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- Patricia Mutzke: da coragem de recomeçar na Europa ao reconhecimento com o Troféu Destaque 2026
Com mais de três décadas de trajetória internacional, advogada brasileira transformou obstáculos, mudanças de país e diferenças entre sistemas jurídicos em uma carreira de prestígio entre Brasil e Europa Patrícia Mutzke ganha destaque com direito internacional Há prêmios que celebram uma conquista específica e há aqueles que parecem reunir, em um único momento, tudo o que foi necessário para chegar até ali. Para a advogada Patricia Mutzke, receber o Troféu Destaque 2026, durante a Conferência Internacional para Advogados em Alto Mar, carrega justamente essa dimensão. A homenagem aconteceu entre os dias 28 de agosto e 4 de setembro, durante uma programação internacional a bordo de um cruzeiro que percorreu Itália, Grécia e Turquia e reuniu profissionais do Direito em uma experiência dedicada à troca de conhecimento, conexões e atuação jurídica além das fronteiras. O cenário internacional não poderia ser mais simbólico para uma profissional que fez das fronteiras o território de sua carreira. Especialista em Direito Internacional, Patricia soma mais de 30 anos de atuação entre Brasil e Europa e construiu uma trajetória marcada pela capacidade de transitar entre legislações, culturas e diferentes formas de compreender o Direito. Hoje, com uma atuação consolidada especialmente entre Brasil e Suíça, ela estima já ter atendido cerca de 1.800 clientes no país europeu. Patricia Mutzke ganha Troféu Destaque 2026 “Receber essa homenagem em um encontro internacional é muito significativo para mim. Minha carreira sempre foi marcada pelo diálogo entre diferentes legislações, culturas e realidades. Estar ao lado de profissionais do Direito de diferentes lugares e ter esse trabalho reconhecido reforça a importância de uma advocacia cada vez mais preparada para questões que ultrapassam fronteiras”, afirma. Uma mala, muitos sonhos e o início de uma história internacional Para compreender o significado do prêmio, é preciso voltar ao verão europeu de 1996. Recém-formada em Direito pela PUC Minas, Patricia desembarcou em Frankfurt, na Alemanha, levando apenas uma mala e a determinação de construir uma nova vida profissional. Fluente em inglês e com uma boa formação acadêmica, logo descobriu que isso não seria suficiente para conquistar espaço no mercado jurídico alemão. O domínio do idioma local seria indispensável e ela decidiu encarar o desafio de frente. Durante dois anos, estudou alemão intensivamente, cinco horas por dia, até alcançar nível avançado e conquistar o diploma de proficiência. A dedicação, porém, não significou que as portas se abririam imediatamente. Depois de inúmeras candidaturas, Patricia chegou a receber uma oferta para trabalhar no Departamento Jurídico do Deutsche Bank, mas a contratação foi barrada pelo setor de Recursos Humanos sob a justificativa de que seu diploma brasileiro de Direito não teria validade na Alemanha. O episódio poderia ter encerrado sua tentativa de construir uma carreira jurídica na Europa. Em vez disso, tornou-se um dos pontos de virada de sua trajetória. Patricia percebeu que precisava transformar justamente aquilo que a diferenciava em sua maior força profissional. Passou a atuar como advogada e consultora em Direito brasileiro, assessorando empresários e executivos alemães em negociações com o Brasil e desenvolvendo uma habilidade que, décadas depois, continuaria no centro de sua atuação: traduzir não apenas leis, mas também culturas, comportamentos e diferentes ambientes de negócios. Da Alemanha à Suíça, uma carreira ganha novas fronteiras Em 2010, Patricia iniciou outro capítulo ao se mudar com a família para Berna, na Suíça. Apenas seis meses depois, foi contratada por um escritório de advocacia em Zurique, onde passou a aprofundar seus conhecimentos sobre o sistema jurídico suíço. Vieram estudos em Direito Internacional Privado nas universidades de Berna e Friburgo, cursos específicos para advogados, fóruns, congressos e a especialização em Direito Migratório Suíço pela Universidade de Berna. Depois de cinco anos atuando na advocacia suíça, chegou o momento de realizar um dos projetos mais importantes de sua vida profissional. Em 2016, Patricia fundou o primeiro escritório de advocacia suíço-brasileira da região de Berna. A conquista tinha um peso especial para quem, duas décadas antes, havia chegado à Europa precisando encontrar espaço para uma formação jurídica brasileira. Agora, ela não apenas havia conquistado esse espaço, como criava uma estrutura própria dedicada a aproximar juridicamente dois países que já faziam parte de sua história. Ao longo dos anos, consolidou-se especialmente no Direito de Família Internacional, além de atuar em Direito Migratório suíço e europeu e Direito Empresarial transnacional. Sua rotina profissional passou a acompanhar histórias cada vez mais comuns em um mundo globalizado: casamentos entre pessoas de diferentes nacionalidades, famílias que vivem entre países, patrimônios distribuídos em mais de uma jurisdição, processos migratórios e relações empresariais que precisam ser compreendidas sob diferentes legislações. “Hoje, as relações familiares, profissionais e patrimoniais são cada vez mais internacionais. Esse movimento exige do advogado não apenas conhecimento técnico, mas capacidade de compreender como decisões tomadas em um país podem repercutir na vida de uma pessoa em outro. Recebo o prêmio também como um incentivo para continuar construindo pontes entre essas diferentes realidades”, destaca. Troféu Destaque 2026 coroa uma trajetória de três décadas É nesse contexto que o Troféu Destaque 2026 assume um significado que ultrapassa a cerimônia de premiação. O reconhecimento chega quando Patricia completa três décadas de uma história construída fora do Brasil e ajuda a dimensionar o percurso de uma profissional que precisou se adaptar a novos idiomas, compreender sistemas jurídicos diferentes, reconstruir sua rede profissional e conquistar credibilidade em mercados nos quais começou praticamente do zero. Seu currículo hoje reúne especialização em Direito de Seguros pela Universidade Goethe, na Alemanha, e em Direito Migratório Suíço e Europeu pela Universidade de Berna. Patricia é inscrita na OAB/MG 71.418, na Ordem dos Advogados de Portugal, OAP 60994, e atua como Advogada Europeia junto à Ordem dos Advogados do Cantão de Berna. Mais do que uma sequência de títulos, a formação revela uma carreira construída pela busca permanente por conhecimento e pela necessidade de compreender profundamente os países nos quais escolheu exercer a profissão. A experiência acumulada também passou a ser compartilhada com outros advogados brasileiros que sonham em construir uma trajetória internacional. Patricia defende que uma carreira no exterior exige muito mais do que conhecimento jurídico: domínio do idioma, atualização constante, compreensão da cultura local, capacidade de criar conexões e planejamento profissional são alguns dos elementos que considera decisivos. Ao revisitar sua própria história, ela costuma resumir essa filosofia de uma maneira particular: acreditar nos sonhos não significa ignorar os obstáculos, mas compreender que desafios, falhas, aprendizados e conquistas também formam uma carreira. Para Patricia, é preciso planejar a trilha, celebrar cada meta alcançada e perceber que “o grande prêmio é o próprio caminho”. Trinta anos depois daquele desembarque em Frankfurt, a imagem ganha outra dimensão. A jovem brasileira que chegou à Europa com uma mala e precisou lutar para encontrar seu lugar na advocacia agora atravessa o Mediterrâneo sendo homenageada entre profissionais do Direito. O Troféu Destaque 2026 celebra o presente, mas também carrega cada etapa que veio antes dele: a persistência diante das recusas, os anos de estudo, a coragem de começar novamente em outro país, a criação do próprio escritório e as milhares de histórias profissionais que ajudaram a consolidar seu nome. Para Patricia Mutzke, portanto, o prêmio não representa apenas a chegada a um lugar de destaque. Ele simboliza uma trajetória que transformou fronteiras em pontes e fez de uma brasileira que ousou recomeçar na Europa uma profissional reconhecida justamente por aquilo que decidiu construir entre dois mundos.
- BELLE ZORZI: La Dolce Vita, depois do recomeço
ITALY COVER EDITION - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photo: @demmacedo / Model: @bellezorzi / Beauty: @loe.roma / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @abrunnaeler / Location: Roma / PR: @sigth.coom / Executive leadership: @jheelunna / Fashion Director Hooks: @evelyoliveira / Editor-In-Chief Hooks: @directorhooks / Travel agency: @planejamento.viagem @eagleofpersonaltravel / Clutch: @syetvie Toda partida começa antes da mala. Começa muito antes do aeroporto, quando uma pessoa passa a olhar para a própria vida e imaginar como seria existir em outro lugar. Às vezes, essa vontade nasce da necessidade. Outras vezes, nasce justamente quando não há nada aparentemente errado. E talvez essa seja uma das decisões mais difíceis de tomar. É diferente partir porque não há mais escolha e partir quando ainda existem razões suficientes para ficar. Quem deixa uma vida que funcionava não leva apenas documentos, roupas e objetos. Leva referências. Um nome profissional que já significa alguma coisa. Relações construídas ao longo dos anos. Hábitos que não precisam ser pensados. A familiaridade de saber como as coisas funcionam e, principalmente, a sensação de saber quem se é dentro daquele mundo. Até que se chega a outro. No começo, tudo parece maior. As diferenças chamam atenção, os detalhes ganham importância, o cotidiano tem a intensidade de uma descoberta. Existe uma espécie de suspensão da vida anterior. Por algum tempo, quase tudo parece possível porque quase nada ainda foi testado pela realidade. Mas nenhum lugar permanece novidade para sempre. Em algum momento, a paisagem deixa de ser descoberta e passa a ser endereço. A língua deixa de ser curiosidade e passa a ser necessidade. As escolhas deixam de parecer uma aventura e começam a produzir consequências concretas. É aí que a experiência de viver fora costuma mudar de natureza. Porque existe uma diferença profunda entre conhecer um país e construir uma vida nele. A primeira pode acontecer em dias. A segunda exige tempo. E, nesse intervalo, o imigrante é colocado diante de uma experiência que talvez seja uma das mais desconcertantes de qualquer mudança: perceber que aquilo que funcionava como uma definição de si mesmo pode não funcionar mais da mesma maneira. Não significa que tenha deixado de existir. Significa que precisa ser reinterpretado. É por isso que a imigração pode ser, ao mesmo tempo, uma experiência geográfica e uma experiência de identidade. O endereço muda primeiro. O restante vem depois. Há pessoas que passam anos tentando reconstruir exatamente a vida que tinham antes. Há outras que entendem, pouco a pouco, que a oportunidade de estar em outro lugar também pode ser a oportunidade de descobrir uma versão de si que o antigo contexto nunca exigiu. Nenhum desses caminhos é simples. Recomeçar envolve uma espécie de luto pelo que ficou para trás, mas também uma liberdade difícil de explicar. Quando as antigas referências perdem parte da força, surge uma pergunta incômoda: se eu não precisar mais ser exatamente quem eu era, quem posso me tornar? Talvez seja essa a pergunta que acompanha todo verdadeiro recomeço. E ela não costuma ser respondida no aeroporto, nem no primeiro dia, nem quando as fotografias começam a aparecer nas redes sociais. É respondida no cotidiano. Nas escolhas que ninguém vê. Nos dias em que é preciso continuar sem ter certeza. Na capacidade de olhar para aquilo que não saiu como planejado sem confundir mudança de rota com fracasso. É nesse ponto que a história de Belle Zorzi se torna especialmente interessante. Porque ela não parte de uma narrativa de ruptura. Não havia uma vida em ruínas esperando por uma saída. Havia uma vida construída, vínculos, trabalho e uma realidade que poderia ter sido suficiente para permanecer. Mas havia também a consciência de que uma vida pode estar funcionando e, ainda assim, não conter todas as possibilidades que uma pessoa deseja experimentar. Essa distinção muda tudo. Porque, quando partir não é uma fuga, a decisão deixa de ser apenas sobre o lugar para onde se vai. Passa a ser sobre a pessoa que se está disposta a se tornar depois de ir. Foi a partir dessa escolha que Belle começou seu capítulo na Itália. E talvez a parte mais interessante dessa história não esteja apenas no país que ela escolheu, mas em tudo aquilo que precisou ser revisto quando a mulher que existia antes da partida encontrou uma realidade que já não respondia às mesmas regras. É nessa fronteira entre a vida que se conhece e aquela que ainda não existe que começa a nossa conversa com Belle Zorzi. 