Falei: ‘Não, eu gosto do meu cabelo assim como ele é.’” Ana Carolina reconhece o padrão. “Nós somos bombardeados dessa palavra de ‘tem que, precisa, deve fazer, deve ter’ o tempo todo. Isso pode virar um gatilho enorme para decisões precipitadas ou, às vezes, baseadas numa insegurança que veio do entorno e nunca foi sua necessariamente.” Maria Constanza lembra de uma noiva que queria um penteado semipreso, mas estava sendo pressionada por todos ao redor para usar coque. “Essa menina estava numa angústia e ela não era uma pessoa muito firme para falar a sua opinião. Ela estava se deixando influenciar muito pelas sugestões externas. E aí teve uma hora que eu precisei segurar ela e falar: ‘Fulana, é você que vai se ver nas fotos. Você se odeia de coque, você mesma me disse isso. Por que não fazer o semipreso que você tanto quer?’” A noiva casou com o semipreso, mas foi difícil até o dia do casamento ouvir que deveria ter feito diferente. “Noivas têm que ter uma resistência muito grande, emocional, para não só dizer não ou dizer o que elas querem, mas bancar essas opiniões.” Cuidar da pele além da estética: o que ninguém te conta Quando a conversa se volta para saúde, e não apenas para beleza, Ana Carolina assume um tom ainda mais direto. O câncer de pele é o mais frequente no mundo, e, no Brasil, especialmente na região Sul, os índices são ainda mais altos. “O essencial é a fotoproteção. O câncer de pele se associa diretamente com a exposição solar. Então, a fotoproteção é evitar os horários de sol mais intenso, usar o protetor solar diariamente quando for se expor ao sol, fazer uso de chapéu, é realmente importante e é o que funciona.” Além disso, ela recomenda uma consulta anual com dermatologista para o check-up de pintas e atenção a sinais específicos que podem surgir no dia a dia. “Uma pinta que começa a crescer, que muda ao longo do tempo, que forma ferida, que tem várias cores, uma pinta que ficou mais escura, diferente do resto. Seria importante consultar precocemente.” Ela alerta também para o hábito, cada vez mais comum, de seguir orientações de tratamento vindas das redes sociais. “Eu vejo um paciente chegando por meses, anos fazendo um tratamento que a amiga passou, que viu no TikTok. E aí fala: ‘Ah, não tem mais jeito, porque eu já fiz de tudo.’ Ao analisar esse ‘tudo’, era tudo que o TikTok passou.” A mensagem, no fundo, é simples: procurar o médico antes de tentar resolver sozinha. “Não é porque é uma escaminha, não é porque é uma espinha que não é importante, que não é saúde também. Então tem que procurar.” O que é beleza, afinal? Para encerrar, a pergunta mais filosófica da entrevista: o que é beleza, para quem dedica a vida a estudá-la e praticá-la? Ana Carolina responde sem hesitar, mas com a delicadeza de quem sabe que a resposta não é simples. “Beleza é o que faz você sentir uma emoção no que você vê. E aí, o que te emociona, que visualmente te traz uma emoção positiva, é isso.” Mas ela vai além: é uma emoção individual. “O que traz emoção positiva para mim, ao meu ver, é diferente do que outra pessoa sente também ao ver a mesma coisa. Tem padrões de beleza, mas a beleza real continua sendo história. Depende das tuas experiências, depende do momento.” E é justamente por isso que a percepção de beleza pode ser distorcida por um momento emocional difícil. “Emoções estão afloradas e intensificadas no noivado. Elas estão sendo manipuladas constantemente, e aí a gente tem que tentar trabalhar essas emoções para que você não venha a ter uma percepção errônea de beleza, o que acaba se causando para si próprio algum malefício por conta dessa sua percepção de beleza.” O exemplo mais extremo é o da paciente em depressão que chega ao consultório dizendo que está horrorosa, quando objetivamente está linda. “A emoção que ela sente ao se ver no espelho é uma emoção que está deturpada por conta do momento emocional dela, dessa situação. Então eu não posso chegar e indicar um procedimento para cada queixa que ela me traz, porque senão eu vou estar afundando ainda mais ela e causando um mal para ela.” Foi nesse momento que Maria Constanza encerrou com uma observação que arrancou sorrisos de todos: Inácio havia dito que a beleza é o que evoca emoções e que, para ele, Ana Carolina é sempre bela, mesmo nos momentos em que ela diz estar horrível. “Que bom que é com ele que você vai casar. Não é isso que a gente quer para a vida? Um parceiro, uma parceira, que nos ame em qualquer momento.” Ana Carolina completou, com leveza: “Que a gente evoca emoções.” E a entrevistadora riu: “Isso aí é frase para votos, gente. É frase para votos.”

  • Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro: médicos brasileiros nas novas fronteiras da longevidade

