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  • Benuá apresenta nova fase em Paris durante a Paris Fashion Week

    Benuá apresenta nova fase em Paris durante a Paris Fashion Week Photos Disclosure Press Marca brasileira de perfumaria escolhe a capital francesa para apresentar a nova identidade de seus body splashes e reforça sua aproximação com os universos da moda, beleza e lifestyle. Paris foi o cenário escolhido pela Benuá para apresentar um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Nos dias 29 e 30 de setembro, em plena Paris Fashion Week, a marca brasileira de perfumaria apresentou a nova identidade visual de seus body splashes Gênesis, Zayah e Seraphine em uma ativação realizada na Maison de l’Amérique Latine, no Boulevard Saint-Germain. A participação aconteceu dentro da programação da Maison BAZAAR Brasil e colocou a Benuá em contato com um público internacional em um dos períodos de maior movimentação da indústria da moda na capital francesa. Mais do que uma mudança de embalagem, a apresentação simboliza uma nova fase da marca. Nascida no Brasil e construída a partir de uma relação próxima com sua comunidade, a Benuá vem ampliando seu território para além da perfumaria, aproximando fragrância, moda, design, comportamento e lifestyle. A nova identidade dos body splashes traduz esse movimento. Gênesis, Zayah e Seraphine ganharam embalagens desenvolvidas para reforçar a personalidade de cada fragrância e transformar o produto em uma experiência cada vez mais visual, sensorial e desejável. Para Camila Dias, fundadora da Benuá, apresentar essa nova fase em Paris tem um significado especial. “Existem momentos em que a gente consegue enxergar a dimensão do que está construindo. Ver uma marca que nasceu comigo, no Brasil, ocupando um espaço em Paris durante a Fashion Week foi um deles. Não é só sobre uma nova embalagem. É sobre perceber que a Benuá cresceu, amadureceu e está pronta para ocupar novos espaços, sem perder a essência que fez as pessoas se apaixonarem por ela desde o começo.” A escolha de Paris para esse momento também acompanha o movimento da Benuá de se posicionar cada vez mais na interseção entre perfumaria, beleza e moda, levando a identidade brasileira da marca para novos contextos e novas audiências. Do Brasil para Paris, a Benuá apresenta uma nova imagem para seus body splashes e dá mais um passo em uma trajetória que começa a ultrapassar fronteiras.

  • Yasmin Richieri: entre a precisão do consultório e a construção do próprio corpo

    BEAUTY COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photographer: Pâmela Barli - @pamellabarli Entre a Odontologia, a Harmonização Facial, o wellness e os palcos internacionais, Yasmin Richieri vem construindo uma ideia de beleza que não cabe em uma única definição. Há quem chegue à estética pela imagem. Yasmin Richieri chegou primeiro pela anatomia. Foi na Odontologia que ela aprendeu a observar o rosto de perto: estrutura, proporção, simetria, função. Com o tempo, esse conhecimento a levou à Harmonização Facial e, com ela, a uma compreensão mais complexa daquilo que acontece quando alguém decide mudar a própria aparência. Porque um rosto não é apenas um conjunto de medidas. Existe a forma como uma pessoa se reconhece nele, a maneira como percebe determinadas características e as expectativas que carrega quando se senta diante de um profissional. Existe também o limite entre aprimorar um traço e fazer com que ele deixe de pertencer àquela pessoa. É nesse espaço que Yasmin construiu sua prática. Essa discussão ganhou outra dimensão quando o corpo passou a fazer parte da sua própria experiência. Em 2026, Yasmin levou para o universo competitivo um interesse que já estava presente em sua rotina: treinamento, cuidado com o corpo e construção de imagem. Sua estreia aconteceu no WBFF Worlds, em Miami, onde conquistou o título de Diva Fit Model. A mudança, porém, foi menos radical do que poderia parecer. Yasmin não deixou o consultório para subir ao palco. Continuou atendendo, trabalhando com rostos e acompanhando pacientes em processos de transformação. A diferença é que, dessa vez, a transformação também era dela. Durante a preparação, passou a viver uma série de questões que antes observava principalmente do outro lado: disciplina, expectativa, exposição, cobrança e a relação cotidiana com o próprio corpo. No consultório, existe tempo para analisar, conversar e construir uma decisão. No palco, tudo aquilo precisa ser apresentado em poucos minutos. O corpo é avaliado, mas postura, presença e imagem também fazem parte dessa linguagem. É justamente aí que o universo do fitness encontra a história de Yasmin. O palco mostra o resultado, mas quase nada revela sobre o que foi necessário para chegar até ele. Antes da fotografia existe uma rotina. Treino, alimentação, descanso, repetição. Há dias comuns, escolhas pequenas e uma disciplina que precisa continuar mesmo quando ninguém está olhando. Foi também por esse caminho que a palavra wellness ganhou outro sentido. Mais do que uma imagem associada a um determinado estilo de vida, passou a representar uma relação mais consciente com o corpo e com a rotina. Para Yasmin, saúde, performance, estética e autocuidado não são assuntos separados. Fazem parte de um mesmo processo, que também envolve saber sustentar objetivos sem transformar a busca por uma determinada imagem em uma obrigação de ser perfeita. A experiência no palco acabou devolvendo algo ao consultório. Ao sentir na própria pele o que significa construir uma imagem, conviver com expectativas e se enxergar durante um processo de transformação, Yasmin ampliou o olhar que já tinha como profissional. O rosto que ela observa no consultório ganhou, para ela, uma relação ainda mais evidente com o corpo, com a postura, com a presença e com a maneira como cada mulher escolhe se apresentar ao mundo. É desse encontro que surge o que ela chama de Estética Integrativa, uma visão que aproxima rosto, corpo, proporção e imagem. Mais do que uma definição fechada, o conceito acompanha a própria trajetória de Yasmin. A pergunta que está por trás dele é simples de formular, mas difícil de responder: até onde vale transformar uma imagem sem perder aquilo que faz alguém continuar se reconhecendo nela? A dentista e a atleta não ocupam lugares opostos. Uma experiência ajuda a explicar a outra, e é justamente nessa interseção que a trajetória de Yasmin ganha sua singularidade. É a partir dessa perspectiva que começamos esta conversa. Sua carreira começou na Odontologia e se desenvolveu dentro da estética, especialmente na Harmonização Facial. O que a profissão te ensinou sobre beleza que você não encontra em um padrão pronto? E como o seu olhar profissional influencia a maneira como você entende a singularidade de cada pessoa? A Odontologia, e especialmente a minha atuação na Harmonização Facial, me ensinou que beleza não é seguir um padrão, e sim entender o que faz sentido para cada pessoa. Ao longo da minha trajetória, percebi que não existe uma fórmula pronta para a beleza. Cada rosto tem uma história, uma identidade, proporções e características próprias. Por isso, acredito que o meu papel como profissional não é transformar uma pessoa em outra, mas valorizar aquilo que ela já tem de único, buscando equilíbrio, harmonia e naturalidade. O olhar profissional também me ensinou a enxergar o rosto como um todo. Não se trata apenas de corrigir uma característica isolada, mas de compreender proporções, simetria, estrutura e, principalmente, a individualidade de cada paciente. Muitas vezes, um detalhe que parece pequeno pode ter um impacto enorme na forma como aquela pessoa se enxerga. Para mim, harmonização facial não deve apagar identidades. Pelo contrário: deve revelar e potencializar a melhor versão de cada pessoa, respeitando seus traços e sua essência. É justamente essa combinação entre conhecimento técnico, sensibilidade e individualidade que, para mim, torna a estética verdadeiramente bonita. Trabalhar com Harmonização Facial envolve uma linha delicada entre transformar, preservar e respeitar aquilo que torna cada rosto único. Como você enxerga hoje a relação entre procedimento estético, autoestima e identidade, principalmente em um momento em que existe tanta pressão por determinados padrões de beleza? Hoje, vejo a relação entre estética, autoestima e identidade como algo muito íntimo e, por isso, que exige responsabilidade. Um procedimento estético pode, sim, contribuir para a autoestima, mas acredito que ele deve partir do desejo do paciente e nunca da necessidade de corresponder a um padrão imposto. Vivemos em uma época em que as referências de beleza estão cada vez mais acessíveis e, ao mesmo tempo, mais uniformizadas. As redes sociais ampliaram o acesso a diferentes estéticas, mas também podem criar a sensação de que existe um único modelo de rosto, de juventude ou de beleza a ser alcançado. É justamente nesse cenário que o profissional precisa ter um olhar criterioso e, sobretudo, individualizado. Meu papel é compreender essa diferença e conduzir cada tratamento com técnica, ética e sensibilidade. Acredito que a estética mais contemporânea é justamente aquela que não busca uniformizar rostos, mas preservar identidades. Porque beleza, quando é verdadeiramente individual, não precisa seguir um padrão para ser percebida. Foi justamente a partir desse olhar profissional para proporção, simetria e equilíbrio que o universo fitness começou a ganhar outro significado para você. Quando decidiu competir, o que essa experiência te fez perceber sobre a relação entre rosto, corpo e imagem? Quando decidi competir, percebi que o universo fitness tinha uma conexão muito profunda com o meu olhar profissional: proporção, equilíbrio, simetria e individualidade. Recentemente, tive a oportunidade de competir no WBFF Worlds, em Miami, conquistando o título de Diva Fit Model. Mais do que uma conquista, foi uma experiência de disciplina, autoconhecimento e transformação. Estar no palco me fez compreender ainda mais que rosto e corpo fazem parte de uma mesma identidade e precisam dialogar de forma harmônica. Assim como na Harmonização Facial, acredito que não se trata de buscar um padrão, mas de potencializar características individuais. Para mim, a verdadeira estética está no equilíbrio entre imagem, identidade e essência. O wellness entrou nessa história não apenas pelo treinamento, mas por tudo o que existe por trás dele: alimentação, rotina, disciplina, descanso, autocuidado e consciência corporal. Depois de viver uma preparação competitiva, o que mudou na sua maneira de entender saúde, bem-estar e qualidade de vida? A preparação competitiva transformou completamente a minha percepção sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Eu passei a compreender que cuidar do corpo vai muito além da estética ou de um resultado pontual: existe todo um estilo de vida por trás de um físico saudável e de uma mente equilibrada. A experiência de competir me mostrou que qualidade de vida não significa buscar uma rotina perfeita, e sim construir uma rotina que faça sentido, que sustente os nossos objetivos e nos permita evoluir sem perder a nossa essência. Para mim, wellness passou a representar justamente isso: a união entre saúde, performance, estética e autocuidado, uma forma mais consciente e completa de viver. Hoje, a mulher que está no consultório e a mulher que sobe ao palco são a mesma pessoa, mas talvez revelem lados diferentes de você. O que essas duas experiências passaram a ensinar uma à outra, e o que você acredita que só conseguiu compreender sobre estética depois de viver as duas? No consultório, aprendi a olhar para a individualidade: cada rosto tem uma história, uma identidade, uma personalidade e uma beleza própria. A harmonização facial nunca fez sentido para mim como uma busca por um padrão, mas como uma forma de valorizar aquilo que já existe em cada pessoa, respeitando suas características e sua essência. No palco, eu vivi o outro lado dessa relação com a imagem. Experimentei na pele o que significa se dedicar a uma transformação, lidar com expectativas, disciplina, exposição e, principalmente, aprender a enxergar o próprio corpo com mais consciência. E isso trouxe uma sensibilidade diferente para o meu olhar profissional. Talvez essa seja a maior compreensão que essas duas experiências me trouxeram: a verdadeira estética não está em transformar alguém em outra pessoa, mas em revelar, com equilíbrio e intenção, aquilo que já existe de mais bonito nela. E, por último, mas não menos importante: qual é a sua voz? Depois de tudo o que você construiu na profissão e de tudo o que passou a viver no universo do wellness e da competição, o que você acredita que precisa ser dito hoje sobre beleza, autocuidado, disciplina e sobre a maneira como uma mulher escolhe construir a própria imagem? Acredito que hoje precisamos falar sobre beleza de uma forma mais consciente e mais livre. A minha trajetória me ensinou que autocuidado não é vaidade e disciplina não é punição. São formas de respeito por nós mesmas No consultório, vejo mulheres buscando se sentir mais bonitas, mais seguras e mais alinhadas com a imagem que têm de si. No wellness, vivi o outro lado: descobri a força, a disciplina e a dedicação necessárias para construir uma versão física que antes existia apenas como um objetivo. Se existe uma mensagem que eu gostaria de deixar, é que a nossa imagem deve ser uma extensão de quem somos, e não uma prisão criada pelo olhar dos outros. Podemos construir nosso corpo, nosso estilo, nossa beleza e nossa trajetória de muitas maneiras. O mais importante é que essa construção seja consciente, saudável e genuinamente nossa. Hoje, para mim, beleza é isso: não se tornar outra pessoa, mas ter liberdade para revelar diferentes versões de si mesma, com saúde, disciplina, autoestima e propósito.