1. Vocês tinham uma vida profissional estruturada no Brasil, mas decidiram deixar tudo para trás e começar do zero na Itália. O que estava faltando naquela vida que fez vocês entenderem que valia a pena correr o risco de recomeçar? Eu acho que não faltava exatamente alguma coisa. A gente tinha uma vida boa no Brasil, tinha trabalho, família, amigos, uma vida estruturada. Mas existia em mim uma vontade muito grande de descobrir o que mais a vida poderia ser. Eu sempre tive muito medo de chegar lá na frente e perceber que vivi uma vida inteira no mesmo lugar simplesmente porque era mais confortável ficar. Eu queria conhecer outros lugares, outras culturas, ter mais liberdade, trabalhar de qualquer lugar e construir uma vida que fizesse sentido para nós. E talvez por isso tenha sido tão difícil tomar a decisão. Porque é muito mais fácil ir embora quando você não tem nada a perder. Nós tínhamos. Mesmo assim, entendemos que algumas coisas só acontecem quando você aceita trocar a segurança do que já conhece pela possibilidade de construir algo novo. 2. Você chegou à Itália como advogada e, de repente, precisou lidar com uma realidade em que a sua formação já não tinha o mesmo peso. Depois de tantos “nãos” e até de ouvir que não conseguiria trabalhar por não falar bem italiano, o que mudou dentro de você para que decidisse criar a própria oportunidade? Essa foi provavelmente uma das partes mais difíceis de morar fora. Eu sou formada em Direito, advoguei no Brasil e cheguei à Itália percebendo que tudo aquilo que eu tinha construído profissionalmente não necessariamente atravessava a fronteira comigo. Eu ouvi “não” muitas vezes. Ouvi que meu italiano não era bom o suficiente, que seria difícil conseguir trabalho e comecei a entender que poderia passar muito tempo esperando alguém decidir me dar uma oportunidade. Até que pensei: se ninguém está me dando uma oportunidade, eu vou criar a minha. Eu já trabalhava com internet há alguns anos, já criava conteúdo e tinha conhecimentos de marketing. Então, comecei a olhar menos para aquilo que eu tinha perdido profissionalmente e mais para aquilo que eu sabia fazer. A maior mudança aconteceu aí. Eu parei de esperar que alguém validasse a minha capacidade para começar. 3. A partir dessa decisão, vocês começaram a construir uma nova fonte de renda pela internet. Como foi transformar aquilo que vocês já sabiam fazer em serviços pelos quais alguém estivesse disposto a pagar? E qual foi o primeiro trabalho que fez vocês perceberem que aquilo realmente poderia dar certo? No começo, foi muito na base do: “O que nós sabemos fazer que pode resolver um problema de alguém?”. Principalmente algo que não dependesse da minha comunicação em italiano, que era algo que eu ainda estava desenvolvendo. Mas eu não podia esperar meu italiano ficar perfeito para começar a ganhar dinheiro. Eu já tinha experiência com criação de conteúdo e marketing digital, e o David também foi entrando nesse universo comigo. Então, começamos a oferecer criação de conteúdo, edição de vídeo, social media, sites e outros serviços digitais. Só que saber fazer alguma coisa e transformar isso em um negócio são coisas completamente diferentes. A gente precisou aprender a vender, prospectar, precificar, negociar, lidar com clientes e, principalmente, mostrar valor. O primeiro trabalho foi como videomaker, fazendo edição e social media para um salão de beleza. Eu vi que a Itália não estava tão avançada no marketing. Muitos negócios ainda nem têm redes sociais. Ou, se têm, não alimentam. Ou, se alimentam, falta qualidade no material. Foi aí que eu vi um oceano de oportunidades. Começamos com negócios pequenos, mas cada cliente novo era quase uma confirmação de que aquilo poderia existir para além da nossa cabeça. Até chegar um momento em que começamos a perceber que não era mais uma tentativa de fazer renda pela internet. Estava se tornando o nosso trabalho. E acho que essa percepção não aconteceu em um único grande momento. Foi acontecendo aos poucos: quando um cliente indicava outro, quando alguém voltava a contratar, até que o que começou como trabalho freelancer se transformou em uma agência de marketing. 4. Hoje vocês construíram uma rotina muito diferente daquela que tinham no Brasil. Existe, porém, uma parte dessa liberdade que não aparece nas redes: os riscos, os meses difíceis, a necessidade de conquistar clientes e fazer o negócio se sustentar. O que existe por trás da vida que vocês escolheram construir e que quase ninguém vê? Existe muita incerteza. A liberdade é maravilhosa, mas ela vem acompanhada de responsabilidade. Quando você trabalha por conta própria, não existe necessariamente um salário garantido entrando no final do mês. Você precisa conquistar clientes, entregar, administrar, pensar no mês seguinte e continuar fazendo o negócio crescer. Nas redes aparecem as viagens, os lugares bonitos, a possibilidade de trabalhar de diferentes lugares. O que não aparece tanto são as horas no computador, as propostas que não são aceitas, os clientes que vão embora, os meses melhores e os meses piores, o medo de alguma coisa dar errado e a pressão de saber que depende de você fazer funcionar. E eu não falo isso para romantizar a dificuldade, porque não acho que sofrer seja pré-requisito para conquistar alguma coisa. É simplesmente o outro lado da liberdade. Mas, ainda assim, eu escolheria essa vida de novo. Até a liberdade tem um preço, mas eu não troco por nada a satisfação de construir algo nosso. 5. Quando você olha para a mulher que chegou à Itália, com medo de não conseguir sobreviver, e para a mulher que existe hoje, o que você acredita que mais se transformou em você? E, depois de tudo o que já construiu, o que ainda sente que precisa ou deseja construir? Eu passei a confiar muito mais na minha capacidade de me reconstruir. Quando cheguei à Itália, a minha maior dúvida era: “Como eu vou fazer as coisas darem certo?”. E eu descobri que somos capazes de muito quando paramos de duvidar e temos coragem de ir atrás. Quando não deixamos os outros ditarem até onde podemos chegar. Eu ouvi que não conseguiria trabalhar porque não falava italiano, vi a minha formação perder o peso que tinha no Brasil e, por um momento, realmente me questionei sobre o que seria capaz de fazer aqui. Hoje eu percebo que muitas vezes a gente coloca a nossa segurança nas coisas que conquistou: uma profissão, um emprego, um salário, uma posição. E morar fora me fez descobrir uma segurança muito maior, que é confiar em mim mesma. Porque, se eu consegui construir uma vida do zero em outro país, aprender coisas que eu nunca imaginei que aprenderia e criar oportunidades onde elas não existiam, hoje eu tenho muito menos medo de tentar. E ainda quero construir muita coisa. Eu sou uma pessoa muito sonhadora e ambiciosa. Não necessariamente no sentido de ter mais coisas, mas de viver mais coisas. Quero conhecer o mundo, crescer profissionalmente, conquistar cada vez mais liberdade e continuar descobrindo até onde eu posso chegar. 6. E, por último, mas não menos importante: qual é a sua voz? Se você tivesse a oportunidade de dizer alguma coisa para o mundo, sem filtros, sem medo e sem precisar caber nas expectativas de ninguém, o que você gostaria de gritar? Se eu pudesse gritar alguma coisa para o mundo, seria: não adie a sua vida esperando ter certeza de tudo. A gente cresce acreditando que precisa saber exatamente quem é, o que quer fazer e onde quer chegar. E que, depois que escolhe um caminho, precisa continuar nele para que tudo o que veio antes tenha valido a pena. Mas você pode mudar de ideia. Pode descobrir que aquilo que quis durante anos já não faz mais sentido. Pode mudar de profissão, de país, de sonhos. Pode se tornar uma pessoa completamente diferente daquela que imaginou que seria. E você não precisa esperar se sentir pronta para isso. Algumas das decisões mais importantes da nossa vida acontecem quando ainda estamos com medo, sem todas as respostas e sem saber exatamente como vamos fazer dar certo. Também aprendi que não posso tomar decisões sobre a minha vida pensando no que os outros esperam de mim. Nem todo mundo vai entender os caminhos que você escolhe, e tudo bem. No final, viver tentando corresponder às expectativas de todo mundo pode custar justamente a vida que você gostaria de ter vivido. Se permita mudar. Se permita começar antes de estar pronta. Se permita escolher uma vida que faça sentido para você, mesmo que não faça sentido para mais ninguém. Afinal, a vida é SUA!!! Compre agora a revista impressa clicando abaixo:
- Pedro Bustamante transforma “Noite Estrelada”, de Van Gogh, em pop dançante e aposta em novo capítulo de sua carreira
Aos 21 anos, cantor e compositor de Campinas lança terceiro single de seu álbum, mistura pop, funk e referências do K-pop e assume diferentes etapas da criação do videoclipe Pedro Bustamante Há artistas que interpretam uma música. Há aqueles que participam de sua criação. E há quem queira transformar cada detalhe de uma obra em extensão da própria identidade. Aos 21 anos, Pedro Bustamante se coloca nessa terceira categoria. Cantor, compositor, performer e estudante de Música pela Unicamp, o artista nascido em Campinas, no interior de São Paulo, apresenta em 9 de setembro “Noite Estrelada”, terceiro single do álbum que vem construindo de forma independente. No dia seguinte, 10 de setembro, a faixa ganha um videoclipe que traduz para a linguagem do pop uma das pinturas mais reconhecidas da história da arte: A Noite Estrelada, de Vincent van Gogh. A referência não aparece apenas como conceito visual. Pedro levou a obra para a própria estrutura da performance, criando uma atmosfera noturna, vibrante e coreografada, em que dança, iluminação, moda e efeitos cênicos se encontram. A proposta é transformar a sensação de movimento presente na pintura em um videoclipe pensado para uma geração acostumada a consumir música também pelo impacto da imagem. “Eu queria que o videoclipe fosse uma releitura moderna do quadro. Pensei na coreografia como uma espécie de reprodução da pintura em movimento, como se cada dançarino fosse a cidade sendo iluminada. A música é dançante, então eu precisava que a imagem tivesse essa mesma energia, com movimento, cor e liberdade”, conta Pedro. O resultado é uma produção de pegada pop e dançante, com elementos de funk pop, refrão pensado para permanecer na cabeça e uma coreografia de fácil reprodução. A intenção é fazer com que “Noite Estrelada” não seja apenas ouvida, mas também dançada. A faixa chega mirando especialmente a Geração Z, público que Pedro conhece bem não apenas como artista, mas como criador inserido em uma cultura em que música, dança, moda e audiovisual deixaram de ser universos separados. Do quadro de Van Gogh para a pista de dança A escolha de Van Gogh pode parecer inusitada para uma música pop. Para Pedro, porém, existe uma conexão direta entre a pintura e a maneira como ele enxerga a própria música. A Noite Estrelada é marcada por movimento, contraste e intensidade. No videoclipe, esses elementos são reinterpretados por meio da coreografia, da iluminação e da presença de um grande elenco de dançarinos. O artista participou diretamente da construção da coreografia ao lado de Gaaby Mendes e Marcus Mariano, transformando a referência artística em uma performance coletiva. A produção também incorpora fogos de artifício e uma estética noturna que reforça a ideia de espetáculo. A direção é assinada por Pedro Bustamante, Kawan Lima, Gaaby Mendes e Jhonatan Komatsu, com edição de Kawan Lima, Pedro e Gaaby. O figurino segue a mesma lógica de construção visual. Todas as peças foram pensadas para o projeto pelo estilista campineiro Maurício Mazzon, conectando a produção à cidade onde Pedro nasceu e desenvolve sua trajetória artística. “Eu queria que tudo conversasse. Não era simplesmente colocar uma referência à Noite Estrelada e fazer uma música pop. A ideia era construir um universo em que a música, a coreografia, o figurino, a iluminação e os dançarinos contassem a mesma história”, explica o cantor. Um artista que quer estar por trás de tudo A dimensão autoral do projeto também está no processo. Pedro não ocupa apenas o centro da câmera. Ele participa de diferentes etapas da construção de sua obra, da música ao audiovisual. A postura é coerente com uma trajetória que começou cedo. Aos seis anos, iniciou os estudos de piano. Aos 12, passou a cantar e, posteriormente, desenvolveu também o interesse pela composição. Filho de pai mexicano e músico, que atuava como