    Dr. Arthur Rasqueri e Dra. Maísa Ribeiro integram uma geração de profissionais brasileiros conectada aos principais centros internacionais de inovação em saúde — e a Dubai, que investe bilhões para se tornar o maior hub de longevidade do mundo. Photos Disclosure Press A medicina vive uma de suas transformações mais importantes das últimas décadas. O modelo tradicional, historicamente concentrado no diagnóstico e no tratamento de doenças já estabelecidas, começa a dividir espaço com uma abordagem mais ampla: compreender os mecanismos biológicos associados ao envelhecimento, à perda funcional e à recuperação dos tecidos para desenvolver intervenções cada vez mais individualizadas. Essa transformação tem um endereço. Dubai investe bilhões para se tornar o maior polo internacional de longevidade do mundo — meta de Estado com prazo definido, orçamento e estrutura regulatória própria. Foi ali que a terapêutica peptídica deixou de operar em zona cinzenta: os Emirados Árabes Unidos regulamentaram o uso de peptídeos em ambiente clínico, com respaldo governamental, exigindo registro dos produtos, indicação médica documentada e rastreabilidade de origem, lote e validade. Enquanto boa parte do mundo discute se essas moléculas devem ser usadas, Dubai definiu como. É nesse cenário que dois profissionais brasileiros vêm construindo uma trajetória de crescente projeção internacional, atuando lado a lado entre Brasil, Europa e Oriente Médio. O Dr. Arthur Rasqueri mantém sua prática clínica no Brasil, onde é referência em recomposição corporal, longevidade, saúde e performance, com atendimento a artistas e profissionais submetidos a alta exigência física e pública — pacientes para quem função, recuperação e capacidade não são conceitos abstratos, mas condição de trabalho. Ao mesmo tempo, amplia sua presença internacional, estabelecendo conexões com centros e profissionais envolvidos no desenvolvimento de novas estratégias em performance, metabolismo, longevidade e medicina regenerativa. A Dra. Maísa Ribeiro, cientista e PhD em Medicina Regenerativa, está estabelecida em Dubai, onde atua na Novomed, uma das maiores redes de clínicas dos Emirados Árabes Unidos, coordenando o departamento de longevidade e treinando os médicos da rede. Desenvolve pesquisa junto ao Departamento de Medicina de Precisão da Gulf Medical University e integra o corpo docente do Geneva College of Longevity Science, na Suíça. Os dois compartilham essa conexão acadêmica: Rasqueri participa, como médico convidado, do curso de especialização em terapêutica peptídica do Geneva College of Longevity Science, em Genebra — ambiente dedicado ao ensino e à discussão da ciência da longevidade e de novas abordagens aplicadas à saúde. Ciência e prática clínica: a parceria que move a medicina Para Arthur Rasqueri, a mudança em curso é conceitual antes de ser tecnológica. “A medicina está entrando em uma fase em que não basta perguntar qual doença o paciente possui. Precisamos compreender como ele está envelhecendo, como está funcionando metabolicamente, qual sua capacidade de recuperação e quais mecanismos biológicos podem ser modificados. A grande mudança está na personalização.” Responder a essas perguntas exige mais do que experiência clínica. Exige leitura de literatura, compreensão de mecanismo e acesso a quem produz ciência — e é aí que a colaboração com Maísa Ribeiro se tornou estruturante para sua prática. A complementaridade entre os dois é o eixo do trabalho conjunto. Uma pesquisadora com uma década de bancada investigando células-tronco derivadas de tecido adiposo e um médico com anos de consultório em metabolismo, composição corporal e performance olham para o mesmo problema por ângulos distintos — e é precisamente aí que a medicina avança. “A parceria entre ciência e prática clínica é o que produz avanço real. O laboratório sozinho gera conhecimento que não chega ao paciente. O consultório sozinho gera experiência que não é testada. Quando os dois conversam, a medicina anda mais rápido e com mais segurança.” Para Maísa Ribeiro, o princípio é anterior a qualquer tecnologia: a ciência é a base da inovação e faz toda a diferença nesta nova era da medicina moderna. Sem evidência, o que resta é comércio de novidade. Peptídeos: uma das áreas que mais despertam interesse Entre os campos acompanhados pelos dois está a terapêutica peptídica, área que ganhou enorme visibilidade internacional nos últimos anos. Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que atuam como moléculas sinalizadoras em diferentes processos fisiológicos. Algumas já fazem parte da medicina estabelecida há décadas; outras permanecem em investigação científica ou possuem diferentes níveis de aprovação regulatória conforme o país e a indicação. O interesse atual envolve metabolismo, composição corporal, recuperação, sinalização celular e processos relacionados ao envelhecimento. Para Rasqueri, o crescimento do interesse exige justamente mais conhecimento médico — e não menos. “Existe uma diferença enorme entre inovação e experimentalismo. Quanto mais rapidamente uma área cresce, maior precisa ser o compromisso do médico em compreender mecanismo de ação, evidência científica, segurança, qualidade farmacêutica e regulamentação.” Essa preocupação o levou a acompanhar de perto, em Dubai, estruturas relacionadas ao desenvolvimento e à produção de peptídeos, aproximando a decisão clínica da compreensão sobre processos de fabricação, controle de qualidade e rastreabilidade. Poucos médicos fazem esse caminho; a maioria prescreve sem nunca ter visto de onde o produto vem. O marco regulatório dos Emirados ajuda a explicar o interesse. A Dubai Health Authority publicou regulamentação específica para o manejo de produtos peptídicos em instalações de saúde, com respaldo governamental. Somente produtos registrados ou licenciados junto à Emirates Drug Establishment podem ser prescritos e administrados; peptídeos destinados exclusivamente a pesquisa são proibidos em uso humano fora de ensaio clínico aprovado; a aquisição de fornecedores não licenciados é vedada; e há obrigação de informar ao paciente os limites da evidência científica e o status regulatório de cada produto. Para o médico, isso significa previsibilidade. Para o paciente, rastreabilidade — lote, validade, origem, indicação documentada. A fronteira das terapias celulares Outro eixo importante desse movimento internacional é a medicina regenerativa baseada em células e seus derivados — estratégias destinadas a modular processos de reparação, inflamação e regeneração tecidual. Dependendo da tecnologia e da indicação, o nível de evidência pode variar consideravelmente. Terapias celulares, produtos derivados de células, exossomos e outras estratégias de sinalização intercelular ocupam posições diferentes na escala de maturidade científica. A perspectiva mais moderna não é apresentar essas tecnologias como soluções universais, mas identificar quais possuem respaldo científico suficiente, quais permanecem experimentais e quais pacientes poderão se beneficiar dentro de protocolos adequadamente selecionados. É justamente nessa intersecção entre inovação e rigor científico que Rasqueri e Ribeiro posicionam sua atuação. Quando longevidade deixa de significar apenas viver mais A discussão contemporânea está cada vez menos concentrada em aumentar a expectativa de vida e cada vez mais interessada no healthspan — o período da vida vivido com autonomia, capacidade física, cognição e saúde metabólica preservadas. Isso modifica profundamente a estratégia médica. Genômica, composição corporal, saúde cardiovascular, metabolismo, força muscular, sono, função hormonal, marcadores inflamatórios e capacidade funcional passam a ser analisados de maneira integrada, não em compartimentos isolados. Nesse contexto, a experiência de Arthur Rasqueri com medicina esportiva, composição corporal e performance encontra conexão direta com a ciência da longevidade. A preservação da massa muscular, por exemplo, deixou de ser considerada apenas uma questão estética ou esportiva: força e função muscular ocupam espaço crescente nas discussões sobre envelhecimento saudável e manutenção da independência funcional ao longo da vida. O que ele acompanha há anos em atletas e artistas é, em essência, o que a literatura de longevidade hoje recomenda para todos. Dubai e a nova geografia da medicina Durante décadas, Estados Unidos e alguns países europeus concentraram grande parte da inovação médica mundial. Esse mapa, entretanto, está mudando. Em junho de 2026, o Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e governante de Dubai, promulgou a lei que instituiu a Dubai Longevity Authority (DLA) — um órgão governamental