  • Pesquisa inédita revela que homens de 35 anos lideram procura por transplante capilar

    Levantamento mostra que 90% dos pacientes são homens e aponta busca cada vez mais precoce pelo procedimento; especialistas explicam como calvície, autoestima, redes sociais e momentos de recomeço ajudam a entender essa mudança A imagem do homem que espera a calvície avançar durante anos para só então procurar um transplante capilar começa a mudar. Um levantamento realizado pelo Instituto Dr. Vlassios Marangos Junior revela que 35 anos é a idade mais frequente entre os pacientes que procuram o procedimento. O público atendido varia de 28 a 55 anos e 90% dos pacientes são homens. Dr. Vlassios Marangos Os números ajudam a revelar uma transformação que vai além da estética. Segundo a clínica, os homens estão chegando mais cedo aos consultórios e demonstrando maior preocupação não apenas com a perda dos fios, mas com o impacto que ela pode provocar na autoestima, na percepção de juventude e na própria imagem. “Hoje, o homem não espera necessariamente que a calvície avance para começar a buscar uma solução. Existe uma preocupação maior em preservar a imagem e a autoestima, e isso faz com que a procura aconteça mais cedo”, explica o médico especialista em transplante capilar Dr. Vlassios Marangos Junior. Para a psicóloga, neuropsicóloga e psicanalista Cristiane Belmonte, diretora da Belmonte Saúde, o cabelo ocupa um lugar simbólico importante na construção da imagem masculina. E perceber sua perda justamente entre os 30 e 40 anos pode significar, para alguns homens, um primeiro confronto mais evidente com o envelhecimento. Psicóloga Cristiane Belmonte “Existe algo quase simbólico no cabelo masculino. Ele carrega décadas de associação cultural com força, virilidade e juventude. Por isso, quando os fios começam a rarear entre os 30 e 40 anos, muitos homens não estão só perdendo cabelo, estão encarando, pela primeira vez, um sinal visível de que o tempo está passando”, explica Cristiane. Redes sociais também colocaram os homens diante do espelho O levantamento coincide com um período de maior exposição da imagem masculina. Reuniões por vídeo, redes profissionais, aplicativos de relacionamento e plataformas como Instagram e TikTok fizeram com que o rosto passasse a ser observado com uma frequência que não existia há alguns anos. Se durante décadas a pressão estética foi discutida principalmente a partir da experiência feminina, ela também passou a ocupar espaço no universo masculino. “As redes sociais colocaram o homem numa vitrine que antes era quase exclusiva do universo feminino. Hoje ele também posta, também é visto, também é comparado, o tempo todo”, afirma Cristiane. “A cobrança masculina com a aparência sempre existiu, mas ficava muito restrita à boa forma física. Hoje ela avança para pele, cabelo e expressão facial.” Entre os pacientes atendidos pelo Instituto Dr. Vlassios Marangos Junior aparecem empresários, executivos, médicos e influenciadores, profissionais cuja imagem muitas vezes também integra a forma como se apresentam publicamente. Divórcio, novo relacionamento e promoção podem despertar vontade de mudar Outro comportamento percebido nos atendimentos chama atenção: a procura pelo transplante pode coincidir com períodos de transformação na vida pessoal ou profissional. Casamento, divórcio, início de um relacionamento, promoção no trabalho e aumento da exposição profissional aparecem entre as situações relatadas por pacientes. São momentos em que a pessoa pode sentir necessidade de alinhar a imagem a uma nova etapa da própria vida. “Divórcio, um novo amor, casamento ou uma promoção são marcos que colocam o homem numa posição de reinvenção. Ele está reconstruindo uma versão de si mesmo, e o corpo entra nesse processo”, explica Cristiane. A psicóloga observa que, depois de um divórcio, por exemplo, pode surgir o desejo de recuperar características associadas a uma fase em que o homem se percebia mais jovem, desejado ou seguro. “Não é necessariamente uma vaidade superficial. Pode fazer parte do processo de reconstrução de identidade que esses recomeços pedem”, acrescenta. Nem toda queda de cabelo termina em transplante Apesar do perfil apontado pela pesquisa, ter 35 anos e apresentar calvície não significa automaticamente ter indicação cirúrgica. A causa da queda, o estágio de evolução, a qualidade da área doadora e a expectativa em relação ao resultado precisam ser avaliados individualmente. Além da alopecia androgenética, o Instituto recebe casos relacionados a estresse, emagrecimento, pós-Covid, medicamentos e outros tipos de alopecia, além de pacientes interessados em corrigir transplantes anteriores. “Não existe uma idade única que determine quando uma pessoa deve fazer o transplante. O mais importante é entender o motivo da queda e avaliar se o procedimento realmente é indicado para aquele paciente”, explica Vlassios. Clínica Vlassios Marangos Nos casos em que a cirurgia ainda não é indicada, tratamentos clínicos podem ser utilizados para tentar controlar a queda e preservar os fios existentes. Entre as opções oferecidas pelo Instituto estão Microinfusão de Medicamentos na Pele (MMP), Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e tratamentos com exossomos, definidos de acordo com a avaliação médica. Quando cuidar da aparência deixa de ser apenas autocuidado? A procura mais precoce também traz outra discussão: em que momento a vontade de melhorar a aparência é saudável e quando ela começa a ser comandada pela comparação ou por uma insatisfação que nenhum procedimento consegue resolver? Para Cristiane, a resposta passa menos pelo procedimento escolhido e mais pela expectativa depositada nele. “Cuidar da aparência de forma saudável nasce do autocuidado. A pessoa investe, se sente bem e segue vivendo normalmente mesmo que o resultado não seja perfeito. Já a insatisfação excessiva costuma vir carregada de ansiedade e da expectativa de que aquele procedimento vai resolver algo muito maior do que a estética em si”, explica. Comparar-se constantemente com outros homens ou com fotografias de uma versão mais jovem de si mesmo, realizar sucessivos procedimentos sem satisfação e acreditar que uma mudança estética resolverá automaticamente problemas amorosos ou de autoestima são sinais que merecem atenção. “Quando a expectativa chega nesse ponto, vale muito a pena um acompanhamento psicológico paralelo a qualquer decisão estética, para entender o que realmente está pedindo cuidado por trás disso”, conclui Cristiane. Clínica Vlassios Marangos O dado de que os 35 anos concentram a maior procura, portanto, conta uma história que não se limita à calvície. Ele ajuda a mostrar uma geração de homens que passou a olhar mais cedo para a própria aparência, mas que também está mais exposta à comparação. Entre querer recuperar os fios e tentar recuperar uma versão de si mesmo, entender a motivação pode ser tão importante quanto escolher o tratamento. Instituto Dr. Vlassios Marangos Junior Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 4249, Jardim Paulista, São Paulo – SP, CEP 01401-002 Instagram: @dr.vlassiosmarangos Site: institutodrvlassios.com.br Belmonte Saúde Diretora: Cristiane Belmonte, psicóloga, neuropsicóloga e psicanalista, CRP 06/46937 Instagram: @belmontesaude Telefone: (11) 5562-6583

  • O Prazer em Ver a Noiva Sofrer: Até Onde Vai a Emoção no Casamento?