baterista, cresceu próximo ao ambiente musical e transformou essa convivência em caminho profissional. Hoje, no terceiro ano da graduação em Música na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro concilia a formação acadêmica com seus projetos autorais. Antes de “Noite Estrelada”, lançou “Superstar”, em 2024, e “Meia-Noite”, em 2025, trabalhos que vêm ajudando a delinear sua identidade artística. Para o novo single, essa participação criativa chega também ao videoclipe. Além de integrar a direção e a edição, Pedro esteve envolvido na criação da coreografia e na concepção do projeto. “Eu gosto de entender e fazer parte de todas as partes do processo porque cada escolha muda o resultado final. Quando estou compondo, já imagino a performance. Quando penso na música, também penso no que quero que as pessoas sintam quando assistirem ao clipe. Para mim, não existe uma divisão tão grande entre cantar, dançar, produzir e criar a imagem”, afirma. Entre Anitta, Miley Cyrus, Ariana Grande e o K-pop Musicalmente, Pedro constrói seu repertório a partir de referências que transitam por diferentes vertentes do pop. Miley Cyrus, Anitta e Ariana Grande estão entre as artistas que fazem parte de seu universo de referências, ao lado da estética e da força performática do K-pop. Essa combinação ajuda a explicar a proposta de “Noite Estrelada”: uma faixa de forte apelo visual, construída para a performance e acompanhada por uma coreografia que pode ganhar vida também fora do videoclipe. Para Pedro, música e imagem fazem parte de uma mesma construção artística. Em vez de tratar o videoclipe apenas como divulgação de uma faixa, o cantor aposta na criação de um universo em torno de cada lançamento, aproximando som, dança, figurino e narrativa. O novo príncipe do pop brasileiro? Aos 21 anos, Pedro Bustamante ainda está no início de sua trajetória, mas “Noite Estrelada” revela um artista interessado em ocupar um espaço que exige mais do que uma boa voz. O projeto combina música, dança, moda, direção e narrativa visual em uma tentativa de apresentar não apenas uma faixa, mas um universo. É também o terceiro movimento de um álbum que vai sendo revelado aos poucos, permitindo que o público acompanhe a construção de sua identidade. Se a intenção é conquistar a Geração Z, Pedro parece entender que o desafio não está apenas em lançar uma música. É preciso criar um momento. E “Noite Estrelada” nasce justamente dessa ideia: transformar uma referência que atravessou mais de um século em uma experiência pop contemporânea, dançante e visualmente grandiosa. No céu de Van Gogh, as estrelas parecem se mover. No universo de Pedro Bustamante, elas agora também dançam. Ficha técnica Gravação do videoclipe: Condomínio Aeronáutico Santos Dumont, 21/06/2026 Música: Pedro Bustamante Mixagem e masterização: Beatwill Produção executiva: Marco Rodriguez Direção: Pedro Bustamante, Kawan Lima, Gaaby Mendes e Jhonatan Komatsu Edição: Kawan Lima, Pedro Bustamante e Gaaby Mendes Coreografia: Gaaby Mendes e Marcus Mariano Dançarinos: Alícia Connagin, Danilo Tomazio, Gaaby Mendes, Gabriel Mascarenhas, Gustavo Oliveira, Jeff Silva, Jhonatan Komatsu, João Pedro Alves, Kat Silva, Leticia Jesus, Marcus Mariano, Martin Asaf, Mayara Miquelotto, Mikaella Cristina, Sofia Crespo, Victor Montoya e Yasmin Miquelotto. Maquiagem: Edson Barreto Figurino: Maurício Mazzon Iluminação e som: DJ Phillip Festas & Eventos Gravação e produção audiovisual: Lima Produções Fotografia: Larissa Lima Geradores: Scali Geradores Tendas: Camp Tendas Transporte: R. Silva Locadora Show pirotécnico: LM Gatti – Grupo Flames Mídias sociais: Isabela Simião, Amarylliz Fukuoka e Alandra Almeida Locação: Condomínio Aeronáutico Santos Dumont LINK DO VIDEOCLIPE:
- EWI Global Awards reúne empresários e lideranças brasileiras em cerimônia no histórico Château de Chillon, na Suíça
Premiação internacional idealizada pela empresária brasileira Natália Mondelli reconheceu trajetórias de impacto, empreendedorismo e liderança em uma noite de gala às margens do Lago Léman Natália Mondelli - Photos by: RAMYNGLY - Movies and Photography Suíça, setembro de 2026 — O histórico Château de Chillon, um dos monumentos mais emblemáticos da Suíça, recebeu, no dia 5 de setembro, a segunda edição do EWI Global Awards, premiação internacional que reconhece empresários, líderes e personalidades cujas trajetórias se destacam pela geração de resultados, inovação, impacto e contribuição para a sociedade. Natália Mondelli O EWI Global Awards é idealizado e produzido pela empresária brasileira Natália Mondelli, radicada na Suíça. Para Mondelli, levar empresários brasileiros a um espaço como o Château de Chillon também tem um significado simbólico. “Existem muitas pessoas construindo empresas, gerando empregos, transformando mercados e impactando vidas. Muitas dessas histórias merecem atravessar fronteiras. O EWI Global Awards nasceu também desse desejo: reconhecer resultados e colocar trajetórias de excelência em um palco internacional”, afirma. Uma premiação com propósito social Além do reconhecimento empresarial e institucional, o EWI Global Awards está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido pelo Empowering Women for Integration (EWI), organização fundada na Suíça em 2021, com atuação voltada à integração e ao desenvolvimento de mulheres imigrantes e refugiadas por meio do empreendedorismo, educação, capacitação e construção de redes. Ao longo de sua trajetória, o EWI desenvolveu projetos, eventos e iniciativas de integração e empreendedorismo em parceria com profissionais, empresas e organizações na Suíça. Simon Loop And Jose Planta A realização do Global Awards integra essa visão de unir o universo empresarial ao impacto social, utilizando conexões, conhecimento, visibilidade e recursos para ampliar o alcance das iniciativas desenvolvidas pela organização. “Eu acredito que reconhecimento só faz sentido quando ele também gera movimento. O prêmio celebra quem construiu resultados, mas existe algo maior por trás dele. Quando conseguimos transformar influência, negócios e conexões em oportunidades para outras pessoas, criamos um ciclo muito mais poderoso”, explica Mondelli. Maria Willi And Alexander Willi Do Brasil para o mundo O EWI Global Awards evidencia a força e a representatividade do empresariado brasileiro em um cenário internacional. Reunidos na Suíça, empresários, fundadores e lideranças de diferentes setores representaram negócios que, somados, alcançam faturamentos bilionários, geram milhares de empregos e exercem influência direta no desenvolvimento de seus mercados. Andréia Fioravante And Natália Mondelli O evento coloca no mesmo palco pessoas que construíram empresas sólidas, marcas reconhecidas e operações que atravessam fronteiras. São empresários que transformaram visão em resultado, assumiram riscos, abriram mercados e hoje representam uma parcela relevante da força econômica e empreendedora brasileira. Natália Mondelli Realizar esse encontro na Suíça reforça justamente essa mensagem: o empreendedorismo brasileiro tem dimensão, competência e força para ocupar os grandes palcos internacionais. O EWI Global Awards nasce também como um espaço de reconhecimento e projeção dessa representatividade, conectando empresários que efetivamente movimentam a economia e constroem legados. O Château de Chillon, às margens do Lago Léman, foi o cenário escolhido para esse encontro. Em um castelo com séculos de história, empresários responsáveis pela construção de negócios de grande relevância econômica foram reconhecidos não apenas pelo que conquistaram individualmente, mas pela dimensão do que representam: capital, empregos, inovação, influência e capacidade de transformar mercados e sociedades. Sobre Natália Mondelli Brasileira radicada na Suíça, Natália Mondelli é empresária, autora, palestrante e especialista em internacionalização e conexões de negócios. É fundadora da B-Long Business School, da Global Ventures Alliance e do Empowering Women for Integration (EWI), além de atuar na construção de pontes entre empresários brasileiros e o ecossistema internacional. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos relacionados a empreendedorismo, educação executiva, integração e expansão internacional, conectando profissionais, empresários e instituições entre Brasil, Suíça e outros mercados. É também autora do livro O Mundo é Seu. Negócio Fechado!, no qual aborda negócios, relações interculturais e a construção de conexões através de suas experiências negociando com 65 países. Próxima edição do EWI Global Awards 4 de setembro de 2027 Château de Chillon — Suíça
- Leticia Bradshaw Ledger cria Bradshaw Group e reúne negócios em tecnologia, hotelaria e moda
Nova holding concentra a DB Creative, o Bradshaw Lodge e a estrutura ligada à carreira da brasileira na moda e no ambiente digital Photos by Diogo Barbosa Leticia Bradshaw Ledger criou a Bradshaw Group, holding que passa a reunir três frentes de sua atuação profissional: marketing e tecnologia, hotelaria e moda. A nova estrutura concentra negócios que, até então, apareciam de forma independente em sua trajetória. Entre eles está a DB Creative, empresa de marketing, tecnologia e inteligência artificial da qual Leticia é CEO e sócia. Na área de hospitalidade, o grupo reúne o Bradshaw Lodge, operação voltada ao setor de hotelaria. A terceira frente está ligada à própria carreira de Leticia, incluindo sua atuação como modelo e a gestão de sua presença no ambiente digital. Conhecida publicamente sobretudo pela moda, Leticia mantém uma relação mais reservada com as redes sociais. Seu Instagram é atualizado de forma seletiva, com publicações voltadas principalmente a moda, viagens e momentos específicos, em uma construção mais próxima de um portfólio editorial do que de um registro cotidiano. Essa presença pública convive, há alguns anos, com uma atuação empresarial menos exposta. A criação da Bradshaw Group torna mais visível uma vertente profissional que, até então, permanecia em segundo plano em relação à moda. Com a nova holding, tecnologia e hospitalidade passam a ocupar espaço definido em uma trajetória pública ainda fortemente associada à imagem e ao universo fashion.
- NATHALY BRANDÃO: O Rosto Como Um Todo
"BUSINESS" EDITION COVER - SEPTEMBER 2026 ISSUE Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio Nathaly Brandão não chegou ao rejuvenescimento facial a partir da vontade de transformar rostos. O que foi se transformando, ao longo dos anos, foi a maneira como ela passou a enxergá-los. No consultório, a mesma situação começou a se repetir. Mulheres chegavam apontando para uma região específica do rosto, certas de que ali estava o problema. Uma olheira mais marcada, o bigode chinês, a perda de contorno. Mas, ao observar o rosto inteiro, percebia que aquela queixa muitas vezes era apenas a parte mais evidente de uma mudança que começava em outro lugar. Foi dessa observação, acumulada ao longo dos atendimentos, que nasceu uma pergunta que acabou mudando sua maneira de trabalhar: e se o rosto não pudesse ser tratado por partes? A resposta foi construída com estudo, prática e experiência. Aos poucos, ficou claro que um rejuvenescimento bem conduzido exigia olhar para estrutura, sustentação, proporção, movimento e, principalmente, para aquilo que fazia parte da identidade de cada mulher. Desse olhar nasceu o Método Visage. Hoje, à frente de uma clínica especializada em rejuvenescimento facial em Sorocaba, seu trabalho é especialmente direcionado a mulheres acima dos 40 anos que percebem as mudanças provocadas pelo envelhecimento, mas não querem perder as próprias características. Para muitas delas, o desejo não é voltar a ter o rosto de outra época, mas fazer com que o espelho represente melhor quem continuam sendo. É uma diferença que muda a forma de pensar o tratamento. Em vez de partir de uma região isolada, o rosto é compreendido como um todo, avaliando o que realmente precisa ser tratado e também o que não precisa. A clínica cresceu junto com essa visão. Hoje, a biomédica esteta também ocupa o lugar de empresária e líder, em uma fase de expansão que envolve novas estruturas, equipe e uma clínica maior. Ao seu lado está o marido, Matheus, que deixou o antigo trabalho para assumir a gestão do negócio, transformando parte desse crescimento em um projeto familiar. A família ocupa um lugar importante nessa construção. Mãe de Guilherme e Henrique, precisou conciliar maternidade, casamento, atendimento, estudo e gestão sem babá e sem uma grande rede de apoio. Reorganizar a agenda para ampliar sua presença na vida dos filhos tornou-se uma das conquistas mais significativas dessa fase. Também foi preciso aprender a dividir responsabilidades. A Dra. Paula Toratti, que trabalha