criado com um objetivo explícito: posicionar o emirado como o principal polo mundial de longevidade regulada, bem-estar e medicina avançada. A presidência foi atribuída ao Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, príncipe herdeiro de Dubai. A autoridade integra a Dubai Economic Agenda (D33) e a Dubai Social Agenda 33 — duas metas de Estado com horizonte em 2033, que preveem investimento bilionário e colocam Dubai entre as três melhores cidades do mundo em qualidade de vida e expectativa de vida saudável. O mandato da DLA cobre toda a cadeia: pesquisa e desenvolvimento, ensaios clínicos, manufatura, entrega e cuidado ao paciente. A velocidade regulatória acompanha o investimento. Em 17 de agosto de 2026, a Emirates Drug Establishment aprovou o upadacitinibe (RINVOQ) para o tratamento do vitiligo não segmentar em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, tornando os Emirados o primeiro país do mundo a licenciar um tratamento oral sistêmico para esse grupo de pacientes. Meses antes, o mesmo órgão havia registrado o primeiro agonista oral de GLP-1 para obesidade crônica disponível fora dos Estados Unidos. Essa combinação — investimento, regulação e velocidade de incorporação — criou terreno especialmente fértil para medicina regenerativa, terapias celulares, medicina personalizada, avaliação genômica, terapias intravenosas individualizadas e ciência da longevidade. Mais do que conhecer novas tecnologias, o objetivo dos dois profissionais é compreender como diferentes ferramentas podem ser integradas à prática médica de maneira racional, individualizada e baseada em critérios clínicos. O paciente brasileiro diante do turismo médico internacional Existe ainda outro fenômeno acontecendo paralelamente: o crescimento do turismo médico de alta complexidade. Pacientes já não viajam somente para realizar cirurgias. Um novo perfil procura centros internacionais para avaliações avançadas, segunda opinião médica, programas de longevidade, tecnologias diagnósticas e tratamentos específicos disponíveis dentro das regulamentações locais. Dubai ocupa posição estratégica nesse mercado — localização entre Europa e Ásia, infraestrutura hospitalar, conectividade aérea e investimento contínuo em tecnologias médicas. A ponte construída entre a atuação de Rasqueri no Brasil e a de Ribeiro nos Emirados tem duas prioridades declaradas. A primeira é o acesso: garantir que o paciente seja tratado com as tecnologias mais recentes, em centros especializados, dentro do marco regulatório local. A segunda é a experiência: um percurso planejado, com continuidade médica antes, durante e depois — avaliação adequada previamente à viagem, compreensão clara sobre a indicação de cada procedimento e acompanhamento posterior. Isso corrige o principal problema do turismo médico convencional: a fragmentação do cuidado. O paciente que viaja sozinho volta sozinho, sem quem interprete o que foi feito. Uma ponte entre Brasil, Europa e Oriente Médio Talvez o aspecto mais relevante da trajetória dos dois seja justamente essa capacidade de conectar diferentes ecossistemas. O Brasil possui uma medicina clínica reconhecida e profissionais altamente capacitados. A Europa mantém forte tradição acadêmica e científica. Dubai, por sua vez, tornou-se um ambiente de velocidade, investimento e incorporação regulada de novas tecnologias. Transitar entre esses ambientes permite observar modelos distintos e selecionar aquilo que realmente acrescenta valor à prática médica. Para Maísa Ribeiro, viver e trabalhar nos Emirados significa aplicar ciência diretamente na prática clínica — usar a evolução tecnológica e os benefícios terapêuticos disponíveis para transformar a vida de pacientes reais, com protocolo, medida e acompanhamento. Arthur Rasqueri segue caminho semelhante ao ampliar sua atuação para além do consultório brasileiro e buscar formação, colaboração e produção de conhecimento em diferentes países. O objetivo não é simplesmente importar tratamentos. É importar conhecimento, criar conexões científicas e construir pontes para que médicos e pacientes brasileiros possam participar de uma medicina cada vez mais globalizada. Inovação exige responsabilidade O entusiasmo provocado por novas tecnologias também traz uma responsabilidade proporcional. Medicina regenerativa, terapias celulares, exossomos e diferentes peptídeos incluem desde tecnologias consolidadas até abordagens ainda experimentais. Por isso, qualquer discussão séria sobre o futuro da medicina precisa reconhecer os limites atuais da evidência científica. Rasqueri e Ribeiro defendem que inovação verdadeira precisa caminhar ao lado de evidência, ética, qualidade farmacêutica, regulamentação e acompanhamento médico. O futuro não será construído apenas por quem tiver acesso primeiro às novas tecnologias, mas por quem conseguir distinguir aquilo que é apenas novidade daquilo que efetivamente muda desfechos clínicos. Uma geração brasileira olhando para a próxima medicina A presença de brasileiros em ambientes internacionais de pesquisa, ensino e inovação demonstra que o país também pode participar ativamente dessa transformação — não como espectador, mas como produtor de conhecimento. Arthur Rasqueri e Maísa Ribeiro fazem parte dessa geração: formados no Brasil, com uma visão de medicina que já não reconhece fronteiras geográficas para o conhecimento. De Genebra a Dubai e do Oriente Médio ao Brasil, suas trajetórias convergem em um mesmo ponto: entender hoje a medicina que fará parte da prática clínica de amanhã. E o critério que sustenta isso é simples de enunciar e exigente de cumprir. Nenhuma tecnologia entra na prática clínica antes de responder a três perguntas: qual o mecanismo, qual a evidência e qual o paciente que se beneficia.

  • Após reposicionamento da marca, Camila Dias relança as fragrâncias que deram início à história da Benuá

    Gênesis, Zayah e Zakhar retornam ao catálogo em edição comemorativa de um ano da marca, com nova identidade visual e as mesmas fórmulas que conquistaram milhares de clientes Photos Marllon Oliveira Um ano depois de entrar para o mercado de perfumaria, a empresária e influenciadora Camila Dias celebra o primeiro aniversário da Benuá com um relançamento cheio de significado. As fragrâncias Gênesis, Zayah e Zakhar, responsáveis por marcar o início da história da marca, voltam ao catálogo em uma nova identidade visual, mantendo exatamente as fórmulas originais que conquistaram milhares de consumidores. “Dizem que o cheiro tem o poder de transportar a gente no tempo. Talvez seja por isso que, durante meses, eu tenha recebido mensagens de pessoas perguntando quando Gênesis, Zayah e Zakhar voltariam. Não era apenas sobre perfume. Era sobre reviver memórias”, conta Camila Dias. Lançado em 8 de agosto de 2025, Gênesis foi o primeiro perfume desenvolvido por Camila e representou o nascimento de um projeto que rapidamente conquistou espaço entre apaixonados por perfumaria. Ao longo desse primeiro ano, a empresa ampliou seu portfólio, fortaleceu sua presença no mercado e passou por um importante processo de reposicionamento, adotando o nome Benuá e uma nova identidade visual. Agora, encerrada essa transição, os três primeiros perfumes retornam às prateleiras em embalagens renovadas, mas com o mesmo cheiro que fez tanta gente criar memórias por meio deles. “Desde que os perfumes saíram do ar, eu recebo mensagens praticamente todos os dias perguntando quando eles voltariam. É muito emocionante perceber que as pessoas não sentem falta só da fragrância, mas das lembranças que ela representa. Perfume tem esse poder de guardar momentos. Trazer Gênesis, Zayah e Zakhar de volta é uma forma de celebrar tudo o que construímos até aqui, sem abrir mão da nossa essência”, afirma Camila Dias. O relançamento acontece em um momento em que marcas fundadas por criadores de conteúdo buscam consolidar uma identidade própria, fortalecendo sua presença muito além das redes sociais. No caso da Benuá, esse movimento reforça um posicionamento que une perfumaria, memória afetiva e experiências sensoriais. Para Camila, revisitar as primeiras criações também representa olhar para a própria trajetória. “Quando olho para esses perfumes, lembro de tudo o que vivi nesse último ano. Foram muitos desafios, aprendizados e conquistas. A Benuá mudou por fora, amadureceu como marca, mas a essência continua exatamente a mesma. E acho que é isso que as pessoas sentem quando experimentam nossas fragrâncias.” Mais do que comemorar um ano de história, o retorno da coleção original simboliza o início de uma nova fase da Benuá: uma marca que segue evoluindo, sem perder a conexão emocional construída desde o seu primeiro lançamento.

