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GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

'FASHION' COVER EDITION - JANUARY 2026 ISSUE

GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas
Photography: Nadia Reis -  @eunadiareis / Beauty: @Igordantasbeauty / Retoucher: @caetanoweissmann / 3D Artist: @trevosow / Creative direction: @gigdias / Press Office: @kaiocezzar_

Na indústria criativa contemporânea, onde imagem e discurso se multiplicam em velocidade máxima, poucas profissionais conseguem sustentar algo cada vez mais raro: coerência entre estética, estratégia e pensamento. Giselle Dias é uma dessas exceções. Diretora criativa, fotógrafa e fundadora do GIGStudios, ela se consolida como um dos nomes mais interessantes da nova geração que entende a criatividade não como ornamento, mas como sistema.


Com mais de uma década de atuação no mercado, Giselle já assinou projetos para marcas como Dior, Miu Miu, Vivara e Julio Okubo, além de colaborar com artistas e empresas que transitam entre moda, beleza e lifestyle. Em todos eles, existe um fio condutor claro: a imagem nunca surge sozinha. Ela vem acompanhada de intenção, posicionamento e narrativa.

“No início da minha carreira, a estética vinha em primeiro lugar, quase como um fim em si mesma. Com o tempo, eu entendi que, dentro da publicidade, a arte precisa funcionar no mundo real”, reflete.

Essa virada de chave aconteceu à medida que Giselle mergulhou mais profundamente na lógica de marcas, briefings e objetivos de negócio. A compreensão de que beleza sem estratégia é efêmera, e que estratégia sem estética perde potência, redefiniu seu olhar sobre direção criativa.

“Uma boa estética potencializa a estratégia, e uma estratégia bem definida dá sentido e longevidade à imagem.”

Criatividade como estrutura, não acabamento

GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

Ao observar a transformação das grandes maisons e marcas globais ao longo dos últimos anos, Giselle é categórica: criatividade deixou de ser um elemento final do processo para se tornar parte central da construção de valor.


“Antes, storytelling era quase um acessório de campanha. Hoje, ele é um ativo. O público quer entender de onde vem, por que existe e o que uma marca representa no mundo.”

Esse novo consumo, mais consciente e fragmentado, exige narrativas honestas, culturalmente conectadas e alinhadas ao tempo presente. Tendências, sozinhas, já não sustentam relevância.


É exatamente nesse ponto que nasce o GIGStudios, agência criada por Giselle com o propósito de unir marketing e sensibilidade estética. Mais do que campanhas visualmente impactantes, o estúdio constrói universos.


“Não existe mais espaço para comunicação genérica. Marcas relevantes são aquelas que sabem quem são, com quem falam e o que defendem.”

No GIG, a estética é consequência de um entendimento profundo de marca, nunca o ponto de partida isolado.


Quando o branding começa pelo próprio nome

GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

Nos últimos anos, Giselle também passou a ocupar um espaço cada vez mais estratégico no ambiente digital. Seus conteúdos no Instagram, divididos entre os quadros “Vamos Falar Sobre Isso?” e “Quer Uma Opinião Sincera?”, revelam uma faceta que vai além do portfólio: a da comunicadora crítica, informada e culturalmente atenta.


“Durante muito tempo, meu Instagram funcionava apenas como um portfólio. Mas eu percebi que branding é narrativa, é presença.”

Inspirada pelo movimento de CEOs creators, Giselle decidiu aplicar em si mesma aquilo que sempre defendeu para seus clientes: posicionamento claro, voz própria e autenticidade.


“Não é sobre agradar todo mundo. Ser crítica, transparente e assumir um ponto de vista constrói confiança, e hoje confiança é um dos ativos mais valiosos do branding pessoal.”

Informação e opinião caminham juntas porque refletem quem ela é. E é exatamente essa combinação que gera identificação e comunidade.


Entre o impacto visual e a conexão emocional


Em um mercado saturado por estímulos visuais, Giselle aponta que o maior desafio não é chamar atenção, é permanecer.


“Impacto visual é importante, mas conexão emocional exige profundidade. Quando a imagem existe sem estratégia, ela tende a ser passageira.”

Para ela, campanhas que realmente funcionam são aquelas que respeitam a inteligência do público e dialogam com emoções reais. Menos ruído, mais intenção. Menos excesso gratuito, mais significado.