ao seu lado há mais de cinco anos, tornou-se parte importante da equipe e da jornada das pacientes, permitindo que a clínica crescesse sem perder a proximidade que sempre esteve presente em seu trabalho. A experiência acumulada ao longo dessa trajetória também passou a ser compartilhada com outros profissionais por meio da Mentoria Método Visage. Voltada a profissionais que já possuem experiência na área, a formação reúne raciocínio clínico, condução da consulta, experiência da paciente, gestão e posicionamento. Os participantes são selecionados, uma escolha que reflete o desejo de preservar a essência do método mesmo em sua expansão. Entre clínica, mentoria e novos projetos, o momento é de crescimento profissional e empresarial. Reconhecimentos empresariais e convites para encontros com grandes profissionais da harmonização facial no Brasil marcaram esse caminho, enquanto a nova clínica representa o próximo passo de uma construção que vem sendo feita há anos. Existe ainda uma dimensão pessoal nesse momento. Com os 40 se aproximando, ela também começa a experimentar algumas das mudanças que acompanha diariamente em suas pacientes. Revê a própria imagem, pensa sobre como quer envelhecer e entende de outra maneira mulheres que chegam ao consultório querendo apenas voltar a se reconhecer. Talvez seja justamente aí que esteja a essência do seu trabalho. Não em apagar o tempo ou criar outro rosto, mas em preservar a identidade de uma mulher enquanto ela cuida da própria imagem. Depois de anos dedicados a compreender o que o tempo transforma em um rosto, chega a uma nova fase levando consigo um método próprio, uma clínica em expansão e uma forma particular de olhar para o envelhecimento. A capa da Hooks Magazine chega em um momento simbólico dessa trajetória. Representa tudo o que foi construído até aqui, mas também a abertura de um novo ciclo para a clínica, o Método Visage e para ela como mulher, mãe, profissional, professora e empresária. Você construiu sua carreira em um momento em que a estética facial era muito orientada pela correção de partes do rosto: uma ruga, um sulco, uma perda de volume. Com o tempo, seu trabalho começou a seguir outro caminho, muito mais voltado para entender o rosto como um todo. Você se lembra de quando percebeu que já não queria simplesmente corrigir aquilo que incomodava uma paciente, mas entender por que aquilo estava acontecendo? O que mudou no seu olhar a partir dali? Eu não consigo apontar um único dia em que essa percepção aconteceu. Foi algo que começou a se repetir diante de mim no consultório. A paciente apontava para o bigode chinês, para a olheira ou para a linha de marionete, mas, quando eu observava o rosto inteiro, percebia que aquela região era apenas o lugar onde o envelhecimento estava aparecendo com mais força. Nem sempre era onde o problema havia começado. Eu poderia tratar exatamente o ponto indicado por ela e, ainda assim, não devolver a leveza que ela procurava. Em alguns casos, insistir naquela região poderia até pesar o rosto. Foi então que entendi que eu precisava deixar de enxergar partes e começar a compreender todo o conjunto facial. O rosto não envelhece em compartimentos isolados. Ele perde estrutura, sustentação, contorno e equilíbrio de forma integrada. A partir daí, minha consulta mudou completamente. Antes de pensar em qualquer procedimento, passei a observar como aquele rosto se organizava, o que o tempo havia modificado e o que ainda precisava ser preservado. A pergunta deixou de ser “onde devo preencher?” e passou a ser “o que faz esta mulher parecer mais cansada ou mais envelhecida do que ela se sente?”. Foi nesse momento que comecei a desenvolver o olhar que mais tarde daria origem ao Método Visage. Um olhar que não busca apagar a história de um rosto, mas devolver aquilo que o envelhecimento retirou, preservando identidade, expressão e naturalidade. Existe uma diferença entre saber fazer um procedimento e saber ler um rosto. E a impressão é que esse segundo aprendizado acontece muito mais diante das pacientes do que dentro de uma sala de aula. Depois de tantos anos de consultório, o que as mulheres ensinaram a você sobre envelhecer que nenhum curso teria conseguido ensinar? Os cursos me ensinaram anatomia, técnica, segurança e possibilidades de tratamento. Mas foram as pacientes que me ensinaram o significado emocional de um rosto. Elas me mostraram que envelhecer não é apenas perceber uma ruga. Muitas vezes, é olhar para o espelho e sentir que a imagem refletida já não representa a mulher que existe por dentro. É ouvir constantemente que parece cansada, mesmo estando bem. É evitar uma fotografia, procurar sempre o melhor ângulo ou perceber que perdeu uma expressão de leveza que fazia parte de quem era. Também aprendi que a maioria das mulheres maduras não quer voltar a ter o rosto dos 20 anos. Elas não querem se transformar em outra pessoa. Querem continuar reconhecendo seus traços, mas com uma aparência mais descansada, cuidada, elegante e coerente com a vitalidade que ainda possuem. As pacientes também me ensinaram que naturalidade não significa necessariamente fazer pouco. Significa fazer o que é necessário, na medida certa e nos lugares certos. Às vezes, um tratamento muito pontual não entrega naturalidade, porque não respeita o conjunto. Um plano mais completo e bem distribuído pode parecer muito mais sutil do que várias pequenas intervenções desconectadas. Nenhuma sala de aula conseguiria me ensinar completamente o que existe por trás da frase “eu não estou me reconhecendo”. Isso eu aprendi escutando mulheres. E foi essa escuta que transformou não apenas a minha técnica, mas a forma como eu exerço minha profissão. O Método Visage parte de uma ideia que muda completamente a lógica do atendimento: muitas vezes, o que a paciente quer tratar não é a origem do que está incomodando. Isso exige conhecimento, mas também coragem para contrariar uma expectativa. Quando você entendeu que seu trabalho não era entregar o procedimento pedido, e sim ajudar a paciente a entender o que aquele rosto realmente precisava? Eu entendi isso quando percebi que executar corretamente um procedimento não era suficiente se a indicação não fosse a melhor para aquele rosto. Existe uma diferença muito grande entre atender a um pedido e assumir a responsabilidade por um resultado. Quando uma paciente me procura, ela sabe o que a incomoda, mas não tem a obrigação de conhecer a anatomia, as causas do envelhecimento ou as limitações de cada procedimento. Essa responsabilidade é minha. Isso significa que, em alguns momentos, preciso dizer que o procedimento solicitado não é o mais indicado. Preciso explicar que tratar somente aquela região pode não resolver a queixa ou até deixar o rosto mais pesado. Em outros casos, preciso dizer que ela não necessita de algo que imaginava precisar. É claro que contrariar uma expectativa pode ser desconfortável. Seria mais simples apenas entregar o procedimento pedido. Mas eu não quero que a paciente saia da clínica tendo feito alguma coisa. Quero que ela tenha a segurança de que existe uma estratégia para o rosto dela para que o melhor resultado seja entregue. Por isso, a consulta se tornou uma das etapas mais importantes do Método Visage. É quando eu escuto a mulher, observo seu rosto e traduzo para ela o que está acontecendo. Muitas pacientes dizem que nunca haviam recebido uma explicação tão completa sobre a própria face. Para mim, esse é um momento muito valioso, porque ela deixa de escolher procedimentos isolados e passa a compreender o próprio processo de envelhecimento. Meu trabalho não é convencer uma mulher a fazer mais. É ajudá-la a fazer melhor. E, algumas vezes, isso também significa ter maturidade para fazer menos ou não fazer. Por muito tempo, esse olhar existia só nas suas mãos. Hoje, ele precisa existir também nas mãos de outras profissionais. Como você ensina um olhar sem transformá-lo apenas em uma técnica? E, enquanto o Método Visage cresce, o que você não abre mão de preservar? Esse talvez seja um dos maiores desafios da minha trajetória. Uma técnica pode ser demonstrada, repetida e treinada. Um olhar exige repertório, observação, raciocínio clínico e sensibilidade. Para ensinar o Método Visage, eu não posso mostrar apenas onde ou como realizar determinado procedimento. Preciso ensinar a profissional a compreender por que está fazendo aquilo, qual problema está tentando resolver, o que precisa preservar e como cada decisão interfere no conjunto do rosto. Também ensino que a paciente não pode ser reduzida a uma imagem de antes e depois. Existe uma mulher com expectativas, medos, referências e uma história com a própria aparência. Saber escutá-la faz parte do método tanto quanto saber tratar. Foi justamente por isso que comecei a formar profissionais dentro da clínica e também criei a Mentoria Método Visage, voltada para quem já possui experiência na área. A mentoria não envolve apenas técnica. Trabalhamos raciocínio clínico, condução da consulta, experiência da paciente, posicionamento e acompanhamento. Quero formar profissionais que pensem, e não apenas profissionais que replicam. Enquanto o Método Visage cresce, não abro mão da individualidade, da naturalidade e da honestidade na indicação. Não quero que ele se torne uma fórmula aplicada da mesma maneira em todos os rostos. O método precisa crescer sem perder a sensibilidade que o originou. Também não abro mão da confiança. Cuidar do rosto de alguém é cuidar de algo diretamente ligado à identidade daquela pessoa. Para mim, expandir só faz sentido se essa responsabilidade continuar presente em cada atendimento. Você está se aproximando dos 40 anos acompanhando, todos os dias, mulheres que vivem exatamente essa fase da vida. Em que momento a biomédica esteta e a mulher começam a se encontrar diante do espelho? O que essa chegada aos 40 mudou na sua relação com a beleza, com o tempo e com a mulher que você quer continuar sendo? Elas começam a se encontrar quando aquilo que eu observo há anos nas minhas pacientes passa a aparecer, aos poucos, também no meu rosto. Ao me aproximar dos 40, eu começo a perceber mudanças que antes conhecia principalmente pela teoria e pelo consultório. E isso me traz ainda mais empatia. Eu entendo o estranhamento de olhar uma fotografia e notar algo diferente, mesmo quando continuamos nos sentindo jovens, ativas e cheias de planos. Essa fase também amadureceu minha relação com a beleza. Hoje, beleza, para mim, tem menos relação com perfeição e muito mais com presença, identidade e coerência. Eu não quero congelar o tempo, nem parecer ter uma idade que não tenho. Quero envelhecer me reconhecendo, preservando minha feminilidade, minha expressão e o prazer de me cuidar. Também passei a enxergar o autocuidado com menos culpa. Uma mulher pode ser madura, mãe, profissional, esposa e ainda desejar se sentir bonita. Isso não diminui sua profundidade. Cuidar da aparência não precisa representar medo de envelhecer. Pode representar respeito pela mulher que ela se tornou. A biomédica esteta me ajuda a compreender o processo. A mulher me ajuda a não esquecer o que ele significa emocionalmente. Quando essas duas se encontram, meu olhar se torna mais humano. Eu não avalio apenas o que mudou em um rosto. Eu penso em como aquela mulher deseja atravessar o tempo e em quem ela quer continuar reconhecendo no espelho. Quero terminar saindo da estética por um instante. Depois de tudo o que você viveu, estudou e construiu, existe alguma ideia que se tornou inegociável para você? Algo que gostaria que uma mulher levasse consigo depois de ouvir esta conversa? Existe uma ideia que se tornou inegociável para mim: uma mulher não precisa escolher entre aceitar o tempo e continuar se cuidando. Durante muito tempo, pareceu que existiam apenas dois caminhos. Ou ela lutava contra qualquer sinal de envelhecimento, tentando parecer outra pessoa, ou precisava aceitar todas as mudanças em silêncio para provar que era segura e madura. Eu não acredito em nenhum desses extremos. É possível respeitar a própria história e, ao mesmo tempo, desejar se sentir mais bonita. É possível envelhecer sem se abandonar. É possível realizar tratamentos sem apagar a identidade. E é possível olhar para o espelho com mais carinho, sem transformar a beleza em uma obrigação. Se eu pudesse deixar uma mensagem para cada mulher, seria esta: o tempo não retira seu direito de se sentir bonita, feminina, interessante e viva. Você não precisa voltar a ser quem era aos 20 anos. Mas também não precisa abrir mão de reconhecer e cuidar da mulher que se tornou. É isso que procuro entregar no meu trabalho. Não a promessa de interromper o envelhecimento, mas a possibilidade de atravessá-lo com mais consciência, elegância e liberdade.