  • ARIANA MELLO — A ARTE DE RECOMEÇAR

    COVER LONDON EDITION — AUGUST 2026 ISSUE PHOTOS: HOUSE MAZZUTTI Londres se tornou o cenário de um novo capítulo na vida de Ariana Mello. Atriz, modelo e personalidade digital, ela vive atualmente na capital britânica em um momento de transformação, aprendizado e criação de novos caminhos. Entre os estudos, o aprimoramento do inglês e a preparação para oportunidades na atuação, Ariana vem se dedicando a uma carreira cada vez mais internacional, sem deixar de lado a essência que define quem ela é. Para ela, viver em Londres representa muito mais do que uma mudança de endereço. É um recomeço, uma oportunidade de sair da zona de conforto e descobrir novas possibilidades. Viver em uma nova cultura exige independência, coragem e humildade, especialmente diante dos desafios de construir novas conexões, adaptar-se ao idioma e criar uma vida longe de tudo que lhe é familiar. Ao mesmo tempo, essa experiência proporcionou algo ainda mais profundo: autoconhecimento. Ariana afirma que viver no exterior a fez olhar para dentro e compreender melhor o que realmente deseja. Hoje, sente menos necessidade de explicar suas escolhas ou buscar aprovação para a vida que decidiu construir. Essa transformação também mudou sua relação com a própria imagem. Após experiências difíceis envolvendo procedimentos estéticos e a pressão em torno da aparência, Ariana passou a enxergar a beleza e a autoestima de uma maneira mais consciente. Ela continua apaixonada por moda, beleza e pelo universo visual, mas entende que cuidar da aparência deve ser uma escolha pessoal, e não uma tentativa de corresponder às expectativas dos outros. Para ela, a beleza é apenas uma parte de quem somos. A aparência muda, as tendências vão e vêm, mas a personalidade, os valores, as experiências e tudo aquilo que construímos ao longo da vida permanecem. Essa consciência também influencia a maneira como ela encara os relacionamentos. Ariana se tornou mais seletiva em relação à sua vida pessoal e valoriza profundamente a reciprocidade, a qualidade e o respeito. Em Londres, essa percepção se tornou ainda mais forte. Escolher as pessoas, os ambientes e os relacionamentos que fazem parte de sua rotina tornou-se uma forma de proteger sua energia e a vida que está construindo. “Recomeçar, para mim, não significa apagar quem eu fui, mas levar comigo os aprendizados e continuar evoluindo sem perder minha essência.” É justamente essa ideia que define seu atual capítulo. Ariana não está tentando deixar para trás as versões anteriores de si mesma. Ela leva seus aprendizados para uma nova realidade e permite que eles se tornem parte da artista que deseja se tornar. A atuação agora ocupa um lugar central em seus planos. Ela pretende continuar estudando, aprimorando sua formação e buscando oportunidades no cinema e na televisão, incluindo projetos internacionais. Mais do que simplesmente estar diante das câmeras, Ariana deseja interpretar personagens que a desafiem e revelem diferentes camadas de sua personalidade. “Quero interpretar personagens que me desafiem e permitam que as pessoas descubram outros lados de mim além da minha imagem.” A moda, naturalmente, continua fazendo parte de sua trajetória. Depois de construir uma relação tão próxima com esse universo, ela pretende continuar trabalhando com projetos e marcas que estejam alinhados com seu novo capítulo e com os valores que deseja representar. Mas seus planos vão além da carreira. Ariana também deseja usar sua visibilidade para apoiar causas que realmente importam para ela, especialmente iniciativas de proteção animal e projetos humanitários. A ideia de construir uma carreira com propósito surge como uma das características que definem essa nova fase. Há também um sonho íntimo que permanece entre seus maiores desejos: construir sua própria família e vivenciar a maternidade. Para Ariana, esse é um projeto de vida que deseja realizar no momento certo, sem pressa e sem a necessidade de seguir expectativas externas. Hoje, seu foco está em estudar, trabalhar, crescer, viver novas experiências e construir sua própria história. Talvez seja exatamente por isso que Londres faça tanto sentido para ela neste momento. A cidade representa movimento, descoberta e possibilidade. Um lugar onde passado e futuro coexistem todos os dias, e onde recomeçar também pode ser uma forma de se encontrar. Na capa da edição LONDON da Hooks Magazine, Ariana Mello representa esse espírito: uma mulher que não está simplesmente mudando seu entorno, mas construindo uma nova versão de si mesma. Mais independente. Mais consciente de si. Mais seletiva. E, acima de tudo, pronta para descobrir aonde seu próximo capítulo poderá levá-la. Entrevista exclusiva com Ariana Mello: 1. Sua trajetória começou no Brasil, passando pela moda, concursos de beleza, televisão e trabalhos editoriais. O que todas essas experiências ensinaram sobre você e sobre a mulher que você se tornou hoje? Todas essas experiências tiveram um papel muito importante no meu desenvolvimento, tanto profissional quanto pessoal. A moda, os concursos de beleza, a televisão e o trabalho editorial me colocaram em ambientes muito diferentes e me ensinaram sobre disciplina, responsabilidade, resiliência e, acima de tudo, autoconhecimento. Com o tempo, entendi que não precisamos viver constantemente à altura das expectativas que os outros criam para nós. Hoje, conheço muito melhor a mim mesma, tenho uma compreensão mais clara do que quero para a minha vida e também do que já não faz mais sentido para mim. Sou muito grata por tudo o que vivi no Brasil, porque cada experiência contribuiu para a mulher que sou hoje: mais madura, determinada, consciente das minhas escolhas e sem medo de recomeçar sempre que sinto necessidade de seguir um novo caminho. 2. Atualmente, você vive em Londres, estudando, aprimorando seu inglês e buscando oportunidades na atuação. O que motivou esse recomeço internacional e quais são os maiores desafios de construir uma carreira em um novo país? Viver no exterior sempre foi um grande sonho meu. Londres representa muito mais do que mudar para outro país; representa um recomeço e a oportunidade de sair completamente da minha zona de conforto. Vim principalmente para estudar, aprimorar meu inglês, ampliar minha formação e buscar novas oportunidades profissionais, especialmente na atuação. Quero me preparar cada vez mais para trabalhar como atriz e também estar pronta para oportunidades no mercado internacional. Construir uma vida em outro país exige muita coragem e humildade. Existe a barreira do idioma, a adaptação a uma nova cultura, estar longe da família e o desafio de começar a construir novas conexões e oportunidades praticamente do zero. Ao mesmo tempo, tem sido uma experiência que me fortaleceu enormemente. Descobri uma versão ainda mais independente de mim mesma e acredito que tudo isso será refletido não apenas na minha carreira, mas também na artista e na mulher que estou me tornando. 3. Você passou por situações difíceis envolvendo procedimentos estéticos e pressão em torno da aparência. Como essas experiências transformaram sua relação com a beleza, a autoestima e a própria imagem? Trabalhar com imagem inevitavelmente nos coloca sob muita pressão em relação à aparência. Durante muito tempo, também fui extremamente exigente comigo mesma e, em determinados momentos, acredito que muitas mulheres acabam buscando uma ideia de perfeição que simplesmente não existe. Algumas experiências me fizeram repensar profundamente minha relação com a estética. Hoje, acredito que qualquer procedimento deve ser uma decisão consciente, realizada com responsabilidade e com profissionais qualificados, mas, acima de tudo, deve partir de um desejo pessoal e nunca da pressão para agradar outras pessoas ou se encaixar em determinado padrão. Ainda gosto de moda, beleza e de cuidar de mim mesma, porque isso também faz parte de quem sou. A diferença é que hoje entendo que a autoestima vai muito além da aparência. A beleza muda, as tendências mudam, mas nossa essência, personalidade, valores e tudo o que construímos ao longo da vida são o que realmente permanece. 4. Hoje, você fala frequentemente sobre recomeços, identidade e reconstrução sem perder a essência. Você já sentiu que precisava se afastar das expectativas de outras pessoas para descobrir quem realmente é? Sim, absolutamente. Acho que chega um momento na vida em que começamos a perceber a diferença entre aquilo que realmente queremos e aquilo que, durante muito tempo, acreditamos que deveríamos querer para corresponder às expectativas dos outros. Hoje, protejo muito mais minha vida pessoal e também me tornei muito mais seletiva em relação às pessoas que permito que façam parte do meu círculo. Nem todo mundo tem acesso à minha intimidade ou à minha vida. Aprendi a valorizar a qualidade dos relacionamentos, a reciprocidade e a forma como as pessoas se aproximam de mim. Especialmente enquanto vivo no exterior, percebi ainda mais a importância de escolher cuidadosamente minhas amizades, os ambientes que frequento e as pessoas que mantenho por perto. Não vejo isso como me fechar para o mundo, mas como uma forma de proteger minha energia, minha paz e a vida que estou construindo. Estar em Londres também me fez olhar profundamente para dentro. Hoje, não sinto mais necessidade de explicar cada escolha que faço ou buscar aprovação para a vida que escolho viver. Recomeçar, para mim, não significa apagar quem eu fui, mas levar comigo os aprendizados e continuar evoluindo sem perder minha essência. 5. Olhando para este novo capítulo em Londres, quais sonhos Ariana Mello deseja realizar nos próximos anos, tanto na atuação e no cinema quanto na moda e em projetos de impacto social? Tenho muitos sonhos e, hoje, eles estão muito mais ligados à construção de uma carreira sólida e com propósito. Na atuação, quero continuar estudando, me preparando e buscando oportunidades no cinema e na televisão, incluindo projetos internacionais. Quero interpretar personagens que me desafiem e permitam que as pessoas descubram outros lados de mim além da minha imagem. A moda continua sendo uma parte muito importante da minha história e quero continuar trabalhando com projetos e marcas que tenham conexão comigo e com este novo capítulo que estou vivendo. Também quero usar cada vez mais minha visibilidade para apoiar causas que realmente importam para mim, especialmente projetos relacionados à proteção animal e iniciativas humanitárias. E existe também um sonho muito pessoal, que é construir minha própria família e ter filhos. Sempre foi algo muito importante para mim e considero a maternidade um dos grandes sonhos que ainda quero realizar. Ao mesmo tempo, acredito que cada fase da vida tem seu próprio tempo. Hoje, estou focada em estudar, trabalhar, crescer, viver novas experiências e construir minha própria história. Quero que tudo aconteça naturalmente e no momento certo. Meu maior desejo é olhar para trás daqui a alguns anos e perceber que construí uma carreira da qual me orgulho, uma vida com propósito e também uma família cercada de amor e valores sólidos. ADQUIRA SUA REVISTA LONDON EDITION - ENVIO GLOBAL. LINK ABAIXO:

  • Lipedema: por que compreender a doença muda a forma de tratar

    Para a Dra. Yara, falar sobre lipedema é, antes de tudo, falar sobre mulheres que passaram anos tentando entender o próprio corpo. Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio Muitas ouviram que precisavam comer menos, treinar mais, emagrecer. E muitas já faziam tudo isso. O lipedema é uma condição crônica que afeta principalmente mulheres e costuma provocar uma distribuição desproporcional da gordura, especialmente nas pernas. Dor, sensibilidade, sensação de peso e facilidade para o surgimento de hematomas também podem fazer parte do quadro. Ainda assim, durante muito tempo, muitas mulheres acabam associando essas características apenas ao excesso de peso. Foi a partir dessa realidade que a médica passou a olhar para o lipedema de uma forma mais ampla. “O lipedema não começa e termina na perna”, explica. Para ela, existe uma cadeia inflamatória, um tecido adoecido, além de metabolismo, circulação e um pilar que não pode ser esquecido: o hormonal. Essa forma de enxergar a doença também muda a maneira de pensar o tratamento. O lipedema não é simplesmente uma questão de emagrecimento. A alimentação e a atividade física continuam fazendo parte de uma rotina de saúde, mas não explicam, sozinhas, tudo o que acontece com uma paciente com lipedema. É justamente aí que muitas mulheres passam anos sem encontrar respostas. Tentam dietas, aumentam os exercícios e buscam perder peso, mas continuam convivendo com sintomas e com uma distribuição corporal que não corresponde ao esforço que fazem. Sem entender a condição, é fácil acreditar que o problema está apenas na falta de disciplina. Para a Dra. Yara, essa interpretação precisa mudar. “Eu não trato apenas peso ou gordura. Eu olho para inflamação, hormônios, alimentação, músculo, intestino, sono, circulação e saúde emocional.” A lista revela uma forma de conduzir o tratamento que não se concentra em um único ponto. Cada um desses fatores pode fazer parte da história daquela paciente, e entendê-los ajuda a construir um cuidado mais individualizado. É também por isso que a médica acredita no trabalho em equipe. O lipedema pode exigir diferentes formas de acompanhamento ao longo do tempo, de acordo com os sintomas e as necessidades de cada mulher. O objetivo não é encontrar uma única resposta, mas entender quais são as necessidades daquela paciente e quais estratégias podem ajudá-la. Outro ponto que considera fundamental é o timing. Quanto antes a doença é compreendida e esses pilares começam a ser cuidados, maior a oportunidade de controlar seus sintomas e sua progressão. O diagnóstico e o acompanhamento adequados podem fazer diferença justamente porque permitem que a mulher compreenda o que está acontecendo com seu corpo. Em vez de passar anos tentando corrigir apenas o peso, ela começa a olhar para os sintomas e para a própria condição de outra maneira. Mas existe uma razão ainda mais pessoal por trás da escolha da médica de tratar lipedema. Não está apenas nos resultados físicos, mas no que acontece com a mulher durante esse processo. “Porque o que mais me emociona não é apenas ver uma perna mudar. É ver aquela mulher sentir menos dor, entender seu corpo e voltar a se reconhecer no espelho.” Talvez seja essa a parte mais importante de sua abordagem. A mudança não está somente naquilo que pode ser visto. Está também na mulher que passa a compreender melhor o próprio corpo, que deixa de se culpar por aquilo que não conseguia explicar e que encontra um caminho de cuidado mais adequado à sua realidade. É nessa perspectiva que está o posicionamento da Dra. Yara: tratar o lipedema não apenas como uma questão de peso ou aparência, mas como uma condição que precisa ser compreendida em sua complexidade e cuidada a partir de diferentes pilares. Porque, antes de qualquer tratamento, existe uma mulher tentando entender o próprio corpo. E, principalmente, olhar para a mulher antes de olhar para a perna.

  • Da regra à liberdade: como a moda masculina está redefinindo os códigos de estilo

    Influenciador Moisés Lopes fala sobre a evolução da moda masculina, o crescimento do uso de bolsas por homens e a importância de construir um estilo baseado em identidade e autenticidade Photo Ravaneli Souza Durante muito tempo, a moda masculina esteve cercada por regras sobre o que um homem poderia ou não vestir. Cores, modelagens e acessórios eram frequentemente associados a ideias rígidas de masculinidade. Nos últimos anos, porém, esse cenário vem mudando. A moda passou a ocupar um espaço cada vez mais ligado à expressão individual, abrindo caminho para homens que desejam experimentar diferentes possibilidades de estilo sem necessariamente se prender a códigos tradicionais. Para o influenciador Moisés Lopes, uma das principais transformações desse movimento é justamente a liberdade de expressão. “Hoje, os homens entendem muito mais que a moda vai além da roupa: ela é uma forma de mostrar personalidade, identidade e estilo de vida”, afirma. Segundo ele, a mudança também está relacionada ao aumento da representatividade. “Como homem negro e gay, vejo essa mudança como algo muito positivo, porque a representatividade abriu espaço para diferentes formas de ser e se expressar.” Na visão de Moisés, o resultado é uma moda masculina mais diversa, autêntica e conectada às individualidades. A bolsa deixa de ser tabu Entre os símbolos dessa transformação está a bolsa. O acessório, que durante muito tempo foi associado quase exclusivamente ao universo feminino, ganhou espaço nos looks masculinos e passou a ser encarado também como elemento de estilo. Moisés acredita que a resistência vem diminuindo. “Estou adorando ver homens usando bolsa sem o peso de achar que isso é ‘coisa de mulher’”, conta. Para ele, o acessório deixou de cumprir apenas uma função prática e passou a fazer parte da construção da identidade visual. Ainda assim, o influenciador pondera que o processo não está concluído. “Ainda temos um longo caminho pela frente para que isso seja visto como algo realmente comum, sem julgamentos ou preconceitos.” A mudança, segundo ele, passa pela compreensão de que a moda deve ser um espaço de liberdade, no qual cada pessoa possa escolher como quer se apresentar. A presença cada vez maior de bolsas em ambientes tradicionalmente associados a uma masculinidade mais rígida também ajuda a evidenciar essa transformação. Moisés cita os jogadores de futebol como exemplo: “É um universo historicamente marcado por uma cultura de masculinidade muito rígida”, mas que hoje também apresenta homens usando bolsas e outros acessórios de moda com naturalidade em viagens, concentrações e competições. Tendência não é regra Com a velocidade das tendências nas redes sociais, outro desafio é encontrar o equilíbrio entre acompanhar o que está em alta e não perder a própria identidade. Para Moisés, a resposta está em entender a tendência como inspiração, e não como obrigação. “Nem tudo o que está em alta vai combinar com a sua personalidade, e está tudo bem”, diz. Na visão dele, estilo verdadeiro acontece quando a roupa consegue comunicar algo sobre quem está usando. O conselho para quem quer melhorar a maneira de se vestir é simples: experimentar. Mas sem transformar as tendências em regras. “O mais importante é vestir aquilo que faz você se sentir bem e confiante. Quando existe autenticidade, isso aparece naturalmente, e nenhuma tendência é mais forte do que isso.” Os novos códigos da masculinidade A transformação da moda masculina também acompanha uma mudança mais ampla na maneira como a própria masculinidade é percebida. Para Moisés, os antigos códigos foram construídos durante décadas a partir de uma cultura que determinava quais roupas, cores e acessórios seriam aceitáveis para os homens. “Isso fez com que muitos homens deixassem de usar determinadas roupas, cores ou acessórios por medo de julgamento”, explica. Hoje, ele percebe uma geração mais aberta à experimentação e menos preocupada em utilizar a roupa como uma espécie de comprovação de masculinidade. “Entende a moda como uma forma de expressão e não como uma forma de provar masculinidade.” Apesar dos avanços, Moisés ressalta que o preconceito ainda existe, especialmente quando um homem se distancia do padrão tradicional. Para ele, o próximo passo é ampliar essa liberdade até que a escolha de uma roupa não seja acompanhada pela preocupação com a opinião alheia. “Moda deveria ser sobre identidade, e não sobre limitar quem você é.” Vestir para si, não para os outros Na avaliação do influenciador, um dos maiores erros masculinos quando o assunto é estilo é justamente tentar agradar aos outros. O medo do julgamento pode fazer com que homens deixem de experimentar peças que poderiam representar melhor suas personalidades. É nesse contexto que Moisés volta a defender a bolsa como um acessório que vale ser experimentado. Mais do que uma tendência, ela representa, para ele, uma mudança nos próprios códigos da moda masculina. A evolução pode ser percebida até em ambientes que historicamente reproduziram padrões mais rígidos de masculinidade. A presença de bolsas e acessórios nos looks de jogadores de futebol, por exemplo, mostra que essas barreiras também estão sendo gradualmente questionadas. Para Moisés, o futuro da moda masculina passa justamente por esse processo de desconstrução: menos regras, menos medo do julgamento e mais espaço para que cada homem escolha como quer se apresentar. Afinal, se a roupa é uma extensão da personalidade, talvez a principal tendência da moda masculina seja justamente não precisar mais se encaixar em uma única definição do que significa ser homem.