    Existe algo no mundo dos casamentos que não é nomeado, mas que eu chamo de “o fetiche com o sofrimento da Noiva”. Photo Disclosure Pinterest É sempre assim: a Noiva está bem, se divertindo no making of, se emocionou ao receber o buquê de flores do Noivo… e logo chega mais um presente, um que a destrói. Um relicário, pintura ou item especial com a lembrança de algum parente que já se foi, ou fazendo referência a alguma lembrança triste para ela. Sem falar nas pessoas que insistem em trazer más notícias que ela nem precisava saber. Já ouvi muitas vezes pessoas dizendo: “Isso com certeza vai fazer ela chorar”. E atenção: esperar que ela se emocione é muito diferente de querer que ela sinta dor! E sabem o pior? Normalmente, querem entregar esses “presentes” quando a Noiva já está pronta, a menos de uma hora de entrar na sua cerimônia. Vocês nem imaginam a quantidade de mulheres que precisei conter pouco antes de seus casamentos porque não conseguiam se regular tão facilmente. Existem presentes que podem desconcertar alguém ao ponto de causar uma crise de ansiedade. Como podemos esperar que a Noiva entre 100% bem e feliz na cerimônia depois de se desestabilizar a tal ponto? Repito: se emocionar de felicidade é diferente de chorar de tristeza. É como se as pessoas quisessem intensificar ainda mais as emoções que já vêm naturalmente com o dia e quisessem deixar a Noiva ainda mais vulnerável do que ela está. No meu Casamento, optei por entregar todos os presentes mais emocionantes antes do dia. Assim, eu poderia vibrar apenas bons sentimentos e estar com o coração em paz, sem precisar tirar alguns minutos do making of para me regular. E, felizmente, todos ao meu redor tiveram o bom senso de manter as boas energias o tempo todo. Já tive uma Noiva que precisou se trancar no banheiro por uns 15 minutos por ter recebido um relicário muito lindo com a foto da avó, que faleceu um mês antes do Casamento. Optaram por entregá-lo 30 minutos antes de sua entrada. Entendam que o problema não é exatamente o presente em si, mas o timing da entrega. Nunca podemos assumir que, em um dia tão sensível, os Noivos vão aceitar qualquer presente com tranquilidade. Que tal pensarmos um pouco mais na necessidade de fazer tudo na frente das câmeras? De esperar que ela esteja pronta para ter uma grande reação? Presentes que podem causar um tumulto emocional podem tranquilamente ser entregues mais cedo, dando algumas horas para que a Noiva assimile o que está sentindo ou, para não correr riscos, optar por entregar na semana do evento. O dia do Casamento é tão, mas tão precioso que precisa ser protegido. Temos uma única chance de fazer acontecer e dar certo. Então, existem “surpresas” que devem ser melhor planejadas para garantir que a Noiva se sentirá bem e amada, ao invés de casar com o coração partido.

  • Dra. Mariana Comério consolida protagonismo como Nutróloga e coloca o Espírito Santo no mapa da medicina de alta performance

    Pioneira na atuação com Terapia Nutricional Injetável no Estado, médica transformou experiência hospitalar em um modelo próprio de cuidado e hoje comanda, em Vitória, uma clínica que une ciência, tecnologia e atendimento individualizado Photos Disclosure Press Há quase uma década, quando falar em soroterapia, reposição de micronutrientes e terapias nutricionais injetáveis ainda estava distante da rotina de muitos consultórios, a médica nutróloga Dra. Mariana Comério começava a construir no Espírito Santo um trabalho que ajudaria a aproximar essas possibilidades da prática clínica no Estado. Hoje, com RQE 11801 em Nutrologia, mais de 24 mil seguidores nas redes sociais e uma trajetória construída integralmente no Espírito Santo, Mariana tornou-se um nome de destaque na área. À frente da Mariana Comério Clínica, em Vitória, desenvolveu uma proposta que reúne Nutrologia, Terapia Nutricional Injetável, implantes hormonais, acompanhamento metabólico e tecnologias voltadas à saúde, longevidade e estética. Mas sua história com a terapia nutricional começou muito antes de ela ter uma clínica com seu nome. Da UTI para uma medicina voltada à prevenção A formação de Mariana tem uma particularidade importante. Antes de se dedicar ao consultório, passou seis anos atuando em hospitais capixabas e integrou uma das principais equipes de terapia nutricional hospitalar do Estado. Foi dentro das UTIs, acompanhando pacientes em condições graves, que desenvolveu parte do olhar que mais tarde levaria à prática ambulatorial. “Eu comecei na Nutrologia dentro da UTI. Essa vivência me trouxe um olhar mais cuidadoso para o paciente, integrando o tratamento da doença com a prevenção. Até hoje levo para o consultório os ensinamentos que tive naquela época”, afirma. Ao longo da carreira, aprofundou a formação em áreas como medicina esportiva, envelhecimento saudável, terapia nutricional e regulação hormonal. A Terapia Nutricional Injetável, que inclui soroterapia e aplicações intramusculares de nutrientes quando há indicação médica, tornou-se uma das áreas de destaque de sua atuação. Em um momento em que a soroterapia ganhou popularidade nas redes sociais, Mariana também procura estabelecer uma diferença entre tendência e prática médica: a indicação precisa partir da avaliação do paciente, e não de protocolos indiscriminados. Uma clínica que leva sua assinatura Depois de nove anos à frente da Clínica Integrare, a médica deu um passo importante na própria trajetória empresarial ao inaugurar a Mariana Comério Clínica, na Enseada do Suá, em Vitória. O espaço traduz uma visão que Mariana desenvolveu ao longo dos anos: medicina de excelência não precisa ser uma experiência fria ou impessoal. A proposta é fazer com que o atendimento comece pela escuta e que exames, tecnologias e tratamentos sejam utilizados a partir das necessidades individuais de cada paciente. “Eu queria criar um espaço onde o paciente pudesse fazer uma pausa na rotina, se sentir acolhido e investir na própria saúde com segurança e responsabilidade”, explica. Essa filosofia aparece até nos detalhes da clínica. Arquitetura, música, aroma e experiência de atendimento foram pensados para criar uma atmosfera de acolhimento, enquanto a estrutura médica reúne recursos como bioimpedância Anovator e tecnologias como Liftera, Criolipólise Asgard e Unyque Pro. A clínica também desenvolve protocolos individualizados que podem associar diferentes estratégias terapêuticas. A Terapia Nutricional Injetável, por exemplo, trabalha com vitaminas e minerais administrados por vias específicas após avaliação e indicação médica. Referência construída no Espírito Santo Talvez um dos aspectos mais simbólicos da trajetória de Mariana seja a decisão de crescer sem deixar o Estado onde nasceu. Em vez de enxergar os grandes centros como condição para alcançar projeção nacional, a médica escolheu fazer de Vitória a base para construir sua carreira, investir em estrutura, ampliar a equipe e desenvolver um modelo próprio de atendimento. Desde 2016, sua atuação clínica vem sendo estruturada em torno da individualização do cuidado. A nova clínica nasce também com a ambição de se consolidar como um ecossistema médico de referência nacional, reunindo saúde integrativa, estética, inovação e formação profissional. “Tenho orgulho de ter construído tudo aqui, onde nasci. O Espírito Santo respira saúde, bem-estar e qualidade de vida. Quero me tornar uma referência nacional sem sair daqui, mostrando que é possível crescer profissionalmente valorizando as nossas raízes”, afirma Mariana. A expansão também abre um novo capítulo. Além do atendimento aos pacientes, a médica pretende investir na formação de outros profissionais e compartilhar o conhecimento acumulado ao longo da carreira. Em uma área que ganhou enorme exposição e, ao mesmo tempo, passou a conviver com promessas fáceis nas redes sociais, Mariana defende que qualificação continue sendo o ponto de partida. “Hoje existe muita informação na internet e também muitos profissionais sem a formação necessária. O paciente precisa buscar médicos que tenham título de especialista, experiência e respaldo científico. Isso faz toda a diferença na segurança do tratamento”, ressalta. Mais do que associar seu nome à popularização da soroterapia no Espírito Santo, Dra. Mariana Comério construiu uma trajetória que acompanha a própria transformação da Nutrologia no Estado: começou dentro dos hospitais, avançou para a prevenção e hoje ganha escala em uma clínica que carrega não apenas seu nome, mas sua maneira de enxergar a medicina.

  • Phellipe Marques integra elenco de “Dom de Iludir”, nova série da Netflix com Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costa

    Ator paraense interpreta um policial civil na produção dirigida por Mauro Mendonça Filho, que mistura melodrama e suspense em uma trama ambientada na elite carioca; estreia está prevista para 2026 Photos Disclosure Press Depois de integrar uma produção internacional, Phellipe Marques volta suas atenções para uma história brasileira. Aos 48 anos, o ator paraense está no elenco de “Dom de Iludir”, nova série da Netflix, que reúne Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costa como protagonistas. A plataforma revelou oficialmente a produção neste mês. “Dom de Iludir” tem estreia prevista para ainda em 2026, mas, até o momento, a Netflix não anunciou o dia e o mês de lançamento. Na série, Phellipe interpreta um policial civil e passa a dividir o universo de uma trama construída em torno de relações familiares, aparências, segredos e jogos de poder. O novo trabalho chega em um momento importante da trajetória do ator, que recentemente também participou de “Man on Fire”, produção internacional da Netflix gravada no México. Uma história em que ninguém parece ser exatamente o que mostra Com direção geral de Mauro Mendonça Filho, “Dom de Iludir” mistura melodrama e suspense e tem como ponto de partida uma família da elite do Rio de Janeiro. Marieta Severo vive Lúcia Rossetti, uma colecionadora de obras de arte que mantém uma relação turbulenta com a filha Maíra, personagem de Alice Wegmann. A chegada de Irina, interpretada por Nanda Costa, interfere nessa dinâmica e abre caminho para uma sucessão de mistérios, conflitos e reviravoltas. Além das três protagonistas, o elenco reúne José de Abreu, Felipe Camargo, Luciana Paes, Laila Garin, Heloisa Jorge, Yanna Lavigne, Giovanna de Jesus, Rosanna Viegas, Allan Souza Lima, Rui Ricardo Diaz, Jonas Bloch, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias e Laura Vick. Para Phellipe, fazer parte de um elenco com nomes de diferentes gerações do audiovisual brasileiro também ampliou a experiência dentro do projeto. “Sobre ‘Dom de Iludir’, ainda não posso revelar muita coisa. Mas posso dizer que, quando recebi a notícia de que havia sido selecionado, percebi uma diferença. ‘Man on Fire’ ainda nem havia estreado, mas o fato de aquela produção já fazer parte do meu currículo parecia dar um peso diferente ao meu trabalho e à maneira como eu era visto profissionalmente”, conta. Phellipe vive policial civil na trama Ainda cercado pelo sigilo que acompanha a produção, o ator não pode antecipar detalhes sobre a participação de seu personagem. Ele revela, porém, que a experiência nos bastidores foi marcada pelo contato com profissionais que admira e pela direção de Mauro Mendonça Filho. “Também tive a oportunidade de conhecer e conviver com profissionais com trajetórias muito importantes. Trabalhei com Vera Ferreira, Aramis Trindade e conheci o Iran, o Iran Meu Nego, com quem construí uma amizade. Foi uma experiência muito rica”, afirma. A relação com a direção também ficou marcada para o ator. “Ser dirigido pelo Mauro Mendonça Filho foi especialmente importante. Ele consegue ser carismático e rigoroso ao mesmo tempo. Eu sentia a responsabilidade e a exigência que aquele trabalho carregava, mas, ao mesmo tempo, me sentia acolhido pela direção e pela produção. Para um ator, essa combinação é muito valiosa”, diz Phellipe. Do teatro em Belém ao streaming Embora “Dom de Iludir” represente uma nova vitrine para seu trabalho, a trajetória de Phellipe começou longe das grandes produções de streaming. Em Belém, ele construiu parte importante de sua formação no teatro e permaneceu por mais de uma década no espetáculo “Cabanos — Uma Viagem no Tempo”, no qual interpretava Eduardo Angelim, um dos líderes da Cabanagem. Anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro para investir na carreira artística e chegou a trabalhar como motorista de aplicativo enquanto buscava espaço no audiovisual. O caminho ganhou outra dimensão com a aprovação para “Man on Fire”, série internacional protagonizada por Yahya Abdul-Mateen II e que também conta com Alice Braga no elenco. Agora, “Dom de Iludir” coloca o ator novamente diante de uma produção de grande alcance, desta vez mergulhado em uma história essencialmente brasileira. A série é produzida pela Conspiração para a Netflix, com produção associada da Amaia. A criação é de Diane Maia e Mirna Nogueira, que também assina como roteirista-chefe. Além de Mauro Mendonça Filho na direção geral, Gabriela Amaral Almeida e Daniela Carvalho integram a direção. A atmosfera da produção também ganhou uma assinatura brasileira na música. Liniker gravou especialmente para a série uma nova versão de “Dom de Iludir”, composição de Caetano Veloso que dá nome à obra. Para Phellipe, entrar nesse universo representa mais do que acrescentar um título ao currículo. Depois de anos construindo a carreira entre teatro, testes e produções menores, “Dom de Iludir” chega como a possibilidade de mostrar seu trabalho ao lado de alguns dos nomes mais reconhecidos da dramaturgia brasileira. “Quando a oportunidade surgir, eu quero estar pronto”, resume o ator sobre a fase que vive.