- ONCE UPON A DREAM - Maria Constanza & Luckas: Uma História de Amor em Três Atos
'BRIDES' COVER EDITION - AUGUST 2026 ISSUE Allison e Bia - @amorenosfotografia Uma noiva na porta de uma igreja ainda é capaz de fazer Maria parar. Não importa quantas ela já tenha visto. Quantas maquiou. Quantos vestidos ajudou a ajustar, quantos buquês viu chegar ou quantas vezes esteve ao lado de uma mulher nos minutos que antecedem a entrada. Se uma noiva cruza o caminho dela, Maria olha. Talvez seja por isso que essa história tenha começado tão cedo. Maria cresceu em um resort onde os casamentos faziam parte da paisagem. Ainda menina, observava de longe as noivas, os vestidos e as celebrações, enquanto a imaginação completava tudo o que ela não conseguia ver. Foi ali que nasceu um encantamento que, anos mais tarde, encontraria um caminho profissional. Durante muito tempo, Maria esteve ao lado de outras mulheres justamente quando elas estavam prestes a entrar em uma nova fase da vida. Conheceu de perto a ansiedade, a expectativa, os pequenos imprevistos e aquele momento tão particular em que uma mulher finalmente se vê pronta. Até que chegou a vez dela. E foi curioso descobrir que, depois de tantos anos vivendo o universo dos casamentos, o próprio casamento colocaria Maria em um lugar completamente diferente. Dessa vez, não havia outra noiva para observar. Havia ela, havia Luckas e havia uma história que os dois já vinham construindo muito antes daquele dia. A celebração foi ganhando forma a partir da vida que compartilhavam. A arte, o teatro, os musicais, as famílias, as raízes argentinas, os amigos e a maneira como gostam de receber as pessoas em casa apareceram naturalmente. Nada precisava ser escolhido apenas porque era bonito. Precisava fazer sentido para os dois. E talvez seja justamente isso que torna uma festa tão pessoal. Você olha ao redor e começa a reconhecer as pessoas que estão ali, as histórias que elas carregam e pequenas coisas que, para qualquer outra pessoa, poderiam parecer apenas detalhes. No casamento de Maria e Luckas, havia muitos deles. Alguns eram evidentes. Outros só seriam percebidos por quem conhecia os dois. Mas todos ajudavam a contar um pouco daquela história. Para Maria, havia ainda algo especialmente simbólico em viver aquele dia. A menina que passava a infância observando casamentos. A profissional que aprendeu a cuidar de outras noivas. A mulher que, durante tantos anos, imaginou como seria o próprio casamento. E, agora, alguém ao seu lado com quem dividir tudo aquilo que antes existia apenas na imaginação. Dessa vez, ela não precisava imaginar. Quando desceu para encontrar a decoração, recebeu o buquê e finalmente se viu pronta, Maria entendeu que aquele momento que tantas vezes havia observado de fora tinha chegado para ela. E talvez seja por isso que uma noiva ainda consiga fazê-la parar. Porque, por alguns segundos, Maria talvez volte a ser aquela menina no resort, olhando de longe para uma mulher vestida de branco e imaginando tudo o que poderia existir dentro daquela história. Só que agora ela conhece a resposta. Ela viveu a própria. E, ao lado de Luckas, começou a viver a deles. Antes de ser maquiadora de noivas e psicóloga, você já era uma menina apaixonada pelo universo dos casamentos. Morando em um resort, observava de longe as noivas, os vestidos e as celebrações e, em algum momento, decidiu que queria trabalhar com aquilo. O que havia nesses casamentos que prendia tanto a sua atenção e fazia a sua imaginação ir tão longe? Eu lembro muito bem dela, por ser quem decidiu que algum dia trabalharia com casamentos. Como convidada, fui a pouquíssimos casamentos na vida, normalmente estou lá como fornecedora, mesmo nos que sou convidada para ficar. Por causa disso, acredito que criei uma fantasia na cabeça de "como poderia ser", então todos os casamentos que eu via de longe permitiam que a minha imaginação florescesse e imaginasse grandes cenários, promessas de amor e beleza sem igual. Crescer com essa ideia me fez sonhar alto com o meu casamento, eu queria proporcionar um dia inesquecível, tanto para mim quanto para os meus convidados, do jeito que eu sempre acreditei que seria. Além disso, sempre senti que não existia algo tão angelical e perfeito quanto uma noiva. Até hoje, quando ando na rua e vejo uma noiva na frente de uma igreja, preciso parar e observar, não existe nada mais perfeito no mundo do que uma noiva pronta, com buquê na mão e sorriso no rosto. Nem parece que vejo uma todo fim de semana, né? Acredito que essa é a graça da vida, deixar se surpreender com a magia dela constantemente. E então existe a história de vocês dois. Você conta que soube que Luckas seria seu marido logo no segundo encontro, em uma cena bastante particular na Praça da Espanha. O que aconteceu naquele dia e o que fez você ter essa certeza tão cedo? Eu soube que o Luckas seria o meu marido já no nosso segundo encontro. Veja bem, eu sempre fui uma pessoa muito reservada nos assuntos amorosos. Gosto de brincar que o Luckas foi o segundo homem que beijei na vida e que espero ser o último! Por isso, demorei alguns meses para aceitar um encontro, porque eu precisava ter a certeza de que ele era uma boa pessoa, que tinha intenções dignas e que poderíamos ser bons amigos, nunca na vida tive interesse em algo casual. Neste encontro que mencionei, na Praça da Espanha, o Luckas teve um ato de cavalheirismo e consideração comigo, uma pessoa que ele mal conhecia (mas, pelo visto, me leu inteira), que me fez desistir completamente das resistências que tinha até então. Para não deixar vocês curiosas, foi o seguinte: eu estava apavorada com a ideia de ele querer me beijar. APAVORADA. Quando precisamos esperar na Praça até o restaurante nos chamar para a nossa mesa, eu ia em direção a um dos bancos pensando o seguinte: "esse menino vai querer sentar do meu lado, me beijar e eu não quero. Se ele encostar em mim eu vou levantar e sair, onde se viu tamanha baixaria..." e, no meio do meu monólogo comigo mesma, o Luckas escolheu se sentar logo no banco da minha frente, e passa os próximos 30 minutos de espera apenas conversando comigo e me conhecendo. Me apaixonei pelo Luckas naquele instante, quando ele não me quis. Naquele momento, algo tão forte tocou o meu peito, arrepiou o meu corpo, que eu senti uma certa intuição. A sensação era de que passei 19 anos à espera desse dia, como se já estivesse escrito nas estrelas. Desde então, nunca parei de amar o Luckas, e hoje ele já não precisa mais sentar no banco à minha frente. Inclusive, eu quero é mesmo que ele sente do meu lado, até envelhecermos, no mesmo banco daquela praça. Você passou anos acompanhando casamentos de outras pessoas. No seu, houve um momento em que você recebeu o buquê, olhou para a decoração e percebeu que aquela história também era sua. Você lembra quando sentiu que aquele casamento deixou de ser apenas o casamento de uma noiva e virou o seu casamento? Quando chegou o meu momento de sentar na cadeira, eu ainda estava com aquela sensação de "correria" normal da manhã do casamento. Acordar, tomar café, se vestir, checar tudo 3 vezes para confirmar que não esqueci nada, deixar algumas caixas com a decoração, assessoria, colocar o robe.... Mas, quando finalmente me vesti, desci ao salão para ver a minha decoração e receber o meu buquê, senti que era finalmente a minha vez. Já vi milhares de decorações, uma mais linda que a outra, com os arranjos mais espetaculares que possam imaginar, mas sempre com a cara de outras mulheres. Ao ver toda aquela teatralidade, drama, aconchego e atenção aos detalhes, vi eu e o meu marido. Se eu pudesse, teria essa decoração exata na minha casa. O meu buquê foi algo desenhado e idealizado por mim, mas não sabia se a minha decoradora conseguiria executá-lo de forma que ficasse funcional para carregar. Logo eu, que li tantas histórias de amor na minha vida, levaria o meu próprio romance ao altar, escrito por nós dois, começando pelo primeiro capítulo nesse dia. A partir desse momento, uma sensação estranha e nova invadiu todo o meu corpo, eu estava extasiada, feliz e radiante por viver o meu casamento. A redoma, as cortinas vermelhas, os lustres, os castiçais e os livros deram uma identidade muito forte ao casamento de vocês. Mas existia um desejo ainda mais importante: fazer cada convidado se sentir acolhido, como acontece quando alguém entra na casa de vocês. Como essa forma de receber as pessoas foi parar dentro do casamento? Algo que é importante demais para nós no nosso dia a dia é receber as pessoas. Aqui, ninguém é recebido na informalidade. Preparo a mesa posta, passo de um a dois dias na cozinha para receber nossos convidados com comida caseira, sempre pergunto se tem alguma preferência, alergia ou restrição alimentar. Luckas prepara o ambiente com velas ou incenso, e escolhe a playlist perfeita para o momento. Além disso, somos dois atores amadores e fãs da arte. Pensamos muito em um dia separado por "atos", como em uma peça de teatro. Ou seja, por que não incluirmos as típicas cortinas vermelhas ao nosso cenário também? A minha assessora, com toda a sua genialidade, teve a ideia de usarmos lustres e castiçais no chão, como referência ao primeiro musical que vi em palco, O Fantasma da Ópera. Não é mistério algum que a Broadway é a minha razão de viver, então foi muito detalhista da parte dela ter pensado em algum elemento de musical/teatro para incorporar na decoração. Pensamos também em pequenos detalhes para que cada convidado e fornecedor se sentisse amado e esperado, tivemos muitas traduções ao espanhol, incluímos tradições culturais argentinas, papelaria personalizada com os nomes de cada um, recepcionamos com um abraço cada convidado ao entrar no espaço, oferecemos opções no cardápio para todos, incluindo os que tinham maiores restrições alimentares... enfim. Queríamos que, ao jantarem, sentissem que estavam na sala da nossa casa, com meia-luz, música ambiente, muitas velas, e sabendo que cada um ali tem um papel importante nas nossas vidas. O melhor de tudo foi poder ter 3 dias de comemoração com a nossa cara. O primeiro, o casamento civil com café da manhã em um lugar que frequentamos muito com o Luckas, e com a minha família da Argentina presente. O segundo, o dia do casamento em si, e o terceiro, o jantar de despedida para a minha família com alguns amigos fornecedores que não puderam participar o dia anterior. Foram 3 dias sonhados, muito bem planejados e que cumpriram os seus objetivos: celebrar, amar e ser amados! O seu vestido parece guardar uma história inteira. Antes mesmo de ser maquiadora, você sonhava em criar vestidos de noiva e, no seu, colocou renda, bordados vermelhos, o seu gosto por cor e textura e até uma homenagem ao seu pai e às suas raízes argentinas. Quando você olha para esse vestido hoje, o que sente que ele conta sobre quem você é? Antes de ser maquiadora, eu já quis ter uma marca de vestidos de noiva, então este foi o elemento que recebeu mais atenção minha em comparação aos outros. Como vejo muitos vestidos constantemente, não queria usar algo que fosse ver de novo facilmente. Por isso, criei um com a Madah que fosse a minha cara, mas com o toque autêntico que sempre me acompanha. A fluidez da renda romântica, mas extravagante ao mesmo tempo pelo tamanho das flores, foi contrastada perfeitamente com o drama dos bordados vermelhos que acompanhariam a nossa decoração. Na minha vida pessoal, amo cor, estampa e textura, costumo brincar que se não tem algo "esquisito" no meu look, não me sinto completa. Dentro do vestido, o meu pai bordou uma bandeirinha da Argentina para que fosse o meu "algo azul", daquela tradição antiga. Quem aí já assistiu Noivas em Guerra e entende do que estou falando? O meu vestido foi perfeito, tão perfeito que eu não queria tirar. E se não fosse pelo clima, eu ainda teria usado após a cerimônia uma linda estola vermelha, feita somente para mim. Você trabalha em casamentos e está acostumada a cuidar de detalhes e de outras noivas. No seu casamento, conseguiu simplesmente viver o dia e confiar nas pessoas ao seu redor. O que tornou possível, naquele momento, deixar o controle de lado e simplesmente ser a noiva? Descobri que eu realmente sou uma excelente fornecedora de casamentos. Veja bem, eu sou extremamente precavida com absolutamente tudo, vivo em constante estado de alerta. Isso foi perceptível na minha escolha dos fornecedores. Trabalhar com casamentos e sempre estar atenta ao que a noiva pode precisar, me fez querer ter uma equipe inteira assim comigo para que eu pudesse apenas viver. Durante o dia, não precisei estar atenta, nem ansiosa, nem me preocupar, eu apenas confiei naqueles que estavam ao meu redor e vivi o momento presente. Talvez, se eu não fosse assim no meu trabalho, teria sido menos exigente na escolha, e provavelmente me geraria alguma dor de cabeça em algum momento, seja no dia ou nos meses anteriores. Depois do casamento, uma amiga até brincou comigo e me disse: "Eu tinha certeza que você ia estar surtada no dia, mas você estava super tranquila." Óbvio, escolhi quem trabalha como eu, eles nunca iriam permitir que eu me estressasse. E por isso, obrigada, amigos fornecedores!! Créditos Equipe: Wedding planner: @enfimcasadosporcrisassef Decoração: @sejaoqueflor_decoracoes Vestido: @madah.atelier Terno: @madah.forman Local: @espaconamata Acessorios: @tantannoivas Papelaria: @chuvadepapel Fotografia: @amorenosfotografia Video: @papelecanetafilmes Musica cerimônia: @partitamusical Doces: @dierica.atelierdedoces Storymaker: @altare_ Cafe: @hi_coffee_ Sapato da noiva: @chibinski.cbk Mesa posta: @violettelocacoes DJ: @djfernandotoledo Penteado da Noiva: @jessicallovethair Maquiagem da Noiva: @mariaconstanzanoivas Totem de fotos: @moments.cwb Mobiliario: @locadeira_ Coreografia dos noivos: @dancecomacami Consultoria de moda: @elzasantos_consultoria Bar de Drinks do segundo dia: @betsycoquetelaria Buffet do segundo dia: @melogranoeventos Bolo do segundo dia: @doces_patisseriemimus Presentes para os fornecedores: @ateliercompoesia Fechamento em tecido: @dcore_fechamentos Trajens Florista e Pajem: @trajes_princessandprince Iluminação do salão: @uplux_decorluz Fondue Cacau Show: @csnoseueventoemcwb Aquarela ao vivo: @juliavieira.art Celebrante: @jsanchez.psi