  • Enfim Casados: A Arte de Transformar Sonhos em Cerimônias Únicas

    Uma trajetória que começou do zero Photos Disclosure Press Poucos profissionais chegam ao universo dos casamentos por um caminho linear, e com Cris, sócia da Enfim Casados, não foi diferente. Depois de sair do antigo emprego em 2013, ela se viu em casa, inquieta e em busca de propósito. “Eu sempre fui uma alma inquieta. Comecei a ficar irritada de ficar em casa”, conta. Foi então que, junto com a mãe aposentada, decidiu empreender. Uma visita ao Sebrae e uma ideia de baixo investimento depois, nasceu uma floricultura. Mas o universo tinha outros planos. Paralelamente, Cris havia feito um curso de maquiadora profissional e descobriu rapidamente que maquiar não era para ela. “Eu não sei nem me maquiar até hoje”, confessa, rindo. Foi dentro da floricultura, porém, que tudo mudou: uma cliente pediu ajuda com as flores do casamento. Cris topou o desafio, fez uma parceria com um decorador conhecido, entregou o trabalho e a noiva amou. Na semana seguinte, um fotógrafo de casamentos bateu à porta com uma proposta simples: montar um pacote completo de cerimonial e decoração. O cachê era de R$ 590,00. Na época, pareceu muito dinheiro. “Fui aprender um pouco, tomei gosto pela coisa. Daí fiz curso, especialização em produção de eventos e comecei a trabalhar com isso.” Cinco anos depois, Cris já ganhava mais do que o marido, Dilson, em sua empresa. A solução foi natural: convidá-lo a se juntar a ela. O timing perfeito do caos: a sociedade chegou com um mês de lockdown, no auge da pandemia. “Deus sempre deu um jeito. O universo, sei lá, cada um chama do que quiser. Mas sempre deu certo.” Durante a pandemia, os dois se reinventaram. O caminhão que usavam para transportar decorações virou ferramenta de frete. E, enquanto isso, Cris conversava com noivas, entendia suas angústias e abria brechas para seguir em frente. A Enfim Casados não só sobreviveu, como cresceu. O que é, afinal, um wedding planner? Para quem acaba de ficar noiva e nunca ouviu falar do universo do planejamento de casamentos, a explicação de Cris é direta: “Somos um time de wedding planners, o que é diferente da assessoria tradicional. Nossa proposta é que o nosso olhar seja mais estratégico e personalizado. O casamento tem que fazer sentido para o casal e tem que caber dentro do budget deles. Tem que deixá-los felizes esteticamente, nos momentos, na gastronomia. A gente precisa entender as prioridades deles e produzir esse casamento com base nessas prioridades.” A assessoria tradicional, ela explica, trabalha com um padrão que funciona para muita gente, mas não para todos. Na Enfim Casados, cada casal tem um cronograma diferente, um budget diferente e um projeto visual desenvolvido por Dilson, que oferece máxima visibilidade antes do grande dia. “A cerejinha do bolo é o projeto do casamento. Ele traz o máximo de visibilidade possível para a noiva saber: é isso mesmo que eu imaginava, estou segura, posso ir me arrumar em paz e viver o meu dia.” Além disso, a empresa trabalha com um casamento por data, sem segunda equipe. A pessoa que caminha com a noiva nos meses de planejamento é a mesma que estará ao lado dela no making of e na festa. “A proposta é que você caminhou com uma pessoa naquele dia. Aquela pessoa que está com você te trazendo segurança, estando com você no teu making of, estando com você na tua festa. Caminhar juntos é produzir juntos esse casamento, ponto a ponto, sem limitação de reunião, sem limitação de visitas técnicas.” Como escolher o wedding planner certo Quando o assunto é encontrar a assessoria ideal, Cris acredita que o primeiro erro que uma noiva pode cometer é se limitar ao preço. “O valor no casamento dela é muito importante. A gente avalia preço, sim, mas junto com os casais, avalia o valor daquele serviço para o casamento dela.” Ao longo dos anos, um perfil foi se desenhando naturalmente entre as clientes da empresa. “Eu percebo que elas perguntam bastante a minha opinião sobre o vestido, sobre as lembrancinhas. Elas brigam com a madrinha e eu fico brava junto. Elas tentam fazer o noivo fechar uma banda e eu estou junto nisso.” O que essas noivas têm em comum, segundo ela, é a vontade de viver o processo com tranquilidade, sem ser colocada em uma esteira de produção como mais uma entre tantas. “A noiva que é o nosso perfil é organizada, quer controlar o budget, mas também quer alguém que respeite o que ela sonha.” A curadoria de fornecedores: ciência e sensibilidade Um dos pilares da Enfim Casados é a curadoria criteriosa de fornecedores. As indicações são baseadas em histórico real: entrega que deixou a noiva feliz, capacidade de seguir um briefing e disposição para trabalhar em equipe no dia do evento. “Se deu um problema com algum outro fornecedor no dia, é problema nosso também. A gente valoriza muito esse trabalho em equipe. Então esse perfil de fornecedor é o que se torna uma indicação nossa.” Quando um fornecedor decepciona, ele passa a ser contraindicado e, em casos extremos, se os noivos ainda assim quiserem fechar com ele, é necessário assinar um termo de compromisso. Cris compartilha um exemplo marcante: uma decoradora que vendia um formato de iluminação para as noivas, mas contratava outro mais barato para aumentar sua margem. No dia do evento, a montagem chegou errada. “Ela sabia que estava errado, mas pensou: vai ficar mais barato e a noiva vai fechar.” Há também o caso de fornecedores que começaram bem e foram relaxando com o tempo. “A pessoa chegou ao ponto de não saber a data do casamento na semana do casamento. Ela achava que era na sexta.” A partir daí, a Enfim Casados passou a apenas cumprir os contratos já firmados com essa empresa e encerrou as indicações. O imprevisto mais surreal e como foi resolvido Todo profissional de casamentos tem aquela história. A de Cris envolve devoção, correria e muita criatividade. A noiva era extremamente devota de Nossa Senhora das Graças. As lembrancinhas eram terços feitos à mão pelo avô do noivo. A referência para a imagem da santa era de um metro de altura. Na semana do evento, Cris confirmou com a decoradora: tudo certo com a imagem? A resposta foi sim. No dia da montagem, chegou uma imagem de 25 centímetros, colocada sobre um pedestal de outros 25 centímetros. “Ficou parecendo uma coluna grega com um turista em cima tirando foto. Ficou horrível.” Cris pensou no que fazer por exatamente cinco minutos. Depois, agiu. Pediu o reembolso à decoradora para comprar uma nova imagem, mas ela se recusou a ajudar. Começou a ligar para fornecedores em busca de uma imagem de tamanho adequado. Encontrou um em um bairro longe do local da cerimônia, enquanto o casamento seria realizado do outro lado da cidade. Ligou para o noivo, que autorizou a compra e cedeu seu motorista. Dilson correu pelos fundos do salão e trocou a imagem antes da noiva entrar. Quando ela cruzou as portas do salão, seus olhos brilharam. “Meu Deus, que lindo!”, disse a noiva. Ela só descobriu o que havia acontecido durante a festa, quando encontrou a imagem original escondida em um cantinho da sala de apoio. O noivo acabou contando tudo. E a história tem um final ainda mais bonito: a santa comprada na correria foi usada novamente no casamento de uma amiga da noiva e virou, carinhosamente, a santa dos casamentos. A decoradora, por sua vez, nunca devolveu o dinheiro nem deu qualquer satisfação. Uma decisão em segundos — que mudou tudo Em um casamento ao ar livre, a cerimônia estava prestes a começar. Estava garoando. Os músicos contratados se recusavam a tocar, alegando que a umidade poderia danificar os instrumentos, mesmo com um grande ombrelone disponível para protegê-los. O cortejo estava montado. A noiva sonhava com o plano A. E Cris tomou uma decisão: “Pode ir embora.” Ela se virou para o DJ presente, que tinha a playlist completa, e confirmou que ele poderia assumir. A musicista foi embora, contrariada. Mas, no momento em que o arco do violino começou a se mover, ela havia voltado atrás e a chuva parou. A cerimônia aconteceu sob um céu aberto, e a noiva entrou ao som ao vivo. “Eu sabia que, se ela fosse embora, a noiva podia cobrar de mim. Era uma decisão muito séria”, admite Cris. Foi esse mesmo casamento que viralizou nas redes sociais, com o emocionante momento em que os avós do noivo entraram juntos na cerimônia. O casamento que ninguém esquece Entre tantas histórias, há uma que permanece gravada na memória de toda a equipe: o casamento de Gabi (nome fictício). Noiva da época da pandemia, Gabi foi diagnosticada com um câncer extremamente agressivo na coluna antes mesmo das restrições começarem. A doença avançou para o pulmão e, depois, para o cérebro. Com o casamento já marcado, ela enfrentaria também uma cirurgia cerebral. Ao saber da situação, Cris tomou uma atitude que diz muito sobre quem ela é. Entrou em contato com todos os fornecedores, contou o que estava acontecendo e comunicou que, da sua parte, o casamento estava quitado. “Ela não precisava pagar mais nada, queríamos que ela usasse esse valor para fazer a cirurgia.” Fornecedor por fornecedor foi contatado. Muitos doaram serviços, deram descontos, contribuíram com o que podiam. Uma cesta foi montada com uma cartinha: “Use esse dinheiro para o seu tratamento.” Gabi conseguiu fazer a cirurgia. No dia do casamento, ela estava radiante, com o seu cabelo curtinho crescendo e os olhos brilhando. Dançou na pista, se divertiu e foi muito amada. Todos os fornecedores choraram durante a cerimônia. “Se você olhava, não via ninguém que não estivesse chorando.” A Gabi voltou da lua de mel, fez os exames e, infelizmente, nunca mais saiu do hospital. Faleceu oito meses depois do casamento, aos 29 anos. “Acho que foi o casamento mais emocionante que já presenciei. Tive que parar e me concentrar de novo para prestar atenção no trabalho, porque foi muito emocionante.” Casamentos fora do país: desafio e recompensa A Enfim Casados também atua em casamentos internacionais, e os desafios são proporcionais à grandiosidade do projeto. Há as barreiras culturais, a questão do idioma e a ausência do WhatsApp como ferramenta de comunicação rápida. Os cronogramas são elaborados em três línguas: português, inglês e italiano. A equipe chega um dia antes e refaz todo o planejamento com o buffet e o local. “Tem a questão cultural. Tem a questão da língua e, quando a gente fala de algo fora do país, principalmente na Itália, ninguém está falando a sua língua materna. Então existe a possibilidade de não estar sendo compreendido. A gente fala uma, duas, três vezes.” Mas a recompensa é proporcional ao esforço. “Quando você está viajando fora e escuta alguém falando português, você já quer conversar. Imagina alguém organizando um casamento, entendendo o que você gosta, o que você quer, em outro país.” Há também detalhes que passam despercebidos por noivas que escolhem espaços pela beleza diurna, como a iluminação noturna, frequentemente esquecida. “A gente manda story dos espaços de outros casamentos no exterior um para o outro e falamos: não pensaram na iluminação noturna, de novo.” Esses detalhes só são resolvidos pela vasta experiência que a Enfim Casados possui. Por onde começa quem acabou de noivar? A resposta da Enfim Casados é direta: começa pelo wedding planner. “Porque sem essa contratação, a noiva vai fechar um espaço achando que é o da vida dela e vai descobrir que a banda não pode tocar lá, que o buffet não serve o que ela quer, que precisa de gerador, cobertura de tenda, staff extra.” O wedding planner, explica Cris, é quem vai fazer a análise financeira real, entender o que cabe no budget e o que vai além dele. É quem vai ajudar a tomar decisões baseadas em números, não só em emoção. “Às vezes, um lugar perfeito não é perfeito para você ou para o seu budget. Às vezes, um fotógrafo lindo não é para você, se o estilo dele não é o que você busca. E esse olhar, os noivos não têm, e está tudo bem. Eles não precisam ter com uma boa assessoria acompanhando.” Sobre os imprevistos do último mês antes do casamento, Cris é tranquilizadora. “Um mês antes, até na semana do casamento, é melhor do que no dia. Se a gente está vendo isso agora, é porque está revendo pela terceira ou quarta vez tudo, se certificando de que nenhuma ponta ficou solta para que o dia seja perfeito.” E encerra com uma frase que resume a filosofia da empresa: “Todo casamento bem executado é um casamento bem planejado.” O momento mais especial de todos Quando perguntados sobre o instante mais especial de um casamento, a resposta é unânime: a entrada da noiva. “É o momento que a gente fica mais tenso, mais concentrado em tudo que está acontecendo, porque a gente precisa fazer acontecer”, conta Dilson. Enquanto ele fica com o noivo na frente, observando a reação dele e esperando o momento de mandá-lo virar, Cris permanece com a noiva nos bastidores. “Tem noivas que o buquê treme, e eu só olho para elas e falo que estão lindas, que vai dar tudo certo. Às vezes, ajeitam uma gravata do pai. Tem pessoas mais introvertidas, tem pessoas que choram, que me agradecem na porta”, descreve Cris. “Eu me sinto um pouco noiva quando me coloco no papel dela nesse momento. Existe uma conexão da noiva olhar no rosto de quem ela contratou dois anos atrás e ver que essa pessoa está ali, ao seu lado. Essa segurança.” Quando a cerimônia termina, há um alívio coletivo. “Todo mundo dá aquela respirada. Agora está tudo mais leve.” O que fica depois que a festa acaba Ao longo de todos esses anos, entre imprevistos resolvidos nos bastidores, fornecedores que decepcionaram e outros que superaram qualquer expectativa, casamentos que emocionaram a equipe inteira e histórias que ficaram para sempre, Cris e Dilson chegaram a uma conclusão simples e profunda. Um casamento dura um dia. O planejamento, meses. A memória, uma vida inteira. E a pessoa que vai caminhar com um casal nesse processo não é apenas uma prestadora de serviços. É alguém que vai saber antes da família quando a noiva brigou com a madrinha, quando o noivo estava com dúvida sobre a banda, quando o budget apertou e foi preciso escolher o que realmente importava. “A gente entra na vida das pessoas de um jeito muito particular”, diz Cris. “É uma relação de confiança que vai muito além do contrato.” Por isso, quando o assunto é escolher uma assessoria, ela defende que a decisão precisa ir além das fotos bonitas no Instagram ou do preço mais acessível. “Você vai passar meses ao lado dessa pessoa. Ela vai saber das suas inseguranças, dos seus medos, das suas brigas. Ela vai estar com você no momento mais vulnerável e mais bonito da sua vida ao mesmo tempo, que é a entrada no altar.” A pergunta que Cris sugere que toda noiva se faça não é sobre portfólio, nem sobre tabela de preços. É mais simples do que isso: eu confio nessa pessoa? Eu me sinto segura com ela? “Porque, no dia, quando o imprevisto acontecer — e ele sempre acontece —, você precisa olhar para o lado e saber que aquela pessoa vai resolver. Sem precisar te contar o que deu errado.” Dilson completa com a mesma serenidade de quem já viveu muitos dias assim: “A gente não vende um serviço. A gente entrega um dia. E esse dia não volta.” É essa consciência que faz com que a Enfim Casados siga recusando datas duplas, siga construindo relações longas com seus casais e siga tratando cada casamento como se fosse o único, porque, para quem está nele, é exatamente isso que ele é. E é por tudo isso que eles são e acreditam, que essa querida família foi a melhor escolha que eu poderia fazer para o meu casamento, o qual vou relatar mais para frente. Muito obrigada, Cris e Dilson, por abrirem seus corações e suas histórias para educar todas as noivas ansiosas que ainda não começaram a organizar os seus casamentos. Tenho certeza de que fizeram uma grande diferença nas vidas delas também.