  • Malu transforma relacionamento sem destino em “Passageiro”, single que inaugura sua nova fase musical

    Lançada nesta quarta-feira (17), faixa nasceu de uma experiência amorosa da cantora e ganhou clipe gravado dentro de um carro para traduzir a sensação de estar presa a uma relação sem saber para onde ela iria Photos Divulgação E se você estivesse em um relacionamento sem saber para onde ele está indo, mas também sem conseguir sair dele? Foi a partir dessa sensação que Malu criou “Passageiro”, single lançado nesta quarta-feira (17) e que marca uma nova fase na carreira da cantora. A faixa, disponível nas plataformas digitais, nasceu de uma experiência amorosa real e antecipa o álbum autoral que reunirá histórias de amores e desamores vividos pela artista. Na música, Malu narra o sentimento de estar emocionalmente envolvida em uma relação na qual não conseguia enxergar reciprocidade ou um destino. Como alguém sentado no banco de um carro sem saber qual será a próxima parada, ela se percebeu seguindo no “piloto automático”, presa a uma história que não sabia como terminar. “Eu me sentia no piloto automático, apenas seguindo um roteiro, sem saber qual seria o destino desse amor e sem nenhuma expectativa. Mas, mesmo assim, estava presa naquele relacionamento e não conseguia sair de dentro do carro, presa no banco passageiro”, conta Malu. O conceito não ficou apenas na letra. A cantora levou para o audiovisual a metáfora que deu nome à música: estar no banco de um carro, temporariamente, sem saber para onde aquela viagem está levando. Assim surgiu a ideia do clipe, gravado dentro de um carro e dirigido pelo filmmaker Matt Miraj, parceiro de Malu em outros projetos. O vídeo explora justamente a ambiguidade da palavra “passageiro”: alguém que está dentro de um veículo e também aquilo que não é permanente. “Eu queria estar naquele carro temporariamente, sem saber como sair e nem para onde ele estava indo. Acho que os dois significados encaixam tanto para a música quanto para o audiovisual”, explica. De tentar agradar ao público a encontrar a própria identidade Mais do que um novo single, “Passageiro” representa uma mudança na forma como Malu se enxerga artisticamente. A cantora conta que, durante parte de sua trajetória, tentou se aproximar de estilos que imaginava que seriam mais aceitos pelo público. Agora, decidiu fazer o caminho inverso: partir daquilo que realmente gosta. “É a primeira vez que estou fazendo um estilo musical que eu sei que me representa. Se eu me identifico, outras pessoas também vão se identificar”, afirma. A nova identidade aposta em um R&B com elementos vintage, sintetizadores e referências da sonoridade dos anos 1980. A bateria mantém um ritmo constante ao longo da faixa, enquanto as harmonias e os vocais ajudam a construir uma atmosfera mais íntima e sensível. Para desenvolver essa sonoridade, Malu buscou referências em diferentes artistas. Olivia Jean inspirou especialmente o uso de bateria e sintetizadores. Taylor Swift apareceu como referência na construção de vozes e harmonias, enquanto Ariana Grande, sua principal referência vocal, influenciou a interpretação. O resultado é uma roupagem diferente dos trabalhos anteriores da cantora, que transitavam por um R&B mais próximo do pop. Uma música feita a muitas mãos A produção de “Passageiro” reuniu o compositor Dartanhã, parceiro de Malu em outras músicas, e os produtores Drew e Nith, da ETP. A parceria também marcou uma experiência inusitada: os produtores, conhecidos por trabalhos ligados ao trap, passaram a trabalhar em uma proposta de R&B mais vintage e delicada. Malu participou ativamente de diferentes etapas da construção da faixa, inclusive da mixagem, dando sugestões sobre elementos como o volume dos vocais. As múltiplas harmonias presentes na música também refletem uma característica que a cantora considera importante em seu trabalho. “É um trabalho que me dá muito orgulho. Trabalhei com pessoas que admiro muito e pude estar envolvida em todo o processo”, conta. “Passageiro” como porta de entrada para o álbum A escolha da faixa como single não aconteceu por acaso. Entre as músicas que compõem o álbum, “Passageiro” é uma das que Malu considera mais importantes para apresentar a nova identidade do projeto. A intenção foi fazer com que o primeiro lançamento funcionasse como uma porta de entrada para o universo do álbum, revelando ao público sua estética, sonoridade e, principalmente, a proposta autoral da cantora. O projeto foi construído a partir de experiências afetivas reais e percorre diferentes momentos de sua vida amorosa. “Passageiro” é, portanto, apenas um dos capítulos dessa história. O lançamento também inaugurou uma nova dinâmica na carreira de Malu. Pela primeira vez, a cantora passou a contar com uma equipe profissional de gestão de carreira dedicada à estratégia dos lançamentos. Depois de anos conduzindo sozinha boa parte desse planejamento, ela afirma que a nova estrutura trouxe mais segurança para esse momento. “Eu sempre pensei na estratégia de lançamento sozinha e sempre foi um grande desafio para mim. Ter pessoas talentosas, com cases de sucesso tão importantes, me fez sentir segura e amparada durante esse processo”, afirma. Com “Passageiro”, Malu não apenas apresenta uma nova música. Ela abre um novo capítulo de sua carreira, no qual as próprias experiências, referências e escolhas passam a conduzir o caminho artístico. E, desta vez, ela parece saber exatamente quem está no volante. “Passageiro” já está disponível nas plataformas digitais: https://sym.ffm.to/passageiro

  • Thaís Carla: A nova Afrodite. Uma fase de magnetismo, feminilidade, beleza, desejo e liberdade