- CAROL RIBEIRO: O LUXO DE NÃO CABER
'FASHION' EDITION COVER - AUGUST 2026 ISSUE Photos: @oitawan / Hairstylist: @brunocampos.hair / Make: @biaribeirobeautys / Advice: @betinhoalvesassessor / Studio: @paradise.cenastudio No dia em que completa 40 anos, Carol Ribeiro parece mais interessada no que ainda está por vir do que em fazer um inventário do que ficou para trás. Não há uma preocupação em transformar a idade em discurso. O momento parece ser outro: olhar para a própria trajetória com mais clareza e perceber que não existe uma única maneira de ser Carol. Sua história passa pela moda, comunicação, empreendedorismo e gestão. A espiritualidade ocupa um espaço importante em sua vida, assim como os cavalos, uma paixão que começou na infância. São mundos distintos que, nela, encontram um ponto em comum: identidade. Formada em Gestão de Moda, Carol tem na estética uma linguagem que conhece bem. Seu estilo transita entre o sofisticado e o western, o feminino e o forte, sem a necessidade de seguir uma única fórmula. Há repertório, mas também liberdade. Ela sabe o que gosta e não parece interessada em explicar cada escolha. Essa mesma segurança aparece no trabalho. Hoje, está à frente da empresa familiar no segmento da construção civil, onde lida com gestão, decisões e responsabilidades bastante diferentes das associadas ao universo da moda. Em paralelo, mantém seus projetos ligados à imagem, à comunicação e ao empreendedorismo. Não existe uma tentativa de fazer esses mundos parecerem iguais. Eles não são. O que os aproxima é a mulher que circula entre eles. Talvez esteja aí uma das questões mais interessantes de sua trajetória: por que uma mulher precisaria escolher uma única definição para ser levada a sério? Carol não parece disposta a fazer essa escolha. O mesmo vale para sua relação com a imagem. Depois de tantos anos entre moda, fotografia e comunicação, ela conhece o peso do olhar externo. Mas hoje existe uma diferença entre construir uma imagem para ser aceita e usá-la para expressar quem se é. Longe das câmeras, os cavalos ocupam outro lugar nessa história. A relação começou na infância e permaneceu ao longo dos anos. O universo equestre também encontrou espaço em sua estética, especialmente nas referências western, mas sua importância vai além da imagem. Há ali uma ligação com natureza, liberdade e uma parte de Carol que existe muito antes da fotografia. É justamente essa combinação que torna sua trajetória difícil de resumir. E talvez ela já não precise ser resumida. Uma mulher pode administrar uma empresa e continuar apaixonada por moda. Pode ser prática e intuitiva, sofisticada e livre, mudar de direção sem precisar apagar o caminho percorrido. Carol Ribeiro parece ter entendido que identidade não é escolher uma dessas partes. É poder viver todas elas. E talvez esse seja o verdadeiro luxo de não caber. Em que momento você percebeu que estava deixando de construir uma imagem para os outros e passando a se expressar de uma forma mais fiel a quem você é? Acho que essa percepção veio com a maturidade. Durante muito tempo, eu me preocupei com a forma como seria compreendida, com o que esperavam de mim e até com quais versões minhas seriam mais facilmente aceitas. Hoje, isso perdeu a importância. Aos 40, existe uma liberdade que custa alto, mas é muito bonita, em não precisar mais caber. Minha imagem continua sendo uma forma de comunicação. Eu amo moda, estética, fotografia, mas hoje ela parte de dentro para fora. Eu não me visto, não me posiciono e não construo uma imagem para convencer alguém sobre quem eu sou. Eu simplesmente me expresso. Talvez essa seja a grande diferença entre ser vista e se reconhecer: ser vista depende do olhar do outro; se reconhecer depende do nosso próprio olhar. 2. Você transita entre a moda, os negócios, a comunicação, a espiritualidade e o universo equestre com bastante naturalidade. Mas, durante muito tempo, talvez tenham esperado que você escolhesse apenas uma dessas versões. Quando você entendeu que não precisava escolher? Quando percebi que elas nunca foram versões diferentes. Todas são partes de mim. Eu posso estar à frente de uma empresa familiar no ramo da construção civil, tomar decisões e lidar com responsabilidades muito objetivas e, ao mesmo tempo, ser profundamente ligada à moda, à comunicação, à espiritualidade e aos cavalos. Uma coisa não anula a outra. Durante muito tempo, existiu essa ideia de que, para sermos levadas a sério, precisávamos escolher uma função e permanecer dentro dela. Eu não acredito nisso. Somos plurais. A moda é uma assinatura pessoal muito forte para mim, os negócios fazem parte da minha formação como mulher e profissional, a comunicação me permite criar pontes, a espiritualidade me dá direção e o universo equestre me conecta a algo que amo desde a infância. Eu não preciso escolher entre essas mulheres porque todas elas sou eu. Para uma mulher que trabalha com imagem, a beleza pode abrir portas, mas também pode trazer expectativas. O que mudou na sua relação com a própria aparência ao longo dos anos? E o que você consegue enxergar hoje no espelho que talvez não enxergasse antes? A beleza sempre esteve muito presente na minha trajetória, especialmente por trabalhar com moda e imagem. E acho que, quando somos menos experientes, existe uma tendência de enxergar beleza como algo muito relacionado à validação externa. Aqueles efeitos tendenciais muito comuns entre a molecada. Hoje, minha relação com a aparência é mais leve. Continuo vaidosa, continuo amando moda, maquiagem, fotografia e tudo aquilo que envolve estética. Isso faz parte de mim e não tenho nenhuma necessidade de diminuir essa característica para parecer mais profunda. Mas hoje entendo que beleza sem identidade é muito pouco. Quando olho no espelho prestes a completar 40, não procuro a menina de 20. Eu gosto da mulher que encontro. Enxergo história, personalidade, segurança, feminilidade e, principalmente, identidade. Hoje não quero parecer mais jovem. Quero parecer cada vez mais comigo. A fé e a ancestralidade fazem parte da sua vida e, de alguma maneira, também aparecem na sua forma de se expressar e fazer escolhas. Em uma rotina que exige decisões, responsabilidades e resultados, você ainda escuta a sua intuição? O quanto ela já mudou o rumo da sua história? Muito. Minha espiritualidade não é um acessório da minha vida, ela é uma das minhas bases. Tenho uma relação muito profunda com a fé, com a ancestralidade e com aquilo que não necessariamente conseguimos explicar racionalmente. E isso convive perfeitamente com a mulher prática que eu sou, que precisa tomar decisões rápidas e precisa lidar diariamente com resultados concretos. Para mim, espiritualidade não significa abandonar a razão. Significa compreender que razão e intuição podem caminhar juntas. Minha intuição já me fez mudar de direção, encerrar ciclos, iniciar outros, confiar quando aparentemente não havia garantias e, principalmente, perceber coisas antes que elas se tornassem evidentes. Algumas das decisões mais importantes da minha vida começaram com uma sensação que eu ainda não sabia explicar. Hoje, eu escuto muito mais essa voz. A razão me ajuda a decidir como caminhar, a intuição, muitas vezes, me mostra para onde. Existe algum sonho ou desejo que hoje você se sente ainda mais pronta para realizar? Muitos. (Risos), acho interessante porque existe uma narrativa de que chegar aos 40 deveria nos tornar mais acomodadas ou fazer com que diminuíssemos nossas expectativas. Comigo aconteceu o contrário. Eu chego com mais clareza sobre aquilo que quero construir e, principalmente, sobre aquilo que não quero mais negociar de jeito nenhum. Quero expandir meus projetos na moda e na comunicação, crescer profissionalmente, empreender, criar coisas que tenham a minha identidade e continuar ocupando espaços que talvez, alguns anos atrás, eu mesma não imaginasse ocupar. Até a maternidade está nessa lista! Quero viver essa experiência em muito breve. Por último, existe uma voz que também é sua e vai além da imagem, dos projetos e de tudo o que você construiu até aqui. Se tivesse a atenção do mundo por alguns minutos, o que gostaria que as pessoas ouvissem de você? Eu diria para as pessoas não desperdiçarem a própria vida tentando corresponder àquilo que esperam delas. Existe uma liberdade imensa quando entendemos que podemos mudar, começar de novo, ter interesses aparentemente contraditórios, ocupar lugares diferentes e ainda assim permanecer profundamente fiéis à nossa essência. Eu acredito muito em propósito, em fé, em trabalho e conduta. Acredito que sucesso não deveria ser medido apenas pelo que conseguimos acumular ou conquistar, mas também pelo quanto conseguimos permanecer inteiros enquanto construímos tudo isso. Entendam o valor do tempo e usem isso a seu favor. Deixem assinaturas positivas de si por aí, não entrem em competições desnecessárias, estudem, divirtam-se, trabalhem, conheçam de tudo um pouco... O mundo é um lugar de infinitas possibilidades. O que uma ínfima parcela pensa não define nada! Você não precisa escolher uma única versão para apresentar ao mundo. Sejamos inteiros e plurais. E fé, meu povo, não religião, FÉ!
- O Casamento Perfeito Não Existe - e Talvez Essa Seja a Melhor Parte
Bonjour, minhas queridas leitoras. Retornando como uma mulher casada! Chique, né? Photo Disclosure Hoje trago uma reflexão que tive logo após o meu casamento, a qual se juntou a uma discussão levantada no meu grupo de noivas: as expectativas que carregamos durante a organização do casamento em relação ao dia, aos convidados, aos fornecedores e a qualquer detalhe que esteja envolvido com o evento podem ser as responsáveis pela nossa decepção com a experiência. Como noiva, consigo afirmar que o meu casamento foi perfeito. Foi o dia mais emocionante da minha vida, e eu faria tudo de novo, sem dúvidas. No entanto, como FORNECEDORA, a história é outra. No mesmo dia do casamento e nas semanas seguintes, fiquei sabendo de muitas coisas que deram errado, o que é normal em qualquer evento. Várias coisas saíram do planejado, pequenos detalhes, mas nem eu nem o meu noivo somos pessoas que se abalam facilmente pela espontaneidade da vida. Em um momento do jantar, uma situação bem complicada entre os meus fornecedores me deixou muito tensa. Comecei até a passar meio mal, mas fui respirar fundo e decidi que aproveitaria o dia, independentemente do que acontecesse. Já outras noivas, incluindo algumas minhas, ficam arrasadas e choram muito nas suas luas de mel ao perceberem que alguns detalhes saíram do controle. Atenção: estou falando aqui de detalhes, e não de erros grotescos de fornecedores, como perder fotos do casamento, queimar a decoração ou um vestido com zíper estourado. Vou dar um exemplo: nós fizemos jornais dos noivos que deveriam ser colocados embaixo dos pratos, para que os convidados os encontrassem assim que se sentassem para o jantar, mas o nosso espaço esqueceu deles e nunca os colocou no lugar certo. Assim que o meu noivo percebeu, pegamos os jornais que ainda estavam na caixa, entramos no salão no meio do jantar e gritamos: “EXTRA! EXTRA!”. Tivemos o prazer de entregá-los em mãos para cada um dos nossos convidados. Foi um momento memorável, divertido e superespontâneo. Essa é a nossa visão. Outra noiva poderia estar de coração partido porque eles não estavam no lugar planejado. Outro exemplo é o de um casamento no qual trabalhei semana passada. O DJ errou a música das entradas e quis discutir com a noiva e com a equipe de assessoria segundos antes da entrada da noiva. Felizmente para esta noiva, a sua assessora a defendeu com unhas e dentes e agiu rapidamente quando percebeu a teimosia do DJ. Esse foi o tipo de erro que todos os convidados percebem e que poderia ter sido evitado se o “profissional” tivesse lido com cautela o briefing da assessora. Dois dias depois, ao conversar com a noiva, ela me disse que o seu dia foi maravilhoso e que viveria tudo novamente! Nem parecia que, 48 horas antes, ela estava discutindo com o seu DJ na porta de sua cerimônia. Uma amiga minha que casou em 2022 até hoje lembra que esperava receber mais de 15 mil reais em presentes, mas recebeu “apenas” 9 mil. Ou uma noiva minha de 2023 que ainda hoje está triste porque o véu cobriu a sua tatuagem das costas durante a cerimônia. Ou outra amiga que caminhou até o noivo no altar mais rápido do que estava planejando. Todas essas histórias envolvem o mesmo fator: altas expectativas em relação a elementos que não podem ser controlados. Você nunca sabe o quanto os seus convidados vão te dar de presente. Nunca se sabe a situação que estão enfrentando. Se você se apaixonou por um véu longo, obviamente ele vai cobrir as suas costas durante o curto período de uso, mas vai te deixar espetacular. E, se você caminha mais rápido do que o previsto até o seu noivo, é porque você queria chegar até ele o mais rápido possível — o que eu achei extremamente romântico. Ou seja, o que define o quão perfeito vai ser o seu dia é você mesma e a sua capacidade de deixar fluir. Existem coisas que você não consegue controlar. Entenda também que nem sempre alguém precisa ser responsabilizado por esses imprevistos. Às vezes, não é culpa de alguém, mas simplesmente a forma como o dia se deu. Quanto menos expectativas você tiver, mais se permitir ser surpreendida e tiver a habilidade de ressignificar, mais inesquecível será a sua experiência. Lembre-se da real essência do dia: juntar pessoas que vocês amam no dia que escolheram para iniciar a sua jornada a dois!