  • DR. FELIPE GASPARINI: A CIÊNCIA DE SABER QUANDO TRANSFORMAR

    'BEAUTY' EDITION COVER - AUGUST 2026 ISSUE Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio Dr. Felipe Gasparini entende a Dermatologia como o encontro entre ciência, precisão e sensibilidade. Entre a disciplina aprendida no judô, a formação científica e os avanços da Dermatologia, sua prática parte de uma convicção cada vez mais rara: nem tudo aquilo que pode ser transformado precisa ser modificado. Aos 16 anos, Felipe já havia conquistado a faixa preta de judô. Mais tarde, chegou à Seleção Brasileira. O esporte de alto rendimento lhe ensinou disciplina, preparação e constância, mas também algo menos evidente: permanecer sob pressão sem perder a clareza. Na Medicina, essa formação encontrou outro tipo de desafio. A ciência entrou cedo nessa construção. Durante a graduação, Felipe se dedicou à pesquisa e à produção científica, experiência que ampliou sua maneira de pensar a prática médica. Vieram a vivência internacional em Dermatologia e a especialização na UNIFESP, consolidando um olhar guiado menos pela pressa de responder e mais pela necessidade de investigar, questionar e compreender. Essa postura ganha particular importância em uma especialidade que evolui em velocidade extraordinária. A Dermatologia contemporânea oferece tecnologias e possibilidades terapêuticas cada vez mais sofisticadas. Para Felipe, porém, a questão mais importante continua sendo anterior à escolha de qualquer recurso: o que realmente faz sentido para aquela pessoa? É uma pergunta simples, mas que exige conhecimento para ser respondida. Tecnologia amplia o repertório. A ciência oferece evidências. A experiência permite reconhecer nuances. E é o julgamento clínico que transforma tudo isso em uma decisão. É nesse encontro que a ciência também encontra a estética. O rosto não é apenas uma estrutura anatômica. Ele carrega expressão, tempo, identidade e a maneira como cada pessoa se reconhece no mundo. Uma queixa aparentemente objetiva pode, portanto, carregar expectativas muito mais profundas. Antes de pensar em intervenção, existe algo que precisa ser compreendido: o que aquela pessoa realmente procura. Por isso, a escuta ocupa um lugar tão importante em sua prática. Felipe entende a naturalidade não como uma estética específica, mas como consequência de uma intervenção bem indicada, capaz de respeitar proporções, características e identidade. O objetivo não é criar uma nova versão de alguém, mas cuidar daquilo que já existe sem apagar sua origem. Essa perspectiva ganha ainda mais força em um momento em que filtros, algoritmos e referências estéticas tornam os padrões visuais cada vez mais homogêneos. O acesso a imagens aumentou, mas a diversidade do que consideramos belo nem sempre acompanhou esse movimento. Nesse cenário, preservar a identidade pode ser tão sofisticado quanto transformar. Talvez exista uma conexão silenciosa entre o atleta e o médico. No judô, força sem controle não é excelência. Técnica exige estratégia, preparo e consciência do momento certo. Na Dermatologia, essa mesma lógica encontra outra linguagem: nem sempre fazer mais significa cuidar melhor. E quanto mais a Medicina amplia aquilo que pode fazer, maior se torna a responsabilidade sobre aquilo que se escolhe fazer. É nesse espaço que Felipe encontra sua própria definição de excelência. Não apenas na capacidade técnica de intervir, mas no discernimento para saber quando, como e por que intervir. Porque um resultado verdadeiramente sofisticado não precisa anunciar o procedimento. Não precisa apagar expressão, história ou identidade. Pode ser justamente aquele que preserva, com precisão e sensibilidade, aquilo que torna cada pessoa única. Aos 16 anos, você já havia conquistado a faixa preta e, mais tarde, chegou à Seleção Brasileira de Judô. O esporte de alto rendimento ensina que resultado é consequência de disciplina, repetição e da capacidade de permanecer sob pressão. Olhando para o médico que você se tornou, quais princípios aprendidos no tatame continuam orientando suas decisões até hoje? O judô foi a primeira grande escola da minha vida. Muito antes da Medicina, aprendi que disciplina é uma escolha diária e que a consistência sempre supera soluções imediatas. No tatame, entendi que é possível manter a serenidade mesmo diante da pressão, respeitar o tempo de cada processo e nunca subestimar a importância da preparação. Hoje percebo que esses princípios continuam presentes em todas as decisões que tomo como médico. A Dermatologia exige conhecimento técnico, mas também equilíbrio emocional, responsabilidade e capacidade de decidir com clareza, especialmente quando cada escolha impacta diretamente a vida de alguém. O esporte me ensinou que excelência não nasce de um momento extraordinário, mas da repetição silenciosa de atitudes corretas ao longo do tempo. Antes de se dedicar integralmente à Dermatologia, sua trajetória passou pela pesquisa e pela produção científica. A ciência ensina que toda resposta nasce, primeiro, de uma boa dúvida. Como essa forma de pensar influencia a maneira como você conduz um paciente que espera uma resposta imediata, mas cuja melhor decisão talvez exija tempo, investigação e prudência? Durante os seis anos da graduação em Medicina, a pesquisa científica fez parte da minha formação e mudou profundamente a forma como aprendi a enxergar a profissão. A ciência nos ensina que uma boa resposta começa, antes de tudo, com uma boa pergunta. Aprendemos a questionar, investigar e reconhecer que nem sempre a primeira hipótese é a mais correta. Levo esse raciocínio para o consultório todos os dias. Nem todo diagnóstico deve ser apressado e nem toda expectativa pode ser atendida imediatamente. Muitas vezes, o melhor cuidado exige tempo, investigação e a tranquilidade de reconhecer que prudência também faz parte da Medicina. Acredito que a pesquisa nos torna profissionais mais críticos, mais humildes diante das incertezas e, principalmente, mais responsáveis pelas decisões que tomamos. Quando existe ciência por trás da prática clínica, o paciente recebe muito mais do que uma resposta rápida; ele recebe uma decisão construída com conhecimento, reflexão e segurança. A Dermatologia vive um momento de extraordinária evolução, impulsionada por novas tecnologias e possibilidades terapêuticas. Em um cenário em que inovação e tendência frequentemente caminham lado a lado, como você desenvolveu o discernimento para reconhecer aquilo que realmente representa um avanço para o paciente? A inovação sempre despertou meu interesse, mas acredito que ela só faz sentido quando melhora, de forma concreta, a experiência e os resultados do paciente. Em uma especialidade que evolui tão rapidamente, é natural que muitas novidades despertem entusiasmo. Ainda assim, aprendi que inovação e valor nem sempre caminham na mesma velocidade. Tenho o privilégio de integrar o Grupo Adriana Vilarinho, um ambiente que estimula atualização constante, discussão científica e contato diário com tecnologias de ponta. Essa vivência reforçou uma convicção importante: o verdadeiro avanço não está em utilizar o recurso mais recente, mas em compreender quando ele realmente faz sentido para aquela pessoa. No fim, tecnologia é ferramenta. O diferencial continua sendo o julgamento clínico, a individualização e a capacidade de escolher o tratamento mais adequado, e não necessariamente o mais novo. Existe, muitas vezes, uma distância entre aquilo que o paciente deseja mudar e aquilo de que realmente precisa. Ao longo da sua experiência, como o exercício da escuta transformou a sua compreensão sobre beleza, autoestima e, sobretudo, sobre o limite entre realçar uma característica e preservar a identidade de alguém? Acredito que uma consulta começa muito antes do exame físico. Ela começa quando o paciente percebe que está sendo verdadeiramente ouvido. Com o tempo, compreendi que a queixa inicial raramente resume toda a história. Muitas vezes, por trás de um detalhe estético, existem expectativas, inseguranças e experiências que precisam ser compreendidas antes de qualquer proposta de tratamento. Essa escuta mudou completamente minha forma de entender a beleza. Hoje acredito que ela não está na transformação, mas na preservação da identidade. Meu trabalho nunca foi criar um novo rosto, e sim valorizar aquilo que torna cada pessoa única. Quando a técnica respeita a individualidade, o resultado deixa de chamar atenção pelo procedimento e passa a chamar atenção pela naturalidade. Quanto mais recursos a Medicina oferece, maior parece ser a responsabilidade de decidir quando não utilizá-los. Depois de tudo o que a profissão lhe ensinou, o que hoje define, para você, um resultado verdadeiramente bem sucedido? Durante muito tempo, pensei que um bom resultado estivesse relacionado apenas à qualidade técnica do procedimento. Hoje acredito que ele começa muito antes da execução. Um resultado verdadeiramente bem-sucedido é aquele em que existe indicação correta, expectativa alinhada e respeito absoluto pela individualidade do paciente. Também aprendi que maturidade profissional significa saber dizer “não” quando necessário. A Medicina oferece recursos extraordinários, mas eles só têm valor quando utilizados com critério. Para mim, o maior reconhecimento acontece quando o paciente se olha no espelho, percebe a mudança e, ao mesmo tempo, continua enxergando a própria história refletida ali. Para encerrarmos, existe algum princípio que você carrega para além da Medicina, algo que o esporte, a ciência e a própria vida lhe ensinaram e que hoje considera essencial para a maneira como escolhe viver? Se existe um princípio que procuro cultivar diariamente, é a consciência de que sempre há espaço para evoluir. O esporte me ensinou disciplina. A ciência me ensinou curiosidade. A Medicina me ensinou humildade. Talvez essa seja a combinação que mais influencia a maneira como escolho viver. Continuar aprendendo sem perder a capacidade de ouvir, buscar excelência sem abrir mão da sensibilidade e entender que conhecimento só encontra seu verdadeiro valor quando é colocado a serviço das pessoas. No fim, acredito que nossa maior realização não está apenas naquilo que construímos profissionalmente, mas na forma como fazemos os outros se sentirem ao longo desse caminho. E, para mim, esse sempre será o aspecto mais nobre da Medicina. Compre agora a revista impressa edição BEAUTY, com Dr. Felipe Gasparini, clicando abaixo:

  • Menos filtros, mais verdade: a mudança de estratégia que aproximou Lucas o Faxineiro do público

    Criador de conteúdo brasileiro radicado nos Estados Unidos afirma que deixou de buscar vídeos perfeitos para apostar em uma comunicação mais espontânea e conectada com a realidade dos seguidores. Photos by: Sue cervelin Em um cenário em que as redes sociais foram, durante anos, dominadas por produções impecáveis, fotos cuidadosamente editadas e uma busca constante pela perfeição, um movimento na direção oposta vem ganhando força. O Sprout Social Index 2025, um dos principais estudos sobre comportamento digital, aponta que a autenticidade está entre os fatores que mais influenciam a conexão entre criadores e audiência, enquanto conteúdos originais e espontâneos têm gerado mais identificação do que publicações excessivamente produzidas. Quem percebeu essa mudança na prática foi Lucas Galhano, conhecido nas redes sociais como Lucas o Faxineiro. Depois de conquistar milhões de seguidores compartilhando sua rotina de trabalho e de vida nos Estados Unidos, ele decidiu mudar a forma como produz conteúdo. Hoje, a prioridade deixou de ser a estética perfeita para dar espaço a registros mais naturais do cotidiano. “Essa era da vida perfeita, da foto perfeita e das peles editadas não convence mais. Quem vive uma vida real sabe que isso é mentira. O que conecta hoje são pessoas normais vivendo vidas reais”, afirma. Segundo Lucas, a mudança também trouxe mais leveza para sua rotina como criador de conteúdo. A preocupação com iluminação, edição e vídeos altamente produzidos foi substituída por uma linguagem mais próxima da realidade. “Hoje eu não ligo mais para conteúdo muito editado, iluminação perfeita e coisas desse tipo. Estou focando mais na pegada de vlog e em mostrar o cotidiano como ele realmente é, porque acredito que isso gera muito mais conexão com meus seguidores. Por conta disso, não sinto mais aquela pressão de precisar postar algo novo todos os dias sem perder minha essência.” A transformação também aconteceu na forma como ele administra a exposição da própria vida. Se antes compartilhava praticamente todos os detalhes do negócio e da rotina, hoje faz escolhas mais estratégicas sobre aquilo que decide tornar público. “Antigamente eu mostrava tudo: meu negócio, faturamento, clientes. Depois percebi que isso não me fazia tão bem. Hoje procuro ser verdadeiro, mas compartilhar aquilo que realmente agrega para quem me segue e também o que faz sentido para mim. Viagens, por exemplo, muitas vezes eu posto quando já estou voltando.” Lucas acredita que essa evolução fez com que o público passasse a conhecer a pessoa por trás dos vídeos. No início da carreira, a audiência enxergava apenas o profissional que mostrava faxinas e transformações de ambientes. Com o tempo, ele passou a dividir também momentos com a esposa, a filha e outros aspectos da vida pessoal. “No começo eu meio que me tornei um personagem sem perceber. As pessoas só viam as faxinas e os vídeos de antes e depois. Ninguém conhecia minha esposa, minha filha ou minha rotina. Existiam muitas especulações. Quando comecei a mostrar mais da minha vida, tudo ficou mais real. Hoje as pessoas conhecem o Lucas marido, pai, empresário, humorista, influenciador e também faxineiro.” Para ele, a influência nas redes sociais vai além do entretenimento. Lucas afirma que procura mostrar aos brasileiros que é possível construir novas oportunidades no exterior sem abrir mão da própria identidade. “Quero mostrar que o brasileiro pode conquistar seu espaço em qualquer lugar do mundo com verdade, respeito e responsabilidade. Também faço questão de mostrar que profissões como a faxina, muitas vezes pouco valorizadas no Brasil, podem representar um grande negócio em países como os Estados Unidos. O brasileiro pode aprender um novo idioma, se reinventar, construir uma nova história e, acima de tudo, nunca perder a essência.” Ao trocar a busca pela perfeição por uma comunicação mais espontânea, Lucas acredita ter encontrado uma forma ainda mais eficiente de se conectar com quem o acompanha. Em um ambiente digital cada vez mais competitivo, ele defende que autenticidade deixou de ser apenas uma característica desejável para se tornar um dos principais diferenciais de quem pretende construir uma comunidade fiel nas redes sociais.