    Livre para amar, desejar e ser desejada, Thaís Carla celebra uma nova fase de sensualidade, descoberta e liberdade, aprendendo a viver o amor — em todas as suas formas — a partir de uma nova versão de si mesma STARS COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photo: Ronan de Jesus Nascimento - @ronnanascimento / Beauty: @paulolimabeauty / Styling: @tovivant Há momentos em que uma mulher não precisa recomeçar. Precisa apenas florescer. É desse lugar que surge Thaís Carla na nova edição Stars da Hooks Magazine: uma mulher que atravessa uma fase de descobertas, liberdade, sensualidade e, sobretudo, de uma relação mais profunda com o amor. “Estou me sentindo amada como nunca me senti antes.” A frase resume um momento que, para Thaís, vai muito além do amor romântico. É sobre reconhecer o afeto em diferentes lugares e, principalmente, perceber que o amor próprio pode transformar a maneira como recebemos tudo aquilo que vem de fora. Para esta edição, Thaís é apresentada como uma Afrodite contemporânea. Não aquela construída a partir do olhar de quem observa, mas uma mulher que compreende que sua beleza, seu desejo, sua sensualidade e seu poder de atração pertencem, antes de tudo, a ela mesma. “Eu me sinto uma Afrodite. Não porque alguém me escolheu, mas porque finalmente me permito viver o amor, o desejo e a beleza com liberdade”, afirma. Existe uma leveza particular na forma como Thaís fala sobre a fase que está vivendo. Ela não descreve esse momento como uma transformação definitiva, tampouco como uma ruptura com quem foi. Existe, em suas palavras, a compreensão de que uma pessoa pode mudar sem precisar apagar suas versões anteriores. “Estou conhecendo pessoas, conhecendo sentimentos e, principalmente, conhecendo uma mulher em mim que talvez eu ainda não tivesse tido a oportunidade de viver.” Essa descoberta parece ser uma das forças que conduzem seu presente. Depois de anos assumindo responsabilidades, construindo uma carreira, sendo mãe e ocupando um espaço importante no debate sobre representação e gordofobia, Thaís se permite experimentar novamente a curiosidade. Ela fala sobre ter novas primeiras vezes, sobre poder se surpreender, mudar de ideia e descobrir novos lugares dentro de si. “É bonito perceber que eu ainda estou me descobrindo.” Há algo quase adolescente nessa sensação — a expectativa diante do desconhecido, o prazer de conhecer novas pessoas, a possibilidade de se apaixonar pela vida. Mas existe também a maturidade de quem aprendeu a estabelecer limites e a reconhecer aquilo que deseja. Essa combinação entre curiosidade e consciência é uma das características mais marcantes da Thaís que encontramos nesta edição. Sua sensualidade também aparece sob uma perspectiva diferente. Durante muito tempo, corpos gordos foram associados, dentro dos padrões tradicionais de representação, à necessidade de correção, contenção ou justificativa. Thaís ajudou a questionar esse imaginário ao defender publicamente que pessoas gordas têm direito à dignidade, ao respeito, à acessibilidade, ao amor e ao desejo. Hoje, essa defesa continua existindo, mas se encontra com uma dimensão ainda mais pessoal. “Eu nunca precisei emagrecer para ser desejável. Eu fui uma mulher gorda, sensual, desejada, potente e dona de mim, e nenhuma mudança no meu corpo apaga essa história.” A frase estabelece uma distinção importante. Mudanças individuais não precisam ser interpretadas como uma rejeição da própria trajetória. O corpo pode passar por diferentes fases sem que isso determine o valor da pessoa ou invalide uma luta coletiva. “O meu corpo não precisa de justificativa para ocupar espaço, sentir prazer, ser fotografado ou admirado. Eu não peço permissão para existir. Eu existo por inteiro.” É justamente nessa liberdade que a imagem de Afrodite ganha força. As fotografias que acompanham esta edição trabalham com o branco, a água, as transparências, as flores, a pele e a delicadeza. A estética cria uma atmosfera quase mitológica, mas a mulher no centro dela permanece absolutamente contemporânea. Não há uma tentativa de transformar Thaís em uma personagem inalcançável. Pelo contrário. A imagem funciona porque existe naturalidade em sua presença. Ela não está tentando provar que é sensual. Ela simplesmente é. E talvez essa seja uma das maiores mudanças em sua relação com a própria imagem: a sensualidade deixa de ser uma declaração para se tornar uma experiência. “Hoje eu olho para o espelho querendo saber o que eu sinto, não o que esperam que eu sinta.” Essa frase também poderia definir o espírito desta nova fase. Olhar para si antes de olhar para as expectativas externas. Desejar sem culpa. Ser desejada sem pedir desculpas. Mudar sem precisar explicar. Viver sem transformar cada experiência em uma promessa de futuro. Thaís fala sobre o amor com uma amplitude que ultrapassa qualquer narrativa romântica. Quando questionada sobre o que mais representa a mulher que é hoje, entre beleza, prazer, desejo, amor e poder de atração, ela escolhe o amor. Mas o amor, para ela, está em toda parte. Está nas filhas, na mulher que construiu, no corpo em todas as suas fases, na vida que ainda deseja viver e na capacidade de permanecer conectada consigo mesma. “Meu maior poder de atração vem de estar conectada comigo mesma.” É uma resposta que desloca a ideia tradicional de magnetismo. A atração não nasce apenas da aparência, da aprovação ou do desejo de outra pessoa. Ela nasce da relação que alguém constrói consigo. Talvez seja por isso que esta Thaís pareça tão diferente sem precisar ser outra. Ela continua sendo a mulher que defendeu corpos fora do padrão. Continua sendo mãe, artista e uma figura pública que aprendeu a ocupar espaços que durante muito tempo não foram oferecidos a mulheres como ela. Mas agora existe também uma liberdade para viver aquilo que ela sempre defendeu. “Minha luta não mudou. O que mudou é que hoje eu também me permito viver tudo aquilo que sempre defendi.” Essa talvez seja a essência da nova Afrodite. Uma mulher que não precisa escolher entre força e delicadeza, entre posicionamento e sensualidade, entre transformação e permanência. Uma mulher que pode defender uma ideia coletivamente e, ao mesmo tempo, permitir que sua própria vida seja complexa, contraditória e em constante movimento. Thaís não parece interessada em descobrir agora qual será o final dessa história. Ela quer descobrir quantas versões ainda existem dentro dela. “Quantas versões de mim ainda existem quando eu me permito viver sem medo.” É essa pergunta que permanece depois das fotografias, da entrevista e das palavras. Porque talvez florescer seja justamente isso: não chegar a uma versão definitiva de si mesma, mas finalmente compreender que não existe obrigação de chegar. Nesta edição Stars, Thaís Carla não aparece como uma mulher que começou novamente. Ela aparece como uma mulher que se permitiu viver. E, ao fazer isso, descobriu que o amor pode estar em toda parte — inclusive naquele lugar onde tudo começa: dentro dela. Entrevista exclusiva com Thaís Carla: 1. Você definiu este momento dizendo: “Estou me sentindo amada como nunca me senti antes”. O que mudou dentro de você para que hoje consiga receber, reconhecer e viver o amor de uma maneira tão diferente? Acho que primeiro eu aprendi a me amar de um jeito diferente. Hoje eu me escuto mais, respeito os meus desejos, os meus limites e não tenho medo de me escolher. Sou mãe, sou mulher, tenho uma vida inteira acontecendo, mas entendi que eu também preciso ser prioridade para mim. Estou me sentindo amada como nunca porque, antes de qualquer coisa, estou me amando de uma forma que nunca tinha experimentado. 2. A nossa capa apresenta você como uma espécie de Afrodite contemporânea: uma mulher livre para desejar, ser desejada e experimentar a própria sensualidade. Quando você percebeu que não precisava mais enxergar o seu corpo a partir do olhar dos outros, mas a partir do seu próprio desejo? Eu passei muitos anos mostrando para outras mulheres que elas poderiam amar seus corpos. Em algum momento, percebi que precisava continuar fazendo isso também por mim. Meu corpo mudou, minha vida mudou, mas a minha sensualidade nunca dependeu de um número na balança. Hoje eu olho para o espelho querendo saber o que eu sinto, não o que esperam que eu sinta. Para mim, ser essa Afrodite é isso: pertencer ao meu próprio corpo. 3. Existe alguma coisa que essa nova versão de Thaís descobriu sobre si mesma que surpreendeu você? Descobri que ainda tenho muitas primeiras vezes para viver. Às vezes, quando a gente vira mãe, trabalha muito e assume tantas responsabilidades, parece que precisa ter todas as respostas. Eu descobri que posso continuar me surpreendendo, me apaixonando pela vida, mudando de ideia e conhecendo novos lugares dentro de mim. É bonito perceber que eu ainda estou me descobrindo. 4. Durante muito tempo, mulheres gordas foram colocadas diante de uma ideia de que seus corpos deveriam ser corrigidos, escondidos ou justificados para serem considerados desejáveis. Hoje, você aparece justamente ocupando esse lugar de magnetismo e desejo. O que significa, para você, reivindicar esse espaço sem pedir permissão? Eu nunca precisei emagrecer para ser desejável. Eu fui uma mulher gorda, sensual, desejada, potente e dona de mim, e nenhuma mudança no meu corpo apaga essa história. O que vivo hoje é uma nova fase, não uma correção de quem eu fui. O meu corpo não precisa de justificativa para ocupar espaço, sentir prazer, ser fotografado ou admirado. Eu não peço permissão para existir. Eu existo por inteiro. 5. Se Afrodite simboliza beleza, prazer, desejo, amor e poder de atração, qual dessas palavras representa mais profundamente a mulher que você é hoje — e o que você ainda deseja descobrir sobre essa nova fase da sua vida? Amor. Mas não apenas o amor romântico. O amor pelas minhas filhas, pela mulher que construí, pelo meu corpo em todas as suas fases e pela vida que ainda quero viver. Hoje eu entendo que o meu maior poder de atração vem de estar conectada comigo mesma. E talvez seja isso que eu mais queira descobrir daqui para frente: quantas versões de mim ainda existem quando eu me permito viver sem medo. Compre sua revista impressa da edição com Thaís Carla na Capa, clicando abaixo. Envio Global:

  • ANDERSON MACEDO: A FOTOGRAFIA COMO ESPAÇO DE REPRESENTATIVIDADE

    Celebrando 10 anos de carreira, o fotógrafo e idealizador do DESconstrução transforma a busca por uma beleza mais democrática em propósito, levando diversidade, inclusão e novas narrativas para dentro da moda LEGACY COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photo: Antonio Junior - @antonhojunior / Video: @olivervideomaker_ / Retouch: @pixelsretouching / Beauty: @dariobion / Hair: @dl_cortes.arts / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio Há imagens que registram um momento. E há imagens que ajudam a mudar a maneira como enxergamos o mundo. Ao completar 10 anos de carreira profissional, Anderson Macedo construiu uma trajetória que ultrapassa o exercício estético da fotografia para encontrar na imagem uma ferramenta de representatividade, autoestima e transformação. Sua história com a fotografia começou há cerca de 13 anos, quando trabalhava como booker em uma agência de modelos e comprou sua primeira câmera. Inicialmente, fotografava polaroides dos modelos e, enquanto desenvolvia seu próprio olhar, também conhecia por dentro um mercado ainda fortemente orientado por padrões de beleza. Três anos depois, decidiu deixar a agência e investir definitivamente na carreira de fotógrafo. Foi logo no início dessa nova fase que uma experiência social ajudaria a definir os caminhos de seu trabalho. Seu irmão mantinha um instituto que desenvolvia ações junto à população em situação de rua e precisava ampliar a visibilidade de uma iniciativa chamada Human. Anderson criou, então, o Somos Todos Um, projeto que levou artistas para editoriais de moda realizados em cenários urbanos ligados à realidade da população em situação de rua, incluindo áreas deterioradas e espaços sob pontes. As imagens foram posteriormente apresentadas em uma exposição no High Line, na Vila Madalena, em São Paulo. A experiência despertou uma inquietação que mudaria definitivamente sua trajetória: se a fotografia poderia abrir espaço para pessoas e histórias que pouco apareciam na moda, por que essa possibilidade deveria permanecer restrita a uma única ação? Foi dessa reflexão que nasceu, há dez anos, o DESconstrução. Criado em um momento em que Anderson identificava pouca diversidade no mercado, o projeto surgiu com a proposta de romper padrões e defender uma inversão de lógica: não são os corpos que precisam se adaptar à moda. É a moda que precisa reconhecer a diversidade dos corpos. “Eu queria criar um projeto em que conseguisse realmente atender todos os rostos, todos os corpos e mostrar que todos podem ter essa acessibilidade dentro do mercado da moda”, explica Anderson. Ao longo dos anos, o DESconstrução passou a reunir artistas, influenciadores, representantes da comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas que, até então, tinham pouca ou nenhuma proximidade com revistas e produções editoriais. Entre os nomes que já passaram pelo trabalho de Anderson estão Henrique Fogaça, Sheila Mello, Rodrigo Mussi, Cariúcha e Marcos Pitombo. A proposta ganhou força em torno de um conceito que se tornou central em sua trajetória: a beleza democrática. Para Anderson, trata-se de ampliar os espaços de representação e mostrar que diferentes corpos, identidades e histórias também pertencem à moda e à arte. “Estamos há dez anos com o DESconstrução pregando a beleza democrática e mostrando que todos estão na moda, que a arte está em todos.” Mais recentemente, essa essência ganhou um novo significado quando o projeto chegou a oito mulheres em situação de vulnerabilidade social, em uma ação realizada durante o mês das mulheres. A iniciativa proporcionou às participantes uma experiência ligada à fotografia, à moda, à beleza e à produção de imagem. Para Anderson, aquele encontro representou a concretização de uma ideia que acompanha o DESconstrução desde seu nascimento: fazer com que esse universo alcance também quem historicamente esteve distante dele. Foi justamente essa experiência que fez Anderson perceber que o projeto havia deixado de ser apenas um trabalho autoral e se tornado um propósito. “No ensaio com mulheres em situação de vulnerabilidade social, em parceria com a Hooks Magazine e a Prefeitura de São Paulo. Neste ensaio e nesta troca, tive a certeza de estar no caminho certo e de ter encontrado um lindo propósito na carreira e no projeto.” Ao longo de uma década, Anderson também ampliou sua presença profissional no mercado da moda. Seu trabalho passou por campanhas, lookbooks, e-commerce e diferentes produções do segmento. Há mais de seis anos, acompanha os bastidores de edições da São Paulo Fashion Week e desenvolve trabalhos relacionados às marcas participantes. A fotografia também abriu caminhos internacionais. Milão, Paris e Roma passaram a fazer parte de sua trajetória profissional, em experiências que reuniram moda, fotografia, marcas e clientes. “Essa profissão me deu oportunidades de ir para fora do país fazendo o que eu mais amo, que é fotografar, e também de levar a profissão para uma dimensão internacional. Tive a oportunidade de ir para Milão, Paris e Roma, fazendo fashion trips com marcas e clientes envolvidos. Isso é muito bacana.” Mais do que conhecer novos mercados, essas experiências ampliaram sua compreensão sobre a própria diversidade. “A forma como a moda se modifica e se molda em cada lugar e em cada cultura. Essa versatilidade social me fez entender que existem diversas formas de olhar para a arte em si. Em cada cultura, ela é enaltecida e encanta de formas distintas, e esse é o poder da beleza democrática.” Sua trajetória profissional também guarda uma mudança de carreira pouco previsível para quem hoje acompanha seu trabalho na moda. Antes da fotografia, Anderson Macedo foi policial militar e atuou durante três anos e meio como policial rodoviário estadual. A experiência, embora distante dos estúdios, editoriais e passarelas que posteriormente fariam parte de sua rotina, permanece como uma referência importante em sua formação. “A PM me moldou em termos de disciplina e de estar mais atento aos detalhes em tudo. Já a agência me ensinou como funciona o mercado da moda e como administrar essa venda — imagem, beleza e fashion.” A disciplina adquirida nessas experiências acompanha Anderson até hoje, desde a ética profissional até as horas dedicadas à edição de imagens, sempre com afinco, determinação e compromisso com a qualidade da entrega. Ao completar uma década de carreira, Anderson celebra não apenas os trabalhos realizados, mas principalmente as conexões construídas pela fotografia e a possibilidade de fazer seu propósito alcançar universos cada vez mais distintos. “Sou muito feliz e muito grato. Tive pessoas incríveis passando pela minha caminhada, trocas muito importantes e conexões que me ajudaram a chegar até aqui.” Em uma edição Legacy, olhar para o futuro também significa pensar naquilo que desejamos deixar para trás. Para Anderson, o legado que gostaria de construir está diretamente ligado à representatividade. Ele deseja que seu trabalho continue criando possibilidades para que pessoas que ainda não se sentem representadas pela moda possam se reconhecer dentro dela. “Espero que as pessoas, ao verem esses trabalhos, se sintam representadas no meio da moda e elevem a autoestima, levando para o mundo mais amor e empatia.” Sua visão parte da ideia de que a beleza não precisa seguir um único padrão para existir. “Que a minoria social entenda que o belo está na diferença e que somos seres únicos, cada um com sua história e vivência. A autenticidade é o que nos faz brilhar de forma única.” Talvez seja justamente aí que esteja o significado mais profundo de uma carreira de dez anos. Não apenas fotografar pessoas, mas criar espaços para que elas sejam vistas. Não apenas produzir imagens, mas questionar quem aparece nelas. Não apenas acompanhar a transformação da moda, mas contribuir para ampliar suas possibilidades. Anderson Macedo chega à Legacy Cover da Hooks Magazine celebrando uma década de carreira e reafirmando uma ideia que acompanha seu trabalho desde o início: a beleza pode estar em todos os lugares, desde que exista espaço para que ela seja reconhecida. Porque, para ele, a fotografia não é apenas sobre aquilo que vemos através das lentes. É também sobre quem finalmente passa a se enxergar dentro da imagem. Confira entrevista completa: 1. Você completa 10 anos de carreira em um momento em que a diversidade ganhou mais espaço na moda, mas ainda existem barreiras. Olhando para essa década, o que mudou de verdade e o que ainda precisa ser desconstruído? Nossa sociedade é estruturada com padrões e estigmas de beleza, patriarcado e questões étnicas. Ainda precisaremos de muito tempo para conseguirmos chegar a uma democracia existencial. Com o avanço tecnológico, o que antes era minoria ganhou força e voz, mas eu acredito que ainda há muitas camadas que precisamos combater e continuar debatendo, como a homofobia, o racismo, entre outras. 2. O DESconstrução nasceu da vontade de tornar a beleza mais democrática e, ao longo dos anos, chegou a diferentes corpos, identidades e histórias. Qual foi o momento em que você percebeu que o projeto havia deixado de ser apenas um trabalho autoral e se tornado um propósito? No ensaio com mulheres em situação de vulnerabilidade social, em parceria com a Hooks Magazine e a Prefeitura de São Paulo. Neste ensaio e nesta troca, tive a certeza de estar no caminho certo e de ter encontrado um lindo propósito na carreira e no projeto. 3. Você já levou o seu olhar para diferentes universos — da São Paulo Fashion Week a Milão, Paris e Roma. O que essas experiências internacionais ensinaram sobre a forma como a moda enxerga diversidade e representatividade? A forma como a moda se modifica e se molda em cada lugar e em cada cultura. Essa versatilidade social me fez entender que existem diversas formas de olhar para a arte em si, como algo que mais conforma o ser humano. Em cada cultura, ela é enaltecida e encanta de formas distintas, e esse é o poder da beleza democrática. 4. Antes da fotografia, você foi policial militar e trabalhou como booker em uma agência de modelos. São experiências muito diferentes, mas ambas lidam diretamente com pessoas. O que essas duas fases da sua vida deixaram no fotógrafo e no profissional que você se tornou? A PM me moldou em termos de disciplina e de estar mais atento aos detalhes em tudo. Já a agência me ensinou como funciona o mercado da moda e como administrar essa venda — imagem, beleza e fashion. O metodismo e a disciplina rígida que precisei ter nessas duas áreas, eu carrego hoje desde o âmbito da ética profissional até as horas editando imagens com afinco e determinação, sempre buscando uma entrega com qualidade. 5. Em uma edição Legacy, falar sobre futuro também significa falar sobre o que queremos deixar para trás. Quando você olha para os próximos 10 anos, que legado gostaria que o seu trabalho e o DESconstrução deixassem para a moda e para as pessoas que ainda não se sentem representadas por ela? Justamente essa representatividade. Espero que as pessoas, ao verem esses trabalhos, se sintam representadas no meio da moda e elevem a autoestima, levando para o mundo mais amor e empatia. Que a minoria social entenda que o belo está na diferença e que somos seres únicos, cada um com sua história e vivência. A autenticidade é o que nos faz brilhar de forma única. Anderson Macedo and Caiúcha Compre a revista impressa da edição, enviada globalmente, clicando abaixo:

  • Os Ignorados do Casamento: Os Noivos

    Quando fui visitar um espaço de casamento pela primeira vez com o meu (naquele momento) noivo, em abril de 2025, me deparei, pela primeira vez, com um comportamento do mercado que foi extremamente naturalizado com os anos: o descaso com o noivo. Em nenhum momento da visita, a responsável pelo espaço sequer olhou para o meu parceiro, mesmo com o meu braço engatado no dele. Photo Disclosure Pinterest Uma noiva minha me contou que, quando o seu noivo trouxe a sua opinião sobre a decoração do casamento, a decoradora disse: “Deixe as opiniões com a noiva, o noivo só paga”. Por que parece tão fácil ignorar o homem que também é protagonista do dia? Todo este universo sempre foi empurrado para as mulheres com os contos de fadas, filmes de princesas, brinquedos e fantasias de noiva, enquanto os homens sempre foram ensinados a ignorar os elementos emocionais e familiares, sendo mais incentivados a fantasiarem com trabalho, interesses próprios e negarem envolvimento com qualquer coisa que fosse do “mundo feminino”. No entanto, as gerações mais recentes de pais e maridos têm se apresentado, mesmo que aos poucos, mais envolvidos com a construção familiar. Felizmente, a maioria das minhas noivas está com homens que querem participar e sonham em conjunto. O que me parece é que o mercado está com uma certa dificuldade de acompanhar a evolução masculina de alguns, principalmente fornecedores mais velhos, que possuem anos de experiência com homens desconectados de suas parceiras. De início, parece inofensivo, mas, se pensarmos com cuidado, entendemos que essa falta de consideração com os desejos do noivo pode afetar negativamente a sua percepção sobre toda a experiência. Ao acreditar inicialmente que está em um lugar seguro para expressar a forma que ele também quer viver esse dia, não deveria se deparar com um prestador de serviço que acabou de conhecer e que lhe diz: “Sua opinião não importa”. Um dos noivos que conheci me mostrou uma pasta no Pinterest que ele tinha criado sozinho, com suas próprias ideias para a sua celebração, todas maravilhosas e muito bem pensadas, que contavam a trajetória do casal. Outro noivo me contou que o sonho de casar era muito mais dele do que da parceira, então era ele quem conversava mais com os fornecedores sobre as decisões do casamento. O meu marido cuidou de boa parte da papelaria, por ter um olhar mais detalhista do que eu, e quis se responsabilizar pelos discursos de agradecimento também. Por causa disso, eu sou o tipo de fornecedora que não cobra um valor extra caso o noivo me peça discretamente para cobrir uma espinha que apareceu no dia ou para cobrir as olheiras depois de uma noite ansiosa e sem dormir. Como negar o pedido de homens que fazem as minhas noivas tão felizes? Pedidos que surgem pelo mesmo motivo: eles também querem se sentir bem para aproveitar o dia. Felizmente, começamos a ter entre nós, mesmo que de forma gradual, homens mais sensíveis, sonhadores e emocionalmente dispostos. São homens que, se escolherem viver a paternidade com responsabilidade, criarão mais pessoas neste mundo que serão como eles. Portanto, está mais do que na hora de termos fornecedores atualizados e abertos para entender o perfil do casal que os contratou, antes de julgarem e seguirem o caminho a que estão acostumados.