- DIEGO HOOKS: UMA ASSINATURA EM EXPANSÃO, PARA ALÉM DAQUILO QUE FOI CRIADO
'SIGNATURE' COVER EDITION - GLOBAL ISSUE Photos: Otavio Henrique - @otaviiow Algumas histórias podem ser contadas pelo lugar onde começaram. Outras, pela distância que conseguiram percorrer. A de Diego Hooks talvez esteja entre as duas. Ao longo dos anos, a Hooks deixou de ser apenas uma revista para se tornar um universo de projetos, encontros e novas possibilidades. Mas olhar para essa trajetória apenas como uma expansão seria simplificar o que existe de mais interessante nela: a capacidade de uma ideia continuar reconhecível mesmo depois de assumir tantas formas. Talvez seja justamente aí que essa história ganhe outra dimensão. Não em uma linha do tempo marcada por conquistas, mas na decisão de continuar criando. De olhar para o que ainda não existe e enxergar espaço para construir. De levar uma ideia adiante até o ponto em que ela deixa de pertencer apenas a quem a imaginou. Hoje, diante de um novo momento da Hooks, a pergunta já não é apenas o que a revista se tornou. É o que acontece quando uma criação ultrapassa o próprio ponto de partida e começa a existir na vida de outras pessoas. Há projetos que crescem porque encontram um mercado. Outros, porque respondem a uma necessidade. E existem aqueles que continuam crescendo porque carregam uma visão capaz de encontrar novos caminhos sem perder a própria essência. A Hooks parece pertencer a essa última categoria. Por isso, falar sobre o futuro não significa deixar o passado para trás. Significa reconhecer o que permaneceu em cada mudança: um jeito muito particular de olhar, escolher, conectar pessoas e colocar ideias em movimento. É nesse ponto que a palavra Signature ganha outro significado. Uma assinatura não está apenas no nome que aparece ao final de uma criação. Ela está naquilo que continua reconhecível, mesmo quando tudo ao redor muda. Nesta edição, Diego Hooks fala sobre origem, escolhas, transformação e futuro. Sobre os sonhos que encontraram um caminho até o mundo, as pessoas que atravessaram essa trajetória e a inquietação que continua levando essa história adiante. Porque algumas pessoas querem estar onde as coisas acontecem. Outras preferem criar o lugar onde elas podem acontecer. 1. A Hooks nasceu de uma ideia muito pessoal. Quando você volta para aquele começo, qual era a necessidade que existia ali? O que você queria criar que ainda não encontrava em nenhum outro lugar? A Hooks nasceu a partir de um sonho meu, que era poder ser um comunicador. Eu criei um blog de moda com 15 anos de idade. Não tinha seguidores nem pessoas que me apoiassem na época; era anônimo. Mas, dentro do meu quarto, eu podia sentar e escrever sobre desfiles de moda, eventos internacionais e lançamentos de grandes marcas. Era algo meu, algo como se fosse uma brincadeira, como se eu brincasse de ser jornalista. E aquela “brincadeira” foi se tornando uma vertente do meu futuro, porque ela foi um farol que me levou aonde estou agora. A revista veio quando minhas ideias já não cabiam em um blog, quando eu já tinha anos de experiência na área e queria realmente levar isso além. Quando criei a revista, foi para alcançar pessoas do máximo de países possível. Lembro que nossa primeira capa foi com duas irmãs gêmeas cantoras, as “No Frills Twins”. Elas são da Austrália, e eu lembro que ouvia elas, então pensei: “Vou chamar elas para a primeira capa de lançamento da revista.” E elas aceitaram na hora. Então, desde o início, a conexão foi internacional. Nunca foi uma plataforma limitada pela distância. Acho que a resposta resumida é que eu realmente queria sair de onde estava e levar meus sonhos comigo para o mais longe. 2. Em que momento você percebeu que a Hooks podia ser mais do que uma revista? Houve algum projeto, decisão ou oportunidade que mudou essa visão? No início, fomos muito abraçados por comunidades. Eu me lembro que uma das nossas primeiras capas foi com uma drag do programa RuPaul’s Drag Race, uma drag da Holanda. E, logo em seguida, com uma Miss Trans. Então, acho que fomos alavancados por pessoas que também sonhavam grande, que sonhavam em se tornar mais do que aquilo que lhes foi oferecido pelo mundo. No momento em que pessoas importantes, que eu realmente admirava, foram aceitando participar da revista, fui percebendo o potencial global e também social da Hooks. Mas houve vários momentos, durante a minha trajetória na Hooks, que fizeram essa chama acender. Como, por exemplo, quando a Ariana Grande comentou em uma produção nossa que fizemos em Nova York, com uma drag também de RuPaul’s Drag Race. Ou quando recebemos, na Hooks, entrevistas exclusivas com artistas internacionais, como a entrevista com a Beyoncé, por exemplo, Kim Kardashian, Dua Lipa, entre tantos outros artistas. 3. Quem acompanha a Hooks percebe que o último ano foi de construção intensa: nasceram novos produtos, a Hooks ganhou espaço e outras frentes começaram a tomar forma. O que motivou esse movimento? Essa expansão nasceu de um plano ou foi acontecendo conforme as oportunidades apareceram? Muita coisa aconteceu no último ano. Passamos por uma reformulação da equipe no final de 2025, que foi muito importante para o crescimento da revista, principalmente no lado artístico. Princípios que são importantes para mim estavam sendo deturpados por pessoas de dentro da revista. Então, quando essas pessoas saíram, tudo voltou ao início do meu sonho. Por isso, 2026 tem sido um ano importante para que a revista volte a sonhar mais alto, a crescer e também a desenvolver novos projetos. 4. Hoje existem projetos bem diferentes levando a assinatura da Hooks. Quando você olha para tudo isso, sente que está construindo marcas separadas ou partes de uma mesma visão? Com certeza, fazem parte de uma mesma visão! A Hooks hoje é um grupo de entretenimento. Temos alguns produtos e marcas dentro do nosso portfólio, mas todos alinhados à nossa ideia e aos nossos princípios. Temos o jornal Sona Times of New York, que é um jornal focado apenas em notícias mais sérias, diferente da proposta editorial da Hooks, mas com os mesmos princípios éticos e editoriais. Também temos a Hooks Brides, que é uma extensão da Hooks, uma revista focada no mundo dos casamentos e das noivas. Já o nosso novo projeto, a Hooks Academy, é uma iniciativa que estamos desenvolvendo em sociedade e que amplia esse universo para a formação. A proposta é aproximar profissionais do mercado de moda, comunicação, jornalismo, entretenimento, entre outras áreas, por meio de cursos, workshops, palestras e experiências práticas. É uma frente que tem uma proposta própria, mas que também conversa com tudo aquilo que construímos ao longo dos anos dentro da Hooks. Temos também projetos que estão em andamento, como a Eurotrip Fashion, que conta com parceiros internacionais na Europa. Muitos outros projetos e marcas atuam em parceria com a Hooks e, por isso, só temos a agradecer a cada profissional que caminha conosco. 5. A Signature Issue fala sobre deixar uma assinatura no que se constrói. Quando você imagina a Hooks daqui a cinco ou dez anos, qual é a marca que gostaria de deixar nas pessoas e no mercado criativo? Sabe que, uma vez, eu ainda era adolescente, e meu pai me disse uma coisa que levei para a vida. Ele falou que eu deveria sonhar com o melhor cenário que pudesse imaginar para os próximos 10 anos. E agora, com essa pergunta, você me fez lembrar que, quando meu pai me perguntou o que eu imaginava ser em 10 anos, com certeza, não era nem 50% do que a Hooks chegou a ser hoje. Então, eu imagino o melhor para a Hooks nos próximos 10 anos. Imagino poder chegar a lugares onde ainda não chegamos e, talvez, explorar mais o Japão, a China e a Coreia do Sul. Já fizemos vários lançamentos por lá, mas gostaria de ter uma equipe na Ásia Oriental. 6. Ao longo da sua trajetória, a Hooks sempre foi uma forma de dar voz a ideias, pessoas e movimentos criativos. Mas existe uma voz que também é sua. Se você tivesse a oportunidade de ser ouvido pelo mundo inteiro por um único momento, qual mensagem faria questão de deixar? “Eu não quero apenas estar onde as coisas acontecem. Eu quero ser parte daquilo que faz as coisas acontecerem.” A Hooks é esse sonho vivo dentro de mim. Ela é uma extensão de uma criação que me fez ser um indivíduo especial. Então, acho que eu não quero apenas ver, de longe, o mundo acontecer. Eu quero ser quem movimenta as coisas. Compre agora sua revista impressa da edição clicando abaixo:
- Elir Andrade: O Poder das Conexões, da Reputação e do Crescimento Estratégico
Photos Disclosure Press No cenário empresarial atual, o sucesso já não é determinado apenas pela qualidade de um produto ou serviço. Em um ambiente no qual a concorrência cresce constantemente e a atenção se tornou uma das moedas mais valiosas, a capacidade de construir relacionamentos significativos passou a ser uma parte fundamental do crescimento sustentável. Conexões estratégicas podem abrir portas que as estratégias empresariais tradicionais não conseguem alcançar. Elas criam oportunidades de colaboração, fortalecem o posicionamento profissional, ampliam a visibilidade e permitem que marcas alcancem pessoas e mercados que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis. Mas o verdadeiro networking não se resume a acumular contatos. Trata-se de construir relacionamentos baseados em confiança, valor mútuo e autenticidade. Para o empresário Elir Andrade, essa distinção é essencial. Ao longo de sua trajetória, ele vivenciou de perto como a conexão certa, estabelecida no momento certo e construída a partir de um interesse genuíno, pode se transformar em algo muito maior do que um simples contato profissional — pode evoluir para uma parceria, uma oportunidade, um novo negócio ou até mesmo uma relação de longo prazo capaz de transformar uma carreira inteira. Entrevista com Elir Andrade: O Poder das Conexões, da Reputação e do Crescimento Estratégico Em um mercado cada vez mais competitivo, qual é o segredo para conectar empresas a grandes marcas de forma estratégica e gerar oportunidades reais de negócios? Acredito que o grande segredo está em compreender que conectar empresas vai muito além de simplesmente apresentar uma marca à outra. É preciso entender os dois lados, conhecer o momento, os objetivos e o posicionamento de cada empresa para identificar onde existe uma conexão que realmente faça sentido. Quando pessoas e marcas se unem com propósito e estratégia, a oportunidade deixa de ser apenas uma conversa e passa a gerar valor, reputação e negócios de verdade. Você acredita que o networking ainda é um dos principais ativos para o sucesso empresarial? Como construir conexões que realmente tragam resultados? Sem dúvida. O networking continua sendo um dos maiores ativos de qualquer profissional ou empresa. Mas acredito que networking não significa apenas conhecer muitas pessoas, e sim construir relações verdadeiras. Não adianta aparecer apenas quando se precisa de algo. É fundamental estar presente, trocar experiências, ouvir, contribuir e cultivar confiança. As melhores oportunidades, na maioria das vezes, surgem de relacionamentos construídos com respeito, consistência e autenticidade. Muitos jovens sonham em empreender e construir uma carreira de sucesso. Que conselhos você daria para quem está começando e quer se destacar desde cedo? Meu principal conselho é: comece. Muitas pessoas esperam o momento perfeito, acreditando que precisam estar totalmente preparadas antes de dar o primeiro passo. A realidade é que quase ninguém começa assim. Tenha responsabilidade, busque conhecimento constantemente e, principalmente, mantenha a curiosidade. Observe o mercado, as pessoas e as oportunidades. Não tenha vergonha de começar pequeno. O importante é iniciar a caminhada com disposição para aprender, evoluir e crescer. Ao longo da sua trajetória, quais foram os maiores desafios que enfrentou e quais aprendizados considera fundamentais para sua carreira? Um dos maiores desafios foi compreender que o crescimento também exige paciência. Nem tudo acontece no tempo que desejamos. Já enfrentei inseguranças, desafios e momentos em que precisei tomar decisões importantes sem ter todas as respostas. Essas experiências me ensinaram a valorizar a consistência, a responsabilidade e a capacidade de adaptação. Também aprendi que ninguém constrói uma trajetória de sucesso sozinho. As pessoas que caminham ao nosso lado fazem parte dessa história. Qual é o papel da assessoria de imprensa na construção da credibilidade e da autoridade de uma empresa ou de um empresário? A assessoria de imprensa desempenha um papel fundamental porque transforma histórias, posicionamentos e ações em comunicação estratégica. Não se trata apenas de colocar uma empresa na mídia, mas de entender o que precisa ser comunicado, para quem e da maneira mais eficiente. A credibilidade é construída ao longo do tempo, com consistência e coerência. Nesse processo, a assessoria contribui para fortalecer a imagem e consolidar a autoridade de uma marca de forma responsável e verdadeira. Na sua visão, existe diferença entre ser famoso e ser uma referência no mercado? Como transformar visibilidade em reputação sólida? Existe uma diferença enorme. A fama pode surgir rapidamente e, muitas vezes, ser passageira. Tornar-se uma referência exige tempo, entrega, consistência e resultados. A visibilidade chama atenção, mas é a reputação que gera confiança e faz com que as pessoas reconheçam e valorizem o seu trabalho. Para mim, o caminho é alinhar discurso e prática. Não adianta falar sobre excelência sem entregá-la diariamente. A reputação nasce justamente dessa coerência. Quais erros você mais observa em empresas e profissionais quando tentam ganhar espaço na mídia e fortalecer suas marcas? Um dos erros mais comuns é querer aparecer por aparecer. A mídia não deve ser tratada apenas como uma vitrine. É preciso ter uma história relevante, um posicionamento claro e uma estratégia bem definida. Outro erro frequente é tentar copiar o posicionamento de outras pessoas ou empresas. Cada marca possui uma identidade única e precisa comunicar aquilo que realmente a diferencia. Além disso, muitas organizações ainda subestimam a importância de construir sua imagem de forma contínua, em vez de investir em comunicação apenas durante crises ou momentos específicos. Olhando para o futuro, quais tendências você enxerga para a comunicação, o posicionamento de marcas e a construção de influência no ambiente empresarial? Vejo um futuro cada vez mais orientado pela autenticidade, pelo relacionamento e pelo posicionamento estratégico. As pessoas estão mais conscientes e conseguem identificar quando uma comunicação é artificial. A tecnologia e a inteligência artificial certamente transformarão o mercado, mas acredito que o fator humano continuará sendo essencial. No fim, empresas são feitas de pessoas e de relações. As marcas que conseguirem se comunicar de forma verdadeira, responsável e estratégica terão muito mais condições de construir influência sólida e duradoura. Elir Andrade destaca um princípio fundamental do empreendedorismo moderno: o sucesso duradouro é construído por meio de relacionamentos significativos, comunicação estratégica e criação consistente de valor. Em um cenário empresarial cada vez mais dinâmico, a visibilidade por si só já não é suficiente. O que realmente diferencia profissionais e marcas é a capacidade de construir credibilidade, manter a autenticidade e transformar conexões genuínas em oportunidades de longo prazo. Sua perspectiva reforça uma reflexão importante: o crescimento sustentável não acontece da noite para o dia, mas é resultado de confiança, propósito, consistência e da coragem de construir relacionamentos que vão muito além dos negócios.