  • Wedding Guest Fatigue ou desaparecimento da comunidade

    Photo Disclosure Pinterest Recentemente, recebi de uma noiva um artigo cujo título era "Wedding Guest Fatigue", ou "O Esgotamento do Convidado de Casamento" (tradução livre). O texto discute experiências comuns em casamentos recentes, que envolvem gastos elevados, participação em múltiplos eventos e diversas exigências ao longo da celebração. Entre elas, estão dress code black tie com delimitação de cores, viagens para outro país — ou até outro continente —, compra de presentes, participação em despedidas de solteiro, welcome parties com dress code, jantares de noivado e muito mais. Sem falar nos casais que esperam presentes específicos ou um alto investimento de convidados com famílias numerosas, que nem sempre têm condições financeiras para arcar com todos esses custos. Gerações anteriores costumavam realizar, no máximo, uma despedida de solteiro(a), o casamento ou um chá de panela. Além disso, a maior parte da organização ficava exclusivamente a cargo do casal e de alguns familiares dispostos a ajudar. É compreensível que muitas pessoas comecem a se sentir ansiosas diante da quantidade de compromissos e despesas envolvendo um casamento. Mas gostaria de lançar luz sobre outro aspecto dessa discussão. Vocês têm percebido que, principalmente após a pandemia, o senso de comunidade parece estar desaparecendo? E, junto com ele, os bons modos e a etiqueta nas relações interpessoais? Quando eu era criança, por exemplo, era impensável visitar a casa de alguém pela primeira vez de mãos vazias ou comparecer a um aniversário ou casamento sem levar um presente para o anfitrião. Quantas vezes amigos da minha família se ofereceram para dar aquela típica carona ao aeroporto. Será mesmo que o "esgotamento" do convidado deve ser atribuído exclusivamente aos casais? Ou também a essa nova forma, cada vez mais desapegada, de viver as relações? Não estou falando dos noivos que exigem presentes caros, trajes black tie e ainda esperam que convidados participem da arrecadação da gravata ou do sapato, mesmo quando claramente não têm condições para isso. Esses excessos existem e merecem ser discutidos. Mas levantar esse tema também nos coloca diante de uma reflexão importante sobre a forma como temos cuidado das nossas amizades e relações mais próximas. Qual foi a última vez que você se "incomodou" para ajudar alguém do seu círculo? Ofereceu uma carona? Reservou um espaço na agenda para ouvir um desabafo? Compareceu a um compromisso importante mesmo sem muita vontade? Esses pequenos "sacrifícios" fazem parte da vida em comunidade. Às vezes, é mais importante estar presente no aniversário da filha de uma amiga do que permanecer em casa descansando depois de um dia cansativo de trabalho, principalmente se você já havia confirmado presença. Será que, vinte anos atrás, quando já existiam despedidas de solteiro, casamentos, chás de bebê e chás de panela, haveria tantas reclamações por participar de uma celebração tão significativa na vida de alguém próximo? E será que, da mesma forma, os casais seriam tão desconsiderados com a realidade financeira de seus convidados a ponto de exigir investimentos incompatíveis com suas possibilidades? Deixo essa reflexão com vocês, mas faço um pedido: não permitam que um dos maiores patrimônios da América Latina desapareça. Estejam presentes. Acolham. Recebam. Permitam-se ser celebrados e acompanhados. Compartilhem a vida com os outros. Porque, no fim, uma alma humana não é nada sem o atravessamento de outra alma humana.

  • Além de Dubrovnik: Karen Lopes revela seis lugares surpreendentes para conhecer na Croácia

    Photo Dislosure Press Apaixonada por viagens e por descobrir destinos que fogem do roteiro tradicional, a influenciadora Karen Lopes acredita que a verdadeira essência da Croácia está muito além dos cartões-postais mais famosos. Entre vilarejos de pedra, praias de águas cristalinas e paisagens que parecem intocadas pelo tempo, ela reuniu seis lugares que merecem entrar no radar de quem busca uma experiência autêntica pelo país europeu. 1.⁠ ⁠Rovinj: o charme do Adriático em ritmo desacelerado Com ruas estreitas de paralelepípedos, fachadas coloridas e um pôr do sol digno de pintura, Rovinj, na península da Ístria, é um daqueles destinos que conquistam sem esforço. “É o tipo de lugar para caminhar sem pressa, descobrir galerias de arte e terminar o dia em um restaurante à beira-mar”, recomenda Karen. Photo Dislosure Press 2.⁠ ⁠Ilha de Vis: a Croácia mais preservada Durante décadas fechada para visitantes por motivos militares, Vis permaneceu praticamente intacta. Hoje, é um refúgio para quem procura praias paradisíacas, mar azul-turquesa e uma atmosfera tranquila, distante do turismo em massa. 3.⁠ ⁠Motovun: uma vila medieval cercada por vinhedos No alto de uma colina, Motovun impressiona pela arquitetura medieval e pela vista panorâmica da região da Ístria. Conhecida também pela produção de trufas e vinhos, a cidade combina gastronomia, cultura e paisagens em um único destino. Photo Dislosure Press 4.⁠ ⁠Parque Nacional de Mljet: natureza em estado puro Menos conhecido que os famosos Lagos de Plitvice, o Parque Nacional de Mljet encanta por seus lagos de água salgada, trilhas cercadas por vegetação preservada e um antigo mosteiro localizado em uma pequena ilha. “É um lugar que transmite paz desde o primeiro instante”, destaca a influenciadora. 5.⁠ ⁠Primošten: uma joia entre o mar e as vinhas Com um centro histórico cercado por muralhas e praias de águas cristalinas, Primošten reúne tradição e beleza natural em perfeita harmonia. O cenário ganha ainda mais charme com os vinhedos que desenham a paisagem ao redor da cidade. 6.⁠ ⁠Rastoke: o vilarejo das cachoeiras Antes de chegar aos famosos parques nacionais, vale fazer uma parada em Rastoke. Conhecida por suas casas históricas construídas sobre rios e pequenas cascatas, a vila oferece um cenário quase cinematográfico, onde natureza e arquitetura convivem em perfeita sintonia. Photo Dislosure Press Para Karen Lopes, viajar é também descobrir lugares capazes de surpreender. “A Croácia tem muito mais do que seus destinos famosos. São cidades pequenas, ilhas preservadas e paisagens que fazem você desacelerar e viver cada momento. São justamente esses lugares menos conhecidos que acabam se tornando as melhores lembranças da viagem”, afirma.

  • Casais homoafetivos ampliam procura por programas de gestação por substituição no exterior

    Avanços na reprodução assistida e maior segurança jurídica em alguns países ampliam as possibilidades de exercício da parentalidade Photo Disclosure A gestação por substituição tem sido uma alternativa cada vez mais procurada por casais homoafetivos masculinos que desejam exercer a parentalidade e ter um filho com vínculo genético com um dos pais. Segundo a Tammuz Family, empresa especializada no acompanhamento internacional desses programas, houve um crescimento na procura por esse tipo de atendimento. O movimento está relacionado aos avanços das técnicas de reprodução assistida, à existência de países com regras específicas para a realização desses programas e ao reconhecimento da diversidade das formações familiares. “Temos percebido um crescimento na procura por programas de gestação por substituição entre casais homoafetivos. Cada vez mais famílias encontram nesses programas uma possibilidade concreta de realizar o projeto da parentalidade”, afirma Ana Paula Del Padre, representante da Tammuz Family no Brasil. Como as regras sobre gestação por substituição variam de acordo com cada país, a primeira etapa do processo é a escolha do local onde o programa será realizado. Nessa decisão, são considerados aspectos médicos, jurídicos e administrativos. Em seguida, são selecionadas a doadora de óvulos e a gestante, que passam por avaliações médicas, psicológicas e jurídicas. Depois, é realizada a fertilização in vitro. Durante a gestação, a família recebe acompanhamento especializado e, após o nascimento, são iniciados os procedimentos necessários para o reconhecimento da filiação e a emissão dos documentos da criança. “O processo exige acompanhamento desde as primeiras etapas. Após a escolha do país, são definidas a doadora de óvulos e a gestante. Depois da fertilização e da gestação, são realizados os procedimentos legais para reconhecer a filiação e permitir que a família retorne ao Brasil com segurança”, explica Ana Paula. Ana Paula Del Padre, representative of Tammuz Family no Brasi Participação desde o planejamento familiar A possibilidade de acompanhar o processo desde o planejamento da gestação permite que os futuros pais participem de diferentes etapas da construção familiar. Com o desenvolvimento da reprodução assistida e a regulamentação desses programas em alguns países, casais homoafetivos masculinos passaram a contar com novas possibilidades para exercer a parentalidade. “Hoje, esses casais podem participar da experiência da parentalidade desde o planejamento da gestação. Essa possibilidade amplia as formas de constituição familiar e reconhece o desejo legítimo de construir uma família”, destaca Ana Paula Del Padre. Segundo a representante da Tammuz Family, o processo também contribui para ampliar a compreensão sobre as diferentes formas de exercer a parentalidade. “Uma família é construída por meio do vínculo, do cuidado, da responsabilidade e do compromisso com a criação de uma criança. A participação em todas as etapas do processo torna essa experiência ainda mais significativa para os futuros pais”, acrescenta. Acompanhamento jurídico traz mais segurança ao processo Para famílias brasileiras que realizam a gestação por substituição no exterior, o acompanhamento jurídico é importante para que todas as etapas ocorram de forma organizada e segura. Como cada país possui regras próprias, a orientação especializada começa ainda no planejamento, ajudando a família a compreender os procedimentos necessários e a preparar a documentação relacionada à filiação e ao nascimento da criança. “O acompanhamento jurídico permite que a família conheça previamente cada etapa do processo e tenha mais tranquilidade durante toda a jornada. Nosso trabalho é orientar os futuros pais e garantir que os procedimentos estejam alinhados às regras do país escolhido e às exigências brasileiras”, explica Larissa Mocelin Vaz, representante da área jurídica da Tammuz Family. Após o nascimento, a família recebe orientação para a emissão dos documentos da criança, o reconhecimento da filiação e o retorno ao Brasil. “Quando o processo é planejado desde o início, os futuros pais podem viver esse momento com mais segurança e concentrar suas atenções na chegada da criança e na construção da nova rotina familiar”, acrescenta Larissa. Com a ampliação do acesso às técnicas de reprodução assistida e a existência de programas estruturados em países que regulamentam a gestação por substituição, casais homoafetivos encontram novas possibilidades para concretizar o projeto de parentalidade. O crescimento dessa procura também reflete o reconhecimento de que as famílias podem ser constituídas de diferentes formas, sempre fundamentadas no cuidado, na responsabilidade e no compromisso com o bem-estar da criança.

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