  • OLIVER: entre o real e a imagem

    Antes da câmera, vieram as pessoas. Antes do audiovisual, a moda. Antes da imagem, a observação. Photos: Anderson Macedo A relação de Oliver com o audiovisual não começou quando decidiu transformar a câmera em profissão. Começou muito antes, nos anos dedicados ao varejo, primeiro como vendedor, depois como gerente de loja. Foi ali, no contato diário com diferentes pessoas, comportamentos e escolhas, que desenvolveu uma atenção particular ao que acontece antes de uma imagem existir. A maneira como alguém se posiciona. O que escolhe vestir. Um gesto. Uma expressão. A forma como um ambiente é organizado. Detalhes que, isoladamente, parecem pequenos, mas que juntos constroem uma percepção. É também daí que vem sua relação com a moda. Mais do que uma referência estética, ela se tornou uma espécie de escola de percepção. No audiovisual, esse repertório encontrou outra forma de existir. Quando decidiu fazer do audiovisual seu caminho profissional, em 2025, Oliver não estava começando do zero. Levava consigo anos de experiência observando pessoas e entendendo como diferentes elementos podem construir uma experiência. A câmera apenas abriu uma nova possibilidade para esse repertório: transformar percepção em narrativa. Hoje, seu trabalho atravessa moda, entretenimento, campanhas, eventos e bastidores. Mas existe algo que permanece independentemente do projeto: a tentativa de encontrar, dentro de uma situação, aquilo que merece ser percebido. Talvez seja por isso que o mobile faça tanto sentido em sua linguagem. O iPhone permite proximidade. E proximidade permite presença. Em vez de esperar que a cena se organize perfeitamente diante da câmera, Oliver trabalha dentro dela. Acompanha o movimento, percebe as mudanças e procura aquilo que acontece enquanto tudo ainda está acontecendo. Um olhar que dura um segundo. Uma mudança de expressão. A energia de um set. A expectativa antes de um clique. A relação entre as pessoas que fazem uma produção acontecer. É desse interesse pelo que existe antes da imagem final que nasce o DESconstrução, projeto realizado ao lado do fotógrafo Anderson Macedo. Se a fotografia registra o instante que permanece, o projeto volta para o processo que tornou aquele instante possível. Ali, o bastidor deixa de ser apenas bastidor. Torna-se parte da história. A preparação, os movimentos, os encontros, a tensão, a expectativa e a energia de um dia de trabalho passam a ter o mesmo valor narrativo da fotografia que resultou de tudo aquilo. Essa maneira de enxergar também acompanha a relação de Oliver com as pessoas que passaram por sua câmera. Cariúcha, Jesus Luz, Marcos Pitombo, Erika Schneider, Cela, Gabi Cabrini, Jaquelline, Natacha Horana, Ismeiow e Lucas Souza fazem parte desse percurso, ao lado de marcas e produções ligadas à moda, ao entretenimento e ao lifestyle. São universos diferentes, mas existe uma constante: a tentativa de não apenas registrar quem está diante da câmera, mas entender o que aquela pessoa, aquele momento e aquele contexto pedem da imagem. É assim que uma linguagem começa a se formar. Não pela repetição de uma fórmula, mas pela capacidade de transformar referências em escolhas próprias. De olhar para o que já existe e encontrar outra maneira de contar. Em 2026, esse olhar também atravessou o Atlântico. Roma colocou Oliver diante de uma paisagem diferente daquela que ajudou a formar sua linguagem. Outra arquitetura, outra atmosfera, outras referências e um novo contexto profissional. Mais do que uma experiência internacional, foi uma oportunidade de testar aquilo que vinha construindo longe do ambiente em que havia aprendido a fazê-lo. E talvez seja justamente isso que torna a experiência significativa: perceber que uma linguagem não pertence necessariamente ao lugar onde nasceu. Ela pode viajar. Pode encontrar outras pessoas, outras cidades e outras histórias sem deixar de ser reconhecível. Oliver ainda está construindo esse caminho. Não há uma fórmula fechada, nem a necessidade de chegar rapidamente a uma definição. Existe espaço para experimentar, aperfeiçoar, mudar de direção e descobrir o que vem depois. A tecnologia também continuará mudando. O equipamento será atualizado. Os formatos vão se transformar. Mas há algo que permanece no centro de seu trabalho: a capacidade de perceber. É sobre essa formação do olhar, sobre o processo que existe antes da imagem e sobre aquilo que Oliver quer preservar enquanto seu trabalho cresce que conversamos a seguir. 1. Antes de trabalhar com imagens, você passou anos trabalhando com pessoas. O que o varejo de moda te ensinou sobre comportamento que hoje aparece, mesmo sem você perceber, no seu trabalho? Foram anos me dedicando ao varejo, primeiro como vendedor e depois como gerente de loja, e isso me ensinou muito sobre postura, comunicação e, principalmente, sobre como somos percebidos. Sempre fui uma pessoa muito observadora, então o varejo desenvolveu em mim esse senso de analisar o comportamento antes de agir. A moda também me trouxe um olhar muito refinado para os detalhes. No visual merchandising, por exemplo, você aprende que tudo importa: a organização de uma arara, a vitrine, a peça estar bem posicionada, a limpeza e a operação da loja. São pequenos detalhes que, juntos, trazem todo o refinamento. Hoje eu levo isso para o audiovisual. Quando um cliente me procura, ele está buscando o meu olhar. Então eu preciso entender o propósito daquela imagem e conduzir cenário, pessoas, comportamento, luz, enquadramento e todos os elementos para que eles conversem entre si. 2. Existe uma diferença entre registrar o que aconteceu e perceber aquilo que merece ser contado. Em que momento você começou a perceber que estava construindo uma linguagem própria? Acho que isso aconteceu quando comecei a confiar mais no meu próprio olhar. Parei de olhar o tempo inteiro para o que as pessoas estavam fazendo e comecei a olhar mais para mim: confiar na minha direção, na minha percepção, na minha edição e nas escolhas que faço. Essa linguagem própria vai sendo construída na prática. É como quando você olha para o trabalho de um artista e consegue reconhecer que aquilo pertence a ele. Não significa deixar de ter referências, mas transformar essas referências em algo seu. Hoje, quando recebo uma referência de um cliente, não penso em reproduzi-la exatamente. Penso em entender a ideia por trás dela e fazer uma releitura através do meu olhar. É aí que acredito que a referência deixa de ser cópia e passa a ser inspiração. 3. No DESconstrução, você volta para aquilo que acontece antes da fotografia existir: o processo, o movimento, a preparação. O que existe nesses momentos que você sente que precisa ser mostrado? Eu encontro a energia e a conexão que existem por trás daquela imagem. Quando você vê uma fotografia pronta, muitas vezes não imagina tudo o que aconteceu naquele dia dentro do estúdio: a preparação, as pessoas envolvidas, a expectativa, a emoção e, muitas vezes, até o sonho de alguém que está vivendo aquele momento. O DESconstrução nasceu muito desse desejo de mostrar o que normalmente fica invisível. Quero mostrar a energia do set, os movimentos, os encontros e tudo o que aconteceu para chegar àquela imagem final. É fazer com que quem assista não veja apenas o resultado, mas consiga sentir que esteve presente naquele dia. 4. Roma colocou o seu trabalho diante de outro contexto cultural e profissional. O que estar fora do Brasil revelou sobre o caminho que você está construindo? Totalmente. Foi uma experiência muito valiosa, tanto como pessoa quanto como profissional. Estar fora do Brasil e perceber que o meu trabalho também pode ser visto e valorizado em outros lugares me fez acreditar ainda mais no caminho que estou construindo. Foi como olhar para mim mesmo e pensar: “Você está no caminho certo. Continue acreditando no seu olhar.” Desde criança eu tinha o desejo de trabalhar com alguma coisa que me proporcionasse viagens e experiências. Hoje, sendo videomaker, vejo isso acontecendo cada vez mais. Poder trabalhar fora do país e levar o meu olhar para outros lugares é, para mim, a realização de um sonho. 5. O iPhone pode mudar, a tecnologia pode mudar e os mercados também. O que você não gostaria de perder no seu trabalho, independentemente de tudo isso? O meu olhar. A tecnologia pode mudar, o iPhone pode mudar, os equipamentos podem evoluir, mas eu não quero perder a minha capacidade de observar e perceber aquilo que merece ser contado. Também não quero perder o meu lado artístico. A técnica é muito importante, mas existe um feeling que vem junto: perceber que determinada cena pede uma câmera mais lenta, que determinado corte funciona melhor, que aquela música conversa mais com a história. Acredito que equipamento é ferramenta. O que realmente diferencia o trabalho é a forma como você enxerga e transforma aquilo em narrativa. 6. E, para fechar: qual é a sua voz? Se pudesse dizer uma única coisa para o mundo, o que gostaria que ele ouvisse? Confie no seu interior. Ele sabe o que é melhor para você. A gente vive cercado de informações, referências e comparações e, muitas vezes, esquece de se perguntar o que realmente quer para si. Para onde quer ir? Se está feliz? Se está sendo respeitado? Se aquilo que está vivendo realmente faz sentido? Acredito que precisamos parar de estar tão presentes na vida dos outros, online ou fisicamente, e começar a estar mais presentes na nossa própria vida. Aprender a lidar com nossos silêncios, nossas angústias, nossos sonhos e nossos desejos. Precisamos nos acolher e aprender a ser nossos melhores amigos internamente. E, para isso, às vezes é preciso simplesmente parar e observar o nosso redor. Não pensar que estamos atrasados o tempo inteiro. Tomar um café com calma, saborear aquele momento, perceber onde estamos. Dar espaço para nós mesmos sairmos um pouco do automático e voltarmos a nos sentir. Acho que é nesse silêncio que a gente começa a ouvir a nossa própria voz.