- Dra. Flávia Cury Rezende: a excelência não acontece por acaso
'BUSINESS' EDITION COVER - AUGUST 2026 ISSUE Photo: @demmacedo / Beauty: @dariobion / Video: @olivervideomaker_ / Styling: @eduardomurari @diegobbueno / Studio: @openstudio Antes da dermatologista que conhecemos hoje, existiu uma menina que precisou conquistar cada etapa da própria trajetória com muito estudo, muito trabalho e uma disciplina difícil de negociar. O lugar que ocupa hoje não surgiu de um caminho rápido. Foi construído aos poucos, entre livros, plantões, provas e uma rotina que, durante a preparação para a residência, chegou a incluir dez horas de estudo por dia. Antes de escolher a Dermatologia, Flávia decidiu seguir pela Clínica Médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A experiência ampliou sua forma de enxergar o paciente e continua presente na médica que é hoje. A pele nunca deixou de ser o foco, mas passou a ser observada como parte de um organismo inteiro, e não de maneira isolada. Dra. Flávia Cury Rezende é médica dermatologista formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. É titulada em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro efetivo da SBD e também participou da formação de novos profissionais como preceptora da Pesquisa Clínica da Cosmiatria e do ambulatório de psoríase e imunobiológicos da FMABC. As credenciais ajudam a contar sua trajetória, mas não explicam completamente quem ela é. Existe uma ideia que aparece repetidamente quando fala sobre a profissão e que, de certa forma, organiza sua maneira de trabalhar: estudar nunca foi apenas um requisito para avançar na Medicina. Sempre foi uma forma de respeitar quem estaria do outro lado da consulta. “Estudo não é só um detalhe. Estudo é responsabilidade com o próximo.” A frase resume uma convicção que ela leva para dentro do consultório há mais de uma década. Para Flávia, conhecimento não é apenas um diferencial profissional. É uma obrigação de quem escolheu cuidar de pessoas. Talvez seja por isso que a atualização continue ocupando espaço em sua rotina, mesmo depois da formação, da residência e da consolidação da carreira. Essa visão também molda a maneira como ela entende a Dermatologia estética. Em um momento em que procedimentos ganharam espaço nas redes sociais e resultados imediatos costumam receber mais atenção do que diagnósticos bem feitos, Flávia prefere começar por outra pergunta: o que realmente faz sentido para aquela paciente? Para ela, cuidar da aparência não significa transformar alguém em outra pessoa. Significa compreender o que incomoda, identificar o que pode ser melhorado e respeitar aquilo que torna cada rosto único. A estética, quando bem conduzida, não apaga identidades. Ela acompanha a história de quem está ali. Existe uma diferença importante entre realizar um procedimento e saber quando ele deve, ou não, ser indicado. É nesse intervalo que entram o olhar clínico, a experiência e o senso de responsabilidade que ela considera indispensável à especialidade. Quem convive com Flávia costuma descrever uma característica marcante de sua personalidade profissional: o perfeccionismo. Ela concorda, mas faz uma ressalva. Na Medicina, buscar o melhor resultado nunca pode significar ultrapassar o limite da segurança. O bom resultado, para ela, precisa existir dentro desse equilíbrio entre técnica, conhecimento e prudência. Ao longo dos anos, sua carreira passou por diferentes fases. A FC Dermatologia representa um capítulo importante dessa construção e faz parte da história que consolidou seu nome na especialidade. Hoje, vive um novo momento profissional, sem abrir mão daquilo que considera essencial: continuar estudando, aperfeiçoando o olhar e recebendo cada paciente com o mesmo cuidado que guiou o início de sua trajetória. Quando olha para trás, o reconhecimento parece consequência de um processo muito maior do que títulos ou procedimentos bem executados. Ele nasce da constância. Dos anos dedicados ao estudo, da experiência acumulada na prática clínica e da decisão diária de fazer melhor do que no dia anterior. Talvez seja essa a melhor forma de entender sua história: não como a trajetória de uma dermatologista que chegou a um ponto de excelência, mas de uma médica que continua tratando o aprendizado como parte inseparável da profissão. É sobre esse caminho, sobre o que a Medicina exige de quem decide exercê-la e sobre a mulher que existe por trás da dermatologista que Dra. Flávia Cury Rezende fala nesta entrevista. 1. Antes da dermatologista, existiu uma menina que precisou conquistar cada etapa da própria trajetória com muito trabalho. Você estudava por horas para entrar na residência e construiu sua formação passo a passo. O que aquela menina tinha que você fez questão de não perder ao longo dos anos? Acho que aquela menina tinha, acima de tudo, determinação. Desde a faculdade de Medicina, eu tinha o sonho de ser dermatologista e aprendi muito cedo que, para realizá-lo, não bastava querer. Era preciso trabalhar, estudar e persistir. Cheguei a dar aulas de inglês para conseguir juntar dinheiro, e foram anos estudando muitas horas por dia até conseguir entrar na residência. Foram dois anos de Clínica Médica antes da Dermatologia e, depois, mais três anos de residência, quando também engravidei. Foi uma fase muito intensa, mas que me ensinou muito. Hoje, olhando para trás, percebo que nem sempre o caminho que imaginamos é o caminho que a vida nos reserva. Ter fé, para mim, é confiar que a vida reserva desfechos surpreendentes, mas que precisamos também fazer a nossa parte. Muitas vezes, Deus nos conduz por caminhos mais bonitos e felizes do que qualquer plano que a nossa mente poderia ter imaginado. 2. Sua formação começou na Clínica Médica, no Hospital das Clínicas, antes da Dermatologia. O que aqueles anos mudaram na maneira como você olha para um paciente hoje? A Clínica Médica me deu uma base de Medicina que considero fundamental, mas talvez o maior legado daqueles dois anos não esteja exatamente naquilo que eu uso de forma teórica no meu dia a dia. Está na bagagem, na vivência e na experiência que construí ali. Foram dois anos vividos de uma maneira muito intensa, dentro de um dos maiores hospitais do país, convivendo diariamente com pacientes, doenças e situações que exigiam muito de mim. Eu entrei ali como uma menina, uma médica ainda muito jovem, e saí como uma mulher e uma médica muito mais preparada para enfrentar os desafios que viriam pela frente. Foi uma experiência que me transformou. E essa segurança, esse olhar mais amplo para o paciente e essa capacidade de enxergar o indivíduo para além da queixa que o trouxe até mim são coisas que eu carrego comigo até hoje. Foi, sem dúvida, uma das experiências mais importantes e bonitas da minha formação. 3. Você costuma dizer que “estudo não é só um detalhe. Estudo é responsabilidade com o próximo”. O que essa frase significa para você na prática, principalmente quando alguém coloca nas suas mãos a própria saúde, a própria imagem e, muitas vezes, uma insegurança que nem sempre consegue colocar em palavras? Para mim, conhecimento é uma forma de cuidado. Quando alguém entra no meu consultório, está confiando em mim algo muito íntimo. Às vezes, é uma doença; às vezes, é uma queda de cabelo, uma cicatriz, uma mudança causada pelo envelhecimento ou simplesmente algo na própria imagem que começou a incomodar. Por isso, eu não acredito em parar de estudar depois que a residência termina. Pelo contrário. A residência foi apenas o começo. Eu estudo continuamente, participo de congressos, acompanho novas tecnologias, leio artigos e procuro entender o que realmente tem evidência por trás de cada novidade. Existe muita coisa nova surgindo o tempo inteiro na Dermatologia e, para mim, é responsabilidade do médico saber separar aquilo que realmente pode beneficiar o paciente daquilo que é apenas uma tendência. Eu procuro unir conhecimento, experiência e bom senso. Porque não quero apenas entregar um resultado bonito. Quero entregar um resultado bonito, natural e seguro. 4. Depois de mais de dez anos de profissão, você provavelmente aprendeu que nem sempre o que o paciente pede é, de fato, o que ele precisa. Quando uma paciente chega querendo mudar alguma coisa em si, o que você procura entender antes de decidir se aquela mudança realmente faz sentido? Primeiro, eu procuro entender o que está por trás daquela vontade de mudança. Às vezes, a paciente chega pedindo um procedimento específico, mas, quando conversamos, percebemos que a queixa é outra. Pode ser uma característica que ela sempre teve, uma mudança que aconteceu com o tempo ou até uma insegurança que ficou muito maior do que aquela característica realmente é. Por isso, eu gosto muito de ouvir antes de propor. Também observo a pessoa como um todo: idade, características individuais, qualidade da pele, estrutura facial, proporções, estilo de vida e, principalmente, o que é possível fazer sem apagar a identidade daquela pessoa. Eu acredito muito em individualização. Não existe uma receita pronta. Duas pessoas podem chegar com a mesma queixa e precisar de estratégias completamente diferentes. E existe também a importância de saber dizer não. Nem tudo que pode ser feito deve ser feito. Muitas vezes, o melhor tratamento é explicar que determinada intervenção não vai trazer o resultado que aquela pessoa imagina ou que, naquele momento, ela simplesmente não precisa daquilo. 5. Você é extremamente exigente com o resultado, mas também entende que, na Medicina, fazer mais nem sempre significa fazer melhor. Como você reconhece o momento em que um resultado já chegou ao ponto certo? Eu acho que não existe uma resposta única para isso. Não existe uma regra dizendo: “aqui está o ponto certo”. Existem limites médicos, éticos e de segurança que precisam sempre ser respeitados, mas, dentro desses limites, o que é um bom resultado também depende da expectativa e da satisfação de cada paciente. Por isso, para mim, o primeiro passo é alinhar expectativas. Eu preciso entender o que aquela pessoa espera, o que realmente a incomoda e o que é possível entregar. E esse alinhamento precisa acontecer desde o início, porque muitas vezes o paciente já se sente muito satisfeito com uma melhora que, para mim, ainda poderia ser aprimorada. E está tudo bem. O resultado precisa fazer sentido para aquela pessoa. Também acontece o contrário. Às vezes, eu considero que chegamos a um resultado muito bom, mas o paciente é mais exigente e deseja melhorar ainda mais. E também não existe nada de errado nisso, desde que exista possibilidade técnica e que estejamos dentro de limites seguros. Uma cicatriz é um bom exemplo. Muitas vezes, não existe um momento em que podemos dizer que ela chegou ao “ponto certo” de forma absoluta. Podemos melhorar textura, cor, espessura, qualidade da pele. O limite vai depender da resposta daquele organismo e, principalmente, do quanto aquela pessoa está satisfeita. Então, eu diria que o ponto certo é uma construção. É o encontro entre aquilo que é tecnicamente possível, aquilo que é seguro e aquilo que faz sentido para o paciente. Eu sou muito exigente com os meus resultados, mas aprendi que a Medicina não é sobre perseguir uma perfeição. É sobre entregar a melhor versão possível daquele resultado para aquela pessoa, respeitando sua individualidade. 6. Depois de tudo o que você estudou, construiu e viveu até aqui, o que ainda sente que precisa dizer? Se pudesse deixar uma única mensagem para ser ouvida por mais pessoas, qual seria? Eu diria que saúde é uma construção. E que cuidar da aparência também faz parte desse cuidado, mas não pode ser separado do restante. Nós conseguimos resultados estéticos muito bonitos hoje. Temos tecnologias, medicamentos, procedimentos e tratamentos que evoluíram enormemente. Mas, se uma pessoa não cuida da própria saúde, não se movimenta, não faz atividade física, não se alimenta adequadamente, não dorme bem e não olha para o próprio corpo de uma forma integral, os resultados que conseguimos na estética também terão seus limites. Foi justamente a minha formação em Clínica Médica, somada à Dermatologia, que me ensinou a olhar para o indivíduo dessa maneira. Eu não consigo olhar apenas para a pele que está na minha frente. Existe uma pessoa inteira por trás dela. E essa é uma das coisas que mais amo na Dermatologia. É uma especialidade que cuida de pele, cabelos e unhas, mas que também nos permite entender o paciente de forma muito ampla. A pele muitas vezes é o primeiro lugar onde percebemos que alguma coisa não está bem, e o dermatologista precisa ter conhecimento médico para reconhecer isso. Por isso, acredito muito na importância de procurar um médico que tenha formação em Dermatologia. O dermatologista não é apenas o profissional que trata uma queixa estética. É o médico que estudou para cuidar das doenças e condições da pele, dos cabelos e das unhas e que precisa compreender o paciente como um todo. No final, cada indivíduo é único, mas também é global. Não dá para separar pele, corpo, saúde, hábitos, envelhecimento e autoestima como se fossem coisas independentes. Talvez essa seja a mensagem que eu mais gostaria de deixar: cuidar de si não é tentar corrigir tudo o que você vê no espelho. É entender que você é um conjunto e que saúde, autoestima e bem-estar precisam caminhar juntos.