O futuro: tecnologia com alma

GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

Ao olhar para o futuro da moda e do branding, Giselle identifica movimentos claros: autenticidade radical, comunidades e construção de universos próprios. Marcas deixam de falar com todos para falar profundamente com quem realmente importa.

Há também uma tensão evidente entre tecnologia e sensibilidade humana, especialmente com o avanço da inteligência artificial.


“Existe uma resistência do público. Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, cresce uma busca pelo real, pelo offline, por experiências sensoriais.”

Mesmo assumindo seu apreço pelo impresso e pela materialidade das imagens físicas, Giselle é realista: o maior alcance hoje está no digital, e adaptar-se faz parte do processo.

“O diferencial vai estar em quem souber equilibrar tecnologia e sensibilidade humana, usando a tecnologia como aliada, e não como substituta da visão, da estética e da emoção.”

A nova sofisticação é o pensamento


Giselle Dias representa uma geração que entende que sofisticação não está apenas na imagem final, mas no pensamento que a sustenta. Em um mundo onde tudo é visto, poucos realmente são sentidos. Sua trajetória prova que direção criativa, quando bem feita, não cria apenas campanhas, constrói marcas, narrativas e relevância duradoura.


GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

Confira entrevista completa com Giselle Dias:


1. Você transita com naturalidade entre estratégia, estética e narrativa. Em que momento da sua trajetória você percebeu que direção criativa vai muito além da imagem e passa, necessariamente, por construção de marca?


Essa percepção veio ao longo do tempo, com o amadurecimento da minha trajetória dentro do mercado da publicidade.
No início da minha carreira, eu vinha de um lugar muito mais autoral. A estética vinha em primeiro lugar, quase como um fim em si mesma. À medida que fui me aprofundando na publicidade e passando a lidar mais de perto com marcas, briefings e objetivos reais de negócio, essa visão começou a mudar. Eu passei a entender que, dentro da publicidade, a arte precisa funcionar no mundo real. Precisa comunicar, gerar desejo, posicionar e, no fim das contas, trazer resultado, que é sempre o objetivo de uma empresa.
Esse entendimento veio também do contato com o lado do empreendedorismo. Ao começar a pensar mais como quem está do outro lado, como quem investe, decide e assume riscos, ficou claro para mim que estética e estratégia são aliada. Uma boa estética potencializa a estratégia, e uma estratégia bem definida dá sentido e longevidade à imagem. Foi nesse processo, gradual e muito ligado à experiência tanto prática quanto teórica, que direção criativa deixou de ser apenas imagem e passou a ser construção de marca.

2. Ao longo de mais de uma década trabalhando com nomes como Dior, Miu Miu e Vivara, o que mudou na forma como as grandes marcas se relacionam com criatividade, storytelling e consumo?


Mudou quase tudo. Antes, criatividade era muitas vezes vista como um acabamento final, hoje ela é parte estrutural da estratégia. As grandes marcas entenderam que storytelling não é mais um acessório de campanha, mas um ativo de valor. Ao mesmo tempo, o consumo ficou muito mais consciente e fragmentado. O público quer saber de onde vem, por que existe e o que aquela marca representa no mundo. Isso exige narrativas mais honestas, menos artificiais e uma criatividade que dialogue com cultura, comportamento e tempo presente, não apenas tendência.

GISELLE DIAS: A inteligência sensível por trás das imagens que constroem marcas

3. O GIGStudios nasce como uma agência que conecta marketing e sensibilidade estética. Qual é o diferencial que você acredita ser indispensável para marcas que querem se manter relevantes hoje?


O diferencial indispensável é entender seu universo de marca e saber traduzir isso em imagem, discurso e experiência de forma consistente. Não existe mais espaço para comunicação genérica. Marcas que se mantêm relevantes são aquelas que têm clareza de quem são, com quem falam, o que defendem e conseguem construir desejo a partir disso. No GIGStudios, a estética nunca vem sozinha, ela sempre carrega estratégia, intenção e posicionamento.

4. Nos seus conteúdos no Instagram, você equilibra informação e opinião em quadros como “Vamos Falar Sobre Isso?” e “Quer Uma Opinião Sincera?”. Até que ponto a comunicação direta e crítica se tornou uma ferramenta estratégica de branding pessoal?