  • Dra. Cecília Ruiz: Quando a técnica encontra o olhar

    HEALTH COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photos: Lucas Souza - @Isouzafoto / Make: Emily Paula - @emilypaulamua / Stylist: Jady Tofoli - @jadytofoli / Studio: @zoidestudio A excelência de um cirurgião não se constrói apenas pela quantidade de técnicas que domina, mas pela qualidade das escolhas que aprende a fazer ao longo do tempo. No caso de Dra. Cecília Ruiz, esse olhar foi sendo formado entre diferentes campos da medicina, experiências de reconstrução e um percurso contínuo de aperfeiçoamento. Formada em Medicina pela Faculdade Técnico-Científica Souza Marques, no Rio de Janeiro, Cecília passou pela Cirurgia Geral na UFRJ antes de seguir para a Cirurgia Plástica no INCA. Vieram depois experiências em reconstrução mamária e de cabeça e pescoço, complementações na USP e no A.C. Camargo Cancer Center e aperfeiçoamentos em diferentes técnicas da cirurgia plástica. É uma formação extensa, mas o que chama atenção não é apenas a quantidade de etapas. É a maneira como elas foram construindo um olhar cada vez mais atento sobre o corpo e sobre a responsabilidade de intervir nele. Hoje, as cirurgias das mamas ocupam um lugar central em sua prática. Mastopexia, mamoplastia redutora, mamoplastia híbrida, técnicas de cicatriz reduzida e estratégias de recuperação rápida fazem parte de um repertório amplo, desenvolvido para atender diferentes anatomias e necessidades, sem transformar uma técnica em resposta automática. Talvez esteja aí uma das marcas mais interessantes de seu trabalho. Conhecer muitas possibilidades não significa querer utilizá-las todas. Ao contrário: experiência também é reconhecer quando uma técnica é adequada, quando outra pode oferecer um resultado melhor e quando fazer menos pode ser a decisão mais cuidadosa. A cirurgia plástica atravessa um momento de grande evolução. Tecnologias, técnicas e estratégias de recuperação ampliam continuamente as possibilidades da especialidade. Ao mesmo tempo, as redes sociais modificaram a maneira como muitas mulheres enxergam seus próprios corpos e chegam ao consultório, trazendo referências, expectativas e, algumas vezes, padrões difíceis de sustentar fora das telas. É nesse contexto que o trabalho de um cirurgião ganha uma responsabilidade ainda maior. Não basta saber como operar. É preciso compreender quem está diante do médico, o que ela deseja, o que é possível oferecer e quais escolhas realmente fazem sentido para aquela pessoa. É sobre esse olhar que conversamos com Dra. Cecília Ruiz. Sobre uma formação construída com profundidade, a experiência dedicada às cirurgias das mamas, a evolução da especialidade e tudo aquilo que o tempo de prática ensinou sobre beleza, escolha e cuidado. 1. Em que momento você entendeu que a cirurgia plástica seria o campo em que queria construir sua atuação? A cirurgia plástica me conquistou justamente por reunir duas dimensões da medicina pelas quais sempre fui fascinada: a precisão técnica e a capacidade de reconstruir. Minha formação em Cirurgia Geral foi fundamental para construir uma base sólida como cirurgiã. Depois, as experiências com cirurgia plástica, reconstrução mamária e reconstrução de cabeça e pescoço ampliaram muito a minha percepção sobre o que significa operar alguém. Quando você participa de uma reconstrução, entende que não está tratando apenas uma estrutura anatômica. Existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, um processo de retomada da própria identidade por trás daquele procedimento. Acho que foi nesse caminho que compreendi que a cirurgia plástica seria a área na qual eu gostaria de construir minha vida profissional. Cada etapa da minha formação acrescentou algo ao meu olhar. Hoje, quando entro em uma sala cirúrgica, carrego comigo não apenas as técnicas que aprendi, mas também a consciência de que cada decisão tem impacto na forma como aquela paciente irá se reconhecer depois. Para mim, operar nunca foi simplesmente modificar uma parte do corpo. É unir ciência, técnica, proporção e sensibilidade para alcançar um resultado que faça sentido para aquela pessoa. 2. O que a prática ensinou a você sobre anatomia, proporção e individualidade nas cirurgias das mamas? Quanto mais você opera mamas, mais percebe que não existe uma mama igual à outra, e isso muda completamente a maneira de planejar uma cirurgia. Existem diferenças na anatomia, na qualidade da pele, na quantidade e distribuição do tecido mamário, na posição das mamas, no tórax, nas assimetrias e, principalmente, naquilo que cada mulher considera bonito e deseja preservar em si mesma. Por isso, acredito cada vez menos em uma técnica aplicada de forma padronizada. A técnica precisa servir à paciente, e não o contrário. Ao longo dos anos, desenvolvi um olhar muito atento para proporção e naturalidade. Não procuro criar uma “mama perfeita” segundo um padrão. Procuro entender qual resultado é harmônico para aquele corpo, considerando anatomia, segurança, desejo e também como esse resultado deverá se comportar ao longo do tempo. Talvez uma das maiores evoluções de um cirurgião seja justamente essa: no início da carreira, você se preocupa muito em dominar técnicas. Com a experiência, entende que a verdadeira sofisticação está em saber qual técnica escolher, quanto fazer e, muitas vezes, quando fazer menos. 3. Em um cenário em que a cirurgia plástica avança rapidamente, enquanto as redes sociais também passam a influenciar cada vez mais a percepção sobre beleza, como você decide o que realmente merece ser incorporado à sua prática? A cirurgia plástica evoluiu extraordinariamente. Hoje temos tecnologias, novos conceitos cirúrgicos, estratégias de recuperação e recursos que nos permitem realizar tratamentos cada vez mais individualizados. Eu gosto de inovação e acredito que o cirurgião precisa acompanhar essa evolução. Mas inovação, para mim, precisa vir acompanhada de critério. Nem tudo o que é novo representa necessariamente uma evolução. Antes de incorporar uma técnica ou tecnologia à minha prática, procuro entender sua segurança, indicação, evidência científica e, principalmente, se ela realmente acrescenta algum benefício ao resultado da paciente. Ao mesmo tempo, vivemos uma questão muito particular da nossa época: muitas pacientes chegam ao consultório com referências construídas pelas redes sociais. São imagens editadas, filtros, ângulos específicos e corpos que acabam se repetindo até criar a sensação de que existe um único padrão de beleza desejável. Uma parte muito importante da consulta é justamente desconstruir essa ideia. Eu gosto de ouvir o que a paciente deseja, mas também procuro ajudá-la a entender sua própria anatomia e aquilo que é possível, e bonito, para o corpo dela. A melhor cirurgia, na minha visão, não é aquela que faz uma mulher se parecer com outra. É aquela em que o resultado parece pertencer a ela. 4. Em que momento uma mudança deixa de ser uma escolha sobre o próprio corpo e passa a ser uma tentativa de corresponder ao olhar dos outros? E o que cabe ao cirurgião quando percebe que essa fronteira foi ultrapassada? Essa talvez seja uma das maiores responsabilidades de um cirurgião plástico. Existe uma diferença importante entre uma mulher que apresenta uma queixa consistente, que a acompanha há algum tempo e que deseja uma mudança por si mesma, e alguém que está tentando alcançar um padrão externo ou acredita que uma cirurgia será capaz de resolver questões que ultrapassam o corpo. E essa diferença aparece principalmente quando sabemos escutar. Por isso, considero a consulta tão importante quanto a cirurgia. É nesse momento que tento compreender não apenas o que a paciente quer mudar, mas por que aquilo é importante para ela e o que ela espera sentir depois. Existem situações em que a melhor decisão médica é não operar. E dizer “não” também é cuidar. O cirurgião não pode ser apenas alguém capaz de executar tecnicamente um desejo. Existe uma responsabilidade médica em avaliar limites, expectativas, riscos e motivações. A cirurgia plástica pode ter um impacto muito bonito sobre autoestima e autoconfiança, mas ela não deve ser apresentada como solução para todas as inseguranças. Nosso papel também é reconhecer essa fronteira. 5. Depois de tantos anos entre formação, prática e aperfeiçoamento, o que mudou na sua compreensão sobre beleza? E, olhando para o futuro da cirurgia plástica, o que você acredita que nenhuma tecnologia será capaz de substituir? Minha percepção de beleza ficou muito menos rígida ao longo dos anos. Quanto mais pessoas você conhece e quanto mais corpos você opera, mais percebe que beleza não está na perfeição ou na ausência de assimetrias. Ela está muito mais relacionada à harmonia, à proporção e à maneira como uma pessoa se reconhece no próprio corpo. Hoje valorizo muito mais a individualidade. A tecnologia certamente continuará transformando a cirurgia plástica. Teremos recursos mais precisos, procedimentos mais personalizados e, provavelmente, recuperações cada vez melhores. Acho isso extraordinário. Mas existe algo que nenhuma tecnologia substitui: o olhar médico. A capacidade de ouvir uma paciente, compreender o que ela não consegue necessariamente colocar em palavras, perceber seus limites, interpretar sua anatomia e tomar decisões responsáveis continuará sendo humana. No final, uma cirurgia acontece no centro de uma relação de confiança. A paciente entrega ao cirurgião algo extremamente íntimo: seu corpo e uma expectativa de transformação. Essa confiança exige conhecimento técnico, mas também ética, sensibilidade e responsabilidade. 6. Depois de tudo o que a medicina, a cirurgia e o contato diário com tantas mulheres lhe ensinaram, existe algo que você sente que ainda precisa dizer? Se pudesse usar a sua voz para falar ao mundo sem filtros, sem protocolos e sem precisar corresponder a nenhuma expectativa, o que gostaria que as pessoas ouvissem de você? Talvez eu dissesse que não precisamos passar a vida tentando caber em versões de nós mesmas criadas pelo olhar dos outros. Vivemos em uma época em que somos constantemente convidados a nos comparar. Existe sempre um corpo, uma carreira, uma maternidade, uma vida ou uma imagem aparentemente perfeita diante de nós. E é muito fácil transformar essa comparação em cobrança. Trabalhar diariamente com a imagem e com o corpo humano me ensinou justamente o contrário: não existe perfeição. Existem histórias, proporções, cicatrizes, assimetrias, fases da vida e características que fazem cada pessoa ser única. A cirurgia plástica pode transformar um corpo. Eu vejo isso todos os dias. Mas acredito que a transformação mais bonita acontece quando aquela mudança não tenta criar uma nova pessoa, apenas permite que alguém volte a se reconhecer. Se existe algo que eu gostaria que as mulheres ouvissem de mim é: cuidem de si mesmas, façam escolhas por vocês e não tenham medo de desejar mudanças. Mas também não permitam que o mundo determine o que vocês precisam mudar para serem suficientes. Para mim, beleza nunca deveria significar apagar quem você é. Deveria significar revelar, com mais liberdade e confiança.

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