É 100% uma ferramenta estratégica e foi um decisão intencional. Durante muito tempo, meu Instagram funcionava quase como um portfólio. Quem entrava no meu perfil via os trabalhos e as campanhas, mas não necessariamente quem estava por trás delas. Nunca tive vontade de ser influencer e, sinceramente, nunca tinha me enxergado nesse lugar.
A virada aconteceu quando comecei a observar um movimento claro no mercado. CEOs creators passaram a ocupar o espaço da comunicação, construindo narrativa, autoridade e comunidade em torno do que pensam e fazem. Foi nesse contexto que eu percebi que existia um lugar onde eu me encaixava e que, se eu não ocupasse esse espaço inclusive, estaria ficando para trás.
Mais do que isso até, entendi que eu tinha que aplicar em mim mesma aquilo que sempre defendi para os meus clientes. Branding é posicionamento, é narrativa, é presença.
Nos meus conteúdos, informação e opinião caminham juntas porque refletem quem eu sou como profissional. Não se trata de provocar por provocar, mas de abrir conversas relevantes e contextualizar o mercado. Nem todo mundo vai concordar com tudo, e tudo bem. Eu entendi também que não é sobre agradar a todos o tempo inteiro, mas sim sobre ser autentica a minha persona e o que eu acredito. Ser crítica, transparente e assumir um ponto de vista constrói confiança e, hoje, confiança é um dos ativos mais valiosos do branding pessoal. É isso que gera identificação e principalmente, comunidade.

5. Moda, beleza e lifestyle vivem um momento de excesso de estímulos visuais. Como você enxerga o desafio de criar campanhas que realmente gerem conexão emocional e não apenas impacto imediato?


O maior desafio hoje é sair do ruído. Vivemos em um mercado extremamente saturado e com excesso constante de estímulos visuais. Impacto visual é importante, mas conexão emocional exige profundidade. Quando a imagem existe sem estratégia, ela tende a ser passageira. Campanhas que realmente conectam são aquelas que entendem o comportamento das pessoas, falam com emoções reais e não subestimam o público. Menos estímulo gratuito, mais intenção. Quando uma marca consegue tocar o público em um nível mais humano, seja pela história, pela estética ou pela experiência, ela deixa de ser apenas vista e passa a ser sentida.

6. Olhando para o futuro da indústria criativa, quais comportamentos, linguagens ou movimentos você acredita que vão definir as próximas grandes narrativas no mercado de moda e branding?


Olhando para o futuro, mas também para o presente, acredito que as próximas grandes narrativas vão girar em torno de autenticidade radical, comunidades e construção de universos próprios. Vejo um movimento forte de marcas que deixam de falar com “todo mundo” para falar profundamente com quem realmente importa. Linguagens mais autorais, menos polidas, mais próximas da realidade.
O comportamento humano funciona em ciclos. Sempre que a sociedade vai para um extremo, surge um movimento natural de reação. Quando tudo fica rápido demais, técnico demais e produtivo demais, cresce uma vontade de desacelerar, de contemplar e de sentir. Quando estamos completamente imersos no digital, aparece esse desejo quase físico por experiências reais, presenciais e sensoriais.
Uma das grandes discussões que já está em curso é o uso da tecnologia e da inteligência artificial. Muitas marcas estão aderindo, mas ainda existe uma resistência clara por parte do público. Ao mesmo tempo em que essas ferramentas avançam, cresce também uma busca pelo real, pelo offline e por conexões mais humanas, muito impulsionada pela saturação desse excesso tecnológico. Isso começa a se refletir diretamente nas narrativas que ganham força.
Não dá para ignorar a tecnologia ou fingir que essas mudanças não estão acontecendo. Existe um certo preciosismo nostálgico, que eu mesma tenho em relação ao impresso, por exemplo. Para mim, ver uma foto em um billboard ou em uma revista impressa ainda tem essa mágica. Mas é indiscutível que o maior espaço de visualização e alcance hoje está no online, e adaptar-se aos novos tempos também faz parte do processo.
Eu acredito que no futuro, o diferencial vai estar em quem souber equilibrar bem tecnologia e sensibilidade humana, sem perder identidade no processo. Criar experiências que tragam conexão real, sem abrir mão das ferramentas tecnológicas, usando a tecnologia como aliada e não como substituta da visão, da estética e da emoção.

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